Os dois riram. Antes de sair ele anotou o celular dela e depois observou ela entrar na casa. Agora ele só queria voltar para casa e dormir, a noite tinha sido maravilhosa e inesquecível, ele merecia.

 Daquela vez David acordou primeiro que Chad, que ainda dormia, talvez fosse à adrenalina correndo pelo corpo ainda, ele tinha feito um hambúrguer de bacon e servindo-se com um copo de refrigerante tudo isso às oito da manhã.
- Acordou com fome em irmão!
 David olhou para o corredor, era Chad ainda bocejando e caminhando para a cozinha.
- É cara, acho que ainda é adrenalina!- David disse.
 Chad caminhou até a mesa e olhou para o hambúrguer.
- Droga, parece muito bom, mas eu preciso de café!- ele disse pegando uma xícara e indo até a cafeteira.
- É para você sim já que a noite de ontem foi boa!- David falou devorando os últimos pedaços do hambúrguer.
 Chad sorriu.
- É meu caro, foi muito boa e aquela garota é um demônio!- ele disse sentando a mesa. – A sua também foi ótima, não só pelo show, mas por aquela garota.
- Que garota?- David disse.
- Antes de sair eu vi você no estacionamento com uma bela de uma morena!- Chad respondeu depois virando a xícara de café.
 David riu.
- Não houve nada!- ele disse. – Quer dizer, eu derramei refrigerante na blusa dela quando eu estava virando, isso foi durante a pausa no show, e então nós conversamos um pouco, quando eu estava saindo ela me devolveu a minha jaqueta e me pediu uma carona.
- Ah cara fala sério, você deixou uma gata como ela escapar?- Chad falou.
- Sim eu deixei, era só um carona cara!- David falou levantando da mesa e jogando os pratos na pia.
- Tudo bem, depois não reclama.
 O celular de David começou a tocar, ele o pegou do bolso e olhou, era Sarah.
- Sarah?
- David!
- O que houve?
- A escola está com uma folga hoje, a sua, e a minha só começa semana que vem, então eu queria pedir mais um favor! Posso?
- Pode sim!
- Você está com o dia livre?
- Sim.
- Eu sou nova aqui e gostaria de conhecer Nova York, poderia ser meu guia?
- É claro, poderia passar ai tipo, agora?
- Sim.
- Estou indo.
 Ela desligou.
- Então o nome dela é Sarah!- Chad falou.
- Sim!- disse David.
- É!- Chad falou virando sua xícara por inteira.
 David não gostou muito daquele ‘‘É’’ parecia como um ‘‘É, não vou falar nada’’. Ele pegou as chaves do carro e saiu. Alguns minutos depois ele já estava na porta da casa de Sarah, ele saiu do carro e caminhou até a porta e depois bateu.
- Quem é?- perguntou uma voz feminina, David não tinha esquecido era a voz dela.
- Sou eu Sarah!- ele disse.
 Ela abriu a porta. Agora David podia observá-la melhor. Era de pele morena, cabelo preto que batia nos ombros, olhos castanhos, pouca maquiagem, lábios poucos carnudos e seios volumosos.
- Oi!- ela sorriu.
- Oi, então, vamos?- ele disse.
- Claro!-ela disse fechando a porta.
 Os dois caminharam até o carro e entraram.
- Então, o que Nova York tem a oferecer?- ela perguntou.
- Vários lugares legais!- ele falou ligando o carro.
 David começou levando-a para olhar Manhattan do alto do edifício Empire Estate, ela ficou maravilhada, os dois aproveitaram mais a área e seguiram avenida acima até o ROCKEFELLER CENTER e CATEDRAL ST. PATRICK e depois seguiram para Chinatown e Sarah não deixou de comprar algumas em Canal Street coisas e depois almoçaram em Little Italy.
- Nossa, são tão charmosas!- disse ela se referindo as cantinas.
Os dois terminaram a tarde andando pelo Central Park.
- Aqui é lindo!- ela disse
 Sarah estava maravilhada, nunca havia estado em Nova York e é claro, ela estava como uma menina que vê pela primeira vez uma arvore de natal com seus pisca-piscas. Estava entardecendo, os céus começavam a ganhar aquele tom alaranjado, os dois continuavam a caminhar.
- Eu comprei uma coisinha pra você!- ele disse se virando para ela.
 Ela sorriu, não esperava aquilo.
- O que?- ela disse.
 David colocou a mão no bolso e tirou um pacotinho e entregou para ela.
- É só para lembrar o seu primeiro dia aqui!- ele estava tímido por que nunca tinha dado presentes assim,
 Ela abriu e dentro estava um colar com um par de asas prateadas, eram lindas.
- Nossa, é muito linda!- ela sorriu.
- Sério?- ele desconfiou.
- Claro, eu achei linda, coloca!- ela disse virando de costas e afastando o cabelo.
 David colocou e ela virou de frente ajeitando o cabelo.
- Como estou?- ela perguntou destacando o colar.
- Linda!- sim ele ainda estava tímido.
 Ela sorriu colocando a mão no bolso da jeans.
- Coincidência ou não, também comprei um desses para você!
- Sério?- David disse achando graça da situação.
 Era um pacotinho igual e estendeu para David, ele abriu e era o mesmo cordão só que com uma Eighth Note musical.
- Eu pensei em você, musica, espero que goste!- ela falou.
 David gostou, era lindo e ele colocou em si.
- Como estou?- ele sorriu.
- Legal!- ela falou caminhando.
- Legal?- ele zombou. – Eu falei que você estava linda.
 Ela sorriu.
- OK, você está lindo!- ela falou dando gargalhadas.
 Os dois sorriram e caminharam para o carro. Minutos depois ele estacionava na porta da casa dela, os dois saíram do carro e caminharam até a porta.
- Obrigada por hoje David, eu realmente adorei tudo!- ela disse.
- Ah, que nada, eu que agradeço!- ele disse.

Posted on 20:55 by João Marcos

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Os três se levantaram.

- Obrigado!- disse David.

- Se você for bom e fazer sucesso aqui, eu que agradeço!- John disse sorrindo,

David caminhou para fora do trailer.

- Não esqueça, sábado é a passagem e domingo é a apresentação!- John lembrou.

David acenou, ele estava alegre e toda aquela tensão estava passando, mas agora ele estava eufórico, doido para subir no palco.

- Nem acredito cara!- disse David.

Chad sorriu.

- Eu também não, você conseguiu, não é um grande evento, mas é um evento. – disse Chad.

- É, mas eu vou curtir muito cara!

David e Chad partiram para casa, agora ele e seus pensamentos estavam totalmente voltados para a apresentação, ele estava adorando aquilo.

Os dois estavam sentados no sofá, assistindo uma das séries favoritas deles.

- Cara essa série é uma das melhores!- disse Chad.

- Muito cara, super!- disse David.

Chad olhou a hora pelo celular, estava tarde para quem estudava.

- Hora de dormir cara, eu estou indo!- disse Chad, o pijama dele era um samba-canção e uma camisa do AC/DC.

- É melhor!

David desligou a TV, o episódio já tinha acabado mesmo, os dois caminharam cada um para o seu quarto. David desligou as luzes, deitou na cama com seu celular. Ele não ia dormir agora e como sempre fazia, iria pensar sonhar.

David só acordou de verdade quando estava caminhando para dentro do prédio escolar, logo na entrada um pequeno grupo de pessoas se aglomeravam em frente ao mural.

- O que será isso?- David falou olhando para o grupo.

- Sei lá, anuncio de teste, resultado deles, jogos!- Chad disse tentando adivinhar.

Os dois passaram perto do grupo e um dos alunos o olhou.

- Olha pessoal, é ele!- ele disse apontando para David.

David achou estranho, o que aquele garoto queria, ele se aproximou do mural e ficaram surpreso, todos olhavam para ele e comentavam e um papel estava colado no mural com a foto de dele.

Para a inauguração do espaço de atrações. O Parque Fantasy tem o prazer de apresentar o DJ Younks, com a melhor musica eletrônica, não perca, compre já seu passe até sábado.

David estava impressionado, fora muito rápido a divulgação e ele até ouvia alguns comentários de ‘‘nossa eu vou comprar meu passe’’ e outros como ‘‘Adoro musica eletrônica, eu vou nessa festa’’.

- Cara, foi muito rápido!- comentou Chad sorrindo.

Todos começaram a olhar para David e a reconhecer a foto.

- Legal não é, vamos!- disse David, na verdade era o sensor de timidez dizendo ‘‘saia’’.

Os dois começaram a caminhar para sala.

- David Younks!- disseram.

David olhou para trás e viu uma garota oriental vir até ele, ele a conhecia, era Melissa Wong a chefe do jornal da escola.

- Sim!

- Posso fazer algumas perguntas? Sobre seu show?- ela disse pegando um bloco de notas onde as perguntas já estavam anotadas.

- Claro, mas tenho que ir para a sala!- ele disse.

- Ah, não se preocupe, você caminha, eu pergunto e você responde. – ela disse sorrindo.

Na verdade foram mais que algumas perguntas, Melissa só saiu do pé de David quando o professor chegou.

- Essa festa quase não vai render Melissa!- ele dissera.

- Tá brincando cara, eu sondei pela manhã e mais de cem passes já foram vendidos!- ela respondeu.

David se assustou, cem passes vendidos era um grande publico. As aulas começaram, mas quem disse que os alunos conversavam sobre elas? Cada vez que David virava a cabeça alguém comentava no ouvido do outro ou ficava olhando para ele.

- Droga, todos estão me olhando!- disse David de cabeça baixa copiando as coisas do quadro.

- É meu amigo, se acostume por que isso pode virar rotina!- disse Chad.

- Mas isso ta me deixando louco, não posso virar nem a cabeça sem que alguém me olhe!

- Fica tranquilo cara, deixa olharem!- Chad o acalmou.

David só desejava que aquilo parasse e que ele pudesse virar para as pessoas outra vez sem ser encarado, mas ao mesmo tempo estava adorando aquilo, reconhecimento.

Aquela semana passou rápida e de repente eles já estavam no sábado, Os dois tomavam café enquanto Chad lia o jornal, o que ele tornou frequente, David terminava o seu e o colocava na pia, ele estava bem confortável com uma camisa enrolada até as mangas e uma jeans, Chad estava com uma camisa preta e bermuda xadrez e claro, os dois não abandonavam seus All-Star.

- Ok, vamos Chad!- disse David. – Você pode ler seu jornal no carro.

- Vamos amigo!- ele disse.

Os dois desceram as escadas e entraram no Dodger e rumaram para o parque. Quando David estacionou de longe deu para ver cinco pessoas na bilheteria.

- Cento e quatro pessoas?- ele pensou em voz alta.

- O que?- disse Chad distraído, ele ainda lia o jornal.


David apontou e Chad viu.

- Nossa, que legal!- ele disse.

David arrumou as coisas no carro e saiu junto com Chad que agora usava um óculo. Os dois caminharam até a bilheteria e mais uma vez o pessoal olhou para David.

- Você é o Younks?- disseram.

- Sim, sou eu!- David respondeu.

- Boa sorte amanhã cara, estaremos aqui!- ele disse.

- Obrigado cara!- David disse sem jeito.

Os dois caminharam para dentro do parque rumo à área de atrações, agora Chad mexia no celular.

- Lendo jornal pelo celular?- David brincou.

- Não cara!- Chad sorriu. – Estou vendo o que está rolando, muitas pessoas compartilharam a matéria da escola, sobre você e o show!

- Sério?- David se surpreendeu.

- Muito sério!

A área de atrações estava movimentada com alguns técnicos e John que gritava ordens.

- David!- ele disse quando avistou o garoto.

- Olá John!- ele disse.

- E Chad, você está com maior pinta de empresário!- ele brincou.

- Sério cara!- ele sorriu.

- É, você mexendo no celular, parece que está resolvendo alguns assuntos e tal!- John falou. – Mas vamos hoje o dia vai ser de testes, amanhã tudo tem que está perfeito por que já temos cem pessoas confirmadas!

O dia foi cansativo, testes, testes e testes. Tudo terminou somente às quatro horas enquanto os três estavam sentados em cadeiras de praia e bebendo refrigerante.

- Sei que você está ansioso para amanhã!- John sussurrou.

David virou para ele.

- Para falar a verdade, estou sim!- disse.

John riu virando metade do seu refrigerante.

- Eu tinha uma banda nos anos 70, na nossa primeira apresentação parecia que todo mundo ia fazer xixi nas calças!- ele disse.

- E como você resolveu isso?- David perguntou virando sua garrafa.

- Fumando!- disse John.

Os dois riram.

- É claro que você não vai fazer isso, mas relaxe cara e respire!- ele disse.

- Vou tentar!- ele disse.

Os dois terminaram de beber o refrigerante e Chad chamou atenção para eles irem embora, no caminho para o apartamento ele só pensava no show e torcia para que toda aquela galera fosse mesmo.

- Eu tava checando!- disse Chad. – E todos já confirmaram presença na apresentação!

- Sério?- David disse.

Chad entregou o celular para ele e David viu que haviam criado um evento no Facebook e contava com mais de cem participações.

- Nossa!- ele se assustou.

- É meu amigo, melhor ir tirando essa timidez, por que você vai ter que encarar um grande público para uma primeira vez!- disse Chad.

- É!- disse David.

Ele estava animado, um pouco de timidez ainda caia sobre ele, mas a apresentação era importante, são apenas cem pessoas.

David não teve o sonho, alias aquele sonho estava passando. Seria por que ele iria fazer exatamente aquilo?

- Animado?- perguntou Chad quando David entrou na cozinha, ele já estava se servindo com uma xícara de café e lendo o jornal.

David ainda sonolento pegou uma xícara e colocou um pouco de café e depois se sentou junto com ele.

- Não nesse momento, mas sim estou animado!- ele respondeu.

Chad riu.

- Anime-se David, você precisara disso mais tarde!- Chad falou.

- Ou eu bebo o café ou fumo!- David falou fazendo referência a John.

Os dois riram.

- Ok, agora relaxe por que a festa começa as cinco!- Chad falou.

David sentou no sofá e de repente se passaram as horas, quando ele olhou para o relógio já eram quatro e meia. Ele entrou no banho e demorou um tempo arrumando o cabelo- às vezes ele se assustava o quanto demorava em fazer uma simples coisa- depois foi para o quarto, vestiu uma jaqueta preta com o zíper fechado, jeans azul escuro e seu inseparável All-Star vermelho.

- É você está parecendo um mini David Guetta!- disse Chad na porta.

David e olhou e sorriu.

- Obrigado!- ele disse.

- Sério, olha a roupa, o tênis e o cabelo!- ele disse.

Chad estava vestindo um casaco verde escuro, camisa escura, jeans e botas.

- Ok, agora ande, não pague de estrela na sua primeira apresentação!- Chad disse.

Os dois saíram do apartamento e enquanto descia as escadas, David sabia que de alguma forma aquela noite iria mudar sua vida.

Os dois estacionaram e saíram do carro, algumas pessoas ainda estavam na fila e conheceram David e logo o chamaram para tirar fotos e ele meio sem jeito aceitou tirar as fotos, a sua simpatia incrível acabava com isso, ele tirou fotos com algumas pessoas e depois entrou, o parque estava funcionando apenas para a apresentação, algumas pessoas caminhava para a pista e de longe se podia avistar o palco, as luzes e o pessoal que se reunia através dele. Quando chegaram mais perto eles puderam ver que havia barracas de cachorro-quente, algodão doce, refrigerantes e outros.

- Ei pessoal!- disseram.

Os dois olharam, era John e ele os cumprimentou. John estava até com cabelo arrumado e com um terno.

- Então, viu esse pessoal aqui? Diga-me que não está tenso? Eles estão aqui para ver você!- ele falava.

- Não cara, fica tranquilo, eu vou subir ali e arrebentar!- ele disse.

- É isso ai David!- John disse- Agora venha, vamos anunciar você.

John os conduziu direto para o palco, era grande e dali o público parecia maior.

- Posso?- ele disse.

- Claro!- disse David.

John tomou a frente com o microfone e foi aplaudido.

- Pessoal muito obrigado por virem aqui hoje e eu tenho o prazer de inaugurar essa pista para atrações com uma atração do tipo moderna, por favor, recebem a atração da noite, DJ YOUNKS!

David respirou e entrou no palco, ele foi totalmente ovacionado, gritos e palmas. Ele colocou os fones e começou a tocar, sim ele começava a se sentir melhor pela musica e a galera estava gostando, todos estavam dançando e ele até reconheceu algumas caras escolares entre todo aquele povo, mas ele não só fazia tocar a musica, ele agitava a galera, se animava e fazia como se a musica fosse um verdadeiro gerador de energia para todos e em poucos minutos ele já conquistava a galera. Ele quase não acreditava que estava fazendo aquilo, fazendo o que mais gostava, ele estava extremamente feliz em ver todo àquele pessoal, dançando ao seu som.

Depois de usar a sua playlist de vários DJs, entre eles a maioria do seu adorável David Guetta. Ele pegou o microfone.

- Bom pessoal, eu espero que tenham gostado!- ele disse.

O pessoal lamentou com algumas vaias e aquilo deixou David meio que com o ego fortalecido, eles estavam gostando.

- Mas eu vou deixar programado um set aqui, afinal eu também quero aproveitar a festa!- ele disse.

O pessoal aplaudiu e ele apertou o play, seu set começou a tocar e ele desceu, ele tinha passado uma hora no palco.

- Muito bem cara, todos adoraram!- disse John.

- Sério mesmo?- David falou.

- Eles continuam aqui cara, então você fez sucesso!- John o aplaudiu.

Chad chegou abraçando o amigo.

- Todos gostaram sem exceção cara!- ele disse.

Todos estavam maravilhados, uma hora no palco e ele tinha conquistado o grupo.

- Agora vão, curtam um pouco da festa!- John falou.

David caminhou até a barraca de refrigerante, hora e outra parando para tirar fotos, em particular ele achava estúpido aquilo, mas não negava o pedido. Os dois ficaram parados perto da barraca conversando.

- Da pra acreditar que isso aconteceu?- David perguntou.

- É bem real cara, acredite!- Chad falou.

David estava alegre, pessoas passavam elogiando ele e tudo mais.

- Você vai ficar por aqui?- Chad perguntou.

- Acho que sim, por quê?- David falou.

- É que eu estava conversando com uma gata ali!- ele disse.

- Sem problemas cara, pode ir!- David disse.

- Nos vemos mais tarde!- ele disse.

David ficou parado e depois virou para o lado, ia dar uma caminhada, assim que ele virou ele topou com uma garota, o resto do seu refrigerante virou na camisa dela. Droga. Perfeito, toda aquela alegria de tinha que da em merda alguma hora e agora era a passagem de vergonha.

- Ah, me desculpe!- ele disse.

- Cara, olha por onde anda idiota!- ela disse tentando limpar a camisa branca.

Ela levantou a cabeça, o cabelo preto com uma franja cobria um pouco da testa, ela era parda quase morena de cor, a camisa branca estava agora com uma mancha na parte do estômago e vestia uma jeans apertada com um tênis. Ela ficou um tempo olhando para ele, ela tinha olhos castanhos que eram incríveis à noite.

- Me desculpe eu não queria!- eles disseram ao mesmo tempo e depois pararam.

- Eu me desculpo, desculpe por derramar na sua camisa!- ele disse.

- Sim, tudo bem, mas agora está encharcado!- ela disse olhando para sua camisa.

David abriu o zíper da jaqueta e estendeu para ela.

- Pegue, segure na frente ou coloque!- ele disse.

- Não precisa!- ela disse.

- Não, por favor, pegue!- David insistiu, ele estava morrendo de vergonha.

Eles se olharam por um segundo e ela acabou pegando a jaqueta e segurando na frente da camisa.

- Desculpe mesmo, eu sou David, David Younks!- ele estendeu a mão.

Mais uma vez ela o olhava como se procurasse alguma coisa.

- O pedido de desculpas parece sincero!- ela disse por fim. – Sou Sarah, Sarah Jones!- ela disse apertando a mãe de David.

Ele sorriu.

- Eu ouvi seu nome no palco, há quanto tempo é DJ?- ela perguntou começando a caminhar.

- Sinceramente, essa é minha primeira apresentação!- David falou, seguindo-a.

Ela riu.

 Sério?Primeira?- ela disse.

- É eu tenho pratica, mas nunca havia me apresentado antes!- ele disse. - Você mora aqui?

- Bom!- ela disse. – Agora sim, eu cheguei à cidade há uma semana, estava em Londres!

- Londres? Legal!- ele disse.

- E você, é daqui?- ela disse.

- Sim, nascido e criado!- ele disse.

Os dois continuaram a caminhar, até que o celular de David começou a tocar.

- O que foi?- ela perguntou.

- O set está acabando, tenho que voltar para o palco!- ele disse.

David começou a caminhar para o palco quando Sarah o chamou.

- Leve a jaqueta!

- Acho que você ainda vai está aqui quando eu voltar!- ele disse.

Ela sorriu e ele caminhou para o palco para mais duas horas de festa.

Depois que a festa acabou todos estava saindo, Chad já tinha enviado uma mensagem dizendo que ia dar uma passada na casa da garota que conhecera. David seguiu sozinho para o estacionamento, quando alguém o chamou, era Sarah, ela ainda estava com sua jaqueta.

- Sua jaqueta David!- ela disse estendendo ela.

- Ah, quase me esqueço, eu estou cansado!- ele disse.

- Poderia me fazer ultimo favor?- ela disse.

- Depois do estrago na sua camisa e da minha vergonha, é claro!- ele disse.

Ela sorriu, cansada.

- Minha amiga resolveu me abandonar para ir para casa de um cara e eu fiquei sem carona!- ela disse.

- Somos dois então e sorte que eu fiquei com a chave do carro!- ele falou- Vamos, entre.

Ela entrou e os dois foram conversando até a casa dela, que ficavam em um bairro de classe media, ele chegou e estacionou.

- Chegamos!- ele disse.

- Obrigada!- ela disse se arrumando.

- E mais uma vez, desculpe!- ela disse.

- Já esqueci você não fez por mal!- ela disse.

Os dois notaram que as luzes da frente da casa piscavam e ela riu.

- Que foi?- ele perguntou.

- Minha mãe ou pai, deve está achando que estamos transando no carro!- ela disse.

Ele riu.

- Diga para eles que eu só molhei sua blusa!- ele disse.

Os dois riram. Antes de sair ele anotou o celular dela e depois observou ela entrar na casa. Agora ele só queria voltar para casa e dormir, a noite tinha sido maravilhosa e inesquecível, ele merecia.







Posted on 17:14 by Larissa Arievilo

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RENEGADOS


Capítulo 4


A ordem da casa




O prédio tratava-se de um lugar onde viviam alguns refugiados. Quando entramos, muitos nos olharam com cara emburrada, um até esbarrou propositalmente no Lucca para tentar causar algum conflito, mas Lucca deixou a ignorância do homem de lado e continuou a adentrar o prédio na fila que fizemos atrás de Adam.
- Aqui é um quarto vago, - disse Adam abrindo uma porta. – têm duas camas, ai vocês se virem.
- Obrigado. – agradeci e ele sorriu assentindo com a cabeça, e então ele bateu em retirada.
- Bom pessoal, é melhor do que nada, não é? – perguntei ao meu grupo em um pequeno tom de ironia. Afinal, o lugar era muito caído e ruim. Feio e fedorento. Nada agradável, exceto pela ideia de que estaríamos a salvos ali dentro e isso era o bastante.
Passamos duas semanas nos adaptando ao local. Eles administram muito bem as coisas por aqui. Comidas, banhos, afazeres e muito mais. Toda segunda, quarta e sexta, um pequeno grupo sai para treinar tiro. Armas de chumbinho são usadas para o treino. Primeiro você mira e treina sem ter nenhuma bala, ai é por conta da sua percepção. Atira sem bala vinte vezes, ai então você usa apenas uma bala de chumbinho para ver se treinou bem sua mira. Na minha primeira semana, eu quase acertei o alvo, mas na segunda eu fiz algo que meu irmão tinha me dito uma vez.
- Coloque o seu dedo no local onde você quer acertar. Depois olhe com o olho esquerdo e depois o direito. O olho que não deslocar seu dedo do seu alvo, é o seu olho de mira.
- Assim? – coloquei meu dedo embaixo do meu alvo, olhei com um olho e depois olhei com o outro. – O meu olho direito é meu olho de mira! – disse em um entusiasmo.
- Isso ai mano. – comentou meu irmão.


Aquela época era boa, a saudade que eu tinha dele era enorme, mas eu tinha que ficar tranquilo, afinal, meu irmão estava na Alpina e havia salvado nossa mãe, e isso é o mais importante.


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Fiz o que meu irmão tinha me dito no último treinamento e deu certo. Foi no alvo certinho. Inacreditável! Adam tocou meu ombro e fez que sim com a cabeça. Ele era um homem de poucas palavras, mas sempre mostrava o que estava achando da gente no meio deles e eu estava me saindo bem.
Quando era quase noite, tínhamos de voltar correndo para o prédio, pois de noite os berrantes ganhavam mais força, velocidade e agilidade. A luz do sol os afetava, os deixavam lerdos e rastejando pelas ruas a fora, mas a noite as ruas eram deles e isso ninguém questionava.
Quando chegamos ao prédio, uma confusão estava para começar. Lucca estava sentado no refeitório e o valentão que começou a implicar com ele desde o primeiro dia, o ofendia de várias formas. Ali eram proibidas brigas. Quem quer que brigue ali, era expulso sem dó e nem piedade do prédio e não teria como voltar para lá.
- E ai espanhol! Vamos, não é o cara do pedaço? – berrou o valentão que tem o nome de Thomas. Lucca continuou em silêncio, o que incomodava muito mais o Thomas e fazia com que ele implicasse mais ainda.
- Para com isso. – disse Adam. – Se eu ver você fazendo isso de novo, sabe aonde te colocarei pra dormir, não sabe? – perguntou Adam em um jeito um tanto assustador.
- Sei sim senhor. – respondeu Thomas de cabeça baixa.
Thomas saiu e Lucca agradeceu ao Adam por ter feito o que fez. Lucca falou que estava difícil de aguentar aquele cara, e que ele não parava de implicar com ele. Adam não deu muita ideia, disse que se visse briga, os dois iriam embora e que era pra relevar o estado de Thomas, afinal, está muito tempo sem suas drogas e isso é um dos resultados que ele ganha ao ficar sem elas.
- Relaxa Lucca, não vai acontecer nada cara. – falei tirando ele dali.
Infelizmente, não foi desta maneira. No dia seguinte Thomas implicou novamente com Lucca, que aguentou firme as provocações, só que a raiva foi se acumulando dentro dele e uma hora ou outra, ia explodir.
- Quer deixar ele em paz? – ordenei ao Thomas que me empurrou para longe. Devia ter passado uns cinco dias desde que Adam, disse que não queria ver briga ali no prédio, mas Thomas não parecia ligar para isso.
- Agora não da mais. – disse Lucca soltando um soco no peito de Thomas que cambaleou para trás sem entender nada.
Thomas olhou para Lucca um pouco assustado, mas logo em seguida sorriu e deu uma leve gargalhada que foi parada por outro soco de Lucca, mas agora no rosto do Thomas. Thomas ao invés de se irritar, parece ter gostado. Ria como criança e a cada


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soco que levava do Lucca era como se não o tocasse. Não parecia sentir dor ou algo do tipo, ele apenas queria aquele momento para ele e o motivo não era real. Thomas parecia maluco, até que Lucca o derrubou e socou o rosto dele, mas foi ai que houve uma reação de Thomas. Lucca parou de bater nele, pois ele só ria e mal se defendia. Lucca ficou olhando para ele sem entender a graça que ele estava achando, e então o sorriso do Thomas sumiu. Ele olhou para o Lucca com raiva, como se tivesse ficado bravo por ele ter parado de bater nele, e então, Thomas deu um soco no nariz do Lucca que caiu pra trás. Lucca se debateu de tanta dor, e um circulo de curiosos já estava formado para verem a luta. O rosto de Lucca estava todo ensanguentado por causa de seu nariz quebrado a poucos segundos. Thomas levanta e começa a chutar a barriga de Lucca que estava caído. Eu me levantei o mais rápido possível e fui tentar apartar a luta, mas Thomas era forte e me empurrou para longe novamente. Eu não podia entrar na briga para defender Lucca, pois isso poderia fazer com que eu fosse expulso dali também.

“Adam.”, pensei.

- Chame o Adam! – gritei correndo por um corredor, indo atrás de Adam. – Adam! Adam! – Ele não aparecia. Eu não o encontrava em lugar nenhum e ninguém ajudava a procurar por ele.

- Droga! – gritei pro nada. Eu ia ter que me meter na luta. Não podia abandonar o Lucca por muito mais tempo, tentei encontrar o cara que poderia ajudar mais rápido a acabar com essa briga, mas essa ideia não foi possível, então, vou partir pra agressão.

Corri por meio aos corredores que tinha ali no prédio, logo eu alcancei a briga de Lucca e Thomas, e quando eu ia chegar com a intenção de atacar primeiro, gritar depois, vi que o Adam já estava ali.

- Os dois – começou Adam gritando com eles – estão expulsos!

Lucca fica quieto e Thomas fica com as mãos na cabeça parecendo um louco.

- Ei Adam, calma! – falo para ele.


29




- Quer ir junto também? – responde ele gritando comigo.
A vontade maior é dar um soco bem no meio do nariz para quebrar que nem o Thomas fez com o Lucca, mas ele é o líder do prédio, e eu quero o prédio para me refugiar dos perigos de lá de fora. Adam da às costas e segue seu caminho para – talvez – seu escritório. Ao invés de ir atrás dele para tentar convencer ele de que essa pode não ser uma boa ideia, eu vou falar com o Lucca.
- Ei cara, tudo bem ai? – pergunto mesmo sabendo que não esta nada bem. Não pelo fato do seu nariz estar quebrado, mas sim porque ele será expulso do prédio.
- Vio cómo ele ficou? – perguntou Lucca sorrindo.


- Vi sim. – respondi rindo junto com ele. Apesar de ter apanhado, Lucca só quebrou o nariz, assim que sai a procura de Adam por um lado, ele chegou pelo outro e parou a briga, então Thomas saiu na pior como deveria ter acontecido.


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Lavigne fez curativo no nariz do Lucca que reclamou um pouco de dor, porque ela teve de retirar o excesso de sangue e endireitar o nariz dele para ai então, fazer o curativo.
Jacob e Deanna estavam foram ficar com Lucca um pouco para distraí-lo. Conversaram sobre ele ter sido expulso do prédio, mas Lucca falou que não queria que eles fossem com ele.
- Não quero que vengas conmigo. – disse Lucca, falando um pouco em nossa língua. – Lá fora hay mucho peligro aquí dentro es seguro!
- Não los abandonaremos irmão! – falou Deanna contendo o choro.
- Deanna, tal vez seu irmão tiene razão. – comentou Jacob.
- ¿Cómo es eso? – perguntou Deanna fuzilando Jacob com os olhos. - Él es mi hermano, não vou abandonar ele! – Deanna se volta para o Lucca e diz. - Si quer ir, vá! Eu voy ficar com ele.
Jacob ficou um tanto sem graça, e se retirou do quarto. Eu fique de pé analisando tudo o que estava acontecendo ali. Deanna me olhava como se estivesse querendo me perguntar alguma coisa, e eu pensava em algo que eu pudesse fazer a respeito disso. Lavigne saiu em seguida do quarto e quando eu pensei em sair, ouvi uma conversa se iniciar entre Lucca e Deanna.
- Irmã, eu te amo! – diz Lucca sorrindo e acariciando o rosto de Deanna. - Mas será mejor que fique aqui com os demás.
- ¿Cómo? – pergunta Deanna sem entender.


- Não suportaria la idea de ver você morrer por causa de berrantes. – fala Lucca segurando o choro também, mas dessa vez, Deanna é quem não consegue segurar o choro.


31




Eu vejo que os dois precisam ficar a sós, então resolvo sair do quarto também. Lucca está bem, seu nariz está correto de novo, Lavigne fez um ótimo trabalho. Só que o estado dele não é feliz porque esta saindo de um lugar onde para nós, pode representar o céu.
Enfim peguei o corredor e me deparei com a escada que dá acesso ao terraço. Nunca fui lá, e como à porta estava aberta, me deu uma curiosidade de conhecer o lugar. Ao subir as escadas e entrar pela porta, vejo que a noite esta muito bonita. A lua em seu perfeito lugar e brilhando como se não houvesse nada no céu além dela.
- Incrível! – sussurro para o nada.
- Estava pensando a mesma coisa.


Ou o nada criou voz, ou eu estava criando amigos imaginários. Mas esse pensamento parou assim que vi Lavigne encostada na grade que fica envolta do prédio.


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- Ah, você está aqui. – digo sorrindo.
- É, - disse Lavigne voltando os olhos para a lua. – como eles estão?
- Lucca está tranquilo até agora, – comento – o problema todo é a Deanna. Ela não quer deixar o irmão sozinho lá fora, e o Lucca não quer que ela saia daqui de dentro.
- Acha que ela vai ir? – pergunta Lavigne.
- Claro! – respondo com convicção. – Eu iria se fosse meu irmão.
- Eu também iria.
Quando ela disse que também iria, me surgiu uma quentura no peito, uma vontade deixar algo que eu não sei o que é sair, e por fim, saiu.


- Eu também iria se fosse com você. – comentei.



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Lavigne tirou seus olhos da lua e me olhou com as sobrancelhas erguidas e enfim sorriu pra mim. Seu sorriso começou apenas com os lábios esticados, mas depois abriu a boca e me mostrou um lindo sorriso, acompanhado de seus olhos que diziam muita coisa. Ela tapou a boca para não mostrar seu sorriso e voltou a olhar para a lua, que estava encantadora e eu, fiz o mesmo. Eu me debrucei na grade ao lado dela e ali, ficamos vendo uma das poucas coisas que os berrantes não poderiam tirar da gente. A lua.

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RENEGADOS


CAPÍTULO 3


Um novo lar




Caminhei horas pela mata. A lua já pairava sobre minha visão, meu corpo cansado e ferido pediam para uma pausa a cada cinco minutos. Minha respiração ofegante, minha mente cansada. Meus pés doloridos de tanto correr e andar. Eu estava desesperado.
A mata me engolia cada vez mais. As árvores com suas folhas dançantes me davam um significado de vida, mas quando as mesmas caiam me lembravam da morte. Minha vista já estava embaçando, meu ouvido zunindo, minha perna cada vez mais dolorida. Eu estava perdendo muito sangue, morreria a qualquer momento de hemorragia.
- Marcos? – perguntou alguém próximo a mim. – Marcos! Graças a Deus eu te encontrei!
Era Lavigne, ela correu até a mim e me abraçou forte, só que um berro meu de dor foi o suficiente para que ela me largasse.
- O que houve Marcos? – perguntou ela e eu não consegui responder. – Venha, estou em um lugar que tem remédios e curativos.
- Os outros estão lá também? – pergunto meio ofegante e com a voz fraca.
- Não. – disse ela olhando para o chão enquanto me ajudava a caminhar até o tal lugar. – Eu me perdi deles. Fui tentar te ajudar e acabei sendo cercada, tive de correr para a direção contrária.
- É. Eu também. – falei enquanto tossia.
- Que bom que te encontrei Marcos.
- Obrigado... Cof! Cof! Por ter me encontrado.
Fomos caminhando em meio à escuridão pela mata, até que entramos em uma pequena vila, onde continham cinco casas. Apenas uma aparentava ter moradores, e era justamente para ela que fomos caminhando. Ao chegar lá, Lavigne me colocou em uma cama, e foi buscar remédios e curativos, ao voltar trouxe consigo três pessoas.
- Marcos, estes são Lucca, - era um rapaz alto, branco, cabelos claros e incríveis olhos azuis. – Jacob, - essa era um rapaz de tamanho normal, talvez um pouco mais baixo


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que eu, magro, cabelo um pouco grande e jogado de lado, também com cor clara e incríveis olhos azuis. – e Deanna. – também com os cabelos claros e lindos olhos azuis, era um pouco baixa e cheia de curvas.

- está bien? – perguntou Lucca, só não entendi muito bem o que ele quis dizer.

- Ah, antes que eu me esqueça. Eles são espanhóis. – comenta Lavigne.

- Espanhóis? – pergunto incrédulo.



Sim. O lugar no qual estou se chama Brasil. Não citei nada sobre isso ainda, pois não senti a necessidade já que o mundo todo se tornou um no final. Deixa-me explicar melhor. Aconteceu um tempo não muito distante, porém bem radical. O país foi dividido em três partes, podemos chama-los de distritos ou de divisão de classes. Os ricos ficam com a melhor parte, porém a menor do país. Os de classe média ocupam o maior território, e tem uma vida tranquila, mas sem ter o luxo de parar de trabalhar. A classe baixa e os que não têm classe ficam no Subúrbio como eu já havia dito. Morrem

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de fome mesmo trabalhando, alguns ainda tem sorte de ter um emprego bom que possam ter o que comer no dia a dia, só que você deve ainda estar se perguntando o porquê o país foi dividido.

Os militares fizeram uma limpeza na área onde a maioria dos assassinos, bandidos entre outros com má índole se encontravam. Todos eles se refugiaram em um canto do país depois dessa limpeza militar. As favelas foram exterminadas tendo apenas o tempo de algumas pessoas fugirem para algum lugar, e foi ai que o militarismo teve a ideia de criar esses locais, jogando agente em um canto do país que hoje é chamada de Subúrbio. O poder do país caiu na mão errada e hoje pagamos caro por isso.

- Eles estavam fazendo intercambio quando tudo isso começou e daí... – comentou Lavigne, mas logo eu a interrompi.

- Tudo bem, - sorrio enquanto termino de falar. – só que vocês estão chamando a atenção de quem está do lado de fora com as luzes acesas.

- Pois é, estamos tentando achar o local que desligue essas luzes, não há interruptores aqui. – explica Lavigne.

Enquanto isso, eu observava os espanhóis sempre se mexendo, fazendo qualquer coisa que pudesse ajudar a salvar a pele deles, enquanto eu não podia fazer exatamente nada impossibilitado em cima de uma cama.

- Tenho que me recuperar logo. – digo em um tom sério. – Não podemos perder tempo aqui, precisamos encontrar os outros e então continuar nosso caminho para a Alpina.

- Se acalma, - sugeriu Lavigne me deitando novamente. – deixe pelo menos amanhecer, afinal, tenho de cuidar dos seus ferimentos antes que volte a sangrar.

Ela tinha razão. Eu deveria me acalmar e esperar, mas naquele momento eu quis logo sair dali. Pena que fui sedado por Lavigne antes mesmo de tentar escapar daquela cama.

No dia seguinte, quando acordei, não havia ninguém no quarto comigo e eu já havia melhorado bastante. Estava só com a roupa debaixo e com dois cobertores em cima de mim. Meus machucados foram tampados e cuidados, eu parecia ter saído de dentro de uma banheira onde me lavaram muito bem porque eu estava bem limpo!

- Que horas são? – perguntei ao sair pela porta do quarto onde eu estava. O sol limpava o ar puro que rondava pela casa. Quente e abafado dava bem pra saber que era do lado de fora da casa que se encontrava este estado, mas ali dentro estava tudo calmo e fresco. Apenas Lavigne sentada no sofá e Lucca olhando pela janela estavam a minha vista.


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- Olá Marcos, - disse Lavigne se levantando enquanto olhava para mim. – parece estar bem de novo. – opinou dando um sorriso. Pela primeira vez eu o observei, seu sorriso era familiar. Amplo e bem aberto, bem parecido com o sorriso de Bia. Bia, que saudades dela.

- É já me sinto bem melhor. – Afirmei.

- Só tome cuidado com a coxa esquerda, - disse Lavigne enquanto se aproximava e tocava a parte onde eu deveria tomar cuidado.

Eu estava com um dos cobertores me cobrindo ainda, mas quando pus minha coxa direita para fora pude ver que o ferimento foi grave. Estavam com uns dezoito pontos no local.

- Como? – perguntei não acreditando, pois não havia sentido nada ali para que estivesse daquele jeito.

- Um caco de vidro perfurou bastante sua perna, e provavelmente se quebrou ai dentro, então eu tive de abrir mais ainda para poder tirar o vidro antes que infeccionasse. – explicou Lavigne.

- Atención! – disse Lucca da janela. - Al suelo! – ordenou Lucca.

Nós nos abaixamos, eu senti um pouco de dificuldade por conta do machucado. Lucca ficou aposto abaixado próximo a janela. Foram minutos de tensão, ouvimos passadas pela terra do lado de fora da casa, e em seguida passadas na frente da casa, só que havia um único problema.

- Estão muito rápidos para serem... – sussurrei para Lavigne. Ela deu de ombros e continuou abaixada, quando do nada o inesperado aconteceu.

No momento em que olhei para a porta, ela se abriu e em um berro um berrante entrou na casa. Ele era pálido, forte e alto. Tinha roupas rasgadas, porém parecia mais com algum uniforme. Ele olhou para a sua frente e depois olhou na direção do Lucca.

- Ei! – gritei para atrair a atenção dele e enquanto isso, Lucca cravava sua faca na cabeça do berrante gigante.

Ele rodopiou por um tempo, até que Lucca tirou a faca da cabeça do berrante e cravou novamente, mas desta vez no meio do crânio, enfiando toda a faca ali dentro do que talvez estivesse oco. Lucca largou o berrante e fechou por imediato à porta. Em meio a suspiros de alivio e um olhar apavorado, ele conseguiu dizer algo ainda.

- Tenemos que ir – disse Lucca nos aconselhando de que fosse melhor irmos embora.


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- Sim, devemos ir. – sussurrou Lavigne para nós aparentando um medo maior. Ela segurava minha mão com firmeza, e seu olhar era pro nada. Parecia estar alucinada com aquela cena, e talvez não estivesse pronta para ver outra daquela acontecer bem na sua frente.

Lucca deu uma leve espiada para fora, com esperança de que os outros estivessem chegando logo. E assim foi.

- Hermano! – gritava Deanna vindo correndo para a casa.

- Deanna! – respondeu em tom alto Lucca que se levantou e de prontidão, abriu a porta para que ela entrasse o mais rápido possível.

- ¿Estás bien? – pergunta Lucca que em seguida abraça ela, mas logo a solta e olha bem nos olhos, lançando a pergunta: - ¿Dónde está Jacob?

Ela por sorte, respondeu que ele estava vindo, mas que se fossemos pelo lugar que ela veio, encontraríamos com ele no caminho, e talvez, evitássemos que algo de errado acontecesse.

- Tome cuidado com a perna. – aconselha Lavigne me olhando com um jeito mais tranquilo.

- Tomarei. – falei me levantando e estendendo a mão para ela.

Todos de pé, Lucca foi a um cômodo onde eu não havia entrado, e saiu de lá com algumas armas. Eu fiquei surpreso no início, mas logo vi que era mais do que necessário termos armas em mãos. Ele da uma pistola a cada um, e fica com uma escopeta pra si mesmo. Antes de sairmos, ele nos lança um olhar e diz que atirar é o que nós não queremos, pois com o barulho do tiro estaremos chamando os berrantes para nos devorarem.

Antes de sair eu voltei ao quarto e revistei o armário que ali tinha. Peguei uma roupa nova e vesti. Era algo simples, uma camisa cinza escuro sem estampa alguma, e uma calça jeans também escuro. Calcei o primeiro calçado que vi ali e voltei para a sala onde todos estavam juntos. Foram rápido, já estavam com mochilas e equipados, eu coloquei minha nova arma na cintura e saímos da casa.

Os primeiros minutos ali fora foram calmos, nada de berrante, apenas uma caminhada até o tão esperado encontro com Jacob e meu grupo. Na verdade eu já estava perdendo a noção do tempo e não sabia mais quando dias eu estava sem eles. Eu ficava me perguntando todos os dias se eles estavam me procurando ou se estavam partindo.

Devíamos estar em um bom lugar do Subúrbio, pois ficamos surpresos ao ver algumas pessoas caminhando pela rua. Parecia que nada havia acontecido, parecia que


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estávamos acordando de um pesadelo. Perguntamos a um homem se já sabiam do que estava acontecendo e ele simplesmente riu.

- É claro que sabemos, - disse ele. – só que nesse horário fazemos o que temos de fazer o mais rápido possível, para ai então, entrarmos em nossas casas e nos preocupar com o que está acontecendo aqui fora.

Mesmo estando todos cansados, resolvemos continuar andando, pois não confiávamos que aquele lugar era seguro. Havia apenas seis casas, uma de frente para a outra. Não mostrava o lugar seguro que poderíamos pensar em parar para descansar. Continuamos a nossa caminhada e ao meu lado ficou Lucca. Ele era bem bacana apesar de ser espanhol, conseguimos criar uma base de conversa interessante. Ele me contou algumas das coisas que fazia no seu país, mas quando eu perguntei o porquê ele estava aqui, ele cortou logo o assunto. Disse que Deanna era sua irmã e que Jacob era um amigo deles de infância.

- Ella es su novia? – perguntou Lucca apontando para Lavigne.

- Não, não! – respondi instantaneamente. – Ela é só uma amiga minha. – comentei enquanto ele ria.

- Se puso nervioso cuando le pregunté si ella era su novia – falou Lucca rindo mais ainda.



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- Ah! – disse sorrindo.
Era um tanto engraçado conversar com Lucca, afinal, eu conseguia entende-lo bem e vira e mexe ele e os outros tentavam falar como nós, deixando seu idioma de lado. Deveria ser pouco mais de duas horas e ainda estávamos caminhando. Agora, ao meu lado estava Lavigne. Ela me abraçou de lado e foi andando comigo assim uma boa parte do percurso. Acho que eu sou a única pessoa que ela tem pra confiar cem por cento, mas Lucca acha que isso é algo de “compañera” como diz ele.
- Sinto falta dos outros. – comentou Lavigne.
- Eu também. – digo. – O senhor Josias precisa da gente. Precisa mais de você do que de mim na verdade. Eu ter me perdido não fará diferença, mas de você eles precisam.


- Não fale assim, - diz Lavigne me soltando. – você é tão importante quanto a mim.


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Eu não a questionei, mas eu sei que não sou nada comparado a ela. Querendo ou não, bem ou mal, ela entende um pouco de medicina e isso faz com que seja muito importante no grupo.
- ¡Hola – comentou Jacob em um tom surpreso.
Quando olhei para onde ele estava fixando seu olhar eu também me surpreendi. Um prédio com mais ou menos nove andares, bem estruturado e com uma cerca enorme ao seu redor. Avistamos mais ou menos dez berrantes se segurando na cerca, tentando abri-la de uma forma impossível. Puxamos nossas armas e apontamos para eles.
- SE ATIRAREM, MATAMOS VOCÊS! – berrou alguém de dentro da cerca.
Guardei minha arma e levantei minhas mãos. Lucca e Jacob fizeram o mesmo, as meninas não estavam com suas armas expostas então não houve problema algum nisso, no entanto não sabíamos ainda quem estava nos ameaçando de morte.
- NÃO QUEREMOS MACHUCAR NINGUÉM! – berrei de volta. – ESTAMOS APENAS PROCURANDO ABRIGO, NADA MAIS!
Em seguida, consegui ver a porta do prédio se abrir e um homem com um fuzil sair lá de dentro. Sua cintura estava coberta por facas e alicates enorme, nada muito estranho, só o bastante para nos colocar muito medo.
- Meu nome é Adam e não precisam ficar com medo, mas não tenho motivo algum em deixar vocês entrarem.
- Não? – pergunto abismado. – Já olhou a sua volta?
- São poucos, da pra se virar. – respondeu dando as costas e voltando para o prédio.


BANG!


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Antes que ele pudesse entrar, eu atirei na cabeça de um dos berrantes que ali estavam. O barulho foi um tanto alto e fez o trabalho que eu queria que fizesse. Lucca, Jacob, Deanna e Lavigne me olharam assustados. Os berrantes mais próximos começaram a caminhar na nossa direção em seus passos pesados e rastejantes. Adam continuou de costas, mas com os punhos cerrados e eu, tranquilo e com falta de juízo.
BANG! BANG!
Dei dois tiros em outro berrante. Um eu errei e o outro eu acertei. Adam se virou para mim com cara de furioso, se aproximou da cerca e olhou fixamente nos meus olhos, esperando que eu atirasse de novo.
BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!
Cinco tiros, e dois berrantes acertados. Só ai Adam falou algo.


- O que você quer com isso? – falou apontando seu fuzil na minha direção.


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- Ser um motivo para entrar. – respondi.
- Se matando?
- Não, atraindo mais para a cerca. Ela é grande e forte, mas eles juntos, são muitos mais que isso e se eu continuar atirando, mais deles irão vir e vocês vão precisar de muito mais de nos para conter os berrantes. – respondi em um tom ameaçador.
- E se eu não deixar vocês entrarem, simplesmente irão virar a comida deles.
- São poucos por enquanto, da pra me virar. O problema é depois, quando eles alcançarem esse lugar. Eu não estarei mais aqui, só que você e seus parceiros lá dentro não vão abandonar esse lugar... Ou vão? – perguntei.
Adam ficou em silencio, outros dois berrantes estavam ficando próximo o bastante para entrarmos em alerta de perigo e atirar na cabeça deles, mas felizmente não precisamos. Os berrantes caíram com uma flecha na cabeça cada um, e Adam lançou um sorriso para mim.
- Não queremos briga... – abaixei meu tom e deixei que ele percebesse que somos nós quem está precisando dele. – Apenas queremos um lugar para enfim descansar.
- Comovente. – disse Adam. – Entrem! – falou abrindo o portão da cerca.


Estávamos a salvos, pelo menos por enquanto.


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CAPÍTULO 12


MORTE




Não sei quanto tempo os fantasmas iriam persistir, não sei quando tempo eu iria resistir, mas minhas forças já não eram totalmente maiores do que eles tinham, disso eu tinha certeza. Minha vida acabaria a qualquer momento, era só fechar os olhos e dizer “estou morta”. Eles estariam à postos, para me levar ao inferno.


Dois dias depois, Melanie acordou, e sorriu ao ver Mike ao lado da cama onde estava.
- Até que enfim. Pensei que não voltaria tão rápido.
- Sou forte, lembra? – ela sorriu. – Nada me derruba.
Eles se beijaram. Ela estava muito bem, recuperada do ataque que teve na noite que chegou à casa de Rodolfo. O remédio pareceu fazer um ótimo efeito, porque estava com muita disposição e livre de qualquer dor.
O calendário na cozinha anunciava o dia 18 de agosto. Faltavam poucos dias para o aniversário de Melanie, mas resolveu que iria deixar passar em silêncio. Não queria festas, apenas seria um dia como os outros. Qualquer comemoração agora faria com que ela se sentisse menos à vontade. Ainda precisava se desculpar com Rodolfo, por ter dado preocupação a ele nesses dois dias.
O café da manhã estava servido quando chegaram à cozinha. Rodolfo havia saído, e deixado um bilhete em cima da mesa com os dizeres:
Precisei dar uma saída, voltarei daqui um dia. Qualquer coisa que precisarem, é só seguir as instruções que deixarei logo abaixo. Divirtam-se.
Rodolfo
- Ele é louco? – Melanie sentou-se ao lado de Mike.
- Por quê?

- Sair para ficar fora e deixar eu e você aqui, e se formos dois assaltantes? Não cairia bem ele ser tão bom enquanto a gente rouba tudo o que tem de comida e bebida e sairmos como se nada tivesse acontecido.


- É por isso mesmo. – Mike sorriu. – Ele confia em nós dois, por isso está sendo tão generoso. Vai por mim, o Rodolfo é daquelas pessoas que se apegam fácil a outras.


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- Deu para perceber. – disse ela, relembrando o olhar interessado e o sorriso que ele dera quando a cumprimentou.
Após comerem e lavarem as louças, eles foram para o quarto. Mike tirou a camisa e deitou-se na cama, enquanto Melanie sentou ao lado dele. Ela ficou um tempo olhando para o chão, o que fez Mike perguntar:
- O que está pensando?
- Nada... – ela balançou os ombros.
- Alguma coisa está preocupando você, não está?
Melanie olhou para ele, os olhos marejados de lágrimas. Mike aproximou-se e deitou-a na cama, colocando seu braço embaixo da cabeça dela.
- O que está acontecendo com você? Tem certeza que está se sentindo segura comigo?
- Estou, Mike, é bom estar com você, mas às vezes penso que talvez não mereço toda essa felicidade, esse amor... Fico me julgando muito, e acho que não nasci para ser uma pessoa com uma vida tranquila. Durante esse tempo todo, imaginei um futuro em que havia eu e você, mas aí me vinha um ponto de interrogação, porque nem eu sei o quanto quero que meu futuro seja. Não sei se ele será bom, ou mal.
- Por que esse pensamento? Se está feliz comigo, não deveria pensar nessas coisas. O nosso futuro será muito bom, penso em construir uma família com você, ter filhos... – ele passou a mãos nos cabelos dela. – Não entende o quanto amo você, Melanie?
Ela não respondeu. Queria ser sincera com Mike, dizer que não adiantaria em nada continuar algo que sabia que mais cedo ou mais tarde terminaria. Por mais que quisesse ficar o resto da sua vida com ele, não podia, porque ele não sabia o que ela estava passando, os constantes episódios de tormento que vinha tendo. Se soubesse, iria querer se intrometer, e ela não iria suportar isso.
- O que sou para você, realmente? – Mike olhou-a fixamente. Se fosse para acabar, que fosse ali mesmo. Amava-a incontrolavelmente, não poderia viver sem ela, mas se não podiam ficar juntos, não iria insistir.
Ambos ficaram em silêncio, o peso da pergunta se dissolvendo no ar. Melanie, então, respondeu, em voz baixa:
- Você é a minha fraqueza, Mike.

Aquelas palavras o deixaram com a absoluta certeza de que ela o amava verdadeiramente. No fundo já esperava por essa resposta.


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À tarde, eles saíram da casa para conhecerem os arredores. Ficaram surpresos em encontrar um riacho na parte superior do precipício, e resolveram entrar nele, para se refrescarem.
Ficaram a maior parte do dia lá, até que o sol começou a se esconder, para dar lugar ao anoitecer. Voltaram para a casa, tomaram banho, e se arrumaram para o jantar. Enquanto esperava a comida esquentar, Mike chamou Melanie para sentar-se no tapete da sala, diante de uma lareira. Ele abraçou-a e disse:
- Você merece saber de umas coisas que não pude dizer assim que nos conhecemos. Coisas que para construir um relacionamento, precisam necessariamente serem ditas, mas não tive coragem e tranquilidade para lhe contar.
- É sobre o que você fez para ser internado? – arriscou ela.
- O que pensaram que eu estava fazendo. – corrigiu ele, afirmando com a cabeça. – Acho que não posso mais esconder de você, mas quero que fique só entre nós dois.





- É claro, não vou contar para mais ninguém.
Mike se preparou para contar, um pouco mais calmo e menos hesitante do que nas várias vezes que lhe foi perguntado sobre esse assunto.
- Minha irmã, Amanda, tinha um namorado chamado Jefferson. Ele era usuário de drogas, mas ela não sabia disso, achava que ele fosse perfeito só porque uma amiga dela apresentou-o a ela. Quando ela soube, a primeira pessoa da família para quem contou isso fui eu, e dei conselhos para ela, disse para terminar com ele, que o namoro não iria durar, mas ela não me ouviu, quer dizer, ouviu só de momento, depois continuou com ele às escondidas. O que eu não sabia, também, era que ele, nos dias em que estava sob o efeito das drogas, participava de rachas com os amigos, e num dia, convidou a Amanda para assistir. A minha irmã é muito irresponsável, e acabou entrando no carro. Nesse dia, o Jefferson perdeu o controle do carro, bateu em um poste e o vidro da frente quebrou, e uma lasca daquele vidro perfurou o pescoço da Amanda. Foi morte instantânea.

Melanie franziu as sobrancelhas. Vendo Mike agora, jamais imaginava que ele teria uma irmã irresponsável o bastante para se envolver com rachas com um namorado drogado.
- Meus pais prepararam o enterro, o Jefferson foi preso, e eu entrei em estado de choque. Amanda era a minha única irmã, e com a morte dela, sabia que meus pais iriam de alguma forma me culpar, querendo exigir demais de mim. Mas, no velório, quando me aproximei do caixão aberto, de repente vi o espírito da Amanda saindo do corpo dela. Naquele instante, fiquei um pouco assustado, é claro, pensei que ela estivesse morta, mas o espírito ainda estava lá, mesmo depois do acidente. Não havia ninguém ali


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que pudesse ver o que estava acontecendo, estava chegando a hora do enterro. Quando me virei para sair dali, minha irmã falou comigo.
            - Mike, ajude-me. Sei que fui irresponsável para não confiar em você, mas me arrependi, e não quero deixar tristeza e mágoas para vocês. Prometo dar mais valor à minha vida, se você me ajudar a voltar.
            - Espere um pouco. – Melanie tentava entender aquela história. – Sua irmã, que estava morta, repentinamente despertou como espírito e pediu a sua ajuda, para voltar a viver?
           - Exatamente. Parece loucura, mas não é, se você estivesse lá, talvez visse o quanto era fantástico e ao mesmo tempo impossível. Mas a Amanda estava decidida mesmo a voltar.
           

Amanda estendeu a mão para Mike, que hesitou. Ela estava no corpo espiritual, como iria poder segurar a mão dela? Obviamente iria atravessá-la.

Quando aproximou-se e estendeu a mão para a dela, sentiu um leve arrepio. Inesperadamente, pôde sentir os dedos se fechando nos seus, e sua cabeça começou a girar, ele estava sendo puxado por algo, e por um momento resistiu para aquilo parar, fechando os olhos.

Ao abrir novamente os olhos, assustou-se. Estava parado numa avenida, e não havia ninguém ali para ele perguntar o que estava acontecendo. De repente, ouviu várias pessoas rindo e gritando.

- Isso, acaba com ele!

- Faça o melhor que pode, conto com você!

- Vamos lá!

E o ronco de motores de automóveis fez com que ele olhasse um lado ao outro da avenida, procurando a origem do ruído.

No segundo depois, dois carros passaram velozes por ele, e de relance, viu Amanda num dos carros, com a cabeça para fora da janela.

Só então entendeu o que deveria fazer. Correu atrás dos carros, a tempo de ver um deles batendo num poste, e gritou, ofegante:

- AMANDA, SAIA DO CARRO!

Parou ao lado da porta em que a irmã estava, e abriu-a rapidamente, tirando o corpo inerte de lá.

- Vai ficar tudo bem, calma. – sussurrou, o coração disparado.



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            E numa fração de segundo depois, o vidro da frente do carro quebrou, atingindo em cheio o banco em que Amanda estava anteriormente.
            - Quando voltei para onde estava acontecendo o velório, tudo tinha mudado, minha irmã estava viva, na minha frente, e para a minha surpresa, o Richard também estava lá.
            - Richard? 

O que é que ele foi fazer no velório da sua irmã? Vocês se conheciam antes de você ser internado?

- Ele era um velho amigo do meu pai. – respondeu Mike, sentindo nojo de cada palavra que dizia. Nunca gostou de Richard, porque ele sempre cobiçava o dinheiro que o pai tinha. – E quando viu a minha irmã viva e eu falando para ela que deu tudo certo, na mesma hora saiu para contar para quem quisesse que eu estivesse louco. Por mais que vissem a Amanda viva, meus pais também não acreditaram sequer numa palavra minha, me mandaram para a clínica no mesmo dia, em companhia daquele desgraçado.

- Por isso que ele afirmava que você era descontrolado e todas aquelas coisas... – Melanie compreendeu. – Assistiu e foi o principal responsável por você ter sido internado, que medíocre...

- É, eu sabia que ele não prestava mesmo. Me fez perder dois anos da minha vida naquele lugar infernal, sem ter notícias dos meus pais e da Amanda. Mas, como você mesma viu uma vez, eu o chamei de descontrolado também, o que ele procurava esconder de todos, até do diretor. Tudo aconteceu numa das primeiras noites que eu estava lá, e resolvi andar um pouco, na época em que comecei a desenhar o mapa. O Richard estava na biblioteca, e assim que entrei lá, flagrei-o falando sozinho, no fim de uma conversa imaginária.


            - Farei o que for necessário para compensar o meu erro, juro. Não sou fraco para desistir, e estou fazendo um acordo com você que vai durar por muito tempo.
          
- No dia seguinte, dei umas indiretas nele, e ele pediu para que eu não contasse a ninguém, mas retruquei, dizendo para ele me deixar em paz, e assim foi, até que conheci você. Não sei por que de repente cismou comigo, ele e o diretor.

Melanie ficou alguns minutos em silêncio, absorvendo as revelações de Mike. O passado dele era tão ou chegava próximo do dela, intenso. Desconfianças, traições, perdas... Tudo isso dividiram, de certa forma. A única coisa que os diferenciava era que ela não tinha uma irmã. Aliás, seu passado obscuro foi afetado por esse fato também. O buraco que havia em seu peito, aberto há dez anos, jamais seria fechado, a não ser que tivesse um futuro e uma esperança de que nunca mais iria ter sofrimentos.

Ao fim da conversa, ambos foram para a cozinha, onde jantaram em silêncio, trocando olhares vez ou outra.



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Depois da refeição, voltaram à sala, e ele a obrigou a jogar uma partida de xadrez. Sem saída, ela aceitou. Durante a hora seguinte, jogaram animadamente, com duas vitórias dele e uma vitória dela.

Às nove da noite, deitados na cama, despiram-se e fizeram sexo. Melanie sentiu o prazer sendo levado para as veias de seu corpo, à medida que eles se movimentavam lentamente. O duplo orgasmo demorou apenas meia hora para acontecer, e quando terminaram, estavam exaustos, e logo dormiram.

… … …

Melanie acordou repentinamente, quatro horas depois. Mike estava virado de costas para ela, ainda dormindo.

Ela sentou-se na cama, passou as mãos no rosto e olhou pela janela a lua crescente e as estrelas no céu. Levantou-se devagar, tomando cuidado para não acordar Mike, e foi até a mochila que estava enroscada em um prego na parede. Tirou de lá a roupa preta que lavara naquele dia, vestiu-a e calçou a bota.

Saiu do quarto, agradecendo a si mesma por ter deixado a porta encostada, e atravessou a sala, passou pela cozinha e hesitou com as mãos na maçaneta da porta.

           O que você está fazendo? É madrugada ainda, volte a dormir!, disse uma voz interior, mas a ignorou. Seu desejo era de sair da casa, e assim fez.

Ao pisar na areia do deserto, Melanie sentiu como se estivesse andando em um tipo de objeto maciço, pois o salto da bota chegava a afundar, quase a prendendo ali. Os seis passos que deu lentamente, a levaram para a beira do precipício.

Ela estava lá, de alguma forma. Seu corpo lhe dizia que finalmente iria se livrar de tudo e de todos. A brisa suave do vento tocou-lhe os cabelos, uma sensação de estar só a envolveu, e sua respiração foi se tornando mais calma. Não havia ninguém ali, ela poderia fazer o que queria e ninguém iria presenciar, apenas a encontrariam no dia seguinte ou nunca, o que preferia.

Por que escolheu estar ali, à beira de um precipício, sozinha, e com a certeza de que morrer seria de fato a solução de tudo o que a atormentava? Sinceramente nunca conseguiu entender porque nascera, e consequentemente tomar aquela decisão que colocaria fim na sua essência de viver. Estar à beira de um precipício era muito melhor do que segurar um revólver e estar com o dedo no gatilho. Não iria doer, não ia sofrer. A morte seria rápida e indolor.

Por um momento, vieram-lhe lembranças de quando era criança, mimada pelos pais. A inocência sempre fora sua principal razão para ser uma boa pessoa, e ser amada. Nunca reclamara disso, afinal, tinha consciência de que lhe fazia bem o simples fato de ter sido uma filha maravilhosa.



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           Melanie balançou a cabeça, afastando os pensamentos do passado. Nada a faria desistir, iria até o fim, já que estava ali. Levantou a cabeça e observou as estrelas no céu. Um sorriso apareceu em seus lábios, como se estivesse segura do que estava prestes a fazer. Mas na verdade não estava.
           Desista enquanto é tempo, disse a insistente voz interior. Não se deixe levar pelos pensamentos negativos. 
Mas será que se desistisse, sua vida mudaria? Haveria uma saída melhor?

Tentou virar para trás e andar para longe do precipício, mas seus pés não obedeceram. Talvez já estivesse pré-determinado que sua vida acabasse naquele lugar, isolado de qualquer pessoa ou animal. Como sempre foi, desde que completou dez anos de idade.

Não havia tempo a perder, se fosse para acontecer seria agora. Fechou os olhos, deu um passo para a frente e sentiu o corpo hesitar no momento mais crucial. Depois, concentrou-se em tudo o que queria fazer, e o bloqueio sumiu, fazendo assim com que mergulhasse no precipício, de encontro com a morte.

Quando seu corpo bateu com estrépito nas pedras e caiu lá embaixo, dois espectros a observaram de onde ela estava antes, enfim satisfeitos com o poder que haviam tido para persuadi-la mentalmente. E desapareceram no minuto seguinte.

… … …

Mike virou-se para o outro lado da cama, e passou a mão no lugar onde Melanie estaria. Ao perceber que ela não estava lá, acordou imediatamente.

- Melanie? – perguntou, a voz assustada.

Um corvo gritou em algum lugar por ali, fazendo seu coração disparar. Levantou-se, colocou a roupa e correu para a porta, que estava aberta. Melanie saiu da casa, pensou, saindo para a madrugada fria.




- Melanie? – chamou, olhando para um lado a outro do deserto. Não havia ninguém por perto. – Melanie, onde você está?

Como se respondessem ao seu chamado, mais corvos anunciaram suas presenças. Seus olhos observaram o precipício mais à frente. Eles estavam lá... Mas que diabos estariam fazendo? Andou pela areia, os pés descalços, e ao alcançar a beira do precipício e ver o corpo de Melanie imóvel ao fundo, gritou desesperado. Com a rápida agilidade, escalou as pedras e chegou onde o corpo estava. Abraçou a amada, dizendo:

- Melanie, você não pode estar morta, por favor, fale comigo... Por que decidiu fazer isso sem conversar comigo antes? Por favor, acorde... – Mas era tarde demais. Ela estava morta, e não havia nada que pudesse fazer, não agora. Com as lágrimas escorrendo pelo rosto, olhou para cima, onde uma escuridão escondia a lua e as estrelas, e de repente, perdeu a consciência, caindo ao lado do corpo de Melanie.





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Final da primeira temporada.








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Posted on 14:09 by Lucas Gomes A. Siqueira

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