Louca, pensei.

Depois daquela noite, nada mais foi igual. Consegui fazer com que ela desistisse de pegar a tal chave, e finalmente, foi embora para sua casa. Meu dia continuava passando e ainda era de tardinha, quase noite. Quase hora de eu sair de casa, para fazer a minha última missão.

- Quero deixar claro por meio deste vídeo, que se eu aparecer morto, você, Oscar Fragoso, braço direito do presidente deste país insolente que ilude totalmente as pessoas, com seus sermões e mentiras e fazendo tudo pela metade e nos dizendo que as coisas estão andando, será o alvo principal de toda a nação. Não te deixarei uma chance, pois se errar comigo, eu errarei com você. – falei olhando para a câmera do meu notebook. Peguei a maleta cheia de dinheiro e mostrei para a câmera e então continuei dizendo. – Essa é a maleta que o Oscar me deixou. Cheia de dinheiro e com armas, balas, bombas caseiras entre outras coisas. Isso tudo, é o que eu tenho a minha disposição para matar a pessoa que ele me deu como o meu último alvo. Seu nome, Elisabeth Bazzoni de 24 anos. Moradora de uma cidade pacata chamada Truly. Estou, infelizmente, sendo obrigado a matá-la para ter uma vida normal, novamente. Farei isto, pois se eu não fizer, serei caçado, até a morte. – dei uma pausa e peguei o meu celular. – Aqui, está toda a gravação das minhas últimas conversas feita com Oscar. Essa gravação mostrara que estou sendo forçado, e não recebi nenhuma opção para negar este assassinato. Então, terei de fazê-lo, senão eu serei o novo alvo.

Encerrei o vídeo depois de deixar rolar a gravação de toda a minha conversa com o Oscar. Preferi deixar gravado e pronto para enviar em um e-mail, daqui a três dias. Se eu estiver vivo, irei adiantar a hora para que o e-mail possa ser enviado caso ele só venha depois de três dias. Terei de fazer isso durante toda a minha vida, pois sei que não estarei mais seguro. Pelo menos, não nesse planeta.


Oscar Fragoso é o chefe da segurança nacional e o melhor amigo do presidente. Sabe de tudo e ganha poder para fazer inúmeras coisas. Poderia muito bem me trancafiar em uma cela de prisão máxima por nada, ou então, ser menos ruim e me prender dentro do país, ficando sobre total vigilância dos militares que seguem suas ordens. Sem contar nos espiões que devem ficar ao meu redor a todo minuto e talvez, eu nem saiba disso.


Fechei meu notebook e peguei minha mochila. Ela estava preparada com tudo o que eu precisaria para fazer um assassinato bem discreto. Coloquei ela nas costas, sai do meu quarto secreto e sai do meu apartamento.
 

De tardinha eu consegui finalmente, criar uma escuta no telefone da casa da Eliza. Ela conversava com alguém, e disse que iria ficar em casa por hoje, mas que era para essa tal amiga, ir para sua casa, para verem filme juntas. Era o que eu precisava. Fácil demais para ser verdade.
 
- Boa noite meu jovem! – falou um senhor que passava ao meu lado enquanto eu caminhava para o ponto de ônibus.
 
- Boa noite! – respondi rapidamente.
 
As pessoas mais velhas sempre foram mais educadas. Hoje em dia, não vemos muito disso, mas pelo menos aqui em Truly, apesar de ser uma pequena cidade, as pessoas daqui são bem educadas, inclusive os mais novos. Aqui é um bom lugar para se morar, mas não enquanto estiver novo. São poucos jovens, muito idosos. Ou pelo menos, se for vim para cá, que venha com uma família formada, porque para achar alguém aqui, é difícil.
 
Peguei o ônibus e em poucos minutos eu já havia chegado ao meu local. Não era tão longe, daria até mesmo para ir a pé, só que quanto mais movimento, melhor para um certo disfarce.
 
Centro de Truly. Cinco ou sete condomínios cheios de apartamentos. Pedi ao porteiro do condomínio onde Eliza morava, os números dos apartamentos disponíveis para venda.
 

- Uma amiga que me indicou aqui. – comentei.
 
- Ah sim. Esse condomínio é muito bom e perfeitamente seguro. Porque não agenda uma visita hoje? Ainda da tempo. – opinou o porteiro.
 

- Não meu amigo, muito obrigado, mas estou correndo contra o tempo para buscar minha noiva no aeroporto. Se eu demorar, ela é capaz de me matar. – falei sorrindo, ou melhor, menti sorrindo.
 
- Hahaha, eu te entendo. Bom, se quiser, eu peço a minha filha para lhe mostrar os apartamentos que estão disponíveis aqui, amanhã.
 
- Sua filha? – perguntei.
 
- Sim, minha pequena Eliza. – falou e sorriu em seguida. – Ela odeia que eu a chame de pequena, mas fazer o que? Para mim ela sempre será o meu bebê não é mesmo?
 

- Creio que sim. – falei em um sorriso.
 

- Olha rapaz, quando for pai, você irá entender do que estou falando. – falou e deixou o nome dela com o número do apartamento em que ela morava.
 

- Obrigado. – falei o cumprimentando e saindo em direção contrária a dele.
 

Ele é o pai da Eliza, pensei. Droga!
 

Por isso que eu odiava ser espião e agora, ainda mais ser assassino de aluguel. Por isso que eu tenho de terminar isso logo, se não, como terei uma vida normal ou ao menos, como eu tentarei ter uma? Sem saber que eu estou indo matar sua amada filha, ele me entregou tudo o que eu precisava, sem que eu pedisse nada. Em sua mente, estou indo ao aeroporto buscar minha noiva, e com certeza, sou muito simpático aos olhos dele. Nunca irá imaginar que eu fui o assassino de sua filha.

Minutos depois lá estava eu, dentro do prédio indo no apartamento vazio que ficava mais alto possível. Ao chegar na porta do apartamento 602, que ficava no sexto andar, usei um grampo para abrir a porta e com êxito eu não fui avistado por ninguém.
 
Tudo nos conformes, pensei.
 

Arma na mão, mira encaixada, mascara no rosto, olho no local onde o alvo estará a qualquer momento e aguardando.
 

Eliza surgiu na janela da sua cozinha, mas passou rápida demais. Posicionei minha arma e deixei minha mira em cima dela, respirei fundo.
 

Aguardando o momento certo, pensei. Provavelmente ela irá sair apagando a luz da cozinha, é nessa hora que eu atiro.
 


Eliza começou a fazer algo na cozinha, suponho que seja pipoca. Abriu a geladeira e ficou olhando o que havia dentro até que puxou uma coca-cola de dois litros. Pôs em cima da bancada e pegou dois copos grandes. Deveria ser para ela e sua amiga. Abriu a porta da estante e tirou uma vasilha de lá de dentro. Em seguida Eliza pegou a pipoca que só agora pude perceber, que havia sido feita em um micro-ondas, e colocou na vasilha. A escuta que eu havia colocado em sua casa, só me dava os barulhos de passos que ela fazia.

- Eliza! – falou alguém que passou pela porta entrando na cozinha. - Vai demorar muito?
 

Era Alexis Burton.
 

Droga, pensei. Não é possível que em tudo essa mulher está presente!
 

- Já estou indo, só estava colocando o refrigerante. – disse Eliza.
 

- Ah sim, - falou Alexis. – sabe... Acho que realmente gostei de ter ficado com o Nicholas hoje.
 

- Ah amiga, pela sua cara, isso é certeza absoluta! – disse Eliza enquanto ria.
 

- Não sei, o jeito dele... Me parece tão misterioso.
 

- E você nem gosta de um mistério não é mesmo? – perguntou Eliza tacando uma pipoca no rosto da Alexis.
 

Alexis ficou meia pensativa, comeu uma pipoca e se encostou na bancada. Minha mira agora estava sob sua cabeça, e meu pensamento nas suas palavras. Ela estava gostando de mim? E eu, misterioso? Nunca me mostrei alguém misterioso e sem contar que nem meu nome eu menti. Disse como me chamo verdadeiramente e nunca tivemos situações da qual ela pudesse ver algum mistério. Será que ganhou essa impressão de mim, somente por causa do que aconteceu mais cedo?
 

- Vamos, está pronta! – disse Eliza sacudindo a vasilha para espalhar o sal na pipoca.
 

Elas saíram da cozinha, Eliza desligou a luz e se foi. Eu não consegui apertar o gatilho. Ela estava na minha mira, mas fiquei paralisado. Parei e deixei minha arma no chão. Me sentei e me encostei a parede. Quando me dei por percebido, minhas mãos já estavam passando pelo meu cabelo e meu rosto. Alisei minha testa em busca de um pensamento certo, em busca de algo que pudesse me fazer a retornar a mim mesmo.
 
Alexis, pensei.
 

Peguei meu celular e procurei pelo número dela. Liguei e deixei tocar três vezes, tempo suficiente para ela ver a chamada e atender, mas antes que ela fizesse a última parte, eu desliguei o telefone. Provavelmente ela pegou o celular agora para saber quem era e ao ver meu nome, já começou a pensar no que eu queria com ela, no mesmo dia em que fomos pra cama. Agora era o momento certo.
 

Meu celular vibrou e quando olhei o visor, lá estava escrito.
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                                             Chamada de Alexis Burton
                                                  
                                                   Atender Desligar
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- Alô? – falei ao atender o celular.
 

- Oi Nicholas, - falou Alexis parecendo um tanto insegura. – você me ligou?
 

- Eu? – perguntei soltando um leve risinho.
 

- É... – parecia ainda mais insegura sobre ter me feito aquela ligação.
 

- Liguei. – pude ouvir um suspiro de alivio dela. – Quer sair comigo?
 

- Co... – antes que ela pudesse dizer algo eu a interrompi.
 

- Ás 20hrs no cine do Thaylon.

Desliguei o celular e observei o movimento que acontecia na casa da Eliza. Alexis passou pela cozinha correndo para outro cômodo, e logo voltou a cozinha dando pulinhos de alegria.
 

Louca, pensei e sorri.

Destravei minha arma, posicionei a mira na porta da cozinha novamente e quando se passou quinze minutos eu atirei. Sai do apartamento onde eu estava e fui direto para o apartamento da Eliza. Chegando lá, pude perceber o tiro que dei. Atravessou em ponto reto a janela e raspou na porta da cozinha dando um perfeito sinal de erro.


Ótimo, pensei.


Assim eu dou meu alvo eliminado. Não sei o que ocorrerá daqui para frente, mas eu não quero acabar com a vida de uma pessoa inocente. Pelo menos eu não quero mais isso. Não mesmo.
 
Eliza com certeza estava na casa da Alexis agora ajudando ela a se arrumar. Daqui a poucos minutos eu deveria me encontrar com ela no cinema. Cine do Thaylon fica no centro de Truly. Uma noite tranquila. Assim eu espero, só quero descansar a mente um pouco e poder ter uma primeira noite tranquila. Que assim seja.
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Mensagem de texto

De: Nicholas            Para: Oscar Fragoso

Último alvo eliminado

Enviar            Apagar

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Enviar. Ok.

Posted on 22:19 by Larissa Arievilo

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Eu não podia acredi... Ou melhor, eu não me permitia assimilar que tudo aquilo estava acontecendo. Eu confesso que sempre dormi com alguns caras, mas nunca fui o tipo de mulher que se submete a uma situação dessas no primeiro encontro e pior ainda, aquilo definitivamente não era um encontro.  Tudo começou com um molho de chaves e terminou em nós dois enroscados em cima da cama.  Eu só podia estar à beira da loucura. Não que eu esteja reclamando porque sinceramente, Nicholas se tornou impossível de tirar da cabeça desde aquele maldito, ou eu deveria dizer bendito arranhão em meu retrovisor, mas eu conseguia me controlar. Não era pra tanto me deixar chega..r
 
─ AH.. − Gemi entre os dentes enquanto sentia um calor entre as pernas. Ainda me pergunto como consegui pensar em todas essas coisas diante daquele belíssimo par de orbes azuis simplesmente me levando a loucura. Mas apesar disso, tudo que eu desejava naquele momento era que um telefone ou uma campainha tocasse. Não era assim que as coisas deveriam acontecer, ou era. E talvez Deus tenha ouvido minhas preces quando em meio a gemidos de ambas as partes, pude ouvir o toque estridente de meu celular.
 
A situação acabou se tornando mais desconfortável que pensei. O clima simplesmente foi dar uma volta pelo espaço e aproveitando o momento em que o meu orgulho, e a minha querida razão estavam falando mais alto, desvencilhei-me de Nicholas e despedi-me com um selo rápido. Enrolei-me no lençol da cama e catei rapidamente minhas roupas com o intuito de encontrar meu celular. Nicholas permaneceu estático por alguns instantes, mas depois tomou suas peças de roupa e vestiu-as mais rápido do que eu, até.
 
Depois de arrumada pude perceber a tela de meu celular reluzir em baixo de meu sapato. Caminhei apressada até ambos. Era uma ligação do escritório. Eu estava atrasada e hoje o dia seria cheio demais. Ao mesmo tempo estava sendo egoísta em me arrumar em silêncio, sem ao menos dar uma satisfação para Nicholas. Talvez não fosse necessário. Repensei, uma despedida não faz mal a ninguém.
 
Caminhei a passos largos em direção a sala sendo seguida por Nicholas. Eu podia jurar que estava sentindo sua respiração ainda ofegante em minha nuca, ou estava sonhando.
 
─ Olha tudo bem se você não encontrar a chave, eu já estou atrasada mesmo, passarei num chaveiro para fazer uma nova. E sobre o que aconteceu... Se você puder fingir que tudo não passou de um... Momento de pura insanidade, eu vou agradecer. Tenho que ir!

Virei-me em direção a porta e senti sua mão direita pesar sobre meu braço. Cheguei a pensar que ele não tivesse entendido meu pedido. Mas estava enganada. Nicholas que não havia proferido nenhuma palavra desde que cheguei, puxou-me educadamente para o lado e girando a maçaneta, deu espaço novamente para que pudesse sair.
 
Sem mais delongas dei as costas e corri contra o tempo. Precisava passar no chaveiro e ir direto para o escritório. No caminho liguei para Loren, minha secretária. Pedi que ligasse para as pessoas que jantaria mais tarde e confirmasse o restaurante no centro de Truly. Chegando ao escritório, organizei os esboços que havia criado em casa semanas atrás enquanto o chaveiro tirava uma cópia de todas as portas para mim.
 
O dia passou voando e senhor, eu acho que olhei o visor de meu celular pelo menos umas cinco vezes só enquanto estava analisando as casas de alguns clientes. Eu estava impaciente. Ofereceram-me até mesmo um copo de água com açúcar. Eu estava criando expectativas demais, Nicholas não é o tipo de cara que liga no dia seguinte, ele não iria ligar no mesmo dia, pior ainda. Por longas horas esqueci-me completamente de Marc. O grande amor da minha vida que eu havia deixado para escanteio desde a chegada de Nicholas.
 
Apesar disso, agora não era hora de reviver o passado, que não era tão passado assim. Já badalava 19 horas da noite. Como o dia havia passado rápido, pensei. Em uma hora eu deveria estar pronta para o jantar de negócios. Com certeza não conseguiria chegar à casa a tempo. Dirigi de volta para o escritório e me arrumei por lá mesmo. Eu havia premeditado toda a construção de maneira que pudesse fazer coisas do tipo. Havia um banheiro pessoal e outro público. No pessoal, havia uma porta que dava num closet pequeno, só guardava algumas peças, maquiagem e uns pares de sapatos para ocasiões como essa.
 
Em alguns minutos estava pronta trajando um tubinho tomará que caia verde musgo, um colar simples, cabelo solto e um sobretudo bege um pouco acima do joelho. Eu tinha 15 minutos para chegar pelo menos em cima da hora. E lá estava eu dirigindo até o centro da cidade, feito louca. Por sorte meus clientes se atrasaram. O restaurante estava ameno, solicitei ao garçom que me trouxesse uma água e permaneci esperando mais alguns minutos.
 
A água chegou e os clientes não, e essa não era a única surpresa desagradável da noite. A poucos metros encontrava-se Marc, um cara que desde o dia em que o conheci me tirou todas as noites de sono possíveis, até mais do que Nicholas. Ele era perfeito. Educado, bonito, inteligente, tinha bom gosto pra praticamente tudo, menos pra mim. Ele nunca me olhou de outra maneira como a filha protegida e ingênua de Filipi, eu já estava na casa dos vinte e o homem me ignorava como uma adolescente que se apaixona pelo professor. Era angustiante, por vezes criei situações propícias a um beijo, um beijo que fosse. E ele desconversava, pigarreava, fugia e agora estava bem ali, na mesa de nº 6 acariciando a face de outro homem. Ele podia ser casado... Eu superaria com mais facilidade, mas isso foi quase uma traição. Alguns segundos encarando sua mesa e deparo-me com Marc sorrindo, e acenando em minha direção como cumprimento. Sempre tão educado, bonito, gentil... E agora não era mais para o meu bico. Terrível. Sorri com os olhos e voltei o olhar desolado e desconsolado para a taça de água que já havia terminado.
 
Ainda pensativa, respirei fundo e dei-me conta de que chovia um pouco. A janela ao meu lado respingada de gotículas anunciava a chegada do inverno chuvoso. O vidro estava um pouco embaçado e permitia que fizesse alguns desenhos... Ergui o dedo indicador, tirei a luva e rabisquei um coração partido. Ri de mim mesma e passei a mão em cima limpando a besteira que havia acabado de fazer. Através da janela, pude ver um homem bem parecido com Nicholas e mesmo com a decepção de ainda pouco, senti meu coração bater descompassado de um jeito que eu nunca vi. Forcei a vista em direção ao homem e frustrei-me ao perceber que não era, elevei minhas mãos até a cabeça e espalmei-a repetindo o mantra: Você está louca, louca, louca.
 
E assim, mergulhada em meus devaneios não percebi que meu celular tocava, era Loren. Parece que uma geada estava chegando a cidade de meus clientes e estava quase impossível de sair na rua. Chamei pelo mesmo garçom e pedi o que eles tivessem de melhor na cozinha. Nada melhor do que afogar as mágoas comendo. Levei algumas horas para saborear o jantar solitário e depois segui para casa.
 
Eu estava exausta e apesar disso não conseguia pregar os olhos, o dia havia sido longo e cheio de emoções para uma cabeça, e um coração só.Talvez um chá fosse capaz de amenizar a situação. 

Depois de preparada para dormir, caminhei até o corredor e procurei Alfred com os olhos, se bem o conheço com certeza ainda está acordado dando ordens por todo o lado. Chamei por seu nome e o vi aparecer ao fim da escada.

─ Senhorita Burton?

─ Alfred, sem formalidades, por favor. Hoje o dia foi longo, deliciei-me com um belo de um jantar solitário e agora apesar do cansaço não consigo pregar o olho. Você pode pedir a Dorinha que faça um chá para mim?

─ Claro Aléx, na verdade eu mesmo tomarei a liberdade de fazer. Dora já deve estar no décimo sono.

─ Tudo bem, mas prometa-me que depois disso irá para cama, certo?

Percebi um sorriso brotar nos lábios de Alfred. Em seguida meneou a cabeça e saiu para fazer-me o chá. Enquanto voltei para o quarto, desfiz a cama e deite-me a sua espera. Aguardei por alguns minutos e logo ouvi um barulho, era Alfred batendo na porta carregando um aroma irresistível dentro da caneca.

─ É de camomila, para que tenha uma noite e um dia tranquilo!

─ Ah, Alfred, obrigada! Você sempre tão atencioso mais presente do que papai.

─ Seu pai é tão ocupado quanto você. Sendo assim vou tratar de preparar um almoço para vocês um dia em que estiverem disponíveis.

─ Ah, só você mesmo, espero que consiga essa proeza! Agora vá descansar boa noite.

─ Boa noite Senhorita.

Posted on 12:00 by Larissa Arievilo

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- O que temos para hoje? – perguntei ao vento.

Já era de manhã, na verdade, ainda era madrugada. 4:48 horas. Levantei da minha cama macia e fui direto para a cozinha. Abri a geladeira e procurei algo para preparar um bom café da manhã. Devorei o meu café sentado assistindo a hora Acme. Fazia tempo que eu não via desenhos e eu simplesmente amava, principalmente os mais antigos.

A madrugada ainda se despedia e essa era a hora em que eu ia praticar meus exercícios. Tinha uma barra com alguns peso para me ajudar a manter o corpo bonito. Sim, sou do tipo bem vaidoso e gosto de ter uma boa aparência, porém, não sou de mostrar meu corpo. Uso roupas um pouco mais largas do que um homem nos dias de hoje está acostumado a usar, mas isso não me incomoda em nada.

Fiquei fazendo meus exercícios enquanto eu ia ouvindo músicas e lembrando da noite anterior, onde eu havia me encontrado com a Elisa. Seu rosto estava cravado em minha mente, o que não era ruim, mas eu temia por algo. Pode ser apenas o desejo de acabar com essa parte da minha vida logo que esteja me deixando assim ou então...

Alexis, pensei.

Parei de malhar e fui tomar um banho para refrescar o corpo. Costumo demorar debaixo do chuveiro, pois gosto de ficar pensando e repensando na vida, ali debaixo, mas meu celular tocou e eu tive de correr para atendê-lo.

Despertador, pensei.
Era apenas o despertador e eu nem me lembrava que ele despertava todo dia as 7 horas da manhã. Desliguei o despertador e vi novamente na tela que havia uma mensagem de texto para mim.

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Mensagem de texto
                                             Alexis Burton

                                                 Ler - Sair
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Me esqueci completamente, pensei e logo em seguida, abri a mensagem de texto para ler o que a Alexis queria.

 
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Mensagem de texto

Boa Noite Nicholas, desculpe estar te incomodando a essa hora, mas é que eu percebi ter esquecido as chaves de meu escritório em seu apartamento. Eu acho que caiu dentro do seu closet quando estava acompanhando o trabalho de minha equipe. Gostaria de saber se amanhã bem cedo posso dar um pulo em seu apartamento para pegá-las. Espero que leia a mensagem! Passar bem, beijo.

                                            Alexis
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DING DONG

- Droga! – falei.

DING DONG

- Já... Já vai! – falei.

Corri para pegar a toalha que estava mais próxima de mim e me enrolei nela, corri até a porta para saber quem era e quando olhei pelo olho mágico, era quem eu menos esperava.

- Oi, - falei abrindo a porta e me escondendo um pouco, pois eu ainda estava enrolado na toalha. – senhorita Alexis Burton.



- Olá senhor... Nicholas...? – falou e perguntou ao mesmo tempo.

- Forbes. Nicholas Forbes. – respondi em um sorriso sem graça.

- Não vai me convidar para entrar? – perguntou a bela Alexis Forbes.


Eu nunca havia notado em como ela era. Cabelos negros, tão negros quanto a noite. Seu rosto era claro que deixava de forma perfeita seus lábios vermelhos em destaque, mas nada tirava dela, o poder que tinha nos olhos. Azul como o céu. Azul como o mar. Azul como a vida.

- Ah, claro... – falei abrindo mais ainda a porta. – Pode entrar.

- Obrigada.

 - Só me desculpe por uma coisa...

- O que seria? – perguntou enquanto se virava para mim e então, viu meu estado.

Rimos um da cara do outro e eu fui até o meu quarto para vestir uma roupa. Coloquei uma camisa que estava jogada em cima da minha cama e voltei a sala para falar com ela normalmente.

- Bem Nicholas, eu não quero tomar seu tempo, só vim mesmo buscar minhas chaves.

- Ah sim, mas não estão aqui. – falei.


- Ai meu Deus... – falou Alexis colocando as mãos na cabeça. – Isso é impossível, elas deveriam estar aqui.

- Alexis, - disse. – me desculpe, mas não estão.

- Já ouvi. – falou e se levantou.

Ela andou em direção a porta e eu corri até ela para abrir, e então ela se virou e andou depressa até o meu quarto e eu corri até ela tentando impedi-la de entrar no meu closet. Agora ali era um lugar onde ninguém mais poderia entrar. 

Dentro do closet não tem nada demais, porém, atrás do closet, tem a minha vida secreta e se por um acaso ela descobrir quem eu sou, já era.

- Me deixe procurar lá dentro! – disse Alexis já mostrando muita impaciência.

- Não está aqui eu já falei!

Ela parou e me encarou. Ficou séria e depois me fez cara feia. Esperei que ela me mandasse língua e então ela pulou em cima de mim me empurrando e tentando de todas as formas passar por mim. Eu a segurei com força e com medo de machuca-la, mas ela estava me deixando muito irritado e isso nem sempre é bom. Olhei bem nos olhos dela tentando de alguma forma por medo dela ou mostrar minha irritação, só que não parecia adiantar. Antes eu pudesse joga-la para algum canto e causar um acidente sem querer, eu fiz o que eu nunca imaginei que faria. Pelo menos não com ela.

Sua brutalidade parou quando toquei meus lábios no dela. A beijei e segurei fortemente seus cabelos envolvendo-os pela sua nuca. Suas mãos ainda batiam em meus ombros, mas eu continuei na ideia do beijo, até que ela cedeu e me beijou. Parou então de me bater e começamos um beijo que foi veloz, mas não terminava. Segurei na cintura dela e a tirei da porta do meu closet, ela então segurou minha nuca e jogou o braço por cima do meu ombro. A cama estava a centímetro e nossos olhos fechados. Eu, maliciosamente fui direcionando nossos passos até a cama, onde ela foi impedida de continuar andando para trás e enfim, caiu me levando juntamente com ela para a minha cama.

- Alexis... – tentei falar algo, mas não tinha como.

O beijo não parava e o calor só aumentava. As roupas iam sumindo e nossos corpos mais íntimos iam ficando.

- Ai! – gritei assim que senti uma de suas unhas quase arrancarem minha carne das costas.

- Vem... – sussurrou Alexis e continuamos com nossos beijos e mais apropriadamente dizendo, nossas intimidades.



Posted on 08:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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RENEGADOS


Capítulo 9


O psicopata entra novamente em ação




Tentei conversar com o meu grupo no mesmo dia, só que não deu, então resolvi deixar para a manhã do dia seguinte para ai então, falar com todos de uma única vez. Enquanto eu tentava dormir um pouco, fiquei pensando nos três dias que passei naquele barraco, no plano que eu inventei na hora, no incêndio que eu causei, na morte de Patrick e no reencontro com a Karen. Eu nunca iria imaginar reencontrar ela ali, aquilo me pegou de surpresa e creio que a ela também.
Pensei também na Lavigne. Era como se eu e ela já tivéssemos algo e apesar de um forte clima ter rolado há alguns minutos atrás, eu tinha a minha certeza de que éramos apenas amigos. Eu estava confuso e fiquei me perguntando o tempo todo, a causa dos meus sentimentos terem ficado daquele jeito. Meu coração parecia ter encontrado algo, pois eu sentia que ele queria pular pra fora do meu peito. Foi muito intenso.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, eu fui direto para o refeitório tomar um café da manhã reforçado. Pedi ao meu grupo que me encontrassem no meu quarto em trinta minutos, e assim foi feito.
- Tenho uma notícia a dar a vocês. – comentei.
- Espero que seja boa. – disse Lavigne.
- Você vai amar. – falei sorrindo.
- Diz logo Marcos. – pediu Jacob.




- Ok, como queiram. – comecei. – Ontem, eu encontrei uma amiga. Muito amiga mesmo. Lavigne a conhece, só que o restante não sabe quem é.
- Eu conheço? – perguntou Lavigne pensativa.
- Sim, conhece. – disse. – Nós nos esbarramos no local onde ficamos presos cercados por berrantes. Por sorte dela e azar o nosso ela só chegou depois que acabamos com


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todos os berrantes. Ela me deu o carro dela cheio de suprimentos e disse que era pra gente encontrar com ela amanhã, na estrada de lama do pico. – falei e então olhei para Lavigne. – Lavigne, era a Karen. Ela vai nos encontrar junto com o nosso grupo antigo. 



- Karen? – perguntou Lavigne incrédula. Ela abriu a boca e a tapou com as duas mãos, seus olhos brilhavam intensamente e ela se movia para trás como se não tivesse medo de cair em algum buraco.
- É. – falei. - Nós vamos reencontrar a todos.

- E nós? – perguntou Deanna.

- Então, é sobre isso que eu vim falar com vocês. – comecei. – Eu quero que vocês venham conosco.

- E eles vão nos aceitar? – perguntou Jacob.

- Claro! – falei dando certeza. – Serão aceitos numa boa, inclusive, temos mais dois no nosso pequeno grupo. Ellen e James. Também irão conosco.

Eles cumprimentaram James e Ellen já que ainda não se conheciam, mas um imprevisto aconteceu. Um desagradável imprevisto.

- Ué, então quer dizer que você vai fugir é mariquinha? – perguntou Thomas implicando com Lucca. Seu hálito de cerveja estava bastante forte, já dava para se imaginar o porquê estava implicando com o Lucca.

- Relaxa. – sussurrei para o Lucca que já estava bufando de raiva.




- Haha! É espanhol! Você ta certo, tem que fugir mesmo! Foge! Foge! – gritava Thomas.

- Olha... – Lucca tentou falar, mas eu tapei sua boca antes que falasse alguma coisa. Já que iríamos sair dali, que saíssemos sem causar nenhum problema. Era a última vez que ele teria de aturar aquele maluco, então uma ultima vez não faria mal a ele.

- SEU MERDA! – berrou Thomas e foi ai que eu não consegui conter o Lucca.

Lucca me empurrou para o lado e eu bati contra a parede. Sei que ele não queria me machucar, mas aquilo havia doido. Lucca ia jogando o corpo pra frente bem posicionado para bater a qualquer momento e quando chegou perto de Thomas ele o socou no olho. Thomas cambaleou para trás e ao contrário de todas às vezes agora ele estava rangendo de tanta raiva. Thomas tentou um golpe, mas foi sem sucesso. Lucca o empurrou para trás e chutou sua barriga. Thomas ficou de joelhos com as mãos


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sobre a barriga tentando recuperar seu ar, mas antes que ele fizesse isso, Lucca deu três socos no seu rosto que o fez cair.
Lucca estava cuspindo fogo de tanto ódio que estava do Thomas e o Thomas sentia a mesma coisa em relação ao Lucca.

Creio que o Lucca ia continuar socando Thomas, só que por sorte James o segurou e o conteve. Lucca se acalmou e então recuou deixando Thomas caído no chão sobre sangue cuspido pela sua boca. Lucca coçava sua cabeça constantemente, deveria estar pensando no que ele tinha acabado de fazer, quando nós ouvimos.

BANG! BANG!

Dois tiros, um acerto. Thomas tinha se arrastado até a parede e se levantado se apoiando nela. Ninguém viu, mas ele carregava uma pistola na cintura e atirou no Lucca. Por sorte ele estava tão bêbado que um tiro foi na parede e o outro pegou no braço esquerdo de Lucca. Só assim Thomas caiu em si do que tinha feito, mas para quem acha que ele largou a arma e saiu correndo, vocês estão enganados.

Thomas pegou sua arma e saiu correndo, só que atirando e para todos os lados.

- Esse cara está maluco! – grita alguém no corredor principal.

- Está tudo bem Lucca? – perguntei.


- Ai! Está tudo bem sim, ai! – responde Lucca em meio a gemidos.

- Ai meu Deus! Irmão! – berra Deanna.


- Não se preocupe, ele esta bem. – diz Ellen. – A bala pegou no braço e não atingiu nenhum ponto vital.




- Você é médica? – perguntei.

- Tinha um consultório próprio. Era a minha vida. – respondeu Ellen demonstrando tristeza ao lembrar-se do passado.

- Me deixe ajudar. – disse Lavigne.

Ellen e Lavigne ficaram ali cuidando do braço do Lucca. Deanna estava um tanto nervosa, mas Jacob estava conseguindo acalma-la. O problema agora seria conversar civilizadamente com Adam. Ele com certeza não ira gostar de nada disso e talvez não isso não fosse nada bom.

- QUE MERDA É ESSA? – berrou Adam, entrando na sala para saber o que houve.


- Seu amigo psicopata! – disse James. – Você sempre o defendeu e olhe só o que ele fez!


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- Como... – falou Adam encarando James. Ele parecia não acreditar na forma como James falou com ele. – Como você tem coragem de falar nesse tom comigo? 

- Se está esperando por um pedido de desculpas, esqueça!

- Muito bem senhor James. – falou Adam. – O senhor pode sair deste lugar, imediatamente. – terminou de dizer em um tom tranquilo e um tanto ameaçador.




Adam olhou para o estado do Lucca e se virou. Deu-nos as costas mais uma vez e se foi para algum lugar do prédio. Deveria estar muito furioso já que foi confrontado e isso Adam não suportava. Com ele tinha que ser tudo no maior e total respeito. Ele queria ser um rei onde seus súditos não reclamassem quando ele fosse manda-los fazer algo estúpido. Queria ter poder sobre todos, mas seu reino estava despencando e ele mal estava preparado para isto.

James foi expulso do prédio. Ele me perguntou como faria para me encontrar do lado de fora e eu achei melhor dizer aonde meu grupo irá nos aguardar. Ele então saiu do prédio e foi direto para lá e isso seria bom, pois se nós nos atrasássemos ele saberia explicar o motivo.

- Irmão, você vai ficar bem. – falou Deanna acariciando o rosto do Lucca.




Ele estava bem, só sentia muita dor já que a Ellen teve de tirar a bala que ficou alojada em seu braço. Esse foi o motivo de ter dado febre nele e tanto suor. Com certeza esses sintomas seriam os mesmo em qualquer um que tivesse uma bala alojada em seu corpo e tivesse de tira-la dali sem alguma anestesia. Deveria ser uma dor e tanto pra derrubar o Lucca daquele jeito.

- A febre só esta aumentando, ele precisa de remédios. – comentou Ellen.

- Vou falar com o Adam. – falei.

Fui atrás de Adam. Não foi difícil de encontra-lo, afinal de contas ele sempre fica no seu canto escondido. Seu escritório, o seu lar especial. Adam estava com cara de poucos amigos. Alisava os lábios enquanto viajava pensando em algo. Quando me viu, apenas ergueu um de suas sobrancelhas e me olhou. Com uma mão disse para que eu me sentasse e então começou a conversar comigo sobre o que havia acontecido. Contei tudo e ele pareceu entender. Continuou com a ideia de proteger Thomas e que deveríamos tomar cuidado. Perguntou se Lucca havia o confrontado em algum momento, o que eu achei ridículo. O cara levou um tiro de um psicopata. Ele nem deveria ter uma arma ali dentro. Como ele me pergunta se o Lucca o confrontou?

- Só se autodefesa for confrontar alguém. – disse.


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Adam continuou olhando para o nada e pensando em algo. A minha paciência já estava se esgotando e então eu pedi os remédios. Ele finalmente se libertou da estátua que havia criado de si próprio e levantou da cadeira. Pegou os remédios e me deu.
Fui correndo até a sala onde os outros estavam. Lucca estava sentando com as pernas esticadas sobre o sofá e a Ellen enfiando uma agulha em seu braço. Lavigne parecia um pouco perdida com a Ellen ali, afinal de contas, ela era apenas uma enfermeira e ainda estava estudando e a Ellen já era bem experiente, tinha seu próprio consultório o que fez Lavigne ficar um pouco insegura de suas ações.
- Trouxe os remédios. – disse.
Lavigne pegou os remédios, deu uma boa olhada e perguntou se era um que ela estava olhando, o remédio certo para abaixar a febre do Lucca.
- Este mesmo querida. – respondeu Ellen. Lavigne sorriu e deu o remédio ao Lucca que poucos minutos depois adormeceu.
Do lado de fora do prédio estava um movimentação grande. Berrantes por todos os lados e alguns tentando entrar pela cerca. Provavelmente o barulho dos tiros disparado por Thomas, os chamou a atenção. No dia seguinte, dia em que eu deveria encontrar o meu grupo, houve um desastre e por sorte, Lucca já havia acordado e sem febre.
- Os berrantes estão conseguindo entrar. – falou uma mulher na sala chorando. – Nós vamos morrer! – berrou.
- Vamos morrer? – perguntou uma senhora incrédula.
- Não vamos morrer. O Adam vai nos proteger. – falou um jovem tentando amenizar os problemas.
- É... O Adam vai fazer alguma coisa... – falei temendo estar errado. E poucos minutos depois de eu dizer isso...




- BERRANTES! – gritou alguém subindo as escadas.

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Posted on 08:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Depois de longas horas dirigindo, sim, porque morava bem no interior de Truly em uma mansão planejada detalhadamente por meus antepassados. Cuja extensão era larga o bastante para tomar um quarteirão inteiro. Continha algumas plantações, mas em sua maioria o belíssimo gramado que meu pai costumava namorar ao amanhecer era coberto de flores de todos os tipos. Cheguei a casa.

Desci do carro e entreguei as chaves ao Alfred, era mordomo de nossa família há anos e alguém que eu confiava mais que a mim. Pra ser sincera, a única coisa recente éramos eu e meu automóvel. Retirei os sapatos e caminhei pela grama extremamente congelada vagarosamente, gostava do frio e essa era a única época do ano em que podia deliciar-me com toda essa temperatura magnífica.


Papai não estava em casa, como de costume. Subi as escadas o mais rápido que pude e basicamente voei para meu quarto. Estava fedendo a cigarro e por mais que gostasse, já estava enjoada. Soltei o par de sapatos num canto qualquer e a bolsa em cima da cama. Pousei as mãos na cintura e bufei pensando que não havia nada mais a ser feito pelo restante do dia. Na verdade havia, mas hoje eu não estava no clima. Virei-me para o espelho, ajeitei o cabelo e comecei a abrir o feixe do vestido. Apenas de roupa íntima, caminhei até a porta central que havia em minha suíte e empurrei-a para o lado. Guardei o vestido no cesto de roupas sujas e liguei o rádio, precisava abstrair o arranhado em meu retrovisor e esquecer aquele par de orbes azul. Havia esquecido um CD dentro e não fazia ideia de qual poderia ser.

O Box encontrava-se entre aberto, primeiramente estiquei-me para abrir o chuveiro e em seguida retirei as peças íntimas que faltavam. Coloquei-as no cesto e pude ouvir o inicio da música que começava a tocar:


“Is it getting better or do you feel the same? Will it make it easier on you now? You got someone to blame...”.
Esbocei um sorriso bobo e segui para dentro do Box. Ao perceber que uma das partes que mais gostava se aproximava, segurei uma garrafa de Shampoo e acabei-me cantando One.

“You say one love, one life (one life) It's one need in the night. One love (one love), get to share it. Leaves you darling, if you don't care for this. Did I disappoint you? Or leave a bad taste in your mouth? You act like you never had love and you want me to go without.”

Depois de algum tempo, a música já havia terminado e o CD agora seguia com uma trilha sonora branda, e extasiante. Sequei-me no banheiro mesmo e caminhei de volta para o quarto enrolada na toalha. Troquei-me rapidamente e sentei-me na cama. Senti o cabelo respingar em minha roupa e tratei de penteá-lo, e secá-lo mais uma vez. Logo voltei para a cama, desforrei-a e deitei-me. Pensei um pouco no que faria no dia seguinte. Alguns esboços para levar para o escritório, algumas casas no centro de Truly para visitar e um jantar de negócios. Ótimo, estarei suficientemente ocupada para não pensar em nada, ou melhor, em ninguém.  

Depois de recapitular o que faria, deitei-me em minha cama e aconcheguei-me nas almofadas de pena de ganso que havia recebido como herança de minha mãe. Aliás, eu sinto tanto com a morte dela. Até hoje não me conformo, não pude ver o enterro de minha própria mãe.  Quando me dei conta estava tomada por um nó na garganta imensurável e os olhos cheios d’água. Aparei as lágrimas que teimavam em cair e acabei adormecendo. 



Um tempo depois me peguei acordada fitando o teto e um tanto atordoada, mas evidentemente não o suficiente para não perceber que havia esquecido minhas chaves no ultimo apartamento que havia decorado. Pensei um pouco e lembrei-me. NICHOLAS! Eu havia esquecido em algum lugar no chão de seu closet. Era tarde demais para importuná-lo. Além do mais depois da batida, creio que não tenha ido muito com a minha cara. Por outro lado precisava da chave e temia por não acha-la. Teria de mandar um chaveiro em meu escritório logo de manhã cedo e isso atrasaria todos os meus planos para o resto do dia. Sem mais rodeios corri até a cama e enviei-lhe uma mensagem.
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Mensagem de texto
Boa Noite Nicholas, desculpe estar te incomodando a essa hora, mas é que eu percebi ter esquecido as chaves de meu escritório em seu apartamento. Eu acho que caiu dentro do seu closet quando estava acompanhando o trabalho de minha equipe. Gostaria de saber se amanhã bem cedo posso dar um pulo em seu apartamento para pegá-las. Espero que leia a mensagem! Passar bem, beijo.

                                                                                     Alexis _________________________________________________________________

Posted on 02:30 by Larissa Arievilo

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RENEGADOS


Capítulo 8


Promessa




Levamos cerca de seis horas para chegarmos ao prédio, ou seja, voltamos no dia certo.
- Lar doce lar. – disse James em um tom irônico.
Não era tão ruim de morar ali e afinal de contas, já que ele iria ir embora comigo, logo sairia dali. Não tinha o que reclamar. Adam saiu pela porta da frente do prédio e foi abrir a grade para que entrássemos com o carro.
- Estamos cheios. – comentou James.
- Isso é bom. – falou Adam.




Nós saímos do carro e logo ele percebeu que algo tinha dado errado, mas preferiu ficar quieto no momento. Abrimos a porta malas do Civic e ele ficou admirado com o que via. Creio que ele nunca deve ter pegado tanto em apenas uma busca de três dias. Daniel foi o primeiro a entrar e ele também não estava falando com ninguém. Ele ficou quieto a viagem toda e parecia que ia ficar assim por mais algum tempo.
- Ellen, - disse Adam. – na minha sala em trinta minutos.
- Ok. – respondeu Ellen.
Ele deveria fazer as perguntas a ela, como por exemplo, cadê o Patrick? Ela apenas para o Adam que ia junto comigo e com o James levando os suprimentos para dentro.
Já dentro do prédio, Adam pediu a uma menina para anotar tudo o que estava chegando, conferir tudo e então enviar as folhas com as anotações para ele. Ao terminar de por tudo para dentro, James pediu para que eu não se esquecer de chama-lo quando fosse à hora de partir. Eu disse para ele ficar tranquilo que logo eu iria conversar com ele e com a Ellen sobre isso, mas que antes eu tinha algo a resolver.
- Daniel! – chamei batendo na porta do quarto dele.
Daniel não me atendeu, mas eu tinha a certeza de que ele estava ali. Em um momento como este nós procuramos sempre o nosso canto e o nosso canto sempre costuma ser o lugar onde dormimos, porque é lá que construímos a nossa segurança. Tentei abrir a porta e por sorte, Daniel não havia trancado ela.



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- Ei cara. – falei.



- Só quero ficar sozinho. – disse ele.

- Eu entendo. – falei indo até ele.

- Então porque não vai embora? – ele berra.

- Porque você não precisa de palavras, - falei abraçando ele. – mas sim de um abraço.

Daniel mergulhou no choro. Ele sentia muito a perda de Patrick que era um amigo seu, mas eu sentia que era mais do que isso. O motivo de tanta angustia não era só seu amigo Patrick, mas sim todos os seus amigos e todos os seus familiares que morreram. Havia se passando um pouco mais de um ano desde que tudo começou e já perdemos tanto. Às vezes as perdas não estão ligadas a mortes, pois há separações. Momentos fugindo de berrantes ou de algo de ruim fazem com que as pessoas se separem pelo desespero de encontrar um abrigo para se proteger, mas no final quase sempre estávamos sozinhos.

- Estou completamente sozinho Marcos. – disse Daniel. – Todos se foram. Perdi minha família e meus amigos. Patrick foi o único no qual confiei durante esse tempo todo. Nós tínhamos uma banda de rock. Ele tocava bateria e era muito barulhento. Perdoe ele, não foi de propósito quando ele bateu a porta do carro forte.

- Tudo bem, - falei. – não têm o porquê o culparmos pelo barulho, os berrantes já estavam lá de qualquer jeito.

- Pois é.

- Olhe, - falei enquanto caminhava até a porta. – nos dias de hoje, nós morremos porque viramos comida de gente morta. Daniel, ele morreu, mas pelo menos morreu de uma forma rápida. Não virou comida ou sentiu dor. Ele apenas se foi. Eu sei que isso é horrível, mas agora somos apenas nós que temos problemas. Ele finalmente esta seguro e pode descansar em paz.

Eu poderia ter sido um pouco frio ao dizer tudo isso, mas creio que ele entendeu a mensagem. Patrick ter ido de uma forma grotesca, mas bem rápida e sem dor, foi como ter ganhado algo de bom. Algo que o livrasse dos sentimentos ruins. Acabou para ele o medo, a dor, a insônia, a insegurança... Simplesmente acabou.

- Cheguei. – falei enquanto entrava no quarto onde meu grupo ficava.





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- Marcos! – falou Lucca apertando minha mão e me dando um abraço. – Bom te ver amigo.

- Bom te ver também Lucca. – respondi.
Falei com Deanna e com Jacob também, mas Lavigne não estava ali. Eles me perguntaram como foi e eu contei tudo, mas sem muitos detalhes, e sem contar sobre o meu plano. Resumi tudo e escondi as loucuras e deixei bem claro que teríamos uma conversa séria assim que eu encontrasse a Lavigne. Deanna disse que ela estava no térreo e então eu fui diretamente para lá.
- Oi. – falei fechando a porta do térreo e andando na direção dela.
- Marcos! – disse Lavigne me olhando e me abraçando.
- É... – eu ia falar alguma coisa, perguntar como ela estava ou como foram seus dias enquanto eu estive ausente, mas ela me abraçava com tanta força que eu preferi ficar ali, sentindo seu abraço. Era incrível. Ela era incrível.
- Achei que nunca mais ia te ver. – comentou Lavigne alisando minha nuca e segurando firme meu cabelo. Eu a abracei de volta, senti seu coração acelerado quase tocar o meu. Entreguei-me em seus braços e encostei meu rosto no dela. Pude sentir seu cheiro doce e seu calor. Pus minha mão na nuca dela, assim como ela colocava a dela sobre a minha. Fechei meus olhos e me senti renovado. Era como se o perigo fosse mais perigoso, era como se a aventura me desse medo, era como qualquer coisa me fizesse pensar duas vezes antes de eu fazer algo que poderia me fazer perder.
- Não te deixaria sozinha. – falei escorregando meu rosto no dela e encaminhando meus olhos para encontrar os dela.
- Não? – perguntou Lavigne abrindo seus olhos e encontrando os meus. Olho no olho. Isso era algo que me impedia de mentir. Esse era o meu registro marcado. Se eu olhasse nos olhos de uma pessoa e dissesse algo, pode dar a vida em troca, mas a verdade seria minha. Isso me impossibilitava de dizer qualquer mentira.
- Não. – sussurrei fechando os olhos. Eu estava com medo, me assustei da forma como o coração estava. Parecia algo diferente, algo que me confrontava um sentimento que ia ao contrario dos meus, ou melhor, um sentimento que me dominava sem eu nem saber o que era.
- Promete? – perguntou Lavigne.

- Eu - senti seu calor percorrer meu corpo, senti seu ar ser trocado pelo meu. Eu não podia evitar. Abri meus olhos e a poucos centímetros de sua linda boca, eu disse. – prometo.





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Posted on 09:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Devo me adaptar bem a esta cidade. Afinal de contas, a novidade - pelo visto - aqui, sou eu. Truly? Nome esquisito para um lugar, mas enfim. Fica longe de quem quero distância e longe de quem pode me trazer problemas. Pelo menos assim eu espero.

-Alexis ─ pensei... Alexis do que mesmo? Ah, não importa.
Ao chegar em meu apartamento, feito pelas mãos da Alexis não sei o que, fiz o que é de costume. Tirei minha blusa branca apertada e liguei o aquecedor. Gostava de sentir calor, não suportava o frio. Talvez porque antes, eu só sentia o frio. Afinal, onde eu morava era um tanto gelado. A máxima lá deveria chegar aos 9°c. E isso me deixava aflito com os dias de verão gelados.

Liguei a TV e fiquei pensando no que poderia fazer de noite. Chamar Alexis para sair tão depressa não seria elegante, e gosto e quero cativar todos os que eu conhecer aqui. Quero ter uma nova vida, para que se algum dia alguém souber o que eu já fui, possa não ter medo de mim, e sim reconhecer que sou um novo homem, até porque, nunca quis ser ou fazer o que eu fiz nos últimos anos.

ASSASSINO, sussurrava uma voz em meus ouvidos. Depois do primeiro, eu comecei a ouvir essas coisas. Talvez meu subconsciente estivesse tentando me mostrar no que eu tinha me transformado, ou talvez eu já tivesse ouvido alguém me chamar disso, só que não dei muita atenção.

Não. Não é possível eu ter ouvido alguém dizer isto para mim, mesmo que fosse em um sussurro. Nunca deixei um alvo escapar, nunca os acertei em algum lugar aberto e nunca tinha alguma testemunha. Posso ter feito o pior da vida, mas fiz do melhor jeito possível. Já fui alguém respeitado e temível, hoje sou um fugitivo. Não dos bons, mas sim dos maus. Eles me querem do seu lado, já que não tem ninguém tão perfeito a ponto de realizar suas matanças com o maior sucesso e pagarem em notas que para eles, não valem nada.

─ E ai Samuel! – falei ao atender meu celular.

Samuel é um amigo que mora na minha cidade natal, na realidade, eu não tenho muito contato com ele, mas de todos os que eu conheço, ele é o único que eu ainda converso. Meu telefone é programado para atender apenas alguns números e mesmo assim, é totalmente protegido contra os satélites de qualquer país. Troco ele de mês em mês para que ninguém possa me encontrar, mas o pior é que ele pode me encontrar.

─ Alô? – Atendi ao telefone do meu apartamento, que estava apenas protegido contra rastreamento.

─ Ora Nicholas, que prazer em ouvir sua voz. – Falou o homem que eu mais odiava, do outro lado da linha.

─ O que você quer? – Perguntei em um tom seco e furioso.

─ Bem meu caro amigo, - Falou, fez uma pausa e deu um suspiro, e então voltou a falar – eu quero lhe entregar o seu último alvo... Como o combinado, lembra? – Terminou com uma pergunta em tom de ironia.

─ Lembro. – Falei secamente.

─ Olhe, não precisa ficar furioso, eu lhe pagarei adiantado. – Ele parou de falar e a campainha do meu apartamento tocou. – Oh, pelo visto já chegou.

Ainda te mato Oscar, pensei.

─ E lembre-se, ─ Disse Oscar agora falando sério e com a voz seca, e grossa. – nem pense em me matar. – E desligou o telefone.

Eu não queria chegar perto da mala cheia de dinheiro, armas e informações sobre quem eu deveria matar que me aguardava na porta, mas se alguém visse aquilo lá fora, ia por água a baixo todo o meu plano de voltar a ter uma vida normal e pacata.

Fui direto para a porta de meu apartamento e peguei a mal grande, e pesada que se encontrava estática a minha espera. Entrei e tranquei a porta. Deixei a mala em um canto qualquer da sala e fui verificar as janelas disfarçadamente para ver se conseguia perceber alguma presença estranha. Ao terminar de verificar as janelas, voltei até a sala e peguei a mala, fui até meu quarto, e abri o closet.

Um closet como o meu não existia, até porque ele foi desenhado para ter um bom espaço, só que eu pedi para que ele fosse construído com madeira e que nada mais fosse acrescentado. Assim ficou fácil para que eu quebrasse uma parte da parede feita apenas de madeira e criasse ali dentro, um lugar onde somente eu saberia como entrar, e por onde entrar. Dentro do closet e mais dentro do closet, eu tinha o meu esconderijo secreto.

Despejei a mala em cima da cama e peguei de primeira as informações que eu tinha sobre o meu próximo alvo. Elisabeth era seu nome. Tinha uma aparência boa. Era negra do cabelo encaracolado e com sobrancelhas largas. Sua boca era enorme, mas não desfazia do seu chame negro. Era uma pena, mas para eu ficar livre, devia matá-la. Peguei meu notebook e comecei a pesquisar no mapa da cidade de Truly onde ficavam os lugares que meu alvo mais frequentava ultimamente. Por sorte Oscar me enviava tudo o que eu precisava e para analisar os alvos eu não precisava de muito tempo, apenas algumas horas.

Acho que sei bem aonde irei encontra-la, pensei.

Algumas horas se passaram enquanto eu analisava o que me foi enviado. Avaliei as armas que Oscar me disponibilizou e verifiquei se eu não havia deixado passar alguma coisa importante sobre o meu alvo.

A noite estava fria e eu não iria fazer nada naquele momento, deixaria para o dia seguinte o meu assassinato, então resolvi sair um pouco e acabei parando em um boteco que não ficava muito distante do meu apartamento para o caso de eu querer ou precisar voltar logo para casa.

─ Um refrigerante, por favor! – pedi ao rapaz que estava próximo ao balcão do boteco.

─ Que bom, - falou entre um sorriso. – poucos compram refrigerantes por aqui e precisamos vendê-los.

─ Botecos... – falei sorrindo.

Ele me entregou o refrigerante e foi atender um cliente que estava ao meu lado. Tomei meu refrigerante em paz, até que o rapaz que estava ao meu lado saiu e deu espaço para que eu visualizasse uma bela mulher.

─ Olá! ─ Falei olhando diretamente para a moça que estava a poucos metros de mim.

─ Oi. ─ Disse ela.





─ Tudo bem? – Perguntei.

─ Tudo ótimo e você?

─ Ótimo também. – Falei e bebi mais um pouco do meu refrigerante.

─ Valeu Tommy. – Disse ela agradecendo ao rapaz que me serviu um refrigerante e que agora eu já sabia o seu nome.

─ Frequenta este lugar? – Perguntei.

─ Sim, – Falou em um sorriso. – conheço todos daqui. – Disse e deu uma pausa, em seguida me olhou com uma das sobrancelhas erguidas e perguntou:

─ Você é novo por aqui?

─ Sim. – respondi. – Cheguei faz dois dias.

─ Ah sim... Gostando da cidade?

─ É, até que pra alguém que busca ficar isolado e um pouco de sossego, este lugar é ideal. – falei sorrindo.

─ É sim. – falou rindo. – Já que é novo por aqui, deixa eu te apresentar o Tommy.

Tommy chegou próximo de nós dois e ela me apresentou a ele. Filho do dono do boteco. Um tal de Sr Plínio que deve ser um alcoólatra qualquer e sem nenhuma expectativa de vida. Pelo menos seu filho não me aparenta ser alguém de má índole. Parece que trabalha aqui por causa do pai, mas sua vontade não é ter este emprego.

─ Tem quantos anos Tommy? – Perguntei.

─ 20 anos. – Respondeu e saiu correndo para atender outro cliente que acabava de chegar.

Continuei tomando meu refrigerante e conversando com a mulher que agora, já se encontrava ao meu lado. O papo estava bom, mas eu precisava confirmar uma coisa.

BEP!

─ Desculpa, é uma mensagem. – Falei pegando meu celular e vendo de quem era a mensagem de texto.

Mensagem de texto        
 

                                                       Alexis Burton


                                                       Ler     -     Sair

O que ela quer agora? Depois eu leio, pensei

─ Olha, o papo está ótimo, mas eu não posso ficar mais aqui. – Disse a mulher que eu presumira saber quem era.

─ Bom, eu não farei perder seu tempo comigo, pode ir. – Falei e sorri de lado.

─ Ah, não fique triste, sei que minha presença é muito boa, mas eu realmente preciso ir.

─ Eu entendo. – Falei sorrindo e fazendo que sim com a cabeça.

─ Ah, - disse ela enquanto se levantava. – Qual é o seu nome mesmo?

─ Nicholas Forbes. – respondi. – E o seu?

─ Elisabeth Bazzoni, mas pode me chamar de Elisa.


Negra, altura de mais ou menos um metro e setenta e cinco centímetros, magra, cabelos encaracolados, sobrancelhas largas, e lábios enormes, mas mesmo assim, o seu charme não saia de forma alguma de si mesma. Elisabeth Bazzoni ou Elisa como ela quer que eu a chame. Meu último alvo.

Posted on 00:01 by Larissa Arievilo

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