O Casamento – Parte 1

“Os meus momentos raros de distração e tranquilidade estão aumentando... Mas mesmo assim, o passado não deixa de ser lembrado”

- Ei! – ouvi alguém me chamar de maneira escandalosa.

- O que foi?! – respondi do mesmo jeito, abrindo meus olhos normais de pessoa e olhando onde eu estava naquela noite de primavera.

Eu estava em uma escola grande, mais precisamente em um pátio de chão de pedra e altos muros com ladrilhos que contavam histórias.

- Vai ficar parado ai por quanto tempo Felipe? – me perguntou um outro jovem. Deveria ter a mesma idade que a minha, vinte e tantos anos, porém mais branco, de cabelos curtos e loiros, corpo grande e físico adequado.

- Ah! – respondi eu já sorrindo e mostrando os caninos afiados que não brilharam apenas por que o céu estava muito encoberto e cinza – Por quanto tempo eu achar que devo olhar, Arnold!

Me aproximei e os outros jovens estavam rindo do que eu havia falado. Todos estavam bem tranquilos, e o lugar não me parecia estranho, mas familiar. Parecia o reino de Wanttz, só que depois de anos e anos. Agora os castelos estavam mais simples e com algumas paredes rachadas, mas o local dos ladrilhos próximo a mim estava impecável. Comecei a rir de uma piada contada por um dos garotos e notei a roupa que todos usavam: uniformes azuis e brancos, como se fossem marinheiros. Entre eles havia o Jhonathan, que estava sem camisa, com o seu corpo muito bem torneado e tão branco quanto o de Arnold à mostra para todos verem.

- Que há, Felipe? – Perguntou ele quando reparou que eu o observava.

- Nada – menti para ele.

- Será? – me perguntou ele, se levantando e cruzando os braços com um sorriso de alguém que sabia quando admiravam ele. Jhonathan era um cara bem sociável pelo que eu sabia e via, vivia cercado de pessoas, fossem homens ou mulheres, mas geralmente homens, e todos sempre de corpo bem trabalhado.

- O que você quer? – me perguntou enquanto me olhava fixo nos olhos.

- Nada – Respondi mentindo novamente.

Nesse momento senti o meu coração bater forte e ele pegou em minha mão. Notei que eu estava usando a minha convencional mochila, e também bermuda e uma regata branca, além de descalço. Ele levantou a minha mão e foi levando em direção ao seu peito. Rapidamente tratei de me soltar dele e o empurrei para trás, o derrubando em cima do banco de pedra que havia encostado ao muro de pedra com ladrilhos e sai correndo em direção a um portão grande ao sul.

- Felipe! – Berrou ele – Espera! – Falou se levantando, mas já tarde, pois eu estava bem a frente dele. Ele tentou me seguir enquanto podia.

Corri rápido, muito rápido pelas passagens da faculdade. Era tudo realmente grande, além de escuro. Não demorou para que eu conseguisse ouvir o barulho de alguns pingos de chuva. Quando parei de correr e prestei mais atenção aonde eu havia chegado, percebi que estava em outro pátio, bem menor que o anterior, mas muito melhor conservado, com ladrilhos no chão da mesma cor e tipo dos que haviam no grande anterior. E, diferente do outro, que tinha apenas pedras e mais pedras e bancos de pedra, neste havia alguns pequenos jardins com flores e plantas que mexiam quando alguns dos pingos as acertava. Tive uma breve visão aérea do local e percebi que as plantas e flores estavam dispostas de uma maneira bem singular.
Havia uma parte maior que formava um canteiro num canto e se estendia até a beira da entrada, mas este canteiro possuía cantos pontudos que se estendiam quase até o centro e na ponta de cada um dos três cantos, haviam um pequeno espaço arredondado sem ladrilhos onde havia apenas uma espécie de flor em cada uma.

- Pois não? – chamou uma moça morena de longos e lisos cabelos de um tom de marrom escuro, ela estava com um vestido longo, de um tom azul bebê, que parava logo depois das canelas, mas deixava à mostra o seu salto simples.

- O moço gosta de flores? – Perguntou uma menininha também morena, de cabelos longos, mas mais encaracolados. Ela estava com uma blusinha cujas pontas tinha uma renda simples feita a mão, um lacinho no pescoço fino e branco, e uma saia que cobria toda a sua perna, mas não escondia a sapatilha.

Fiquei parado por um momento observando as duas e notei que os pingos, que iam se tornando mais constantes, não as molhavam, sequer as tocavam.

- Sim, amo flores – finalmente respondi, piscando e respirando mais calmamente enquanto caminhava para mais perto delas.

Logo eu estava conversando com as duas, sentado no chão, no ladrilho enquanto a garotinha me mostrava as flores de várias cores e perfumes. Não demorou muito e notei algumas conversas paralelas e olhos que olhavam para mim do corredor interno.

Ele está falando sozinho?” – Murmurou uma garota que passou com sua amiga colega, ambas vestidas com uma camisa também azul e branca, como marinheiras mas com pastas nas mãos.

Deve ser um daqueles estranhos” – respondeu a colega diminuindo os passos para olhar para o que acontecia comigo ali.

Uma pena não é? ... Tão bonitinho...” – comentou a garota com uma pasta na mão.

De fato não é? ... Um desperdício...” – Respondeu ao comentário.

- Você não se importa com essas pessoas falando de você pelas suas costas jovem? – me perguntou a moça enquanto eu sorria e falava de flores com a garotinha.

- Não, senhora – respondi e logo emendei demonstrando estar bem e normal para a criança – Não tenho por que me importar com pessoas como elas.

- Felipe?! – chamou alto Jhonathan parado e suado, me olhando e respirando ofegante da entrada.


Assim que ouvi, me tornei sério. De joelhos, me virei para ele, o encarando de maneira séria enquanto o via se aproximar de mim, passo a passo.

Posted on 17:52 by Yuri Costa

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Capítulo 9 (penúltimo capítulo)



Tudo indicava que Fillipe Burton Cartney, o pai de Alexis, era um alvo difícil de ser eliminado pelo próprio Oscar Fragoso, meu maior inimigo. A questão toda era, porque Oscar estava armando para o pai da Alexis? O que ele queria com esses assaltos? Tínhamos em mente essa possibilidade como fator principal de que poderia nos levar ao caminho certo. Ao caminho que nos daria um belo encontro com o Oscar Fragoso e então, eu poderia fazer o que eu vim proposto para tal. Matá-lo.

- Todos estão por dentro do que está acontecendo, certo? – perguntou Rony de Paula para todos os agentes presentes.

Robbie na verdade, era o único dentre os agentes que não estava presente, pois estava infiltrado no governo para conseguir informações sobre Oscar Fragoso e nos deixar sempre por dentro das ações dele. Parecia tudo muito fácil, até porque tendo um agente infiltrado no governo de Oscar, era como se tivéssemos um olho e um ouvido na vida dele e isso era de suma importância.

Passaram-se dois dias em que só analisamos questões sobre Oscar e sobre seu possível planejamento, até que finalmente foi chegada a hora de entrarmos de cabeça em uma nova missão.

- Hoje será o dia de ganharmos um corpo nessa investigação. – comentou Rony de Paula.

- E então, qual é o plano? – perguntou Mia.



- O plano é o seguinte... – disse Rony nos olhando e deixando um tempo em total silêncio. Ficamos ali encarando ele por um tempo que parecia ter sido de um minuto no mínimo, porém, deveríamos tê-lo encarado por no máximo dez segundos. Ficamos fitando seu olhar e aumentando a nossa tensão pela curiosidade de saber qual era o plano, até que então, Rony de Paula nos disse:

- O plano é com vocês.

- Como assim “com vocês”? – perguntei.

- Vocês devem ir até o círculo mais próximo onde Oscar costuma passar mais tempo de sua vida e então, desenvolverem sozinhos planos para conseguir informações concretas sobre quem ele é e como ele age. Temos que ter provas em mãos já que iremos lutar de certa forma contra o nosso próprio governo.

- Você está pedindo para que, simplesmente, nós todos vamos para onde quer que seja esse lugar ou a proximidade dele, em qualquer circunstância, sem nenhum plano de ação ou de recuo? – indagou Lucas.

- Sim... – respondeu Rony.



- O que você está achando que somos? – questionou Lucas em um tom mais alto.

- Primeiro eu sou o seu líder, segundo eu sou a voz maior aqui, então pode abaixando esse tom para falar comigo.

Lucas se mostrou tão furioso e acabou ficando impaciente. Pude perceber que ele mordeu sua boca disfarçadamente para não dizer ou fazer nenhuma outra bobagem.



- Rony... Tem certeza de que essa ideia pode funcionar? – perguntou Jasmine.

- Não. Eu não tenho ideia e nem preciso. São vocês que devem ter e criar ideias. São vocês que estarão na linha de fogo, não eu. Eu só preciso de informações para ajuda-los a pegar o nosso criminoso em especial e depois disso podemos voltar à ativa juntamente com o governo.

- Tem mudado assim tão de repente, Rony? – questionou Lucas, novamente.

Rony olhou dentro dos olhos de Lucas e tornou a falar.

- Vocês irão em grupo. Todos juntos, porém, depois de dois dias trabalhando em equipe, vocês terão que se separar. Ficará então uma dupla e um trio, conforme os números de agentes nessa missão. Analisando as habilidades de cada um, aconselho que a dupla formada seja de Pedro e Jasmine, e o trio seja composto por Lucas, Mia e Nicholas. Porém, cabe a vocês decidirem. Isso é só um conselho.

- E os armamentos? – perguntou Jasmine.

- Creio que cada um sabe onde fica. Vocês tem toda liberdade para pegarem o que quiserem. Contanto que não usem em desperdício. Estamos por conta própria, tudo é mais difícil quando estamos sozinhos e esse é o nosso caso agora.

O plano foi separado em grupo como deu pra entender, mas o local onde ficaríamos, nós não havíamos decidido com o Rony por perto. Quando saímos do nosso esconderijo conversamos sobre a nossa missão que parecia mais um suicídio, só que antes, esperamos o Lucas por pra fora toda a sua raiva, xingando o Rony de todo o tipo de palavrão que alguém possa imaginar. Depois de ele ter extravasado e se livrado de uma boa parte de sua raiva, nós começamos definitivamente a colocar estruturas no plano para que o mesmo desse certo.

- Oscar não mora longe do seu local de trabalho e esse pode ser o maior o perigo. – comentei.

- Como assim esse pode ser o maior perigo? Ter ele por perto não nos facilita as coisas? – perguntou Jasmine.



- Bem - comecei a esclarecer –, tê-lo por perto com certeza é muito bom, mas, com isso, temos os homens que trabalham para o Oscar na cola dele e isso sim é um enorme problema.

Parecia que pensar nessas coisas pra mim era muito mais fácil, talvez pelo modo de como eu agia antes de tudo isso, de como eu me infiltrava para eliminar um alvo qualquer e de como eu saia sem deixar rastro. Pensei também nos cuidados que eu tomava para não falhar em nenhuma missão dada a mim. Eles não pareciam pensar como eu, apenas ligavam fatos, mas não se imaginavam em cena em nenhuma ocasião, não presumiam algum imprevisto ou algum erro que eles mesmo poderiam cometer. Isso não era uma missão para todos e sim para alguém como eu. Eles não poderiam participar disso, é do Oscar que estamos falando e isso não pode dar errado. A primeira oportunidade que tivermos, temos que agarrar com unhas e dentes sem nem mesmo pensar duas vezes. É matar o Oscar ou matar o Oscar.

Passaram-se algumas horas até que finalmente chegamos no centro da cidade e lá resolvemos onde íamos ficar.

- Pois bem, se formos olhar melhor para o plano, o certo seria ficarmos todos totalmente separados, mas isso continuaria a ser um problema, já que estamos lidando com mais de uma pessoa. – comentou Lucas.

- Então o que você sugere Nick? – perguntou Mia olhando diretamente nos meus olhos.

- O que eu sugiro? – perguntei e logo em seguida, depois de ter visto que não havia mais jeito, eu falei. – Não temos que rodear o Oscar, temos que segui-lo em linha reta, ou seja, um grupo próximo dele e o outro distante o bastante para ver, aonde o Oscar pode estar indo. A cidade Central toda é o lar do Oscar. Qualquer lugar é colocado em sua posse, ele é um poder fenomenal por aqui e todos os cidadãos sabem disso. Temos apenas que seguir a sua trajetória, pois só vamos conseguir pega-lo, quando ele deixar que o peguemos.

- Ou seja, precisamos de uma brecha. – completou Lucas.

- Isso. Precisamos de uma brecha. Uma brecha que só mesmo o Oscar pode nos dar. – finalizei.



Decidimos então que Pedro e Jasmine ficariam em algum lugar mais próximo do Oscar, pois dois espiões poderiam chamar menos atenção, ainda mais sendo um homem e uma mulher, que poderiam fazer de conta que são um casal. Sobrou para Lucas, Mia e eu ficarmos com a parte distante, checando as rotas de saída do Oscar e esperando uma brecha dada por ele mesmo para o pegarmos. Foi assim durante dois meses. Apenas espionando, procurando saber o que Oscar está de fato, tramando para cima do pai da Alexis e procurando informações sobre alguma pessoa que possa estar fazendo esse jogo sujo, juntamente com ele.

- E então, vamos tomar café? – perguntou Mia.

- Vamos sim. – respondi deixando o notebook de lado e me levantando para ir tomar café com ela.

Ficamos em um café-bar bem próximo de onde estávamos hospedados. Lucas ainda dormia, pois havia ficado de olho nas notificações que Pedro e Jasmine mandava para nós, por e-mail, e então ele tirou o dia para ficar descansando. Mia era uma mulher de muitas feições e de uma beleza deslumbrante. Ao entrarmos no café-bar todos os homens, sem exceção, pararam para dar uma boa olhada para ela.

- Um café puro e um sanduíche natural, por favor. – disse Mia, fazendo o pedido dela a garçonete.

- Uma mulher tão bonita e elegante como você, fazendo um pedido tão simples pro café da manhã? – perguntei sorrindo.

- Pra você ver - disse com a sua sobrancelha direita arqueada –, como os homens são incapazes de nos entender. – disse e sorriu de lado.

- Hum. Quero um café puro e dois mistos quente, por favor. – falei enquanto a garçonete anotava o meu pedido.

- Ué. Um homem como você, pedindo misto quente? – perguntou Mia em um tom de ironia.

- Pra você ver, como as mulheres só pensam que entendem os homens. – respondi e automaticamente, o sorriso dela que estava de lado, se abriu por completo e me mostrou algo que eu realmente admiro em um rosto feminino.

- Você tem um lindo sorriso. – comentei.

- Você tem um olhar muito sedutor. – comentou Mia.

- Está insinuando que eu te seduzi? – perguntei com um sorriso no rosto.

Ela olhou para mim e arqueou as duas sobrancelhas, fazendo um careta que parecia me perguntar, “Será?”.

Alguns minutos se passaram, nos deliciamos com o nosso café da manhã, mas antes mesmo de acabar, algo inesperado aconteceu.

PAH!

- ISSO É UM ASSALTO! – berrou o ladrão. – TODO MUNDO COM AS MÃOS PARA O ALTO!

Entraram três homens mascarados aos berros no café-bar que estávamos. Deveria ser umas dez horas da manhã e o local já estava com uma boa clientela. No momento eu me perguntei o que bandidos queriam assaltando um café-bar pela manhã. O primeiro assaltante que chegou anunciando que era um assalto era alto e forte. Percebia isso por causa da regata que ele estava usando. O segundo assaltante, era magro e parecia ter usado drogas a poucos instantes, percebia isso pelos seus movimentos. Ele entrou apontando uma pistola na cabeça dos clientes que ali estavam, para causar pânico neles. O terceiro assaltante entrou e fez o mesmo, mas quando o primeiro assaltante mandou o caixa a passar todo o dinheiro que tinha ali, ele foi para a porta, ficar vigiando.

- Esses gostam de trabalhar cedo. – sussurrei para Mia e ela soltou um risinho. O segundo assaltando ouviu.

- Você tá rindo do que, dona? – perguntou ele se aproximando.

- Desculpa. – disse Mia.

- Você não tem medo de morrer não? Sua vadia!

- Ela já pediu desculpas. – falei.

- E você? É o Clark Kent por acaso? – perguntou.

- Pelo menos você não é como a maioria que só sabe falar Super Homem, você já... – ele me puxou pela gola da camisa e me levantou do meu assento. Naquele mesmo instante meu sangue ferveu, mas tentei controlar a situação.

- Calma ai amigo, só tentei dizer que você é inteligente. – falei calmamente.

- Eu sou sim muito inteligente! – disse ele se movimentando para um lado e para o outro. – ANDA LOGO COM ISSO AI, MERDA! – berrou para o primeiro assaltante.

- FICA CALMINHO AI! – berrou o primeiro assaltante de volta.

Olhei para a Mia e indiquei que eu ia pegar a arma do segundo assaltante, mas logo ela fez que não e me indicou a câmera de segurança que havia no local. No mesmo instante eu virei para o outro lado e me sentei novamente.

Droga, pensei. Se a câmera me pegar, o Oscar pode saber que eu estou por perto.

- TÁ TUDO CERTO, JÁ ESTAMOS INDO EMBORA, SÓ VÃO PASSANDO A GRANA PRA MIM O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL E NINGUÉM SAIRA MACHUCADO DAQUI! – berrou o primeiro assaltante para todos que ali estavam.

Ele foi recolhendo todo o dinheiro, enquanto o segundo assaltante ficava com a arma apontando para a cabeça de cada um que estava ali e o terceiro assaltante continuava vigiando a porta.

Tirei da carteira uma nota de cem reais e dei a ele, mas pelo visto ele não se contentou com aquilo e pediu o meu celular e relógio. Tirei o relógio do pulso e entreguei a ele. Peguei o meu celular e vi que eu ainda não havia trocado a foto do meu papel de parede. Ainda era eu abraçando a Alexis por trás em uma ponte sobre um lago que costumávamos ir, para fazermos o piquenique que a Alexis tanto amava.

- Não vai dar pra você levar o celular não. – comentei.

- Nicholas? – perguntou Mia enquanto me chutava por debaixo da mesa.

- Como é que é? – perguntou o primeiro assaltante.

- Não dá, cara, sinto muito. – falei.

- Você tá tirando uma com a minha cara né? – perguntou o primeiro assaltante. – PASSA ESSA MERDA PRA CÁ! – berrou e apontou a arma na minha cabeça, na mesma hora eu imobilizei a mão que ele segurava o gatilho e a girei fazendo com que ele soltasse ela na mesa.

Quando ele soltou a arma eu o chutei na barriga, na direção do segundo assaltante e peguei a arma que estava na mesa e apontei para o segundo assaltante. O terceiro assaltante virou imediatamente para a minha direção, puxando o gatilho da doze que ele segurava. Quando ele ergueu o braço direito para mirar em mim, eu atirei no ombro direito dele e depois no joelho e voltei a apontar para o segundo assaltante.

- Pegue as suas coisas e saia daqui. – falei.

- Vem cá, sua vagabunda! – disse o segundo assaltante puxando uma cliente do café-bar e a abraçando por trás, apontando a arma na cabeça dela. – E agora? Hein! Vamos lá Clark Kent!

- Você é realmente inteligente. – falei.

O terceiro assaltante realmente iria atirar em mim, mas o segundo não faria isso. Entrou naquele local apresentando uma movimentação muito ativa, ou seja, usou algum remédio para dar a ele a adrenalina necessária para encarar esse desafio, sem contar que gritava muito com os outros, sem motivo nenhum, apenas tentando intimida-los, para não perceberem o quanto ele estava nervoso e com medo. E um detalhe interessante, foi o que eu percebi de última hora.

BANG!

- Você esqueceu de destravar a arma, Lex Luthor. – comentei depois de ter dado um tiro no pé dele e depois um na coxa.

Só me restava atirar no primeiro assaltante, mas as pessoas já estavam desesperadas e a polícia chegaria a qualquer momento. O primeiro assaltante pegou as coisas deles e foi embora, deixando os outros dois sangrando no chão.

Todos começaram a correr dali e Mia e eu fizemos o mesmo.

- Que inteligente você! – disse Mia. – Agora estamos correndo sérios riscos de sermos vistos e a missão dar errado.

- Ele apontou uma arma na minha cabeça e eu já estava estressado. Fui treinado para eliminar um alvo, não para convencer ele a não fazer o que é errado. – respondi.

Mia parou e puxou o meu braço para que eu parasse também. Estávamos quase no nosso hotel quando ela fez isso. Parou e me encarou, olhando nos meus olhos.

- Eu me preocupei com você - e me deu um tapa no rosto. – Seu idiota!

- Não acredito que você fez isso...

- Me desculpa. – disse ela.

- Somos treinados para lidar com pessoas mil vezes piores que aqueles assaltantes, acha mesmo que eu não sabia o que estava fazendo? – perguntei acariciando o meu rosto.

Mia alisou a minha mão que acariciava o meu rosto e depois a apertou se aproximando de mim e me beijando.

- O que foi isso? – perguntei.



- Vocês realmente não entendem uma mulher. – disse enquanto voltava a me beijar.

Posted on 18:20 by Yuri Costa

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Tempo de uma Amizade – Parte 2 – Final

“Uma amizade de longa data... altas informações, companheirismo, momentos de ajuda e tristezas apaziguadas... Tudo ficou para trás.”

Minha mão tremia dentro do ônibus muito mais que o próprio que chacoalhava muito normalmente enquanto me levava pela rua agora estreita após virar na cursa e sair da avenida.

- Anjo - falei comigo mesmo, lendo o remetente da mensagem eletrônica no meu celular. Meu coração pedia arduamente para que eu não abrisse aquela mensagem, por que, ao abrir, eu automaticamente iria lê-la e meu coração dizia que isso iria doer.

Nesse momento, meu caro leitor, eu realmente paro para pensar no por que de eu ser assim. Sempre sei o que vai acontecer, e aceito os fatos que vierem por que são as consequências da minha escolha, e, eu sendo o lobo/homem que sou, tenho o dever de aceitar a consequência de meus atos.

Cliquei na palavra “abrir” na tela e a mensagem se fez mostrar para mim.

“Oi, Lobo, tudo bem com você?” Estava escrito. Meu coração se acalmou, mas um frio subiu pela minhas costas enquanto eu escrevia a mensagem de resposta.

“Oi Anjo, está tudo bem sim, tirando o calor dessa cidade que hoje em especifico está diferente, muito, mas não na temperatura... Como se o lado bom do calor em si fugisse e o que ficasse fosse apenas o lado ruim dele aqui.... Mas e você? Como está? Milagre você enviando uma mensagem de texto, algum motivo tem”.

Cliquei em enviar e meu coração bateu forte novamente. Num piscar de olhos a mensagem resposta havia chegado. Não tive tempo nem mesmo de sentir o ônibus andar pela rua. Novamente apertei a palavra “abrir” e a mensagem apareceu para mim e logo comecei a lê-la.

“Eu estou bem... Mas já tive dias bem melhores lobo...É incrível como este mundo está uma merda.... Não suporto mais ficar aqui e pedi ao meu pai que me deixasse ir embora deste mundo... Não quero mais ficar nele... Não quero aprender mais sobre ele, muito menos quero cuidar dele... Nesta última quase obrigação que querem me dar, eu recomendei você para esse serviço... Com certeza você faria ou fará ele muito melhor que eu... Eu quero apenas ir embora daqui e levar a minha mãe humana e talvez meus irmãos humanos comigo... Estou esperando um mensageiro trazer a resposta agora, enquanto falo com você.”

Senti meu coração bater muito forte já enquanto lia a mensagem, após terminar então. Comecei a soar dentro do ônibus enquanto me batia uma vontade de chorar. Muitos sentimentos e emoções transbordavam por mim e eu não entendia o porquê. Eu apenas voltava a escrever a mensagem de resposta a ele, e quase que inconsciente, da maneira mais sincera possível.

“Eu te entendo... Esse mundo está realmente uma droga... Somos obrigado a viver uma vida que não queremos... Fazer o que não desejamos só para ter uma moeda de troca supervalorizada, para assim, talvez, podermos ter uma vida mais ‘humana’... Entre outros problemas... De fato isso aqui precisa de muitos acertos... Mas você falou de mensageiro? Veio um aqui agora pouco me entregar uma espécie de pedra, feita de energia que pode realizar desejos... Ele disse que veio entregar para mim por que eu saberia bem como usa-la... Eu não entendi direito tudo isso”.

Mandei a minha resposta. Eu realmente sabia que essa resposta não seria a melhor, mas é a mais sincera possível.

Nesse momento, eu pude ter um breve momento para me sentir, e sentir tudo ao meu redor. Mesmo sendo um ônibus, eu sentia frio e chuva. Iria chover neste dia, agora a tarde ou durante a noite. Mas iria chover, eu estava certo disso.

A resposta veio cerca de dois minutos depois da minha. Ele leu rápido, e escreveu mais rápido ainda. Logo abri e comecei a ler novamente.

“Como assim ele foi até ai?! Por que ele te entregou?! Como eles puderam fazer isso comigo... Então eles querem me desafiar?! Só pode ser isso! Só pode…”.

Nesse momento eu senti as lágrimas dele em mim mesmo. Tive de fazer muito esforço para não chorar junto com ele e voltei a ler.

“Eles não podiam fazer isso comigo... Ele sabem o que eu passo aqui! Eles sabem que quero voltar para junto do meu pai.... Eles me temem com medo que eu vire um novo você-sabe-quem e insistem em me manter nesse mundo e me dar funções e trabalhos! Eu não quero mais... Mas pelo menos a pedra está com você... Posso ir busca-la ou você pode trazê-la até mim lobo...?”.

Terminei de ler.

Apertei o meu celular com força enquanto respirava fundo, deixando escapar uma lágrima pelo meu rosto e começava a escrever novamente.

“Não posso... Por que eu a quebrei em partes e... Já distribuí algumas.... Anjo…”.

E enviei.

Fui curto e grosso, mas tentei demonstrar que não estava nem um pouco feliz com a situação. A resposta dele veio mais rápida que a anterior.

“Por que você fez isso?! Você não percebeu todo o potencial que isso tinha?! Você sabe o quão difícil é conseguir uma dessas?! Ou o preço que isso custa?! Maldito mensageiro.... Vou me certificar que ele pague por isso... E seja lá quem tenha falado para entregar para você também! ... Todos querem me ver assim.... Nervoso, com ódio. Pois que seja! Vou atrás de cada pedaço que você fez, vou junta-las e vou realizar o meu desejo de ir embora daqui! E ainda diziam que tinham medo de quem eu poderia me tornar você-sabe-quem... Todos eles... E você lobo.... Me entregue o que ainda tem.”.

Rapidamente comecei a escrever a minha resposta para ele. Eu não queria ter lido isso. Eu não iria imaginar uma coisa dessas na vida.

“Você está me ameaçando Anjo? Só por que você é uma protegido do pai? Você realmente acha que eu vou obedecer a uma ordem sua só por que você é literalmente um anjo que está aqui? Nós somos amigos de longa data e nunca mandei em você como você nunca mandou em mim, e agora que está nervoso quer mandar? Pois saiba que não. Não vou te dar. Se eles me entregaram falando que eu saberia como usar, então a pedra ficará comigo, pelo menos o que ainda sobrou dela. E se você realmente quer realizar o seu desejo, estarei esperando por você quando você vier buscar... Anjo.”.

Enviei, meu coração, machucado com a ofensa e mais ainda com a situação que estava a minha volta.

Não, eu não queria brigar com ele, mas não podia entregar assim também. No nosso mundo, tudo tem um preço.

A resposta chegou.

“Que assim seja, FelipeLobo. Vou ir atrás de cada pedaço, esteja aonde estiver. Esteja com quem estiver. Não importa a função que ela tenha adquirida. E depois que eu tiver os pedaços que você espalhou, irei atrás você. Até um dia no futuro, FelipeLobo.”.

Não aguentei e comecei a chorar enquanto escrevia a última resposta.

“Estarei esperando, Semi-Anjo. E não, não vou chama-lo pelo nome por que não preciso disso. Não preciso intimidar. Apenas estarei esperando muito bem preparado para brigar ou enfrentar um antigo amigo um dia. Até um dia...”.

Enviei e desliguei o aparelho celular chorando, mesmo sabendo que nenhuma resposta viria ou mesmo duvidando se a minha chegaria a ele algum dia. Mas agora, estava tudo acabado. E quando olhei para frente, tive de levantar correndo para não perder o ponto de ônibus. 

Assim, a vida continuou... Por enquanto. 

"Cada Passo que damos... Cada escolha que damos... Nos guia para outras opções que também irem escolher... E cada uma delas terá uma surpresa... Seja boa ou ruim... A minha parte eu fiz... Abrindo cada porta que me foi dada... Quero apenas que você seja feliz... Só isso... No Final…".

Posted on 18:33 by Yuri Costa

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Capítulo 8





Após sair com tanta pressa do apartamento de Nicholas, percebi ter esquecido as chaves de meu escritório. As roupas também, mas não me fariam falta por enquanto. Resolvi voltar e ao meio do caminho, ainda no corredor pude ouvir a conversa de alguém. Não era minha intenção escutar o que eles falavam, mas ao perceber que se tratava da voz de Nicholas e de uma mulher, que até então não consegui reconhecer, decidi não atrapalhar os dois e ouvir o que falavam até o final.

− Brigou com a namorada Nick?

− Deu pra ouvir é? 



− Ah, vai, não fica assim. Ela não te merece Nick.

Houve uma pausa, ela só podia estar jogando charme para cima dele. Admira-me não reconhecer a voz dessa cretina oxigenada.

− Você merece alguém que cuide bem de você.

− Pode deixar que vou procurar alguém melhor.

A última frase soou como um passa fora bem dado na oferecida desconhecida, já em mim foi basicamente como uma facada. Ouvir que Nicholas iria procurar por alguém melhor foi doloroso o suficiente para que eu inflasse meu peito de orgulho e não deixasse uma gota de lágrima cair. Decidi voltar para casa assim mesmo e depois Alfred buscá-las-ia para mim. Tudo que eu precisava era sentir a grama e o cheiro das flores do meu jardim. Eu só queria me sentir em casa e ter a certeza que não devia ter saído nunca de lá. 

Dei uma boa olhada ao redor do prédio em que vivi por dois anos ao lado de Nicholas, talvez fosse à última vez que eu voltaria ali. Em seguida fitei a janela principal de seu apartamento por alguns minutos e voltando a si entrei em meu carro. Respirei fundo enquanto segurava o volante com força, logo o portão se abriu e eu pude me despedir. 

Depois de correr bastante na parte asfaltada, dirigi tranquilamente pela estrada de terra que levava até a mansão de papai. Por conseguinte demoraria mais um pouco para chegar, mas aproveitei para pensar um pouco em tudo que havia acabado de acontecer... Pensar serviu como uma leve distração, que logo foi interrompida pela barulheira ocasionada por um Volvo preto que tirou um fino de mim ao passar correndo. A poeira logo subiu. Esperei ela baixar para que pudesse enxergar a estrada com mais clareza. Eu já estava perto de casa, ainda bem, pois havia ficado nervosa com todo esse alvoroço.

Chegando a entrada da casa, pude notar que o carro que havia passado por mim residia dentro de minha mansão. Saí do carro e entreguei as chaves na mão de Natan, nosso motorista particular. Caminhei pelo jardim decidida a descobrir quem era o bonitão que me havia feito comer poeira agora pouco. 

Encontrei Alfred na entrada e expliquei o motivo de minha volta repentina, inclusive pedi que buscasse minhas roupas e chaves na casa de Nicholas mais tarde. Perguntei também de quem era o Volvo preto e ele não soube dizer, apenas disse que o apressadinho estava no escritório conversando com meu pai. Acelerei o passo e encostei o rosto bem próximo à porta da sala de papai. Primeiro, o cara falou por um bom tempo. Depois ouvi papai finalmente se manifestar.

− Oscar, você tem certeza que não tem chance alguma de descobrirem que é você?

− Não senhor, estamos agindo sem deixar rastro, de maneira que ninguém perceba qualquer ligação minha com a quadrilha que tem feito esses assaltos.

− Então significa que nosso plano de distração está sendo bem sucedido?

O homem não respondeu, mas ao passar pela porta, percebi ter meneado a cabeça positivamente como sinal de resposta. 

− ALEXIS!

Ouvi meu nome soar estridentemente vindo da sala de papai. Apesar de intrigada com o que ouvi e querer pensar a respeito, não deixei de atender seu chamado.

− Sim papai! – Respondi abrindo a porta de sua sala.

− Não sabia que estava de volta.

− Pois é, papai, tive alguns problemas. Mas depois nós conversamos, não quero atrapalhar a reunião do senhor. – Falei enquanto ia me retirando.

− Espere, quero que conheça alguém.

Respirei fundo e imaginei que fosse o dono do Volvo preto, que até agora se encontrava de costas. Era alto, devia ter mais ou menos 1,80. As madeixas negras e bagunçadas eram longas até a nuca. Parecia ter o corpo escultural e era cheiroso. Como era. Logo o bendito Oscar se virou e eu não pude esconder a excitação. 

A barba falhada roçou em meu rosto rapidamente ao me cumprimentar, seu cheiro impregnava em mim de maneira voraz. 

− Muito prazer, Oscar!

− O prazer e a honra são meus, querida.

Eu sentia que ele me conhecia ou apenas estava louca por aquele charme de 1,80.

− Oscar trabalha para mim. – Comunicou papai, mal sabia ele o que eu havia ouvido, mas me fiz de desentendida.

− Mesmo? Você também é engenheiro?

Oscar pigarreou ajeitando a gravata. Eu logo soltei um sorriso de canto ao perceber o desconforto de sua parte.

− Na verdade sou corretor.

− Ah, corretor? Sei. Bom, papai, agora tenho que ir. Mesmo!

− Tudo bem, depois almoçamos juntos. Você fica pro almoço, né Oscar?

Eu estava dando as costas quando ouvi essa maldita pergunta soar entre quatro paredes. Desejei que dissesse não, mas o apressadinho disse sim. Depois de sair do escritório de papai, eu basicamente me mantive trancada no quarto até a hora do almoço. Andei pensando sobre o que ouvi e fiquei intrigada. Que eu saiba papai não tinha envolvimento com essas coisas. Ou pelo menos eu passei a vida inteira achando que não. Talvez isso explique a sua ausência. E esses assaltos? Nós não precisamos tirar nada de ninguém, nós nunca precisamos. Há algo de muito errado acontecendo e eu preciso descobrir. É óbvio que sozinha não poderá ser, até porque eu nem sei por onde começar. Preciso de um investigador, urgente! E a minha primeira vítima será Oscar, eu não engoli essa história de Corretor e eu espero que ele tenha engolido meu ar de desentendida. 

Depois de muito pensar em como faria para conseguir ajuda de alguém, fui interrompida por Alfred.

− O almoço está servido. Seu pai lhe aguarda no jardim, minha flor!

− Ah, obrigada pelo trabalho Alfred. Já estou descendo, só vou colocar uma roupa mais light. – Na verdade eu estava querendo dizer provocante. Pode parecer arriscado, mas talvez se eu me envolver com Oscar eu consiga descobrir algo. 

Baguncei o cabelo e joguei boa parte dele para o lado direito. Troquei a calça por um short. Pus um óculos escuro preto e um batom vermelho cereja. No jardim, Oscar e papai conversavam animadamente. Urrei quando ao me aproximar percebi ser a respeito da mudança de Oscar para a cidade. Papai só faltava lhe chamar de filho. Desviei a atenção ao chegar à mesa.

− Espero não ter demorado muito.

Neste momento Oscar, que se manteve fitando o jardim boa parte da conversa, desviou seu olhar para minha direção. Levemente desconcertado, tentou esconder a fraqueza voltando-se para a cadeira ao lado de ambos. Ele se levantou e a puxou para que eu pudesse sentar. Agradeci com um sorriso doce que ainda sim não o encantou por muito tempo. Logo o almoço nos foi servido. Conversamos nada mais nada menos sobre qual decoração seria feita no apartamento de Oscar, que eu não sabia exatamente onde ficava. Oscar era muito reservado, ter a oportunidade de decorar o local em que residiria seria a melhor maneira de descobrir mais coisas a seu respeito. Terminamos o almoço e papai se retirou para uma ligação.

− Então, Oscar, não é mesmo?

− Sim, senhorita!

− Você já conhece a nossa casa?

− Já.

− Sério? Nossa, eu nunca o vi por aqui.

− Com certeza foi no período em que a senhorita estava fora daqui.

− Talvez.

− Por que a desconfiança?

− Desconfiança? Que isso! Quer mais um pouco de suco? – Inclinei-me juntamente com a jarra na direção de sua taça, quando por um descuido derrubei suco em sua roupa. – Ai, me desculpa. Eu seco pra você.

Levantei-me rapidamente indo em direção a Oscar e comecei a secar parte de sua blusa, e o cós de sua calça. O mesmo não sabia o que fazer. Estava impaciente, não sabia se cuidava para que meu pai não nos visse ou se admirava meus seios praticamente roçando em sua face.

− Alexis, o que aconteceu?

− Ah, veja só papai. Derrubei suco na roupa do Oscar, estava aqui dizendo que ele podia ir até o meu quarto se banhar para tirar o doce do corpo, que o senhor lhe emprestaria uma roupa.

− Com certeza, pode ir Oscar.

− Senhor, não precisa.

− Não seja modesto, claro que precisa. Está todo molhado! 

− Tudo bem!

Oscar saiu em direção à entrada da casa e foi acompanhado por Alfred até a minha suíte. Enquanto isso aproveitei para tentar arrancar algumas coisas de papai.

− Então pai, o senhor nunca me falou do Oscar. Ele parece ser seu braço direito... 

− Ele é... Mas negócios são negócios, Alexis.

− Entendo.

− Mas e você, por que a volta?

− Nicholas recebeu uma proposta de emprego, vai ficar fora por um tempo.

− Ah, que pena.

− Nós terminamos também.

− É uma pena mesmo, ele era um bom rapaz. Filha, eu tenho que ir ao escritório resolver algumas coisas. Cuide para que não falte nada ao Oscar.

− Pode deixar!

Despedi-me de papai, sabia que essa ida ao escritório duraria uma noite fora de casa. Segui até o interior da casa e resolvi ver se Oscar precisava de alguma coisa. O mesmo já se encontrava nu dentro do Box. O vidro embaçado me permitia ainda assim um bom visual do seu corpo musculoso. Eu estava encostada na porta do banheiro quando ele se deu conta de minha presença. Sua pele de longe enrijeceu. Estava excitado. Nossos olhares se encontraram, enquanto eu conduzia meu corpo em direção a porta de vidro do Box. Coloquei a toalha pendurada e quando estava para lhe dar as costas ouvi sua voz rouca chamar meu nome.

− Alexis... 

Meu corpo arrepiou só de pensar no que ele queria.

Posted on 14:46 by Yuri Costa

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Tempo de Uma Amizade (parte 1)

“Quanto tempo dura um... “dar um tempo” em uma relação? ... eu descobri que o tempo nessa situação... é irrelevante e não tem prazo pra acabar...”.

Aqui continuava eu, dentro deste ônibus nesta cidade.

- Cidades grandes são sempre tão sujas... – falei comigo mesmo. O ônibus estava praticamente vazio.

O sol entrava pelas janelas transparentes enquanto tentava passar pelas grossas nuvens. Eu estava indo para trabalhar em uma sexta-feira à tarde, aparentemente normal.

- Normal demais... – A tranquilidade, aquela energia "parada" que havia no ambiente, dentro e fora, do ônibus.

Olhei para fora e ficava pensando se meu amigo Anjo havia recebido a minha carta, aquela claridade do dia, mais branco, e mais claro, me fazendo cerrar os olhos.

Ah sim, lá estava eu, sentado na poltrona enquanto olhava o mensageiro descer do céu. Ele parecia um carteiro, do tamanho de um adulto de 1,90 de altura e bem magro, com uma bolsa do estilo que se carrega cartaz. Ele olhava para mim e sorria. Eu sorri de volta.

- Pois não? - perguntei sem mexer a boca, apenas olhando para ele.

- Lhe trago algo. – respondeu, mostrando um sorriso em sua face sem expressão e logo mexendo na bolsa. Não demorou e ele puxou as duas mãos brancas para fora segurando-as um pouco abertas. Mostrava-me uma massa bruta de energia que se assemelhava uma pedra do tamanho de uma bola de baseball.

- Para mim? – voltei os olhos para o mensageiro. – Tem certeza?.

- Sim, senhor – respondeu ele prontamente e emendou: – Foi mandado para o senhor, por que o senhor tomaria a melhor decisão de como usar uma dessas.

Abri minhas mãos e recebi o que me foi enviado.

- Ahm... isto é o que estou achando...? – perguntei para ele, que já estava se afastando.

- Sim, senhor, uma realização de desejo sem esforço – responde-me e sumiu próximo da luz do céu.

O ônibus parou no farol. Uma música forte começou a tocar em meus ouvidos de meu celular, minhas mãos abertas em meu colo, uma visão no mínimo estranha para quem não podia ver aquilo emanando próprio calor em mim.

O ônibus voltou a andar, e ninguém entrava ou saia dele.

“Uma pedra capaz de transformar um desejo em realidade me foi entregue sem motivo aparente... Qualquer desejo em realidade... O que faço...?”

Os pensamentos caíam feito raios dentro de minha cabeça, eu precisava tomar uma decisão. A minha cabeça foi abaixando e novamente, notei outra música forte tocar em meu celular, o que me puxou de volta para fora de meus pensamentos. Aquela batida forte, aquele som e aquela voz feminina, gritando por liberdade dentro de uma música.

“Já sei” Pensei comigo fechando os olhos, me concentrando naquela música e também fechando as mãos na pedra. Um som de mensagem em meu celular se misturou com a música.

“Não perder o foco” Pensei sem ligar para a mensagem que chegava. Mesmo com os olhos fechados, eu me concentrava. “Se isto inteiro pode realizar um desejo...” Pensava eu enquanto prensava a minha energia em volta, “Eu vou quebrar isso em partes para que cada parte possa influenciar no desejo de algumas pessoas, mas sem tirar o esforço necessário da pessoa para realiza-lo”.

Logo após o meu pensamento se concluir, ouvi algo se quebrando. Minhas mãos continuavam paradas, segurando cinco pedaços de energia em seu meio.

“Pedaço um vai para...” Ele sumiu e se desfez. Senti algumas fisgadas pelo meu corpo, e o som dos carros que agora parecia muito mais alto que antes, eu ouvia com violência.

“Pedaço dois...” Fisgadas em meus dedos, e se foi. Meus olhos tremiam para se manterem fechados.

“Pedaço Três...” Tremeu na minha mão e se foi também.

Meu corpo se viu sendo jogando para o lado, batendo levemente no vidro. Minhas mãos se fecharam e os pedaços foram guardados dentro de uma pulseira, a minha. Abri os olhos, aparentava cansado e respirando ofegante.

Automaticamente peguei o celular para ver a mensagem que havia recebido, remetente:

- Anjo.

CONTINUA NA PARTE 2

Posted on 19:02 by Yuri Costa

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"Malévola" está chegando aos cinemas no fim deste mês, e as expectativas dos fãs estão lá em cima. Desde o primeiro anúncio, em 2012, o filme vem sendo esperado vorazmente. Cada imagem e cada vídeo são uma nova pista do que "Malévola" pode se tornar. Com isso em mente, pensamos em algumas coisas que queremos ver no filme (e outras que não queremos ver). Confira abaixo o que esperamos de "Malévola":

1) Que não seja como "Branca de Neve e o Caçador"


"Branca de Neve e o Caçador" foi outro filme medieval baseado num conto de fadas de sucesso que tratava da rivalidade e inimizade entre a mocinha e a vilã. A expectativa também era alta. Se existe algum conto de fadas tão adorado quanto "A Bela Adormecida", com certeza é "Branca de Neve", e uma versão dark era tudo o que os fãs mais queriam. Entretanto, chegou o filme, e, sejamos sinceros, quantos de nós não ficaram decepcionados? Em vez de fazer um bom filme medieval e aproveitar o máximo de sua proposta sombria, "Branca de Neve e o Caçador" foi mais um genérico, um clichê de duas horas e meia, sem absolutamente nada de novo ou original. Isso sem contar o desperdício de personagens, sem o mínimo desenvolvimento, o roteiro ruim e o ritmo lento e entediante do filme. Não queremos isso para "Malévola". Queremos um filme dramático e empolgante, o mais original possível (afinal, em quantos filmes a protagonista é a vilã?), um filme que nos faça gostar dos personagens e nos envolva, e, o mais importante, com o mínimo de clichês.

2) Que Malévola não seja apenas mais uma vilã


Ainda sobre "Branca de Neve e o Caçador", muito se esperava da vilã, a Rainha Má, e, mais uma vez, o filme nos decepcionou. Uma vilã que tinha todo um potencial dramático, que poderia ser muito mais explorada, acabou caindo no velho clichê de crueldade sem motivo - ou melhor, com um motivo ridículo. Sinceramente, se não fosse pela incrível atuação de Charlize Theron, o que seria a Rainha Má? A proposta era humanizar a Rainha, mas foi tudo tão mal desenvolvido que ela se tornou apenas mais uma vilãzinha. Malévola, a encarnação do mal puro, não pode ser reduzida a isto. Queremos ver uma vilã forte, cruel, sim, mas queremos humanidade - e humanidade de verdade. Queremos ver o que ela pensa. Queremos ver se ela tem algum conflito moral quanto a seus atos. Queremos ver se ela teve algum momento de dúvida. Queremos ver por que ela se tornou má (e é bom que o motivo seja ótimo).  Não queremos que ela deixe de ser má, isso jamais - botar o circo pra pegar fogo é a especialidade de Malévola, e queremos ver ela destruindo tudo, sem nenhum sinal altruísmo. Mas, acima de tudo, queremos entender Malévola, e não deixar que ela se torne apenas uma malvada. De "apenas malvados" já temos montes. Queremos uma vilã má e cruel, mas humana.

3) Um bom roteiro e drama


Sabemos que um blockbuster tem que ter muita ação pra funcionar, mas não queremos ver só isso. Não queremos um filme que só tenha batalhas e efeitos especiais. Queremos um filme com uma história boa. Haverá guerra, obviamente, isso os trailers já deixaram claro. Mas queremos também saber sobre a política do reino, sobre os personagens, sobre toda a história que envolve o mito de Malévola. Não precisa ser nenhum "Game Of Thrones", basta ter um roteiro inteligente e dramático. Sim, dramático! Queremos ver os conflitos, os desesperos e os medos de cada personagem, mais ou menos como aconteceu em "Noé", em que pegaram personagens já conhecidos por todos e os colocaram em situações bem difíceis, conseguindo criar alguns momentos bem emocionais. Os trailers anunciam: "você já conhece a história, agora, conheça a verdade". E, como já dissemos acima, nada de clichês, por favor!

4) Que Aurora não seja apenas uma mocinha boazinha


Elle Fanning é uma das minhas atrizes favoritas. Quem já viu "Super 8" ou "Ginger & Rosa" sabe o porquê: apesar de bem novinha, ela já é uma baita atriz, e, quando crescer, tenho certeza de que se tornará Hollywood a seus pés. Quando vi que ela tinha ganho o papel de Aurora, eu meio que pulei de alegria - mas então, veio a preocupação. E se ela se tornar uma nova Branca de Neve? Muitas pessoas já comentaram sobre isso. Não queremos uma Aurora sonsa. Ela pode até ser boa e inocente, como no filme da "Bela Adormecida", mas não queremos vê-la completamente apagada. Segundo a sinopse, Aurora é a chave para a salvação de Malévola... ou para sua destruição. Uma personagem com tanta importância deve ser tratada como tal, e, claro, é um crime desperdiçar o talento de Elle Fanning.

5) Atuações boas


Já falei que Elle Fanning é uma atriz extremamente talentosa e que isso deve ser aproveitado. Pois bem, o mesmo vale para o resto do elenco. Sharlto Copley, que interpreta o pai de Aurora, participou de "Distrito 9" e já provou que é um ótimo ator. O Príncipe Felipe do filme, Brenton Thwaites, vem colecionando elogios, mesmo com poucos trabalhos. Mas quem vai receber mais destaque é, inegavelmente, Angeline Jolie no papel da bruxa. Nem todos vão ter grandes chances de brilhar, mas é muito importante que o filme tenha pelo menos algumas grandes atuações - e, para isso, é necessário ter, mais uma vez, um roteiro bom, com cenas boas, para poder arrancar interpretações com emoção. 

6) Fidelidade ao clássico


Sabemos que algumas coisas vão mudar, já que a proposta de "Malévola" é contar a história não contada. Mas, para isso, não é preciso deturpar completamente a história da "Bela Adormecida". Adoraríamos ver o filme sendo fiel a alguns acontecimentos do desenho, ou mesmo aos contos clássicos, ou, se isso não for possível, que faça algumas referências, com algumas brincadeiras, trocadilhos ou apenas easter eggs. E o mais importante: por favor, não estraguem nem modifiquem a história só para botar mais ação no meio! Ação é bom, mas um filme sem exageros é melhor!

7) Que o filme seja realmente sombrio (talvez, o mais importante de todos)


"Malévola" é um filme dark - pelo menos é isso que os trailers e comerciais querem que nós pensemos. A divulgação toda promete um filme muito, mas muito sombrio, sério, até frio. O filme está sendo classificado como uma "dark fantasy", que é um gênero que mistura fantasia com elementos góticos de terror - exemplos desse gênero são a série de livros "A Torre Negra" de Stephen King, "Coraline" de Neil Gaiman e o filme "O Labirinto do Fauno". A Lana Del Rey fez até um cover bem dark de Once Upon A Dream, música da animação disneyana. É isso o que queremos de "Malévola": um filme sombrio. Não queremos um conto de fadas alegrinho. Não queremos um filme de ação medieval. Queremos um filme SOMBRIO, dark, assustador, ponto final. Se possível, não queremos nem mesmo um final feliz, até por que sabemos que algum lado tem que ser derrotado. Quanto mais escuridão, melhor. "Malévola" é uma história sobre o mal, o mal puro, e é isso o que esperamos deste filme. Quando éramos crianças, a feiticeira assustou muitos de nós em "A Bela Adormecida". Agora, é a vez de "Malévola" assustar as crianças da nova geração - e as crianças dentro de nós, também.

"Malévola" estreia no dia 29 de maio, nos cinemas de todo o Brasil.

Posted on 20:11 by Yuri Costa

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Capítulo 7



– Acho que agora é uma boa hora para você voltar pra casa, amor – comentei.

– Agora você quer que eu vá, né? – perguntou Alexis mantendo sua sobrancelha arqueada.

– Bem – falei –, recebi uma proposta de emprego e eu aceitei. Irei ficar longe por um tempo.

Na realidade, o líder dos agentes secretos, Rony de Paula, me informou que encontrou um grupo que trabalha para o governo e que assaltam bancos. Eles tem com quase toda a certeza um apoio de Oscar e isso é um motivo para dizer que sim, há um emprego, sem precisar pensar.

– E você ia esperar o natal chegar pra me contar? – perguntou Alexis com desdém.

– Bem, amor, me desculpe, na hora eu percebi que era uma proposta irrecusável e meu fundo de garantia está acabando. Vou precisar de dinheiro a qualquer momento e não terei.

– Ah, seu fundo de garantia está acabando? É, faz sentido, dinheiro não dá em árvore e aqui no condomínio quase não tem.

– Claro que está!

– Bem, talvez seja realmente a hora de eu voltar pra minha casa. Assim você vai ter tempo de plantar pelo menos umas cinquenta árvores! – disse Alexis batendo a palma da mão sobre a mesa e se levantando.

– Calma, amor...

– Mas quem está se exaltando aqui é você. Mas não faz mal não... Não faz mesmo. Ainda mais agora que você não precisa de mim, né, docinho? – falou ironicamente, enquanto dava de ombros para a minha presença.

Alexis andou apressada até o nosso quarto, pegou a minha toalha e entrou no banheiro para tomar banho. Foi na verdade o banho mais rápido que uma mulher pode ter tomado, não durou nem dez minutos e ela estava saindo do banheiro enrolada na toalha. Tentei pegar no ponto fraco dela e me encaminhei para o quarto. Ao chegar na porta, abri-a lentamente e sem que ela percebesse eu fui entrando. Ela vestiu uma calcinha preta e com detalhes rendados que eu havia dado pra ela no nosso décimo terceiro mês juntos. Pôs uma calça jeans e se virou para pegar o sutiã, e então me viu.

– Amor... – falei colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.

Ela me deu um tapa na mão e me empurrou para o lado e continuou se vestindo. Colocou uma camisa enquanto estava de costas para mim. Lentamente fui me aproximando dela e quando cheguei bem próximo, beijei sua nuca, pude sentir na mesma hora seu pelos se eriçarem. Ela adorava isso e não resistia. Peguei na sua cintura e a virei para mim me aproximando de seus lábios, e quando eu a beijei, ela me empurrou para trás com força e deu um tapa no meu rosto.

– Você vai superar, já vivia sozinho antes de mim. Quem sempre viveu na solidão, mesmo que um dia arrume companhia, no fundo ainda sabe viver só.



Aquelas palavras acabaram no mesmo instante com qualquer tipo de pensamento de que tudo ia ficar bem. Alguns minutos depois Alexis saiu do meu apartamento batendo a porta com força depois de ter dito alto e claro.

– Adeus!

Depois do pesadelo que eu tive com o homem que me perseguiu na última vez, fiquei mais preocupado em ter Alexis morando no meu apartamento. Sei que já se passaram bastante tempo desde que ela veio para cá, porém, se ainda continuar aqui, pode ficar pior. Se ela continuar aqui, pode acontecer o que aconteceu no meu pesadelo e isso seria fatal. Isso com certeza traria mais mortes para a minha vida, inclusive a minha.

– Brigou com a namorada Nick? – perguntou a filha da minha vizinha, Alice, ao me ver sair do

apartamento.


- Deu pra ouvir é? – perguntei sorrindo.

- Ah vai, não fica assim. – disse Alice se aproximando. – Ela não te merece, Nick – Alisou meu braço –, você merece alguém que cuide bem de você. – falou tirando o pirulito que estava na boca e me dando um beijo no rosto.

– Pode deixar que vou procurar alguém melhor – falei e sorri segurando levemente seus braços –, e de preferência, bem longe daqui. – pisquei para ela e fui para a rua chamando um taxi. Quando um parou, eu entrei e pude ver que a Alice, ficou me olhando com um olhar de decepcionada e com um pouco de raiva, por eu nunca dar uma chance a ela. Deveria desistir, pois nunca terá essa chance.

Pedi para que o taxista me levasse até a cidade alta, chamada Clavarral, onde eu havia deixado meu carro para despistar o meu perseguidor. Ao chegar no parque, onde eu havia deixado meu carro, pude ver que ele estava destruído em meio a um bairro nobre. Com certeza foram os amigos do meu perseguidor. Fui até o meu carro destravando o alarme, pedi ao taxista para que me aguardar um pouco, pois eu voltaria para o taxi. Ao chegar no carro, olhei pela janela se as rosas estavam ali e estavam, porém toda despedaçada.

- Me leve para Mercur, por favor! – pedi ao taxista que com prontidão respondeu que sim e me levou imediatamente para Mercur, lugar onde os agentes secretos estavam escondidos observando tudo e todos, inclusive o meu querido inimigo, Oscar Fragoso.

Três horas depois de sair de Clavarral, eu havia chegado em Mercur e pedi ao taxista que parasse uns dois quarteirões antes do esconderijo dos agentes. Desci do taxi e paguei ao taxista, agradeci e peguei um cartão dele, para o caso de eu precisar novamente dos seus serviços.

Andei por alguns minutos até que finalmente, cheguei na nossa base secreta. Entrei e de cara vi o Lucas jantando sozinho na cozinha.

– Boa noite. – falei, cumprimentando-o.

– E aí, Nicholas, tudo bem?



– Tudo sim. Onde estão os outros? – perguntei.

– Sei não, quer comer alguma coisa? Aproveita que ainda está quente. – disse Lucas apontando para o fogão que continha três panelas.

- Com certeza, estou cheio da fome.

Me sentei ao lado de Lucas para jantar e começamos a conversar sobre coisas que nunca mais tinha parado para falar, desde... Nem sei qual foi a última vez que toquei nesses assuntos. Alguns minutos depois chegaram Mia e Rony na base secreta e assim que Rony me viu, acenou e apontou com a cabeça para o escritório dele, indicando que eu deveria ir lá para conversarmos em particular.

Terminei minha refeição e então fui até o escritório do Rony para conversarmos.

– Boa noite Nicholas.

– Boa noite Rony.

– Como eu havia lhe dito, descobrimos coisas que podem nos levar até o Oscar.



– Sim, um grupo que age para fazer assaltos, mas Oscar agiria de uma forma tão baixa assim? – perguntei.

– É o que estamos desconfiando. Deve ter alguma coisa por trás desses assaltos.

– E o que poderia ser, você tem algo em mente?

– Não ainda. – disse Rony coçando o queixo. – São só essas as informações que temos. Que esses ladrões tem algum envolvimento com o Oscar, mas isso não nos dá uma ideia sequer do que o Oscar estaria planejando fazer com essas atitudes.

Parei e analisei. Oscar sempre pagou assassinos para matar seus adversários em questões de poder. Sempre limpou a parte boa do governo para que ninguém entrasse no seu caminho. Isso descartaria a possibilidade de que ele está roubando para aumentar seu patrimônio, pois, dentro do governo, ele é o poder. Pode muito bem burlar qualquer tipo de movimentação de dinheiro para a sua conta, sem que ninguém perceba ou o impeça de realizar tal desvio. Outro fator importante é que ele poderia roubar os bancos sem fazer nenhum alvoroço, simplesmente ir lá e pegar o dinheiro do banco que o seu governo, tem domínio. Ele não precisa de fazer assalto e muito menos chamar a atenção das pessoas. A grande questão é...

– Para que o Oscar está roubando dinheiro dos bancos? – perguntei para mim mesmo.

Minutos depois criando variados tipos de possibilidades, me veio a pergunta.

– Alguém sabe que o Oscar tem algum envolvimento com esses assaltos?

– Não, essa informação é extremamente confidencial. Foi um dos nossos que conseguiu essa informação e, mesmo assim, porque se infiltrou no governo disfarçadamente.

– Quantos bancos sofreram assaltos por esse grupo?

– Três. – respondeu Rony tentando imaginar o que eu estaria pensando.

– Qual o nome do banco do centro da cidade? – perguntei olhando fixamente para Rony.

- Banco Central. – respondeu Rony sem entender nada.

A cidade de Truly não é muito velha, então provavelmente o dono do Banco Central seria descendente do fundador deste patrimônio. Poderia ainda estar vivo, e isso me fazia pensar em uma possibilidade de que tal pessoa poderia estar sendo jogada em uma armadilha suja de Oscar. Mas o pior seria se Oscar usasse a filha do descendente do fundador de tal patrimônio, para chantagear ou matar, como um sinal de que as coisas poderiam piorar.

– E quem é o fundador deste banco central?

– Fillipi Burton Cartney – disse ele.

Não pode ser, pensei. Esse é o pai de Alexis.

Posted on 14:49 by Yuri Costa

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O despertador tocou. Eram exatamente 7:10, e ela podia sentir os ondas de luz que difratavam por entre os espacinhos minúsculos que o black-out não cobria, vindo diretamente em seus olhos. Olhos lacrados, que ela não conseguia desgrudar. “Mais 15 segundos, mais 15…” Ela repetia como se o despertador pudesse ouvi-la. Bem, ele não podia. Então ela fez aquele mesmo gesto, de toda segunda-feira (apenas jogou uma mão contra o despertador, que espatifou-se no chão), e esperou mais 15 segundos enquanto apertava mais fortemente o travesseiro contra seu corpo.

Não tinha jeito, tinha amanhecido e não podia mudar esse fato. Logo ela passou a abrir os olhos, vagarosamente, como um colecionador que descola seu selo favorito, colado por engano no espaço errado. Respirou fundo, e levantou-se, ou melhor dizendo, arrastou-se direto ao chuveiro. Tropeçou algumas vezes... Uma, duas, três... E, se ela estava realmente acordada, não posso garantir. Mas despiu-se e girou aquele negocinho, cujo nome me escapa a memória, que liga o chuveiro.

Gotas de água quente caíram. Caíram, e fizeram-na lembrar das lágrimas da noite anterior, da tristeza que ele havia causado nela... Das palavras rudes, das traições confessadas, das sms cheias de culpa, pedidos de desculpas que ela preferiu ignorar. Mas fizeram-na lembrar, principalmente, que passara. A tristeza se fora juntamente com as lágrimas, e ela ficou feliz em sentir o cheiro doce do novo shampoo, do novo perfume… Tudo novo. Obviamente, ela borrifou o perfume mil vezes sobre si mesma (exagero, mas pelo menos sete foram). E mais cinco vezes pelo ambiente ao seu redor. Pela primeira vez em três anos ela usava a saia, e o moletom que ela tanto gostava sem se preocupar com o que ele iria dizer (que ela parecia prostituta, que isso era coisa de menina que não se dá valor, e etc, etc). Nada havia de errado, nem de muito curto, nem de muito decotado.

Saiu a fim de saciar o desejo que tinha - há exatamente dez dias - de tomar um cappuccino, e adentrou a cafeteria sentindo aquele cheiro gostoso que toda cafeteria tem. 

Ele estava lá.

Não demorou nem 15 segundos pra que ela pudesse notar. Ela o viu; e viu aquele olhar que ela tanto amava virando-se pra ela, e viu aqueles cabelos negros que ela tanto acariciava caírem com a leveza de uma pluma e contrastarem sobre a pele cor de marfim. Ela o viu; Viu tudo de que tanto gostava: as roupas largadas, os tênis vagabundos - velhos e desbotados - e até mesmo aquele suéter de cashmere que ele insistia em vestir do lado errado. Viu aqueles lábios que ela outrora beijara se abrirem para sibilar o nome dela, enquanto os olhos dele com cor de oceano - e como um oceano - se enchiam d’água. 

Sim, ela o viu. O viu e deu as costas, fez ele se sentir uma bosta, como ele passara tanto tempo a fazendo sentir... Ela o viu... E foi embora. Não queria nem por mais 15 segundos aquele panaca em sua vida.

E agora? Depois de tanto amor jogado fora, ela deixava-o a olhar pra porta marrom e opaca da cafeteria. Importante ressaltar que a história então se invertia: ele chorava, ela sorria.

Escrito pela colaboradora Bruna Vaugham. Quer fazer como ela e ter uma história sua publicada aqui? Mande um email para o Histórias e Besteiras: historiaebesteiras@gmail.com

Posted on 18:00 by Ana Carolina

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Floresta Vermelha 3 – Final

No meu mundo... uma mãe que pede pra salvar a vida de sua filha em um momento de desespero seria chamada de fraca... isso se alguma humana tivesse essa coragem de fazer isso... de pedir ajuda.

O pedido dela me deixou chocado por um instante, e não soube o que pensar. “Lobo...” Ouvi em minha mente forçando meus olhos a piscarem. Voltei a pensar.

- Claro que vou senhora – respondi, pegando a mochila e colocando-a no chão, vasculhando dentro dela rapidamente.

- O.... que o senhor vai...? – levantei a pata para ela, pedindo que não falasse até que eu tirasse uma espécie de pó de dentro da mochila.

Me levantei com um punhado daquele pó vermelho olhando para as duas a minha frente, e mexi a pata por cima da mochila, que sumiu tranquilamente.

- Nossa! – disse animada a garota, se abaixando e tateando o chão procurando por algum sinal da mochila. - Sumiu mãe! – completou ela, olhando para o chão e de volta para sua mãe com um sorriso feliz.

- Né filha... – respondeu com um sorriso mais calmo.

- Senhora – chamei um pouco sério com o punho fechado.

A mulher me olhou um pouco preocupada até eu voltar a falar.

- Não posso salvar a sua filha...

- Por quê?! – interrompeu a mulher perplexa.

Respiro fundo e volto a falar.

- Não posso salvar a sua filha somente... – falei. – Vou tirar as duas daqui e levá-las para onde querem ir, que é o outro vilarejo, maior e mais seguro, certo?

- Sim... – respondeu a mulher um pouco sem jeito por ter me interrompido, e pegou a mão de sua filha, colocando no seu ombro e a segurando. 

- Pois bem... – Comecei a falar, pegando a minha pata, abrindo-a, apontando para cima e puxando o ar para dentro. Assoprei para cima das duas mulheres e voltei a falar. - Que seja realizado o desejo dele – O pó brilhou em cor vermelha a cima delas.

Abaixo de seus pés, um círculo com formas geométricas simetricamente alinhadas e formandos desenhos apareceu e girou rápido.

- Dele....? – a mulher arregalou os olhos enquanto viu o seu corpo sumir dentro fumaça vermelha que aumentava e se engrossava.

- Sim... – respondi, – Dele mesmo – completei, olhando para os olhos dela, que se enchiam de água.

Minha última visão foi a mulher abrir um sorriso e desaparecer dentro da fumaça.

Obrigado Senhor Lobo...” Ouvi em minha mente novamente aquela voz masculina que vinha da cabana.

- Agora você pode descansar em paz certo...? – falei para a cabana em si.

Sim... Agora posso deixar esse mundo... Sabendo que elas estão seguras... que alguém realizou o meu desejo... Que eu mesmo... Não consegui... Realizar...

- Que bom – respondi e logo perguntei – Você é.... O marido da moça, certo?

Sim...

- Imaginei... – respondi com um sorriso no rosto por poder presenciar tamanho amor.

E o preço pelo ‘serviço’ ...?”

Parei um instante e coloquei as garras no meu queixo. Olhei através das paredes da cabana e vi os outros seres do lado de fora insistentemente tentando destruí-la.

-Você ainda pode segurar a cabana não é....? – perguntei.

Sim...

- Então... eu quero que você segure a cabana por mais um instante e veja o que irei fazer, para você poder descansar em paz – pedi a ele tranquilamente.

Está bem

Ao ouvir a resposta, fechei os olhos e a fumaça que não havia se dissipado aumentou e rapidamente escondeu meu corpo.

- Desculpe... – falei para a madeira e para as raízes que estavam em volta e dentro da cabana.

***

Do lado de fora, era possível ver os ogros, trolls e arqueiros que estavam junto com o grupo tomando distância. Um grupo de Trolls estavam trazendo um tronco de árvore maior que a cabana.

- Preparar! – gritou um ogro maior que os outros e com a cabeça coberta com um elmo.

Os trolls que carregavam o tronco foram para trás. Outros apareceram para ajudar a segurá-lo por ser muito pesado.

- Apontar! – Gritou novamente e mais alto para que todos o ouvissem.

Todos que seguravam o grande tronco se prepararam com os pés bem presos ao chão e os olhos amarelos firmes e fixos na cabana.

- Agora! – gritou ele.

Imediatamente todos os trolls que seguravam o tronco começaram a correr com as passadas extremamente pesadas na terra, alguns deles não conseguiram acompanhar a maioria e caíram para os lados, até a grande maioria chegar próximo da cabana e antes de encostar.

A cabana explodiu em pedaços para todos os lados e junto, um grande lobo preto de olhos com âmbar cintilantes apareceu maior que todos os ogros e trolls da fumaça vermelha que se espalhou rapidamente pelo local.

- Ah! – Gritou a maioria dos ogros e trolls que automaticamente saíram correndo se dispersando, inclusive o próprio líder de todos. Alguns saíram correndo logo após ver, não foi preciso gritar.


Logo não era mais possível vê-los pelo local nem o seus gritos, e o grande lobo preto foi sumindo na fumaça que se dissipava agora, lentamente, olhando fixo para a frente e vendo o espirito do homem simples, com roupas de camponês e barba por fazer, além de descalço sorrindo aliviado e feliz, sumindo primeiro antes do sol sumir por completo, e o lobo também.

Posted on 15:42 by Yuri Costa

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Capítulo 6


Depois do susto que obtive ao acordar com Nicholas gritando em meio à madrugada, eu simplesmente não consegui mais pregar os olhos e, sem ter o que fazer, aproveitei o silêncio oportuno que havia se formado depois de tê-lo tranquilizado para pensar no que ele poderia ter sonhado. Não cheguei à conclusão nenhuma, a não ser de que com certeza não foi coisa boa. Sendo assim, tornei a olhá-lo fixamente por alguns minutos e acabei ficando sonolenta. Acordei com a sensação de ter dormido apenas cinco minutos e consequentemente de mau humor. Nicholas já havia se levantado, talvez tivesse conseguido dormir direito. Quanto a mim, tudo que queria era poder afundar no colchão até pelo menos a hora em que me sentisse suficientemente descansada e disposta. Levantei-me da cama e fi-la. Em seguida dirigi-me até a cozinha percebendo Nicholas a terminar de preparar o café.

− Bom dia, amor... − Ouvi Nicholas proferir da cozinha com um jeito doce e sensual, ao mesmo tempo.

− Bom dia... Dormiu bem?

− Já tive noites melhores − afirmou enquanto virava em minha direção com uma panqueca terminada. − Está cheiroso...

− Minha especialidade, sabe? – Caçoou enquanto distribuía o café pelo balcão da cozinha.

Nicholas havia se dado o trabalho de colocar até mesmo uma flor acompanhando meu copo de suco e ela cheirava bem. Esbocei um sorriso por seu esforço e dei uma mordida numa fatia de pão com gergelim. Ele se assentou ao balcão comigo e tomamos café em silêncio. Apenas os olhos conversavam entre si. Quando terminei resolvi quebrar o gelo.

− Estive pensando em voltar para casa. Querendo ou não é lá que eu moro de verdade. – Mentira. Depois de dois anos morando com Nicholas eu já me sentia mais do que em casa, mas eu precisava voltar e descobrir tudo sobre o meu passado, e isso não dizia respeito a ele. − Minhas coisas estão lá e a única coisa que me prendia aqui era você. Agora sinto que já pode se virar.

Nicholas havia parado de comer ao ouvir-me proferir a primeira frase. Olhava-me sem entender a decisão repentina, mas mesmo assim aceitou-a.

− Tudo bem, meu amor, se você precisa voltar tudo bem.

Segurou em uma de minhas mãos e apertou-a um pouco. Sorri e em sua direção caminhei. Envolvi meus braços em seu pescoço abraçando-o por trás beijei seus cabelos e logo me voltei para a mesa. Esperei-o terminar de tomar café e lavei a louça. Em seguida dirigi-me ao quarto escolhendo uma roupa confortável para depois ir ao mercado comprar algumas coisas. A dispensa estava esvaziando e Nicholas não sabia muito como fazer para enchê-la de coisas boas para a saúde.

Eu estava saindo do box quando ouvi seu telefone tocar. Continuei me arrumando, pois sabia que ele iria atender. Não demorei muito para dar jeito em meu cabelo e logo depois que já estava com minha carteira em mãos pude ouvi-lo sem querer ao telefone. Estava um pouco alto e eu acabei ouvindo a voz de uma mulher dizendo: "Então está combinado!" Aquilo me causou estranheza, mas enrolei um pouco no quarto e depois caminhei até a sala para evitar que Nicholas achasse que eu estava ouvindo suas conversas.

Peguei as chaves do carro, despedi-me e caminhei para o elevador que levava até a garagem. O mercado não estava muito cheio, pra falar a verdade tinham poucas pessoas. Peguei um carrinho e passeei pelos setores que precisaria levar algo. Quando finalmente cheguei à parte de temperos esbarrei num homem alto e russo, que para minha surpresa e vergonha era Dilan. Corei da cabeça aos pés quando me lembrei de que devido à palhaçada que Nicholas havia feito eu o deixei esperando e nem liguei para avisar que não ia mais.

Respirei fundo e dei um sorriso amarelo em sua direção. O mesmo sorriu com os olhos e puxou assunto.

− Antes de qualquer coisa, eu estou morrendo de vergonha por ter lhe deixado esperando. Desculpe-me, foi tudo culpa do Nicholas.

− Tudo bem, ao menos consegui chegar até aqui.

− Assim eu me sinto culpada, ok?

− Essa é a intenção! − Caçoou enquanto erguia a mão direita para a prateleira de molhos.

− Olha só, pois saiba que surtiu efeito!

Dilan inclinou-se para o carrinho colocando três latas de tomate.

 − Que tal você se redimir tomando um café comigo?

− Pode ser um sorvete? Já estou tomada.

− Tudo bem.

Seguimos comprando o restante das coisas que faltavam tanto para mim quanto para ele. Dilan me contou sobre sua vida e vice versa. Ele não estava tão perdido assim, Dona Rose é que havia exagerado ou estava com segundas intenções, apesar de amar a dupla que formei com Nicholas. Dilan havia deixado sua namorada para voltar e ficar um pouco com a mãe, mas prometera a ela que voltaria logo, o que significa que ele estava apenas de passagem.

Conversamos bastante até dar minha hora. Precisava voltar para ainda arrumar as compras no armário e colocar uma lasanha para esquentar. Despedi-me de Dilan e guardei minhas coisas na mala do carro.

Cheguei ao prédio e telefonei para que Nicholas viesse me ajudar. Ele rapidamente desceu pelo elevador e foi ao meu encontro.

− Você podia ter me avisado que iria comprar tantas coisas! − Comentou Nicholas enquanto carregava mais de três sacolas.

− Eu não fazia ideia que traria tanta coisa, isso foi coisa do Dilan. Eu o encontrei e ele me deu várias dicas.



Nicholas arqueou a sobrancelha olhando em meus olhos demonstrando ciúmes pelo ocorrido, mas logo voltou sua atenção as sacolas que uma a uma foram esvaziadas. Terminamos de arrumar as compras e ainda tinha alguns minutos para colocar a lasanha no micro-ondas.

O apartamento estava silencioso como de costume. Nicholas e eu não éramos de fazer barulho. Sentamos juntos no sofá maior e nos aconchegamos para assistir ao filme “V de Vingança” que acabara de começar. Com a face apoiada em seu peito, Nicholas dedilhava o conjunto de minha coluna vertebral, num vai e vem que me desconcentrou diversas vezes.

Aninhei-me em seus braços e aspirei ao aroma refrescante exalado por sua pele. Aroma parecidíssimo com o que senti entranhado em sua jaqueta na primeira vez que nos encontramos. E pensar nisso tudo, me bateu um aperto no peito por deixá-lo sozinho... Mas eu fui egoísta demais pensando só em mim, deixando Alfred e papai aos cuidados das empregadas. Fora que eu estou disposta a descobrir tudo a respeito do meu passado, e agora que Nicholas já está habituado, nada me impede a não ser a saudade.

Desvencilhei-me de tais pensamentos ao perceber Nicholas empolgadíssimo com o filme. Suas mãos já estavam apoiadas em meu ombro e não mais me acariciavam. Fitei o relógio a minha frente e ainda faltavam alguns minutos.

− Gostando do filme, meu anjo?

Meneei a cabeça em sinal positivo, mas a verdade é que eu não havia prestado atenção nem mesmo em 50% da história. Nicholas sorriu com os olhos e beijou-me rapidamente para não perder nenhuma cena.

Permanecemos assim até que notei a luz do micro-ondas se apagar. A televisão também desligou e as poucas luzes que estavam acesas também. Nicholas e eu nos entreolhamos assustados e depois rimos um da cara do outro. Havia faltado luz e por sorte a lasanha havia cozido o suficiente.

Desligamos os aparelhos principais do apartamento e nos dirigimos até a cozinha. Preparamos o balcão e almoçamos a luz do dia. Aproveitei bastante aquele momento, de agora em diante nossas refeições não seriam tão frequentes como estávamos acostumados. Logo que terminamos limpamos a cozinha por alto e dirigimo-nos até o banheiro, um por vez. Era domingo e eu não sabia o que fazer exatamente num apartamento sem luz, então decidi começar a arrumar minha mala com o pouco que entrava pela janela. Nicholas me ajudou do modo dele, eu colocava três peças dentro da bolsa e ele tirava duas, mas depois parou de se intrometer, e deitou na cama me deixando sozinha no closet.

Terminei de arrumar tudo. Olhei para o vazio que havia ficado e engoli a seco a saudade. Arrastei as malas até a sala e voltei para o quarto. Nicholas tinha um olhar sombrio e um semblante sério. Eu quase não o reconheci. Virei-me de costas para ficar na sala quando ouvi sua voz soar rouca quase como um sussurro.

− Fica...

Voltei-me para o quarto e caminhei até a cama deitando-me ao seu lado.

− Eu vou ficar até a luz voltar, tudo bem?

Nicholas se ajeitou e me abraçou com ternura. Ele parecia tão pequeno e indefeso, mas seus braços, e corpo excitantemente definidos caracterizavam-no como um homem assustadoramente delicioso, e irresistível.

Permanecemos entrelaçados por alguns segundos mais e logo Nicholas virou-me sobre seu corpo. Suas mãos seguravam-me com força, mas ainda assim não me machucavam. Nossos corpos se comunicavam calorosamente, nossos beijos deixavam as quatro paredes a par da saudade que já sentíamos um do outro. Logo nos entregamos nos permitimos e depois adormecemos juntos. Como se fossemos apenas um.

Posted on 13:12 by Yuri Costa

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