RENEGADOS
Capítulo 7
Reencontrando uma velha amiga

- Marcos! – berrou dois dos que estavam comigo.
Andei tranquilamente por trás da casa, ainda estava absorvendo a loucura que eu fiz. O plano poderia ser melhor, eu poderia pensar em algo que me deixasse mais em segurança do que me colocar no meio do fogo. Fiz questão de quebrar a maçaneta da porta de trás para que os berrantes não saíssem enquanto queimassem lá dentro. Foi então que teve uma parte engraçada. Eu me lembrei da cozinha e logo pensei em gás. Botijão de gás. Era muito, mas muito provável mesmo que tivesse um lá e eu estava muito perto da cozinha ainda, se explodisse naquele momento eu iria pros ares juntos com os berrantes que tostavam lá dentro. Corri o mais rápido possível por trás das casas e os outros pareceram fazer o mesmo, não sei se me viram ou não, mas percebi que os passos deles estavam bem apressados.
Droga o carro, pensei.
O carro estava bem próximo e agora não tinha mais jeito. Iríamos perdê-lo de qualquer forma. Estávamos fritos.
Quando cheguei à terceira casa pude ouvir o estrondo. O barulho ensurdecedor alcançava os meus ouvidos e me estremecia até a alma. Pulei para o lado da casa, para que ficasse ileso de qualquer destroço que voasse na minha direção.
- Patrick! – berrou Daniel.
Levantei-me dois minutos depois da explosão e fui para onde estavam os outros. Agora eu havia entendido o porquê de Daniel ter berrado o nome de Patrick.
- Não, não, não... – repetia constantemente Daniel com as mãos sobre a cabeça e os olhos cheios de lágrimas.
Patrick estava esparramado no chão, com uma lasca de madeira que muito provavelmente havia voado pra cima dele, e o acertou as suas costas e atravessou seu peito. O pior, no lado do coração. Estava morto, sem chances de despedidas ou algo parecido.

- Daniel, temos que seguir adiante, - começou Ellen tentando o acalmar. – tudo bem?

54

Daniel estava muito abalado. Patrick era um dos seus amigos mais próximos, se não – talvez – o mais próximo e ele havia morrido de uma forma tão grotesca que era difícil para qualquer um aceitar. James foi até o corpo de Daniel e retirou dele a arma sem munição que estava grudada em sua cintura.
- Podemos precisar disso futuramente. – explicou James um pouco abalado, mas sem perder o tom de durão que ele tinha.
E ele estava totalmente certo. Nossas munições tinham acabado ali, mas no prédio havia muito mais, sem contar que estamos em buscar de suprimentos e munições pode fazer parte deste requesito.
- Ouviram isso? – perguntou Ellen ficando atenta e fazendo sinal para que todos fizessem silencio e ouvissem o tal barulho.
O barulho vinha de trás da sétima casa, a que ficava no centro da rua. Atrás dela tinha um matagal enorme e ele estava se movendo lentamente.
- Deve ser um berrante. – opinou Ellen.
- Pode deixar comigo. – falei.
Puxei a arma da cintura de Ellen sem nem mesmo que ela me autorizasse e fui caminhando até uma boa posição onde a visão para o mato ficasse melhor.
- Só tenho duas balas. – disse Ellen.
- Eu só preciso de uma. – confirmei.

55




Eu estava tão nervoso e meu sangue tão quente que minha percepção sobre tiros parecia ter aumentado inúmeras vezes mais. Apontei para o mato esperando que o berrante aparecesse para que eu pudesse finaliza-lo com um único tiro no meio de sua cabeça. Meu braço estava estendido e muito firme mirando o local. Minha mão tão fechada sobre a arma que ela já parecia fazer parte de mim. Meus olhos tão focados no ponto em que se movia que parecia estar em câmera lenta. A raiva havia me dominado e eu achava que nada podia me acalmar naquele momento, até que o que estava se movendo no mato apareceu.
- Marcos? – disse Karen tão surpresa quanto eu.
Meus olhos se encheram de lágrimas, minha mão começou a tremer e meu braço a ficar bambo. Minha visão estava se perdendo graças às águas que transbordavam dentro de meus olhos. Estavam tão quentes que parecia sangue. Foi então que ela correu até mim e meu braço caiu deixando a arma quicar sobre o chão. Ela me abraçou e aquela sensação de esperança havia retornado a minha memória.

56

- Marcos! – disse Karen me abraçando tão forte que eu fiquei sem reação.



Quem era eu? O que eu estava fazendo ali? Quais são os meus ideias? Será que ainda posso ter isso? Será que eu posso continuar sendo um humano comum, ou melhor, um adolescente com uma vida boa e dura a se trilhar?
Meus olhos não resistiram e então as lágrimas que já haviam brotado dentro de meus olhos começaram a rolar sobre meu rosto. Eu tinha amigos ainda, e eles provavelmente estavam vivos. Eu tinha um objetivo que era encontrar meu pai e minha melhor amiga. Eu criei um vínculo de amizade com outras pessoas, eu ainda confiava nas pessoas, confiei no grupo de busca que o Adam me colocou e eles confiaram em mim. Acho que ainda havia humanidade naquele início apocalíptico.
- É muito bom te ver. – disse Karen entre soluços. – Achei que tinha morrido.

57

E então eu finalmente tomei conta do meu corpo, minha alma parecia estar se limpando, a abracei e toquei seus cabelos para senti-la ali comigo. Karen, tão pouco tempo, mas já havia se transformado em alguém tão importante para mim.
- É bom ver você também. – falei acariciando seu rosto.
- Não sei nem o que dizer. – falou Karen.
- Primeiro, - falei enquanto ria. – me diga como você me achou? – perguntei.
- Eu estou correndo atrás de comida para o nosso grupo. – começou Karen. – Perdemos alguns dos nossos no mesmo dia em que te perdemos. Douglas e Olivia estão mortos. Não podemos fazer nada por eles, foi tudo muito rápido Marcos.
- Se acalme. – pedi.
- É que... – começou Karen a se acalmar. – nós voltamos atrás de você.
- Voltaram? – perguntei.
- Encontramos uma cabana e vimos um corpo esparramado no chão todo ensanguentado. E junto dele estava um pedaço da blusa que você estava usando.
É mesmo, eu nem percebi, mas eu fiquei com a minha blusa um tanto rasgada. Não devo ter percebido porque logo que encontrei Lavigne ela me deu abrigo.
- Achamos que era você Marcos. – disse Karen começando a chorar novamente.
- Calma, eu estou aqui. – falei abraçando ela novamente.
- Outra que perdemos foi a Lavigne. Sinto muito Marcos, sei o quanto gostava dela. – disse Karen enxugando as lágrimas.
- Lavigne? – perguntou James.
- É, Lavigne. – começou Karen.  – Ele é meio durão com os sentimentos, mas estava tão na sua cara o quanto era apaixonado por ela. – terminou de dizer sorrindo.
- Ela está viva Karen. – falei e ela abriu os olhos em espanto. – Ela quem me salvou.
- Oh meu Deus! – berrou Karen incrédula.
O momento de felicidade da Karen a me ver e ficar sabendo que Lavigne estava viva e a salva, deixou Daniel um pouco mais triste. Afinal seu amigo havia acabado de morrer por causa de uma lasca que voava pelos ares por uma explosão que eu cometi. James deu a ideia de jogar o corpo de Patrick no fogo, mas Daniel não permitiu. Ele queria levar o corpo para o prédio, mas não tínhamos como. Nosso carro foi pelos ares.
- Eu estou de carro. – comentou Karen.

58

- Carro? – perguntei surpreso.
- É, onde nós estamos dá para ter alguns carros. As ruas são mais espaçosas, não tanto, mas dá pra se virar. O Roberto fica todo feliz ao pegar o volante por algumas horas. – comentou Karen em um sorriso e um olhar sonhador.
- E como estão todos? – perguntei.
- Bem Marcos. Meu pai está se alimentando melhor e recuperando as forças. O Roberto ficou muito sentido com a sua perda, ele se sente sem um braço agora. Confiava muito em você. Benício se uniu ao padre Antônio para fazer suas orações e todas às vezes ele agradece por você ter salvado a vida dele. Pede todos os dias a Deus para cuidar de você muito bem lá em cima.
- Nossa! – exclamei.
- Pois é. – disse Karen abrindo um sorriso. – Estou ansiosa para que eles possam te ver logo.
Isso mesmo. Estava na hora de eu voltar para o meu grupo, só que tinha algo que eu deveria fazer antes de partir. Além de pegar Lavigne, Lucca, Jacob e a Deanna eu tinha que levar os suprimentos para os outros moradores do prédio. Não podia deixar tudo nas mãos do grupo que acreditou em mim quando pus um plano em jogo.
- Também estou ansioso, mas temos um serviço para terminar. – disse olhando para os outros que pareceram aliviados ao ouvirem o que eu tinha acabado de dizer.
Karen foi muito generosa, e disse que se fosse para eu voltar logo, nós podíamos pegar os suprimentos que ela havia conseguido e nos deu o carro para voltarmos de pressa para o prédio. Eu pude apenas agradecer mais e mais a ela e prometer que compensaria de alguma forma o nosso grupo pela perda de suprimentos que eles teriam agora. Karen marcou um ponto de encontro daqui a dois dias e disse que estaria juntamente com o nosso grupo nos aguardando lá para ai então, entrarmos no distrito.
Pegamos o carro em que Karen dirigia a deixamos próxima de uma estrada que daria ao ponto onde o nosso grupo estava. A vontade de ir até lá apenas para dizer “Olá, olhem para mim, estou vivo!”, era enorme, mas o pessoal no prédio deviam estar super preocupados conosco então era melhor que não.
O carro era um Honda Civic todo prateado e com alguns arranhões na carroceria, mas isso não era um problema. A porta malas estava infestada de comidas e havia remédios e algumas munições. Aquilo iria deixar Adam em êxtase de felicidade. Pedi a James que agora estava no volante, para não ter pena e acelerar tudo o que pudesse

59

para chegarmos o quanto antes no prédio. Eu estava ansioso para rever meus amigos e para rever meu grupo.
- Como queiras. – disse James. – Só uma pergunta, antes que não tenha mais jeito de fazer ela.
 - Pode perguntar. – falei sem entender o que ele queria dizer.
- Quando você for se encontrar com o seu grupo, - começou James. – será que eles aceitariam mais um?
- É, - falei olhando para ele, pude perceber que minha sobrancelha estava erguida e os olhos bem abertos. – com certeza. – falei amolecendo o rosto e dando um ar de tranquilidade para ele.
- E dois? – perguntou Ellen.
- É claro, - falei sorrindo. – não temos um limite de entrada no grupo. – comentei e então os dois sorriram.

60



Daniel por sua vez, continuou calado, encostado na porta do carro, tentando quem sabe, cochilar. James seguia atento e Ellen olhava pela janela do carro enquanto passávamos por estradas e mais estradas. Eu fazia o mesmo que ela, só que ficava imaginando o meu reencontro com os outros. Seria maravilhoso. E aquela história de eu ser apaixonado pela Lavigne? Não concordo com isso. Nós dois não temos nada haver.
Mentiroso, pensei e sorri.

Posted on 16:41 by Lucas Gomes A. Siqueira

Sem comentários





RENEGADOS


Capítulo 6


O plano




Bem ou mal, nem todos os berrantes ficaram por ali. Alguns continuaram sua caminhada, e outros ficaram pelo nosso cheiro. Fazia três dias que estávamos entocados dentro daquele barraco e não tínhamos conseguido nenhum lugar para pegar suprimentos o que me preocupava um pouco. Essa busca deveria de ser de três a cinco dias e três dias já haviam se passado. Mais dois dias e os que estão no prédio vão começar a ficar preocupados com agente.

- Tenho um plano, - comentei. – mas é bem perigoso.

- Contanto que saiamos daqui. – disse Ellen.

- Temos cinco pessoas aqui dentro, sendo três com armas barulhentas e dois com armas silenciosas. – falei.

- E o que isso tem haver com nos salvar? – perguntou Daniel.

- Primeiro, sair em uma busca onde o silencio é primordial, seria considerado uma burrice, trazer armamento barulhento. Se uma porta sendo fechada com força trouxe berrantes até nós, imagine o que a sua arma poderia fazer com o seu barulho. – falei e Daniel deu de ombros, pelo visto percebeu que não estava em posição alguma de discutir com alguém ali dentro.

- Continue Marcos. – pediu Ellen.

- Pois bem, - comecei. – essa rua, tem sete casas e todas estão alinhadas ao lado uma da outra. Três casas no lado direito e três casas no lado esquerdo, sendo que ao final da rua, temos mais uma casa, que seria a sétima casa.

Eu ainda estava raciocinando o plano, mas dizer ele para os outros, me dava mais ideias e isso era algo que eu necessitava no momento.

- Enfim, o plano é o seguinte. – todos ficaram atentos as minhas palavras, e então eu lancei a eles o plano. – Preciso de dois de vocês com armas barulhentas. Um em cada extremidade das ruas, ou seja, um em cada canto.



- Sozinhos? – perguntou Daniel.

45



- Sim, sozinhos! – respondi. – E você Daniel, vai pegar a minha arma que tem um silenciador e vai junto com a Ellen entrar no meio da rua e cada um seguir um lado da rua, eliminando os berrantes que estarão de costas para vocês, por causa do barulho das outras armas.

- Hm, e você? – perguntou James.



- Eu ainda não sei o que farei, mas não é comigo que vocês têm de se preocupar.





- Não estou me preocupando com você. Só quero me certificar de que se eu vou arriscar a minha vida para sair daqui, todos irão fazer o mesmo. – disse James.

- Ah é! Por isso que me deu a sua arma. Porque você não faz o que me mandou fazer? – perguntou Daniel.



- Não somos atiradores profissionais. Vamos errar muitos tiros. – falei.

46



- O que isso tem haver? – questionou Patrick. – Tenho certeza que não iremos errar um tiro se quer. Fomos escolhidos por isso!

- Não! – Berrei. – Não fomos escolhidos por isso! Fomos escolhidos porque somos os que mais atingimos o alvo.

- Fala baixo! – rosnou Ellen. – E desde quando acertar o alvo não é bom? – perguntou.

- James! – falei. – Quantos tiros você já deu e quantas vezes você acertou o centro do alvo?



- Porque a pergunta?




- Só me responda! – falei em um tom desagradável. Eu já estava perdendo a paciência, ninguém se colocou na liderança para nos tirar dali, ninguém deu um plano se quer, acho que eu merecia apenas as frases “Sim senhor!”, para que saíssemos logo deste lugar.

47



- Já atirei dez vezes e acertei seis vezes o centro do alvo. – disse James me olhando tentando buscar respostas para o que eu estava planejando fazer.

- Pois bem. Não conseguiu acertar o centro do alvo todas às vezes.

- E o que você está querendo dizer com isso?

- Estou querendo dizer, que alguém vai errar o tiro, alguém vai derrubar um berrante sem o mata-lo e alguém tem que mata-lo e esse alguém, sou eu! – falei. – Te dei a minha arma porque ela é silenciosa e da para vocês entrarem por trás dos berrantes e atirar bastante neles antes que os percebam. Enquanto isso, os que estiverem caídos eu mesmo irei e com a minha faca, acertarei na cabeça deles pra por um fim definitivo nesses monstros que eu tanto odeio!

Eles pararam e olharam. Pensaram e viram que eu me propus o pior trabalho. Eu terei de matar pessoalmente cada berrante que ousasse me atacar. Eu entraria para um mano a mano naquela rua, enquanto os outros se defenderiam com suas armas.

- Estamos na primeira casa do lado direito da rua, ou seja, temos que ir para os nossos devidos lugares e logo. – comentei.

- Quem vai pra onde? – perguntou Ellen. – Você é o líder, você é quem diz.

- Ok. – falei olhando para todos. Se eles duvidaram de mim em algum momento, isso passou. Agora me olhavam com o olhar que eu tanto queria. Olhavam-me esperando uma ordem.

- E então, fala logo. – falou Daniel.

- Daniel, você vai ficar aqui mesmo. Tenho medo do que pode fazer caminhando até a outra extremidade da rua.

- Ok, mas por onde eu saio? – perguntou Daniel.

- O bar! – pensei alto. – Eu havia me esquecido do bar, lá deve ter garrafas de vidro e isso seria mais uma arma que poderíamos ter.

- Com armas em mãos, pra que garrafas? – perguntou Patrick.



- Armas têm balas, balas acabam. – disse James. – Gostei da ideia de ter uma garrafa em mãos, caso algo de errado aconteça.

48




- Então é o seguinte, - comecei. – Patrick você vai sair daqui e ir por trás do bar. Ao chegar nele, Ellen segue até você. Quando a Ellen chegar, você vai pro meio da rua e começa a chamar a atenção dos berrantes atirando neles. Ellen, enquanto isso você entra no bar e pega umas três garrafas, dê uma ao Patrick e depois corra por trás das casas e se encontre conosco aqui na segunda casa. James espere os berrantes perceberem o Patrick, e então você começa a atirar neles. Vai dar uma embaralhada na cabeça deles sem contar que muitos irão olhar pra trás e isso vai ajudar o Patrick a derruba-los.

- Só isso? – perguntou James.

- Não. – falei. – Daniel e Ellen, assim que os berrantes abrirem uma brecha no meio, vocês entram e vai um pra cada lado, matando o máximo deles possível. E por favor, tentem acerta-los para matar logo de inicio.



- Pode deixar. – falou James.

49



- Acho que irei adorar fazer isso. – comentou Daniel.

- É, pode ser. – disse Patrick dando de ombros.



Ellen apenas olhou para mim sem nada dizer.




- Então, boa sorte pessoal! – falei, dando então o sinal de que todos poderiam começar a executar o plano dado.

Começamos a ação. James e Patrick saíram pela porta de trás e cada um foi para o seu lado. Patrick começou a atirar nos berrantes e isso os chamou bastante a atenção. Os berrantes começaram a caminhar para cima do Patrick, mas ele os afastava com os tiros de sua arma. James foi bem rápido e preciso ao pegar as garrafas e deixar uma com Patrick. James correu para trás da casa e foi em alta velocidade para o outro lado e em seguida, Daniel e Ellen correram para a segunda casa e eles ficaram esperando os berrantes abrirem uma brecha. James do outro lado começou a atirar. Com isso alguns berrantes voltou-se para o próprio James. Patrick estava nervoso e suas balas logo

50

acabariam, mas por sorte James era melhor no tiro do que muita gente ali, e acertou bastante dos berrantes que ali estavam.
Encaminhei-me até onde Ellen e Daniel estavam, fiquei juntamente com eles aguardando a brecha dos berrantes.
- Tem que dar certo. – disse Daniel.
- Vai dar. – falei.
- Tem certeza? – perguntou Daniel.


Será mesmo que daria certo? E as proporções dos erros? Eu não analisei o que poderia dar de errado, apenas os coloquei para fazerem o primeiro plano que me apareceu na cabeça.
Droga, pensei.

51

Os berrantes eram lentos só que não estavam levando tiros na cabeça, então se levantava e começava a andar atrás de um dos dois novamente e isso já estava me deixando agoniado.
- Eles vão ficar sem munição. – disse Daniel.
- Então entrem em ação! – falei.
Daniel me olhou de um jeito como quem diz que estaria surpreso. Ele pediu por aquilo, mas também não esperava por aquilo. Ellen apenas sorriu de lado e entrou em ação atirando nos berrantes mais próximos dela enquanto se encaminhava na direção do James. Daniel logo em seguida fez o mesmo, com muito medo e tremendo muito, creio que não acertou nem metade do que deveria ter acertado, mas enfim, ele fez alguma coisa.
Era chegado a minha vez. Olhei para minhas mãos abertas e estava completamente sujo, o que eu queria dizer a mim mesmo olhando elas é que eu não sabia. O meu coração estava acelerado e meus pensamentos estavam criando uma forma de imagem na qual eu entrava em ação e massacrava dezenas de berrantes com minhas próprias mãos.
Impossível, pensei.
Foi ai que eu pus a mão no bolso da minha calça, e lá estava ela, a faca que eu havia encontrado dentro da primeira casa ao lado do bar do Zeca. Era com ela que eu deveria enfrenta-los, não com as minhas mãos, até porque deste modo, seria muito difícil e mil vezes mais perigoso. Fechei minha mão com força em volta da faca e então olhei para a abertura que tem entre a primeira casa e a segunda, só que outra coisa me chamou a atenção.
A segunda casa era bem extensa, deveria ter uns vinte metros de comprimento, mas isso não me deixou de cabeça quente, muito pelo contrário, me deu uma ideia sensacional.
A segunda casa, assim como a primeira tinha uma porta dos fundos. Corri até ela e verifiquei se estava aberta e por sorte, estava. Entrei e procurei a porta de entrada, quando a encontrei, percebi que ficava bem ao centro da casa. Os cômodos que estavam ao meu lado eram um quarto e uma cozinha. Eu tinha apenas uma faca, mas a cozinha deveria ter outras e o quarto poderia ter cobertores.
Corri até a cozinha e peguei mais duas facas que estavam bem afiadas, depois corri para o quarto e encontrei um cobertor esparramado pelo chão. Não me contentei só com um, precisava de mais alguma coisa parecida, e então peguei um lençol qualquer que tinha ali. Fui para a porta da frente e ouvi um grito.

52

- Minha munição acabou! – berrou Patrick.
Era de se esperar que ele fosse o primeiro a ficar sem munição, só que eles deveriam continuar seguindo o plano, mesmo sem mim.
Corri para o banheiro, me cobri com o cobertor e o lençol e entrei debaixo do chuveiro e só sai dali depois de perceber que estava bem pesado aquele cobertor sobre mim de tanto encharcado que eu estava. Fui até a cozinha de novo e vasculhei a geladeira e o único armarinho que tinha ali.
O que eu estava planejando fazer? Bem, já viram aquelas garrafas com álcool que podem fazer do seu dia frio um inferno? Pois bem, eu montei umas garrafas prontas para espalhar fogo e o cobertor encharcado era para me proteger, caso algo desse errado.
Fui novamente para a porta da frente e a abri. Lancei duas garrafas que explodiram fogo em uns sete berrantes a minha direita e lancei mais duas garrafas que torraram três berrantes a minha esquerda. Eles ficaram bem atentos a mim, e no mesmo instante James ficou sem munição. Ouvi mais cinco tiros e acabaram as balas que tínhamos a nossa disposição. As garrafas que eles usaram entraram em vigor, mas o foco dos berrantes agora era eu, apenas eu.
- Corre daí Marcos! – berrou Daniel.
Os berrantes vinham e eu ficava ali na porta, parado e esperando eles se aproximarem. Quando chegaram a pouco menos de três metros de mim, eu entrei correndo em disparada para a porta dos fundos. Espalhei garrafas por toda a casa e isso não era nem o inicio do que estava por vim. O primeiro entrou na casa e o segundo e o terceiro, logo em seguida atirei a primeira garrafa colocando fogo nos primeiros que entraram, mas a ideia não era essa. Eles continuaram invadindo e apesar de alguns estarem pegando fogo, ainda não significavam que estavam mortos. Quando se aproximaram mais de mim, joguei minha última garrafa para dentro do banheiro, e lá ela espalhou seu fogo, e em seguida houve um estouro lá dentro, pois outra garrafa havia estourado e assim uma sequencia de garrafas foram estourando pela casa e colocando fogo em tudo o que via pela frente e por sorte eu estava precavido. Tinham dois berrantes na porta dos fundos e o fogo estava esquentando muito. Eu tinha que sair e então cobri minha boca com o cobertor e abri a porta. Quando os dois berrantes vieram para cima de mim, eu engatei duas facas que eu tinha pegado na cozinha e cravei em suas bocas abertas e as arreganhei ainda mais até que suas mandíbulas se quebrassem. Estavam mortos, definitivamente.

53

Posted on 18:11 by Lucas Gomes A. Siqueira

1 comentário



RENEGADOS


Capítulo 5


Busca por suprimentos




No dia seguinte, um pouco antes de Adam por Lucca e Thomas para fora do prédio, eu fui até a sala onde ele ficava e organizava seus planos e as pessoas que ali ficavam.
- Adam. – falei batendo na porta que já estava aberta, mas quis que ele me permitisse entrar primeiro.
- Entre Marcos, - disse apontando para a cadeira. – por favor, sente-se!
Ele parecia ter acabado de tomar um banho, estava com a testa um pouco brilhosa e seus cabelos pareciam molhados. Estava focado em uma folha de papel com algumas coisas escritas e que faziam ele não desgrudar os olhos delas. Com uma mão segurava as folhas e com a outra apoiava a cabeça.
- Bom Adam, eu gostaria de te pedir um favor. – falei.
- Claro, e qual seria? – perguntou Adam ainda não me dando atenção.
- Bem, eu estive pensando, e talvez fosse melhor você deixar tanto o Lucca quanto o Thomas aqui dentro do prédio.
- Como é? – perguntou Adam finalmente me dando alguma atenção.
- Dê outra chance a eles. – pedi.
- E porque eu deveria?
- Por que... – eu não sabia o porquê ele deveria deixa-los ali. Na verdade eu não fui preparado para que ele me fizesse alguma pergunta do tipo, era só para ele dizer “Claro que dou outra chance” e pronto. – Lucca está ferido e tem família aqui dentro. Se ele for, sua família ira com ele será mais que uma perda e o Thomas, bem ele é drogado, sabe como ele é...
- Só por isso?


- Só por isso não. Olhe me desculpe, mas acho que eles merecem um castigo, só que não desta forma. Seria muito radical com alguém que não teve opção a não ser se defender de um psicopata que você hospeda aqui. – falei e dessa vez pareceu ter sido uma afronta.


35



- Olha lá como é que você fala do Thomas. Ele não é nenhum psicopata, só esta doente, e vai ficar aqui enquanto eu quiser que fique.
- Tem toda razão, ele vai ficar o tempo que você quiser. – tentei mostrar que ele tinha algum poder sobre mim, talvez desfizesse a ideia de eu tê-lo afrontado sem querer.
- Ora, não precisa ficar com medo de mim. – disse Adam. Eu não estava com medo dele, só quis deixa-lo no poder dele, para tentar quem sabe, ajudar meu amigo Lucca e por sorte, deu certo. – Pois bem, você me convenceu, eles ficam.
Eu olhei pra ele com um ar de “Nossa, você deixou?”, e então ele me disse que era uma última chance e que tinha planos para eles dois, só por isso irão ficar.
O assunto deveria terminar ali, mas Adam tinha algo para mim também. Ele queria organizar uma busca por suprimentos para o prédio, e só alguns iriam ser escolhidos para fazer isto. Ao todo, seriam cinco pessoas indo atrás de suprimentos e eu era um deles. Fui escolhido pela minha boa percepção de tiro. Adam não iria com agente, óbvio. Ele é o líder, não precisa sujar mais suas mãos com pouca coisa quando se tem um monte de gente que pode suja-las por ele. Em uma formalidade, Adam anunciou que iria dizer cinco nomes para essa busca, e que quem fosse chamado era para se preparar para sair no dia seguinte.
- Lembrando que eu escolhi vocês cinco, pelas suas qualidades demonstradas nos treinos. – começou dizendo Adam. – Eu não colocaria alguém que não sabe atirar para sair por ai afora em busca de alimentos, enquanto o perigo esta sobre vocês.
Todos olhando atentamente para os olhos de Adam. Ninguém pisca. A respiração parece ter possibilidade de ser ouvida de perto, pois o silêncio é duradouro.
- James, Patrick, Ellen, Daniel e Marcos. – anunciou Adam. – Já sabem o que fazer.
Já sabíamos mesmo. Deveríamos dormir o mais rápido possível, comer o máximo que pudéssemos e orar quantas vezes desse para que Deus protegesse nossa longa caminhada do lado de fora do prédio.
Eu não conhecia ninguém que ia nessa busca de suprimentos, e aquele não era momento para eu criar algum vinculo com eles. Preferi ir para o meu quarto e descansar o máximo possível, pois lá fora, descanso ia ser algo raro, e essa busca poderá ser rápida ou um tanto demorada.
- Ansioso? – perguntou Lavigne.
- Ansioso para ir para o lado de fora? – perguntei em um tom irônico.


- Eu sei, eu sei. Pergunta besta não é? – disse Lavigne rindo.


36



- Não é isso... – falei tentando desfazer minha ironia.
- Relaxa Marcos, eu sei que não é nenhum pouco interessante de ir lá fora outra vez.


- Já faz semanas que não sei o que é correr perigo. – digo preocupado.





- Eu sei. – diz Lavigne se aproximando e massageando meus ombros. – Se você foi escolhido para ir, é porque o Adam sabe que você é capaz de voltar de lá. Não foi isso o que ele disse?
- Foi sim. – digo suspirando com o alivio que a massagem estava me proporcionando.
- Agora você precisa descansar. – disse Lavigne parando a massagem e saindo do quarto.


- Claro. – falei para o vento.


37



Agora era só descansar e esperar. Ficar deitado em um colchão não tão confortável, mas em um lugar seguro te proporciona momentos tranquilos, só que pensar que isso não ira acontecer no dia seguinte é um tanto assustador. Viver de novo uma nova história com berrantes não era o que eu mais queria. Engraçado é que só cinco foram chamados para fazer essa busca, como cinco pessoas podem conseguir grandes coisas contra o triplo de berrantes? Ainda mais agora que estamos observando que eles estão mudando. Na luz do sol eles são totalmente fracos, mas na noite, na luz da lua eles ficam mais ágeis, mais... Inteligentes? Não importa. Temos que conseguir esses suprimentos o mais rápido possível e não temos tempo a perder.
No dia seguinte, pouco antes do sol aparecer, eu levantei. Arrumei algumas coisas e fui para a sala de reunião que era aonde o grupo ia se encontrar. Ainda era cedo, ninguém estava ali. Todos dormindo, passando o restante do tempo com as pessoas próximas a elas. O silencio predominava e aquilo era o que eu temia ter durante alguns dias do lado de fora. Isso é assustador. Quando você menos imagina eles chegam, aparecem e te devoram, e tudo isso no silencio mais tranquilo que alguém possa ter tido.
- Ainda é cedo não acha? – pergunta Adam aparecendo do nada.
- É...
- Sem sono?
- Acho que sim.
Adam continuou caminhando para algum lugar e eu me sentei no sofá. Apoiei minha cabeça no meu braço e quando eu fui ver todos já estavam ali e o sol já iluminava boa parte do prédio.
- E ai cara! – falou um dos cinco escolhidos para a busca por suprimentos.
- E ai... – Eu não sabia exatamente quem ele era, mas creio que ele sabia quem eu era e isso pra mim, já estava bom o suficiente.
- Bom dia a todos. – Disse Adam. – Bem essa busca não deve ser demorada. Pelos meus cálculos das buscas anteriores em três dias vocês já devem estar de volta.
- Vai ser moleza, haha! – comentou outro cara que eu também não sabia quem era, mas isso não durou por muito tempo. Adam nos apresentou uns aos outros antes de partimos.
- Esse é o James. – disse Adam apontando para o primeiro cara que falou comigo.


- E ai! – disse James balançando a cabeça para nós.


38



- Este é o Marcos. – disse Adam enquanto eu fazia um sinal com o polegar direito indicando “positivo”. – Essa é a Ellen. – a única mulher no grupo e ainda não sei qual a maior qualidade dela para essa busca.
- Olá meninos. – disse Ellen.
- E esses são Daniel e Patrick. – dois jovens, talvez um pouco mais velho que eu, mas algo me diz que eles não deveriam estar nessa busca.
Saímos do prédio e fomos até a cabana onde ficam todas as armas do prédio. Um arsenal incrível, cheios de munições e armas de diversos calibres e tamanhos. Cada um pegou uma arma. Ellen pegou uma pistola com um silenciador, e os outros rapazes pegaram metralhadoras barulhentas. Eu peguei uma pistola com um silenciador também, afinal, o silencio deveria ser o nosso amigo em algum momento. Barulho atrai berrante e isso não seria conveniente para agente.
- Serão barulhentos. – comenta Ellen.
- Já vi que terei de ser guarda costas de muita gente aqui. – falo enquanto ela me olha sorrindo.
- Então você é bastante experiente, não é mesmo? – pergunta ela.
- Bem... – tento falar algo, mas ela me impede.


- Não tem nem pelo no rosto, imagine experiência. – disse Ellen rindo de mim.


39




- Pois é só que pelo no rosto e nem experiência te fazem ficar vivo nos dias de hoje. – respondo e começo andar mais depressa.
Quando saímos da cerca, começamos o trabalho em silencio. Em algum canto próximo dali, tem uma cabana onde contém um carro que nós iremos pegar para nos apressarmos na busca. Andamos cerca de meia hora até a tal cabana e quando chegamos lá, o primeiro a querer pegar o carro é o Daniel.
- Vamos, me deixem dirigir essa belezinha. – disse Daniel.
O carro era um Gol bolinha da cor preta. Nada demais para um carro e muito pequeno para uma busca assim. Enfim, entramos no carro e pegamos a pista principal até o fim dela. Viramos em uma rua estreia e barrosa e continuamos com o pé na estrada.
- Tudo muito quieto. – diz Patrick.


- Está de noite, ninguém mais sai nesse horário. – comenta James. – Isso seria burrice.


40



- Então devíamos parar. – digo.
- Parar? No meio do nada? – pergunta Daniel.
- É claro. De noite eles são melhores em todos os sentidos, e o carro faz barulho e tem claridade, ou seja, chama a atenção deles. – digo. – Acho que devíamos parar até o sol nascer de novo.
- Isso é loucura! – fala Daniel.
- Loucura ou não, iremos parar o carro agora. – fala Ellen.
Ninguém me pareceu discordar a não ser o próprio Daniel. Foi então que paramos em uma barraca que ficava bem ao lado de um bar, intitulado de Bar do Zeca. O lugar era todo pinchado e porta estava aberta. Uma cadeira estava caída impossibilitando a porta de ser fechada. A casa ao lado nos parecia mais sombria ainda, só que não tinha janelas quebradas ou portas arrombadas, então, resolvemos entrar.
- Silencio. – disse Ellen. – Eu vou sozinha, se a barra estiver limpa eu chamo vocês.
- Eu vou com você. – digo e ela apenas deu de ombro.
Os outros aguardaram dentro do carro para o caso de ter alguma coisa inesperada dentro da casa ou nas redondezas, então se algo ruim acontecesse, iríamos correndo para o carro e procuraríamos outro lugar, bem distante daquele.
- Olhe pelas janelas. – sussurra Ellen.
- Já olhei. – mentira. Eu não tinha olhado nada, mas queria me mostrar tão experto quanto ela estava se mostrando.
Continuamos caminhando lentamente e em total silencio na direção da casa. Ao chegar à porta, Ellen toca levemente a maçaneta e tenta abrir para ver se esta trancada.
- Está trancada. – diz ela.
- Droga! – reclamo. – Me deixa tentar algo.
Era comum nas casas ou barracas do Subúrbio ter duas portas. Uma na frente e outra atrás. Então fui até os fundos da casa para ver se havia alguma porta e se por ventura, não estava trancada. Quando cheguei aos fundos da casa, notei que a porta também estava trancada, mas que a janela estava meio aberta. Levantei lentamente a janela e pus a cabeça para dentro. Não tinha ninguém no local.


- Que sorte. – sussurro para o vento.


41



Entro devagar pela janela e noto que estou na cozinha daquela casa. Em cima da bancada tinha uma faca que me chamou bastante a atenção. Peguei-a e ao invés de guarda-la, eu guardei minha arma. Verifiquei o banheiro e o quarto e estava tudo limpo.
- Estranho. – comento comigo mesmo. – deveria ter alguém aqui dentro.
Só que não tinha. Não havia mais ninguém ali dentro e isso era sim um pouco estranho, mas era também muito bom. Fui até a porta da frente e abri. Ellen sinalizou para os rapazes e então eles saíram do carro lentamente e caminharam para dentro da casa.
PAH!
- O que foi isso? – perguntei ficando atento.
- Droga Daniel! – grita o Patrick. – Pra que bater a porta do carro desse jeito?
- Você ta ficando maluco? – diz James para o Patrick.
- Façam silencio merda! – sussurro.
O problema não tinha começado, mas estava prestes a começar. Atrás da casa tinha um pequeno morro. Passava apenas a casa na altura. Parecia que tinham escavado aquele terreno para construírem a casa em terra baixa. Mas foi quando eu olhei lá pra cima que eu pude observar.
- Berrantes. – falei apontando para o alto do morro a nossa frente.
Daniel se assustou no mesmo instante, já que estava no campo de visão dos berrantes. Os mais próximos entraram correndo e tentando fazer o menor barulho possível, na casa. Daniel começou a correr para a casa quando os berrantes o perceberam. Não era tarde demais para ele, já que a porta da casa ficava fora da vista dos berrantes. Daniel correu até a porta da casa e eu dei passagem a ele, quando entrou, fechei a porta e ficamos e silencio absoluto.
Talvez não fosse uma boa ideia ficar ali, pois nem todos os berrantes iriam deixar o local. Era preferível fugirmos, mas para isso, teríamos de abandonar o carro, o que seria uma perda de tempo enorme para nós.


Os berrantes começaram a cercar a casa, nenhum tentou entrar pelas portas dos fundos ou até mesmo tentou a janela que ainda estava meio aberta. Alguns deviam estar procurando pelo Daniel, e isso era bom. Rodearam a casa, mas nenhum deles tentou invadi-la.


42



- Por quanto tempo você acha que vamos ficar aqui? – perguntou James em um sussurro.
Eu não respondi, mas fiz uma cara de que não iria ser rápido. Talvez um dia, dois ou até mesmo uma semana inteira. Quem é que sabe quanto tempo os berrantes ficariam ali?
Passou um dia e não conseguimos pregar os olhos. A tensão era muito grande sem contar na ansiedade de sair daquele lugar. Um berrante quebrou o vidro do banco do carona do carro, mas por sorte ele não conseguiu entrar ou ficar preso por lá. De noite nenhum deles parecera feroz ou pelo menos, não tiveram motivo algum para isso.
Mais um dia se passou e agora começamos a abrir nossas mochilas para bebermos um pouco de água e comermos alguma coisa. Racionamos bem nossos suprimentos, afinal de contas, já haviam se passado dois dias e não sabíamos o quanto ia demorar, para que saíssemos dali.
- Temos que dar um jeito. – sussurrou Patrick.
- Se você não tivesse batido a porta do carro, não estaríamos aqui agora. – disse James ao Daniel.
- É melhor todo mundo continuar em silencio. – sugeri. – Afinal de contas, eles ainda estão aqui.
Todos voltaram a se encostar-se às paredes daquela casa. Daniel dormia, James ficava olhando suas mãos, Ellen olhava o tempo todo para o teto, Patrick ficava com a cabeça enterrada entre as próprias pernas e eu analisava minha pistola e seu silenciador.
- Acho que da pra gente sair daqui. – comentei.
- Como? – perguntou Patrick tirando mostrando seu rosto.


- Amanhã nós teremos muito trabalho a fazer. – disse enquanto fechava os olhos para quem sabe, conseguir tirar ao menos uma soneca.


43


44

Posted on 19:46 by Lucas Gomes A. Siqueira

Sem comentários