Carta a Um Anjo

Hey meu amigo, como está? Desejo eu que esteja bem assim como eu.

Lê: Sorrindo.

Estava eu pensando, neste belo dia ensolarado e dentro deste ônibus, no dia que estávamos juntos compondo e dançando aquela música naquela velha casa que, apesar de tudo, abriu as portas para você sair para mundo. 

Porque eu estava relembrando? Não sei ao certo. Penso que, por você ser o que você é dias assim me faz pensar em você, e desejar que esteja bem.

Lê: Sorrindo.

Agora, pensando em você, decidi escrever esta carta a você para que você não se esqueça de que tem um amigo, que gosta muito de você, apesar de sermos diferentes.

Outra coisa de que me lembro nestes momentos é que você pode viver feliz por ser o que é, enquanto eu desejo viver momentos felizes com pessoas e seres diferentes enquanto eu puder. Eu imagino que, viver com você ao teu lado um dia, ou dois, seria de valor inestimável à nossa amizade. Pena não podermos... Por sermos diferentes, você sabe.

Bem, não vou ocupar mais o seu tempo meu amigo, apesar queria lhe dizer que estou com saudades mesmo.

Lê: sorrisos e risos sozinhos.

Me deseje sorte para conseguir aquilo que tanto desejo tá?

Com certeza, nós iremos se ver em algum lugar.

Abraços de seu amigo.

Lobo.

Posted on 19:00 by Yuri Costa

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O Casamento – Parte 3 – Final

“Aquela bela casa, aquele belo convite, a belíssima senhora Marietta... E o futuro que não espera para chegar...”

Havia muitos campos, todos cheios de um gramado aparentemente alto e bem verde. Nessa época do ano a natureza está cheia de força e vida.

Tirando algumas poucas árvores que eram vistas em cima de algumas planícies, praticamente não havia árvore nenhuma. Fechei os olhos enquanto voava pelo céu de nuvens brancas e baixas, eu estava na altura das mesmas. Aquele cheiro de gramado tão forte e um pouco adocicado que subia me fazia sentir uma alegria interminável no meu peito. Mas logo que o cheiro mudou para algo mais salgado e o ar ficou frio, abri meus olhos preocupado e observei o local que eu sobrevoava agora com mais lentidão.

Parecia um pântano comum, e o céu acima de mim agora estava fechado e cinzento com ventos mais gélidos. De fato eu estava me aproximando da residência da velha senhora, mas o local havia mudado muito mesmo desde a última vez que eu a vi. Antigamente este local era uma floresta úmida, não um pântano em si, e apesar da umidade, o sol atravessava todos os locais para tocar a terra que manter até as menores plantas fortes. Agora apenas vejo algumas árvores troncudas em meio a essa água escura que segue para o lado em direção a algum lugar.

Não demorou muito e avistei o portal de entrada de carruagens logo a frente. Desci o voo até próximo do chão. Fechei um pouco asas enquanto as batia e voava por entre os vários portais de pedra polida e branca, que na verdade estavam tomados por ervas trepadeiras e daninhas nas bases. A própria grama estava bem mais alta, não deveria ser podada há meses.

Rapidamente atravessei-os e cheguei a um espaçoso local onde estava a fonte circular, com água esverdeada e parada, pois a própria fonte estava desligada e já havia ervas trepadeiras subindo pela base e vários galhos adentrando a água. Alcei voo e desci tranquilamente na porta do casarão que um dia já fora da mais polida brancura em suas paredes. Levantei a mão para tocar a porta e a mesma se abriu.

- Meu amigo... – disse o marido de dona Marietta, senhor Lorenzo – dando alguns passos firmes em minha direção e me dando um abraço caloroso.

- Olá... – tentei dizer seu nome mas não consegui devido ao abraço apertado. Instantes depois ele me soltou e pude observar a senhora logo atrás dele. Rapidamente ele deu passagem a ela.

- Senhor lobo... – Me cumprimentou ela como uma dama, pegando em seu vestido branco e muito bem decorado com algumas joias e se agachando sem muita dificuldade. – É um prazer ver que você chegou tão rápido – Terminou de dizer ela com um belo sorriso encantador no rosto enquanto saía de dentro do casarão com o braço dado ao seu marido.

- Ó boa tarde senhor Felipe – ouvi a voz de uma mulher que apareceu dentro da casa.

Era a mesma moça que estava com a sua filha, a daminha de honra, que me levou o convite.

- Boa tarde moças – respondi com clara educação e um sorriso de volta enquanto me virava para fora e via o casal andando vagarosamente os degraus da pequena escadaria até uma carruagem que apareceu atrás de mim sem que eu percebesse, e sem condutor.

Não consegui conter um sentimento de tristeza e felicidade que me encheu por dentro e fui ajudar o casal a caminhar tranquilamente até a entrada da carruagem.

- Vou sentir saudades de vocês dois... – acabei falando e limpando o rosto com a mão livre enquanto continuava a falar – Não os verei tão cedo de novo, não é?

A senhora Marietta deu um longe suspirar e sorriu de volta para mim, enquanto era abraçada pelo seu marido.

- Vamos nos encontrar de novo... Mas no seu mundo dessa vez, garoto-lobo – me respondeu ela com risinhos meigos naquele rosto já marcado pela idade e simpático ao mesmo tempo.

Tão logo ambos haviam entrado na carruagem e eu havia fechado a pequena porta de madeira, as grandes rodas de maneira do veículo começaram a mexer e a girar lentamente, fazendo-o se mover ao redor da fonte.

Prestes a completar a volta, quando o casal passou por mim, a daminha de honra correu de dentro da casa com um cesto simples cheio de pétalas e as jogou no ar no mesmo instante foram levadas para o alto pelo vento, e abaixo das rodas de madeira formou-se um caminho dourado parecido com uma estrada simples de pedra, por onde a carruagem começou a ganhar velocidade e subiu em direção ao céu com as pétalas em volta.

Eu que estava no chão, com o rosto molhado em lágrimas de felicidade, fui desperto de meus pensamentos quando a moça pôs um binóculo a minha frente.

- A senhora Marietta queria que você olhasse por esse binóculo depois que ela e seu marido partissem, meu jovem. – disse-me ela entregando a mim o objeto.

- Entendo... – respondi, pegando o objeto e o colocando em meus olhos. Olhei o jardim por ele, e logo a visão do jardim havia mudado para a visão de uma avenida que passava em frente com muitos carros e ônibus, além de pessoas que passavam nos cantos e arredores. O binóculo mostrava o futuro.

Movi a visão mais para perto de mim, e pude ver que o local iria ficar abandonado e mudaria muito mais drasticamente do que estava já.

Novamente mudei a visão para a fachada do casarão do casal e eu não via nada de casa, apenas céu cinza, e quando abaixei e girei um pouco, pude ver que o espaço da casa sumiria e daria lugar a apenas uma praça com alguns brinquedos um pouco mal cuidados.

Tirei o binóculo de meu rosto e novamente chorei de tristeza.

- Senhor lobo... Está tudo bem? O que vai acontecer com a casa da vovó e do vovô? Pra onde eles foram? – me perguntou a pequena daminha que logo recebeu uma repreensão de sua mãe.

Me agachei e limpei o rosto.

- Eu vi, que a casa deles vai mudar muito... Muito mesmo, e que aqui, vão ter coisas legais para crianças brincarem um dia – respondi a menina bagunçando o cabelo liso dele, que logo reclamou para que eu parasse enquanto voltava a falar. – E o vovô e a sua vovó foram para um lugar muito bonito, onde eles vão ficar muito felizes. – respondi com um sorriso no rosto.

Logo a menina entrou na casa correndo e falando com sua mãe.

- Mãe, vou me trocar pra gente ir embora, está bem?

- Está bem – respondeu a moça a sua filha que assim que sumiu de sua vista se virou para mim me olhando e perguntou: – É verdade isso?

- É sim – respondi a ela mas logo emendei – Apenas não contei como vai ficar esse lugar inteiro um dia... mas é a verdade sim, e os dois vão renascer algum dia no meu mundo... afinal, eles já estão aqui descansando faz muito tempo.

- Verdade... – respondeu a moça que lentamente fez um agradecimento se curvando e levantou, falando: – Obrigado por tudo, por cuidar deles, e conhecer eles, jovem... a gente vai se ver de novo?

- Um dia, com certeza vamos – respondi a ela com um sorriso enquanto sumia daquele mundo, despertando de mais uma noite, onde eu escolhi, sempre, cuidar de quem cuidou de mim.

***

Acordei num dia frio e lembrando de tudo o que houve a noite.

- Aquele Jhonathan... Abusado – sai da cama reclamando mas feliz por tudo o que houve.

Posted on 17:40 by Yuri Costa

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O Casamento - Parte 2

“Um Casamento depois de estar morto... De alguém que um dia você esteve lado a lado... Surpresas...”

Antes que pudesse reagir, eu já estava sentindo Jhonathan me derrubar no chão com uma força que ele não aparentava ter por seu corpo magro.

- O que você...? – perguntei para ele, já o vendo em cima de mim, com o corpo reto e os olhos fixos nos meus.

Logo ele foi para trás e segurou minhas pernas juntas, sacou de seu único bolso traseiro uma faixa azul, aparentemente grossa, mas leve, e começou a amarrar minhas pernas com força e velocidade. Não demorou para minha mente começar a pensar coisas subversivas da minha situação. Eu ali, sendo amarrado e um espirito de mulher com a sua filha me olhando sem saber o que fazem por mim.

- Jhonatan! – chamei em voz alto o suficiente para que ele olhasse em meus olhos e os vi, mudarem suavemente do castanho avermelhado, para o castanho escuro.

- Felipe...? – disse ele parando de me amarrar.

Logo me deitei e tirei a faixa de minhas pernas e da mão dele.

- Felipe me desculpe... Eu não percebi... – começou a falar constrangido.

Coloquei minha mão em minha testa de forma constrangedora. Com certeza ele é forte e tem habilidades formidáveis, mas controle lhe faltava. Fechei os olhos. imaginando o motivo da situação ter acontecido e abri os olhos tentando não pensar mais nisso.

- Jhonathan... – chamei ele, interrompendo-o de suas desculpas que eu não estava ouvindo devido a profundidade de meus pensamentos - Pode me deixar sozinho por favor?

- Mas... – relutou ele olhando meus olhos.

Respondi com um suspirar e um piscar de olhos lentos.

- Está bem... Desculpe... – Terminou ele e saio pelo mesmo lugar que havia entrado.

Aguardei um pouco mais após a saída dele e me virei para as duas atrás de mim com o rosto claramente chateado.

- Me desculpem... espero que essa situação não as tenham feito mal.... – me inclinei para baixo como de costume quando me desculpava.

- Está tudo bem – respondeu a mulher abrindo um sorriso gentil enquanto a sua filha voltava a soprar as flores no canteiro.

-E o que as moças fazem aqui? – perguntei após me levantar e ficar na posição normal, notando que o céu cinza começava a escurecer um pouco mais, mas a chuva ainda continuava fina.

- Na verdade... – começou a falar a moça – Eu vim trazer a você mesmo um convite. A minha filha veio atrás... – respondeu a mulher com um meio sorriso e logo o convite se fez visível na palma da mão morena dela.

Um simples envelope branco, com a parte de trás virada para cima, com o brasão da família dela carimbado em preto e vermelho. O brasão era bonito, reconheci na hora aquele símbolo de duas flores se entrelaçando e ervas crescentes ao lado e se tocando acima das flores. Peguei o envelope e o virei. A frente apenas a quem era endereçado, a mim, e para o que era, o casamento.

Apesar do carimbo, o meu nome, o motivo do convite e o próprio nome da noiva estavam escritos à mão, a letra como sempre delicada e exuberante. A assinatura, então, um exemplo de arte.

- Marietta... – falei em voz alta.

- Sim! – exclamou a menina sorrindo que logo falou mais – A vovó vai casar com vovô e pediu para você ir ao casamento! Ela gostou da sua companhia! – falou ela bem entusiasmada.

- Verdade – completou a moça sorrindo.

Não consegui conter um sorriso de alegria e emoção que se fez bem aparente em meu rosto, e tão logo minhas asas se abriram sem que eu conseguisse impedi-las também, me deixando sem graça na frente de ambas e meio avermelhado.

- Nossa... – abriu um pouco mais os olhos e moça falando ao mesmo tempo. – Não sabíamos que você tinha asas de anjo jovem, e que belas asas – concluiu ela.

- Poucos sabem... – respondi muito sem jeito e, sentindo o meu coração bater forte no peito, não me aguentei. Agachei os joelhos e, num salto, bati as asas para cima, indo embora para o céu, me virando para olhar para baixo e vendo apenas as duas sumindo tranquilamente, as mãos da menina balançando para os lados em sinal de até logo.

Rapidamente ouvi um trovão mais longe e percebi que a chuva não demoraria a se aproximar. Bati as asas novamente em direção contrária me afastando logo dela.

Enquanto estava no céu, olhei para baixo e rapidamente não via mais vilas, nem estradas, nem castelos, nem Jhonathan. Apenas as árvores e florestas e poucas aberturas de campos. Meus pensamentos por um momento me perguntaram o motivo dele ter feito aquilo mais cedo, e eu tranquilamente os respondi.

“Seja lá o motivo pelo qual ele fez aquilo... Não me importa mais...”

CONTINUA NA PARTE 3

Posted on 18:48 by Yuri Costa

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Capítulo 10 (final de temporada)


Alguns meses após o episódio em que protagonizei uma cena constrangedora com Oscar propositalmente, nós iniciamos um relacionamento. Nos primeiros sessenta dias eu tinha interesse apenas em saber qual era sua verdadeira ligação com papai, mas, no dia a dia, e com todos os encontros que tivemos, Oscar se mostrou um homem atencioso e carinhoso. Isso me deixou desconcertada, e fez com que eu deixasse um pouco de lado essa história de investigação. Depois que o relacionamento se estabilizou, eu procurei ajuda e iniciei a busca por informações sobre Oscar, papai e aproveitei para descobrir a razão que de fato levou a morte de mamãe.

Apesar do charme e do carinho excepcional que Oscar tecia a fim de me encantar, vez ou outra, Nicholas roubava meus pensamentos. Foram dois anos. Eu havia saído de seu apartamento em Abril e veja só? Já estamos em Dezembro. Não deu tempo de esquecer os anos que passamos juntos. Pelo menos eu ainda não esqueci o que passou. Eu não quero esquecer e gostaria muito que ele também não tivesse esquecido. Ainda me sinto presa a ele. Oscar tem sido perfeito, mas Nicholas se tornou insubstituível.

Ainda penso em como ele deve estar, em onde ele deve estar. Estive em seu apartamento um mês depois de minha partida, para recolher as coisas que esqueci e ele não estava mais lá, soube pelo porteiro que ele havia se mudado. Aquilo me doeu de um jeito louco. Quando soube da notícia, liguei pelo menos umas cinquenta vezes, mas ele não atendia mais minhas ligações. Eu definitivamente havia perdido o homem da minha vida e desde então eu tentei esquecê-lo, mas só tentei.

Era a época de o Natal chegar, a cidade estava fria e movimentada. A nostalgia estava no ar, seria o meu primeiro natal sem o Nicholas e eu cruzava os dedos todos os dias de manhã para que por alguma razão ele resolvesse visitar a cidade. Eu havia dado uma pausa nas investigações, mas Dilan e seus amigos que me ajudavam nessa empreitada, prometeram continuar procurando mais informações. Dilan trabalhava para uma rede de investigadores estritamente secreta e diretamente da Austrália, como havia comentado, ele estava de passagem em Truly. Por essas e outras ele quase não visitava Dona Rose, e para convencê-la de que não estava perdido no mundo, fez um cursinho de culinária. Sua namorada também pertencia à rede de investigações, na verdade eles se conheceram lá.

Quando procurei a ajuda de Dilan, tanto eu quanto ele sabíamos dos riscos, mas por sorte ele era da área e pode me ajudar. Conforme o tempo passou, pude ter certeza que papai não era nenhum santo e Oscar menos ainda. Talvez por saber que não valia nada, eu não estivesse cedendo aos seus carinhos e me recordando constantemente de Nicholas, mas eu não podia me afastar. Nosso relacionamento estava sendo imprescindível para as investigações. Oscar estava se distraindo bastante comigo e deixando os assaltos que estava comandando um pouquinho de lado. Os assaltos eram tudo o que eu sabia, por enquanto.

A noite de Natal enfim chegou, Oscar e eu havíamos decidido comemorar na cidade. O café de Dona Rose estava completamente decorado, Dilan e sua namorada estavam presentes, a vizinhança inteira estava. Havia uma enorme árvore e em seu pé, bom, dezenas de presentes. Tudo estava completamente perfeito, na medida do possível.

O café estava repleto de crianças, elas corriam sem parar. Oscar se animou quando nos deparamos com um bebê de cinco meses. Ele ficou apaixonado. Vindo de alguém agridoce, não me surpreendi. Faltavam alguns minutos para dar meia noite, então me dirigi ao balcão para pegar duas taças de vinho. Elas estavam organizadas para que nenhum funcionário precisasse se preocupar. Sentei-me em um dos banquinhos e fiquei me lembrando dos momentos que tive naquele lugar. As conversas com papai e Alfred, o primeiro café da manhã que tomei sozinha quando briguei com Nicholas... Todas essas lembranças estavam doendo e eu não entendia por que.

Meia noite.

Virei-me para o lado a procura de Oscar, o mesmo ainda se divertia com o bebê. Peguei as taças e aproximei-me de seu corpo. Brindei-o com um beijo em sua nuca.

− Feliz Natal, meu bem.



Oscar se arrepiou e logo devolveu o bebê, virou em minha direção e segurando-me pela cintura, desejou-me tudo que há de melhor no mundo seguido de um beijo apaixonado. A noite estava perfeita, tudo corria bem e eu não podia desejar outra coisa.

Depois do beijo, nos abraçamos e quando menos esperava, Nicholas entrou pela porta principal. Ele estava lindo. E eu? Bom, eu estava perdida, descompassada e ainda loucamente apaixonada.



Nos vemos na 3ª Temporada!

Posted on 15:30 by Yuri Costa

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