RENEGADOS


CAPÍTULO 2


A despedida de um grande amigo




- Acorda Marcos, - Disse alguém que eu ainda não sabia decifrar quem pela voz, creio que por causa do sono. – fomos cercados, faça silêncio! – Terminou de dizer em sussurro.

Tentei não me assustar e nem olhar para tudo conte canto para saber quantos berrantes havia nos cercado. Todos atrás de algumas árvores, caminhando lentamente para longe daquele local. Eu ainda não tinha visto nenhum berrante, mas me preocupei em seguir o Benício, que foi quem me acordou.

- Para! – Disse me parando atrás de uma árvore. Enquanto isso, um berrante passou a uns dez metros de distancia, mas vindo para cima da gente. Deveria ser o nosso cheiro. Não era certo, mas eu acredito que eles sabem onde tem humano pelo cheiro. Na verdade, sabem onde tem carne fresca. Ele continuava a se aproximar, lentamente e procurando pelo ar o nosso rastro. Benício era um pouco gordo, o que atrapalharia se ele chegasse muito perto. Senhor Josias estava a uns vinte metros a minha direita, enquanto o berrante vinha pela minha frente. Karen estava junto com seu pai, e ele nos olhava com pena. Parecia que estava com medo de se despedir da gente, e parecia que queria fazer alguma coisa para ajudar, mas nada poderia fazer.

Eu me agachei lentamente e peguei uma pedra. Olhei para o berrante que deveria estar a uns sete metros da gente e cada vez ia aumentando sua velocidade mediante a sua certeza de que teria algo para ele ali. Parei e respirei. Olhei e observei. Ele olhou pisou em um galho que fez um estalo, olhou para o chão e então essa foi a brecha que eu precisava. Lancei uma pedra em um tronco próximo a ele, e por pouco eu consegui acerta-lo. Quando a pedra se chocou com o tronco, fez-se um barulho. O berrante parou de olhar para o chão e parou de andar, em seguida olhou para onde vinha o barulho e então começou a andar na direção contraria.

- É agora, corre! – Falei para o Benício que começou a correr. Eu não corri, continuei ali para dar cobertura caso algo desse errado. Benício em seus passos pesados fez diversos barulhos. Estava tão desesperado que nem parecia se preocupar com isto. O berrante era um tanto burro, mas foi despertado pelos barulhos de Benício. Pior ainda foi quando ele viu Benício correndo. Começou a andar depressa, parecia ganhar mais velocidade a cada passo. Passou por mim e não me percebeu, estava focado em

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Benício e sua fuga. Os outros já não estavam mais ali, na verdade eu nem sabia onde estavam mais. Afinal, eu estava dormindo.

Benício ganhou mais velocidade e começou a sumir da minha vista. O berrante ia seguindo o caminho de Benício, mas lentamente e não traria problema para ninguém. Agora era a minha vez. Eu deveria pegar ele por trás e acerta-lo na cabeça.

Grungh!

Esse barulho surgiu de trás de mim. A tremedeira já estava em seu efeito, o meu coração precisava de uma mãozinha para não sair pela boca. Só deu tempo de eu me tacar para frente e me virar para ai então, enfrentar o bicho, mas... Com que arma?

- Merda! – Falei enquanto o berrante quase me tocava. Olhei para o chão e avistei uma pedra grande. Parecia-me bem dura então a vi como uma única e grande opção. Eu a peguei e acertei a cabeça do berrante, e em seguida ele caiu no chão, e eu em meio a desespero e medo de toca-lo, comecei a pisar em sua cabeça, até que seu crânio despedaçado me fez acreditar que ele estava definitivamente, morto.

- Uffa! – Pensei alto. Só que esse, ainda não era nem a metade dos meus problemas.

Um, dois, três, dez, doze, dezoito, vinte e três, vinte e cinco, trinta. Trinta berrantes estavam caminhando em minha direção, e todos saíram de onde o primeiro havia saído. Merda! Eu estava encrencado. Comecei então a minha corrida contra o tempo. Eu precisava me afastar deles, só que a minha frente apareciam mais, passei por uns seis berrantes em meio a uma corrida alucinante e só parei quando avistei uma casa. Bem, não era uma casa, mas era um pouco melhor que um barraco. Afinal, ainda estávamos no Subúrbio onde era comum por demais existir barracos. Entrei no barraco e rapidamente me encostei bem na porta daquele barraco para impedir que os berrantes entrassem por ali, o que infelizmente não daria muito jeito na situação.

Eu estava sozinho e desesperado. O barraco escuro e os berrantes batendo nele, quase o quebrando. Eles entrariam ali a qualquer momento, sem duvidas, e eu seria comida deles, a não ser que eu desse um jeito de sair dali depressa.

Dez minutos se passaram e então estava começando a ficar de tardinha e só pude saber disso, por causa do sol que já estava baixo e entrou uns feixes de luz no barraco. O barraco afinal estava cheio de buracos e pareciam buracos feitos por balas. Parecia que este lugar havia sido vítima de tiros. E muito tiro!

- Por que entrou aqui? – Perguntou alguém que eu não sabia, mas estava ali comigo.

- Quem é? – Perguntei assustado.




- Não interessa, você é quem me deve resposta aqui seu moleque! – Disse berrando comigo quem quer que seja que estivesse ali.


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- Se você quer realmente nos matar, pode continuar gritando. – Falei em tom baixo. Ele não me respondeu. Ficamos em silencio por quase quinze minutos, e os berrantes pareciam estar desistindo de entrar ali.

- Sua sorte é que estou impossibilitado de andar, se não, você já estaria fora da minha casa. – Falou o homem que eu ainda não sabia quem era.

- Continua quieto que é melhor. – Disse.

Passaram-se horas e o silêncio reinou ali. Eu olhava pelos buracos do barraco se dava para sair, mas os berrantes apesar de terem desistido do lugar, continuavam ali, alguns caídos, outros zanzando, mas nada de deixarem passagem livre para eu sair dali.

Aquele silêncio já estava me dando nos nervos, e ficar ali quieto, me deixava com sono. Tentei porque tentei ficar acordado, mas esse não foi o meu caso. Eu dormi e parecia ter sido por horas. Quando eu acordei, estava muito disposto, animado e pronto para uns meses de insônia. A luz encontrou aquele lugar pela primeira vez, e pela primeira vez eu vi uma janela naquele barraco.

- Puxa um barraco tendo uma janela. Interessante. – Comentei tentando puxar assunto com o homem que era dono do barraco.

- E o que isso tem haver contigo? – Perguntou ele grosseiramente.

- Nada. – Falei. – Só quis comentar sobre isso. Foi tipo um elogio.

 


Ele não disse mais nada, até que a luz foi correndo pela casa junto com o tempo, e então, ela se encontrou com o tal homem do barraco. Ele usava um boné todo preto e tinha uma barba bem grande. Seu rosto era de uma pessoa ruim, e seus olhos me davam arrepios. Observei que ele tinha um problema e que talvez, estivesse cheio de fome, sede, dor e talvez até essa fosse à causa de seu mal humor.

- Quem te fez isso? – Perguntei olhando para a mão dele que estava algemada junto à cama.

- E importa?

- Vamos... Não te fiz nada, não custa nada deixar esse mau humor de lado. – Falei e ele não me respondeu. Não adiantou de nada. – Qual o seu nome?

- Não percebeu que eu não quero papo? – Disse ele em um tom alto, que até me preocupou e me fez olhar pelos buracos para saber se algum berrante ouviu.



- Eu te ajudo a sair daí se me disser seu nome. – Propus. Ele me olhou e virou de costas para mim, como se aquilo não importasse mais.

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Passaram-se algumas horas, a luz do sol iluminava por pouco tempo aquele barraco no meio da mata e nesse momento, eu já havia voltado para dentro da escuridão e com um homem muito mal humorado para alegrar meu dia.

- Esses bichos não vão sair daqui não é? – Penso alto. Ouço o homem se mexer em sua cama e já peço desculpas, pois não queria incomoda-lo. Horas depois ele tosse e em seguida diz:

- Meu nome é Jonas... Agora me tire daqui. – Disse ele se sentando na cama e olhando por um buraco que tinha próximo a ele.

Eu me levantei e fui apalpando o chão para ver se eu encontrava a chave das algemas, ou algo que me ajudasse a tirar ele dali. Não estava encontrando nada, talvez pela escuridão ou não estivesse ali, mas eu tinha que ajuda-lo a sair dali. Não era seguro ficar preso em um barraco rodeado de berrantes.

- A chave esta ali fora. – Disse Jonas.

- Haha, que azarado você hein! – Falei rindo. Ele não sorriu, riu ou nada. Apenas me olhou com uma cara de “Você vai fazer o que disse que ia fazer.”. – Ok. – Falei engolindo seco. – Onde estão as chaves exatamente?

- Ali. – Disse ele olhando pelo buraco. Fui até onde ele estava e pude ver as chaves. No bolso de um policial... Morto!

- Agora a coisa ficou interessante.

- Anda logo, aproveita que eles não estão tão próximos. Se for rápido, você consegue sem nenhum problema.

- Só um minuto. – Falei enquanto eu ia olhando alguns buracos feitos por balas que estavam na parede. Olhei para fora e fiquei analisando por onde eu iria passar. Dois berrantes a pouco mais de cinco metros na frente da porta, três em um canto do lado direito do barraco, e cinco do lado esquerdo. Atrás eu não teria como ver, porque a única parede que não levou tiro foi a da parte de trás da casa. Olhei de novo para o policial morto, ele estava com as chaves no bolso do peito, quase caindo no chão. Seria fácil. Mas como eu não sabia o que me esperava ali atrás da casa, eu teria que arranjar algo para me precaver antes de sair.

- A arma. – Disse enquanto olhava a arma que estava agarrada na cintura do policial. Seria bem simples. Eu pegava primeiro a arma e depois a chave, o que viesse me atacar, levava bala e eu corria para dentro do barraco, sem muitos problemas. – Já volto.

- Boa sorte. – Disse Jonas. E pelo jeito irritante dele, eu não esperava que ele me desejasse sorte.

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Parei de frente para a porta antes de sair. Eu me lembrei de quando tentei salvar a Bia mesmo sabendo que ela já seria salva, também me lembrei de quando os berrantes quase me pegaram. Aquilo surtia como um trauma, mas se fosse, eu não poderia ter o luxo de tê-lo, eu tenho que conseguir aquelas chaves e salvar pelo menos alguém antes de ser morto por um berrante.

Abri a porta e me agachei os dois berrantes que estavam ali de frente para mim, não me notaram de pressa, então eu fui para trás de uma caixa d’água. Se eles me viram, acharam que não viram ou simplesmente desistiram. Os outros três que estavam do lado direito do barraco, já estavam na minha vista, só que por sorte, eles estavam de costas. O policial caído estava uns três metros de mim. Fui caminhando sorrateiramente até ele sem problemas. Peguei as chaves e coloquei no bolso e então, puxei a arma só que ela estava agarrada, para conseguir tirar, eu teria de virar o policial de costas. Olhei pra frente e os berrantes continuavam de costas para mim, olhei para o meu lado esquerdo e não havia problemas, até que então, virei para o meu lado direito, onde ficava a parte de trás do barraco e avistei um berrante caminhando para a minha direção.

- Problemas. – Pensei alto, e então, virei o policial para pegar sua arma, olhei de novo para o berrante e ele estava a uns quatro metros de mim e com uma velocidade maior, peguei a arma e apontei para ele, mirei bem, respirei fundo e dobrei os cotovelos e atirei.

CLEK! CLEK!

- MERDA! – Gritei em desespero. A arma estava sem balas e o berrante a quase um metro de mim.

- O porrete do lado dele! – Gritou Jonas pelo buraco do barraco.

Eu me ajoelhei e peguei o porrete enquanto o berrante já estava quase caindo em cima de mim. Por sorte consegui empurrar ele para trás, mas ele não caiu, o que não melhorou minha situação, já que os outros berrantes mais próximos começaram a notar a minha presença.

SPAH! SPAH! SPAH!

Dei duas pancadas na cabeça do berrante e surtiu o efeito desejado. Ele estava definitivamente, morto. Então eu me virei para começar a correr para dentro do barraco, mas assim que virei, trombei com outro berrante e atrás deste berrante, tinha outro berrante. - DROGA! – Gritei enquanto o empurrava o berrante que estava na minha frente. O de trás foi o primeiro a cair no chão, e em seguida enfiei o porrete no olho do berrante que estava na minha frente. Morreu. Outros já estavam próximos, então eu corri para

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a porta do barraco. Abri e entrei, mas alguns berrantes já haviam me alcançado, mas problema maior foi o berrante que caiu. Ele colocou a cabeça pelo lado de dentro do barraco. Eu tentava fechar a bendita porta, mas com a cabeça dele ali, não ia dar.

- Droga! Droga! – Gritava Jonas. – Me solta daqui seu moleque! Anda logo!

Eu olhei para ele com uma cara de poucos amigos. Eu estava muito irritado e sem saber o que fazer e segurando a porta impedindo os berrantes de entrar e desviando meu pé da cabeça do berrante que estava no chão, não me facilitaria em nada.

- Você pediu. – Pensei alto enquanto eu olhava a cabeça do berrante que estava me impedindo de fechar a porta. Ameacei a abrir e fechei com mais força. Nada aconteceu com o berrante que tentava devorar meu pé, mas o que estava mais próximo caiu pra trás fazendo com que os outros andassem para trás, foi ai então que eu soube o que fazer com o berrante que estava caído, me atrapalhando e querendo me devorar. Soltei a porta e dei dois passos para trás. Eu pisei próximo da cabeça do berrante e chutei com tanta força, que sua cabeça se espatifou no meu pé e me deu passagem para fechar a bendita porta.

Parei e respirei um pouco. O Jonas havia bagunçado a cama dele toda de tanto tentar se soltar daquelas algemas, mas não teve êxito algum.

- Fica calmo que eu as peguei. – Disse enquanto mostrava as chaves das algemas. Ele me olhou com um sério, mas parecia estar muito agradecido por eu ter pegado elas. E então eu o soltei e voltei para a porta, me sentei e me encostei a ela para que nenhum berrante entrasse ali.

- Obrigado... – Disse Jonas.

- Marcos. – Falei interrompendo o que ele iria me chamar. – Meu nome é Marcos.

- Muito bem Marcos, obrigado. – Disse Jonas pegando uma vela e acendendo.

- Não há de que. – Respondi encostando minha cabeça a porta e fechando os olhos.

Eu estava quase cochilando quando me toquei de uma coisa. Jonas estava algemado a sua cama, mas por quê? O que ele teria feito? Não duvidaria de nada que tivesse feito de ruim, afinal de contas, se mostrava um cara bem mal então eu não teria motivos para achar que foi um engano.

- Porque estava algemado? – Perguntei olhando diretamente nos olhos dele.

- Isso importa agora?

- Importa. Diga. Porque estava algemado?

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- Olha aqui seu moleque, - Disse enquanto se aproximava de mim e eu fiquei quieto e parado, sem nem me mover, mas não era de medo, era de cansaço e por algum motivo, eu já sabia que ele não iria fazer nada comigo acordado. – se você esta achando que só por causa do seu chute forte você virou mais homem que eu, você está é muito enganado.

Olhei para ele com uma cara de quem pouco se importava e continuei sentado e parado, até que fechei os olhos para ele ver que eu nem estava mais dando ideia pra ele. Jonas ficou mexendo em algumas coisas e depois voltou para a cama. Fiquei com os olhos meio fechado para ficar atento aos movimentos que ele estava fazendo, e com o passar da hora acabei mesmo pegando no sono.

- Isso é pra você aprender, - Disse Jonas me colocando pra fora do barraco. Eu estava dormindo como pedra, e só acordei quando senti o chão. Quando eu fui jogado ao chão pelo Jonas. – a não se fazer de machão pra cima de mim!

- O que é isso? – Perguntei me levantando e então, ele me soca o rosto que me fez cair de novo. – AI! – Soltei um grito.

- Chora marica! Hahahahahaha!

- Você ta maluco?

- Eu? Maluco? – Disse Jonas me olhando como se estivesse drogado. Eu olhei pra trás e vi os berrantes nos percebendo. Estava de noite, devia ser de madrugada, quase hora de amanhecer. Os berrantes estavam indo embora até nos ouvir.

- Eu te salvei droga! – Falei indignado.

- Oh! Meu herói! – Disse enquanto vinha pra cima de mim. – Toma isso heroizinho! – E então me socou de novo.

- Merda! – Pensei alto e então resolvi revida. Um chute no meio do peito dele, e depois pulei pra dar um soco em seu rosto. Ele cambaleou para trás, mas logo se pôs pra revidar. Veio pra cima de mim novamente, olhando dentro dos meus olhos, pude ver o quanto ele estava gostando disso e o quanto não se importava com os berrantes que em pouco tempo nos cercaria.

PUNCH! PUNCH!

Dois socos que me fizeram cair novamente. Coloquei a mão em cima da minha sobrancelha e senti o rasgado que deu. O sangue começou a escorrer na minha face. Eu não era muito de brigar, mas se eu quisesse sair vivo dessa, eu teria que dar um jeito de entrar.

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Eu me levantei e me preparei. Ele veio pra cima e só fiquei a analisar. Pude perceber lentamente seu peso. Não era gordo, mas era pesado, e por isso seu soco estava sendo forte suficiente para acabar comigo. Só que eu também percebi o quanto ele estava lento, então usei meu agilidade para acabar com ele. Primeiro ele tentou um soco no meu rosto de novo, mas consegui desviar e soquei o rosto dele. Ele de um jeito destrambelhado tentou me acertar com a outra mão, só que eu me abaixei e consegui desviar também, e em seguida acertei outro soco nele. Ele pareceu mais furioso e colocou mais força, só que ele só estava me fazendo andar para trás o que era bem pior. Eu já estava a uns três metros de distancia da porta e então comecei a atacar novamente. Desviava e socava. Eu até estava me saindo bem nisso. Só que até ele sorrir para mim. Eu tinha conseguido o fazer andar para trás, e já estávamos diante da porta do barraco, mas ele ainda queria briga e eu ainda tinha que ficar atento. Ele fingiu que ia dar um soco de esquerda, mas na verdade, deu um de direita. Ele me pegou, acertou um soco bem no meio do meu rosto, por pouco meu nariz não quebrou e o impacto por ter sido forte, me fez andar pra trás quase caindo, e então ele me golpeou na barriga tão forte, mas tão forte, que seu braço estava com sangue, mas não dele, e sim meu. Eu havia cuspido involuntariamente sangue, e muito. Parecia ter vomitado. Cai de joelhos e rapidamente me apoiei na caixa d’água que estava do meu lado. Olhei para trás e vi mais de dez berrantes vindo em nossa direção. Olhei para o Jonas e ele pareceu perceber que não ia ser nada bom ficar ali fora, mas com certeza, ele ia entrar e eu ia ficar pra ser comida de berrante, foi ai que aproveitei o momento.

Ele parecia meio sem ação por estar assustado vendo o tanto de berrantes que vinha. Olhei pra ele e então chutei bem forte e com um impulso ainda maior, no meio de seus peitos. Ele foi com força para trás e caiu do lado de dentro. Aproveitei e corri pra dentro do barraco e fiquei segurando a porta. Tudo calmo durante cinco segundos.

Grhung! Grhung! Grhung! Grhung! Grhung!

O local estava lotado de berrantes e todos pareciam fazer força na porta. Ela não ia aguentar e eu não ia conseguir segurar por muito tempo, não sem ajuda.

- Me ajuda droga! – Falei enquanto segurava a porta. – Jonas! – Gritei para ele se ligar e vim ajudar. Ele não respondeu. Eu me encostei à porta e olhei pra ele. Estava caído e parecia morto. Meus olhos encheram de lágrimas e meu coração batia cada vez mais forte. Precisava conferir se ele estava vivo ou morto.

Fui até ele com muito medo. Eu me ajoelhei do seu lado, e então aproximei minha mão de seu pulso. Com muito medo, eu peguei seu pulso. Ainda estava vivo. - Graças a Deus. – Meu coração se acalmou, e fiquei aliviado. Ouvi um barulho estranho, olhei para a porta e pude vê-la rachando. Corri até ela e coloquei toda a minha força para impedir que rachasse. Não estava adiantando, então fiz força com as costas e comecei a gritar pelo Jonas para ele acordar logo, mas não adiantava. Eu

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estava ficando desesperado e procurando uma alternativa. Comecei a chorar em silêncio, e a engolir seco. Parecia que tudo estava contra mim. Olhei a janela que tinha no barraco, e vi que o lado dela estava vazio, mas eu não teria como tirar eu e o Jonas daqui. Ele precisaria acordar, mas ele não acordava.

- Ele quis me matar... – Pensei alto. Ele quis me matar e eu aqui, querendo o salvar. A porta estava ficando muito fraca e a qualquer momento ela ia se quebrar. Olhei de novo a janela e observei que ela era vidro puro. Não tinha grade nem nada, somente um vidro. Deveria ser um buraco que o Jonas não tinha mais madeira para fechar e então colocou um vidro só pra não entrar nada por ali.

Ele começou a se mexer.

- Jonas! – Chamei, mas ele apenas estava se contorcendo de dor. Colocou a mão na cabeça e então olhei sem querer pra cabeceira da cama e vi sangue. Ele caiu e bateu a cabeça ali, por isso desmaiou. – Merda Jonas! Acorda! – Gritei.

Ele se virou mais não conseguia se levantar. Ele me olhou como se estivesse gostando daquilo. Estava me encarando e tentando me amedrontar, só que estava perdendo seu tempo, pois os berrantes atrás de mim, já tinham conseguido isso fazia mais de dez minutos.

- Está vendo o que você fez? – Gritei com ele.

Ele sorriu e se encostou a cama. Tentou levantar, mas não conseguiu. Ouvi outro barulho e olhei pra porta, estava quebrada, eu é quem estava suportando ela, se eu saísse, a porta caia. Ele me olhou com um olhar misterioso. Parecia estar ficando com medo de eu fazer alguma coisa, mas ele só teve certeza quando eu deixei as lágrimas voltarem a rolar.

- Você não vai fazer isso. – Disse ele com os olhos arregalados.

- Me desculpe. – Falei em meio ao choro. – Por favor, me desculpe! 

 


Soltei a porta e corri em direção à janela. Posicionei as mãos na cabeça e pulei de cabeça. Ela se quebrou toda e pedaços de vidro se cravaram em mim. Minha perna estava com um pedaço enorme de vidro. Eu estava muito ferido, mas tive de fazer isso. Comecei a correr pra mata, do lado contrário onde os berrantes estavam. E então parei atrás de uma árvore, e ouvi os gritos de agonia de Jonas. Eu havia deixado um homem pra morrer. Isso não era de mim. Eu estava chorando, mas tinha que ser silencioso. Meu corpo doía, meu coração doía, minha mente estava atordoada, eu nunca vivi isto, nunca fiz isto, nunca pensei nisso, até hoje.

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Posted on 09:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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David estava de frente para um publico enorme, todos gritavam seu nome, ele estava em festival de musica eletrônica como atração principal e sorriu. David acordou com alguém batendo na sua cabeça.

- Acorda ai cara, chega de sonhar!- alguém falava.

David abriu os olhos e viu uma figura de cabelos loiros arrepiados. Era Chad, seu melhor amigo, naquela hora nem tanto assim.

- Droga Chad, me deixa dormir!- David disse sonolento.

- Não vai dar, hoje é segunda e tem teste de história!- ele disse.

Chad olhou para a cama de David e viu que ele nem se movimentava.

- Ah é, seu gordo preguiçoso!

Chad aumentou o volume do rádio, fazendo ecoar rock por todo o quarto, foi fatal, David acordou esperto.

- Ok, abaixa isso!- ele gritou.

 Chad fez o sinal de negativo com a cabeça, ele tinha o cabelo loiro arrepiado, olhos azuis e um corpo definido, ele estava vestido com uma jaqueta preta, camisa vermelha escura, jeans e All-Star tradicional. David levantou da cama, ele era gordo, o cabelo liso cobria o pescoço e olhos castanhos.

- Vai banhar!- Chad falou.

- Ok, pai!- David ironizou.

 Depois do banho David parou de frente para o espelho, os olhos castanhos agora pareciam limpos e o cabelo estava quieto com o creme, algumas espinhas brotavam do rosto, depois ele saiu para o quarto, os dois conseguiram comprar um pequeno apartamento perto da escola com autorização. David vestiu uma camisa xadrez vermelha jeans azul e All-Star branco, depois arrumou a bolsa e desceu as escadas com Chad, na calçada estava estacionado seu Dodger Neon 1995, os dois entraram no carro partiram rumo à escola.

David estacionou, havia muitos carros melhores que o seu, mas de alguma forma aquele carro tinha ganhado a sua graça, travaram a porta e caminharam para dentro do prédio, os corredores escolares parecia um formigueiro só que bem desorganizado, o sinal tocou e todos entraram em suas salas, David e Chad sentaram lado a lado e depois a professora de história entrou na sala com alguns papeis na mão.

- Perfeito!- disse Chad.

- É, nada como um teste de história para começar o dia!- concordou David.

A professora colocou os papeis na mesa e olhou para os dois.

- David Younks e Chad Stone, eu sugiro que não conversem muito durante o teste e nem os outros alunos.


Depois do teste os dois esperaram outra aula e outra aula, os alunos só tiveram folga ao meio-dia quando o sinal toca para o almoço e os dois foram para o refeitório, pegaram uma bandeja com a comida e os dois sentaram-se em uma mesa, o refeitório estava movimentado e barulhento. David tirou os fones e o celular do bolso e colocou para tocar sua playlist do David Guetta.

- Acha que foi bem no teste?- David perguntou.

- Acho que sim!- Chad respondeu dando as primeiras garfadas no seu almoço. – Quer dizer, eu não amo aquela matéria, mas acho que fui bem!

David deu as primeiras garfadas no seu almoço e às vezes achava que a mesma rede que fornecia comida para a prisão era que fornecia para a escola também.

- Você teve aquele sonho outra vez?- perguntou Chad depois, com a boca um pouco cheia.

- Sim, eu tive como você sabe?- David perguntou.

- Você sempre está sorrindo e fala coisas, como se estivesse em uma apresentação!- Chad falou terminando seu refrigerante.

David tinha contado os sonhos que estava tendo, como se ele estivesse em uma apresentação de musica eletrônica, no palco, mas como David gostava de dizer ‘‘Eu sou capaz de ter sonhos incríveis estando acordado, imagina quando eu estiver dormindo’’.

- Ele fica se repetindo, já é uma semana tendo só essa parte!- David falou dando fim no seu almoço.

- Talvez isso seja um sonho do seu sonho!- Chad falou.

 David pensou se talvez Chad estivesse certo, ele amava musica eletrônica house e desde que isso entrara em sua vida, o sonho veio, se tornar um DJ famoso.

- Talvez então se for assim, tomara que se realize!- David disse sorrindo.

David terminou o almoço e se encostou à cadeira ouvindo musica, ele sempre adorava aquela sensação relaxadora que a musica lhe proporcionava. Chad também se encostou perto do amigo, os dois sempre tiravam o resto do tempo para conversar e depois voltar às aulas.

- Parece que a Julie ta de olho em você!- David falou para o amigo.
- O que?- disse Chad.

Chad olhou para a mesa onde estavam algumas garotas, Julie fazia o tipo de patricinha, loira, roupa da moda e bonita, pena que sua simpatia não era tanto assim.

- Julie cara? Está maluco?- disse Chad.

- Não, ela olha pra cá e depois sorrir para as amigas!- disse David.

-Nem vem com essa, ta na cara que ela não flertando comigo. – Chad disse dando mais uma olhada para o grupo.

- Ah cara, por que não?- disse David sorrindo.

- Por que eu sei que ela só quer diversão e eu sei diferenciar um envolvimento sério de uma diversão!- disse Chad. – E nesse momento eu estou querendo algo sério!

David riu e se não fosse o barulho no refeitório a risada seria escandalosa.

- Desistindo da vida de pegador?- ele disse.

- Sim!- respondeu Chad.

David conhecia Chad há muito tempo e sabia da sua fama de pegador, agora parecia que o rapaz queria algo sério mesmo.

- E você, alguém em vista?- perguntou Chad.

E lá vamos nós outra vez pensou David. David não gostava de falar muito sobre a vida amorosa, mas o seu melhor amigo tinha uma vale para ouvir isso.

- Você me conhece!- David falava em pausa, cada palavra. - Eu estou ai e por ai!

Chad sorriu, achava a capacidade de dobrar o assunto do amigo uma graça. David por outro lado só sentia-se confortável falando isso com Chad, em sua vida de 16 anos ele nunca havia namorado.

- Tudo bem, eu acho que entendi a resposta!- Chad disse por fim.

Os dois passaram mais alguns minutos jogando conversa fora antes de voltar para a sala de aula, depois que o sinal tocou os dois voltaram para a aula até a tocar o sinal para a saída. Os dois caminharam lentamente até o Dodger de David, quando os dois entraram no carro eles suspiraram, o dia era sempre cansativo e olha que só era começo de semana. David ligou o carro e saiu da escola.

David abriu a porta do apartamento barato e só agora via a bagunça, o apartamento continha uma cozinha aberta para a sala com um sofá e uma TV, o corredor dava acesso a dois quartos.

- Cara!- disse David entrando e fechando a porta. – Isso aqui ta uma bagunça.

 Chad jogou sua bolsa no sofá e foi para a cozinha beber água.

- Está arrumado cara!- ele disse.

David caminhou até o sofá e se deixou cair, ligou a TV no noticiário e disse para Chad.

- É está arrumado, mas hoje é seu dia de fazer a faxina e o jantar!- disse David colocando as pernas para cima.



Chad terminou de limpar a casa às seis horas da tarde, pela janela dava para observar os tons alaranjados entrando por ela e ele acabou por sentar perto de David assistindo o resto do noticiário.

- Você está fedendo!- disse David para Chad.

- Você também!- Chad retornou.

- Ok então, eu faço o jantar e você vai banhar!- disse David se levantando.

Chad se levantou e se esticou caminhando para o corredor.

- Eu sempre consigo fazer com que você cozinhe!- disse o amigo.

David sorriu, ele sabia cozinhar, antes de sair de casa sua mãe lhe ensinou tudo e então ele às vezes cozinhava para alguns amigos e na maioria das vezes recebia bons elogios. Chad saiu do quarto caminhando para a sala, ele tinha colocado roupas limpas, sua camisa dos Ramones e uma bermuda, bem à vontade.

- Então!- ele disse sentando-se a bancada da cozinha. – Você fez o que?

David se virou com um prato.

- Bife com ovos!- ele disse.

Os dois sentaram-se à mesa para comer todo o jantar, naquele momento os dois aproveitavam para resumir o seu dia e que sempre acabava em piadas e escandalosas gargalhadas durante o jantar, ao final Chad lavou os pratos enquanto David ia tomar banho, como os dois brincavam, eles eram uma pequena família feliz.

Depois os dois ficaram no quarto de David fazendo as atividades escolares, um musica tranquila tocava baixo no fundo, David estava com os livros espalhados pela cama e com o notebook ligado, Chad estava na mesma situação só que no chão. Meia- noite Chad foi para o seu quarto, David arrumou o quarto e se deitou com o celular e os fones de ouvido, musica tranquila para uma noite tranquila.

Posted on 17:19 by João Marcos

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RENEGADOS


Capítulo 1


Lembranças



- Deve faltar menos de dois dias para chegarmos ao Distrito. – Disse o senhor Josias que já estava exausto de tanto caminhar.

- Espero que sim, - Disse Karen parando e se sentando. – eu não aguento mais, por favor, vamos descansar um pouco. – Pediu ao Roberto. Ele olhou para ela e virou e olhou para os outros que ali estavam. A cara de cansaço já havia se tornado nossa melhor amiga, essa expressão já estava perdendo a graça, ninguém mais perguntava um ao outro se haviam descansado o suficiente, porque nunca mais descansamos o suficiente.

- Tudo bem, mas apenas por cinco horas. – Disse Roberto.

Já haviam se passado onze meses desde que saímos daquela estação. Uma longa caminhada. Nunca pensei que o Subúrbio pudesse ser tão grande, mas era o que estava me parecendo agora. Hoje o Roberto nos deu cinco horas de descanso, e isso foi motivo de muita alegria, pois ficávamos parados por no máximo três horas. Havia berrante por toda parte e era realmente muito perigoso ficar parado por muito tempo. Mal encontramos lugares para dormir um pouco, de vez enquanto, tínhamos que dormir atrás das casas ou até mesmo, dentro de algum veículo velho e jogado por ai.

Roberto me pedia para fazer coisas inusitadas. Uma vez ou outra era ficar acordado, vigiando o local enquanto os outros dormiam. Mal sabe ele, que meu ponto mais fraco, é o sono. Por sorte, a situação em que nos encontramos parece estar me fortalecendo cada vez mais. Pois falar em fortalecer, estamos todos perdendo peso. Falta de comida, uma boa noite de sono e até mesmo água esta nos deixando assim. Sempre encontramos algo, só que não da para comermos a vontade como comeríamos em casa. E em cada casa que entravamos, era um perigo muito maior que corríamos. Pois além de a maioria estar sem eletricidade e não ter luz, nós não sabíamos se havia pessoas ou berrantes dentro delas.

O senhor Josias estava muito cansado, pois já era um senhor e precisava de descanso e boa alimentação. Lavigne cuidava dele de vez enquanto, mas era a Karen quem fazia com que ele tivesse cada dia mais força para lutar.

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- Senhor Josias, eu prometo que trarei uma boa quantidade de comida para nós, assim que chegarmos ao Distrito. O senhor vai comer bem e ter um bom descanso. – Disse para ele, enquanto apertava sua mão. – Pode acreditar em mim.

Ele me salvou a vida uma vez, e isso vale de todas as formas. Será impossível eu pagar essa divida, então tenho de fazer por onde e ajuda-lo o máximo que eu puder. O que eu havia prometido a ele não era impossível, só precisaria de um pouco de sorte para que não houvesse tantos berrantes pelas casas do Distrito.

Karen sempre o ajudava e dividia sua própria comida com ele. Estava muito magra e toda a sua beleza negra, havia ido embora. Seu cabelo estava sujo e fedorento e suas roupas imundas, mal comia e mal dormia porque preferia ficar acordada olhando seu pai dormir.

Às vezes eu me pegava pensando no porque eu os tirei de lá? Vamos Marcos, eles sabiam se cuidar e tinham comida e um lugar para descansar e até mesmo se banhar.

Eu disse como a Karen estava, mas todos estavam parecidos, exceto pela magreza.

Roberto como o líder, sempre se cobrava mais. Ele estava com uma aparência horrível, e com todo aquele peso de nos manter seguros nas costas, não deveria estar melhor. Pelo menos agora ele tem um braço direito. Benício estava ajudando muito o Roberto a cuidar do grupo e até mesmo o Douglas ajudava bastante. Eles eram os adultos, os mais velhos e talvez por isso eu ficasse sempre do lado de fora de enfrentar o maior perigo, de vez enquanto é claro. Pois tinham vezes que era necessária minha ajuda.

Antonio, o padre, vivia orando e pedindo a Deus para nos ajudar. Antes eu achava que ele era apenas um idiota com medo do mundo de agora, mas depois de um tempo, vi que ele é o mais corajoso. Ele é um dos poucos que não perderam sua fé, e que sempre acreditava em Deus e pedia para que ele nos ajudasse e sinceramente, eu sentia que Deus realmente, nos ajudava.

Lavigne que ficou tão sentida com a morte de seu tio que era sua única família e ficou assim durante um tempo. Depois de uns quatro ou cinco meses é que ela começou a se relacionar com as pessoas, conversava e ria de novo, apesar de eu não ter conhecido ela muito tempo antes de sua depressão o que era admissível. Só depois que fiquei sabendo que o homem que havia morrido no galpão no ano anterior era seu tio, e era sua única família. Fiquei pasmo e sentido, pois além de ela mesmo ter me contado, eu fiquei com o pensamento mais fundo de que meu pai poderia estar morto. Durante todo esse tempo, eu fiquei amigo de Lavigne. Karen e o senhor Josias eram os únicos que eu confiava e conversava. Mas a Lavigne veio se aproximando lentamente, conforme sua depressão ia embora e então, começamos um elo de amizade. Discussão era sempre vindo da gente, mas nos resolvíamos no mesmo dia e então


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continuávamos a ficar bem. Era legal ter ela como amiga. Ela me distraia e era engraçada, mas nem sempre era assim. Vira e mexe sua depressão vinha e mexia completamente com ela e era difícil de lidar com isto.
- Vamos ficar por aqui mesmo desta vez. Arranjem algum lugar por perto e descansem. Não parece ter nenhum berrante por aqui, então, descansem, mas não baixem suas guarda. – Disse Roberto.
Paramos por ali mesmo, era uma mata grande e fechada, tinham muitas árvores e bichos. Troncos caídos e galhos por qualquer parte. Então, quem que seja que estivesse por perto, poderíamos detectar sua presença por meio da natureza. O que seria fácil.
- Vamos passar pela mata o tempo todo? – Perguntei ao Roberto.
- Até chegar ao Distrito sim. Por quê? – Perguntou Roberto.
- Preciso conseguir algo para o senhor Josias comer. Ele não esta em boa condição e já faz tempo que não come direito.
- Marcos, ele precisa aguentar até o Distrito. Lá vai ser mais fácil. Há muitas casas e com certeza, mais comida, além de segurança.



3

Isso provavelmente seria verdade, o Distrito é um lugar onde tem casas de tijolos e concreto, deve ser bem mais seguro. E lá tem lugares que se vende comida, o que é bom.
Eu me sentei próximo a um tronco de uma arvore e por ali fiquei. Não era aconchegante, mas consegui um jeito confortável de me encostar e descansar ali naquele tronco. Enfiei a mão na minha mochila caçando minha espingarda, mas eu tinha por pouco, me esquecido que ela não estava mais comigo. Comecei a me lembrar de quando a Bia estava indo embora, e eu comecei a correr atrás dela. Seu pai não quis parar o carro para me ajudar a escapar. Brigou com a Bia, sua própria filha para que ela parasse de pedir isso a ele. Ele é um monstro!
Normalmente quando eu parava pra descansar, eu começava a ver cenas de coisas que eu já havia passado. Meu primeiro pensamento foi no meu pai. Ele sentado limpando a espingarda e me dizendo que era de meu avô e que iria me ensinar a caçar, mas ao contrário do que ocorreu, ele não me parecia sombrio. Ele estava sorrindo.
- Vamos Marcos, temos muito que fazer hoje. – Disse meu pai se levantando e saindo de casa.
- Ei, aonde vocês vão? – Perguntou minha mãe.
- Mãe? – Eu a abracei, e muito forte. Queria chorar, mas não via o motivo. Ela acariciou meu rosto e se virou para o meu pai.
- Vai sair sem me dar um beijo? – Perguntou minha mãe puxando meu pai pela camisa e dando um beijo nele.
Eu estava feliz. Ao sair de casa e ver como era o Subúrbio, eu pensei.
- Nossa. Esse lugar até que é bem legal.
- Falando sozinho? – Perguntou meu pai bagunçando meu cabelo. Ele sabe que eu não gosto que mexam no meu cabelo, e eu sei que ele gosta de implicar.
Fomos para a mata mais próxima e começamos a caçar. Caçar mesmo. Não berrantes, até porque eu estava em um mundo sem eles, o que era incrível. Atiramos em uns pássaros que passavam por ali e eu praticamente errava todos.
- Dobre o braço e mira com a arma acima do ombro. – Disse meu pai. Eu fiz. Dobrei meu braço e mirei com a arma acima do ombro. – Espere pelo recolchete.
BANG!
- Acertei! Acertei! Haha!
- Aê! Aprendendo a atirar, é? – Perguntou meu irmão.


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- Mano que saudades! – Falei e o abracei. É certo que irmãos não se dão bem. Quero dizer, a maioria, e esse é também o nosso caso, mas mesmo que neguemos, nós amamos nossos irmãos, e eu automaticamente reagi desta forma. Eu o abracei forte e ele retribuiu.
- Ei cara, acabamos de almoçar, - Disse ele. – faço tanta falta em tão pouco tempo assim é? – Disse rindo.
- Ele parece que está carente hoje, Mendes. – Disse meu pai. Meu irmão se chamava Mendes. E assim que entrou para as forças armadas ele foi chamado de soldado Mendes. É que em nosso país, militares são chamados pelos seus outros nomes, exceto por alguns, e esse foi o caso do meu irmão.
De repente o cenário mudou. Eu estava no quarto da Bia, ela segurando minha mão e me levando para a varanda. Logo em seguida estávamos olhando um para o outro e sem nada dizer e em seguida, depois de um sorriso tímido, nos abraçamos e nos beijamos. O beijo era intenso e real. Tão real que eu conseguia sentir meu corpo suspirar, e logo em seguida o cenário não era mais a varanda do quarto dela e sim o quarto. Estávamos na cama dela. Eu por cima, entre suas pernas, aquele momento estava sendo mais impactante, e eu desejava saber o que ia acontecer em seguida. Não parávamos de nos beijar, e quando eu me deparei com o momento, já estávamos praticamente sem roupa. Seu corpo quente e fresco ao mesmo tempo, sua pele macia e escorregadia. Seus pelos perfeitos que faziam dela uma mulher ainda mais delicada. Seus lábios quentes e sua respiração ofegante. Seu coração batia forte e eu podia sentir isso e não parávamos de nos beijar. Era um sonho. Ela me olhava e seus olhos brilhavam, sua boca estava com um sorriso tão meigo estampado como se dissesse me beija. E eu a beijava.
- Eu te amo. – Disse ela para mim. Era uma pena, eu queria que fosse real, mas minha mente fazia questão de que eu soubesse que era um sonho, parecia que gostava de me atormentar de fazer joguinhos comigo. E eu sempre resolvia joga-lo.
- Eu também te amo. – Disse dando um selinho nela. – Muito.
- Marcos, - Disse Bia, mas agora ela estava me olhando como se algo estivesse preocupando ela. – não – E então rolou a primeira lágrima. – me – seus olhos se fecharam e seu sorriso sumiu. – deixe – eu conseguia sentir a dor que estava em seu peito. – ir.

O cenário mudou outra vez. Dessa vez eu estava desmaiado em uma rua, mal conseguia me mexer, sentia as areias que ali estavam tudo parecia tão real que quando eu tocava, eu sentia na pele. Apenas meus olhos me davam uma pequena visualização do que estava a minha frente. E a minha frente, estava o carro do pai da Bia, e ela batendo no vidro traseiro gritando por meu nome. O carro acelerava, mas ia


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tão lento. Ela batia no vidro me olhando e chorando, e tudo em câmera lenta. Cada batida no vidro que ela dava, meu coração batia no mesmo ritmo e tempo. Cada vez que eu piscava, era um momento de dor e desespero e isso aumentava quando eu via berrantes se aproximarem e eu, sem conseguir me mexer.

E de novo o cenário mudou, e voltamos para a cama, e ela com o mesmo olhar triste e choroso, me dizendo novamente.


- Não me deixe ir.


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Posted on 10:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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FAZENDO O QUE É CERTO
SEASON FINALE

Ora, a bondade... Uma qualidade correspondente a ser boa, ou seja, uma qualidade suprema capaz de manifestar satisfatoriamente alguma perfeição, que se pode aplicar a pessoas, coisas e situações.

Na maioria das ocasiões a bondade pode ser usada para designar uma virtude pessoal, quando aplicada a objetos e situações ela pode se referir apenas à perfeição de algumas características do objeto ou situação. Por exemplo: ao afirmar que um vinho é bom, a bondade em questão se refere apenas às qualidades de aroma e sabor.

Porém, não pense que apenas os objetos possuem a qualidade do aroma e do sabor, os humanos também são capazes de reprimirem estas causas... Alguns humanos, outros apenas são capazes de destruírem estas influências por não aguentarem assistir e perceber uma pessoa praticando atos carinhosos, fazendo o ser cruel partir para uma iniquidade sem fins.

A bondade pode significar a disposição permanente de uma pessoa em não fazer o mal, ou de um objeto ou situação em não ser prejudicial, neste sentido tem por sinônimo a benignidade. Neste sentido, na medicina diz-se que um tumor é benigno, embora, concretamente, seja uma patologia.

E novamente descordando da concordância, não apenas as doenças podem ser benignas ou malignas, os humanos ao seu redor também... Muitos querem destruir a paz de outros, influenciando em guerras, tumultos e a esperança de um Planeta melhor morrendo até apenas existir menos que a metade de uma população protestante aos fatos de maldade, assim como Noah.

A bondade pode significar a disposição permanente de uma pessoa em fazer o bem, neste sentido tem por sinônimo a benevolência.

Noah avistava a sua bela e talvez amiga Ashley, ela também o olhou e os dois se sentiram num momento tenso sobre quem começaria falando as primeiras palavras, porém tudo foi se desfechando e logo aquele instante de nervosismo de ambos os lados se fora e as raízes do romance se fundiam naquela hora.

Após o jovem caçador de pirata descobrir que Ahley era a princesa do lugar e saber que um menino sem compromissos com o futuro estaria com o medalhão sagrado da família, Noah começou a procurar pelo garoto junto de sua nova amiga, mesmo enquanto Joshua estava sonolento pelos cantos daquela cidade que não temia tanto mais ao caos.

Eles pareciam se identificar bastante, até que Noah se deparou com as pessoas correndo muito e tentando ajeitar as coisas o mais rápido possível.

Ele então perguntou confuso para "Ash":

- Porque este povo está tão apressado assim, querida?

- Bom, hoje é um dia muito especial para as nossas terras... Hoje é o aniversário de Rochester e tudo deve estar perfeito para essa noite, muitos fogos, balões, comidas, barracas e o mais importante, a diversão! - disse rindo a menina.

- Hum... - pensou Noah.

- Você deveria vir também, vai ser legal, nós podemos conversar mais... - convidou Ashley um pouco envergonhada, mas com atitudes.

- Ok, vou chamar o meu preguiçoso amigo Joshua e vamos para esta festa - aceitou imediatamente Noah.

- Eba, eu vou para casa resolver uns compromissos e ajudar os meus pais com os preparativos, apesar deles não precisarem fazem questão de ajudar nesta obra. Te espero por aí heim... Não vá embora "meu herói" - disse rindo Ashley.

- Até... - sem palavras Noah se despediu.

O jovem então percebeu que se ele encontrasse o tal medalhão talvez Ashley aceitaria um compromisso mais sério com o próprio, então Noah ficou de olhos atentos a todos os lugares, mas ninguém possuía o artefato descrito por Ashley.

Naquela noite de festa, Noah e Joshua ainda não haviam achado Ashley e era tudo muito bonito, festivo, com todos felizes e uma cidade luminosa.

Joshua se estressou e saiu dizendo:

- Foi mal meu superior, mas agora eu ou comer algo, não quero procurar esta garota que nem conheço, abraços e sucesso com sua menina. - disse sorrindo Joshua.

- Vai lá, estranho... - falou também levando na esportiva Noah.

Noah parou um pouco de procurar Ashley e foi pegar algo para comer, pois a sua fome havia chegado. Quando ele hora pro lado notou um garoto franzino, porém com uma face de malandro conversando com o dono da tenda.

E ele dizia:

- Moço, eu troco todas as suas boas comidas por este medalhão brilhante e de ouro fino e verdadeiro...

- Nossa, moleque eu sei que isto é muito bonito, mas você só trás problemas a todos, vá embora! - disse o dono daquela tenda.

Noah então lembrou que o medalhão e o garoto eram os mesmo descritos por Ashley, ele então corre atrás do garoto gritando: "Esse medalhão não é teu, me devolva... Já sei de tudo!", logo o moleque - fugindo - caiu no chão e começou a chorar.

Noah não sentiu pena e pegou o medalhão a força:

- Para de choramingar, isto nem doeu...

- Não é isso, eu estou chorando, pois não tenho nada. Os meus pais morreram quando eu era criança e ainda sofro e muito com isso, todos me olham estranho e sempre procuro achar algo para comer e nunca consigo, por isso quis trocar este medalhão somente por isso peguei o medalhão de Ashley, sabia que era valioso e poderia trocar por muita fartura... - chorou o garoto.

- Foi mal cara, não fique assim, tome... Vários pesos para você gastar com o que quiser, desculpe eu ter sido bravo com você! Qual o seu nome? - perguntou Noah.

- Me chamo Dylan, muito obrigado, você não é do mal, é um garoto bom, obrigado mesmo... - agradeceu Dylan.

- ... Noah, me chamo Noah amigo! - disse o herói.

Noah voltou feliz por ter ajudado um jovem e não roubar mais as pessoas já que ele estava repleto de moedas (pesos) e também tinha o medalhão, justamente naquela hora ele viu Ashley. A jovem agradeceu felizmente a Noah e os dois se abraçaram, Joshua apareceu na hora chamando Noah, mas quando viu seu amigo abraçado com a garota, ele riu e foi embora vendo que Noah estava bem, seguro e alegre.

Mas, nada é perfeito, assim como a bondade, existem aqueles que apenas querem o mal dos outros e quem aparecia navegando pelos mares naquela noite era a tripulação de Jackson, ou seja, ele estava bem perto de atacar a cidade de Rochester.

David perguntou para Jackson:

- Agora?

- Sim... Fogo! - ordenou Jackson confirmando para que sua tripulação atirasse os canhões para a cidade.

Não percam... A 2ª temporada, Em Breve!

Posted on 22:00 by Hockey and Roll Brasil

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Capítulo 5 – Uivo Distante



Diante de Henri, Saulo não conseguia mover-se. Metamorfoseado em um gigantesco lobisomem de pelagem marrom, Henri Volmort havia revelado sua maldição. Ele era um lobisomem. Fera sanguinária que chegava ao nível de força de um vampiro. Grande e imponente, Henri manteve-se rosnando e exibindo os dentes pontiagudos para o primo. Paralisado pelo medo e pelo receio de mover-se e perder um dos membros num golpe do monstro, Saulo tentou manter o controle e não se desesperar, mas ele nunca havia visto um lobisomem. Na verdade, nem desconfiava que eles existissem. Tomado de um momento de calma, Saulo começou a mover os lábios devagar, escolhendo as palavras que iria usar para falar com Henri, pois parecia que ele o entendia.

- Henri, precisa se acalmar – disse Saulo vagarosamente.

Ainda raivoso, Henri soltou um uivo gutural e ficou encarando Saulo.

- Precisa de acalmar, Henri.

Aos poucos o lobisomem foi parando de rosnar. A vampira, escondida, continuou respirando pouco e receosa de espiar o que estava acontecendo.

- Acalme-se – repetiu Saulo.

A fera agachou-se e o corpo foi diminuindo de tamanho. Com um ganido, em alguns instantes Henri voltou ao normal. Ele estava nu, e caiu deitado no piso de mármore da sala da Mansão. O homem tossia e se contorcia no chão.

- Me desculpe, Saulo – disse Henri, quase num sussurro.

- Tudo bem, primo. Agora está tudo bem.

- Eu não consigo controlar sempre esse instinto animal.

Saulo pegou um robe no quarto e deu para o primo vestir.

- Eu estou com medo, primo.

- Faz muito tempo que você se transforma? – perguntou Saulo.

Henri vestiu o robe e se sentou no sofá. Ele estava muito suado e seu corpo estava vermelho, da mesma maneira que seus nervos e tendões. O homem que há pouco virara lobo, agora tremia e suava.

- Não.

Saulo estranho achando que Henri não tivesse nascido com a maldição.

- Então, me diga, quanto tempo faz? – indagou Saulo.

- Alguns meses. Eu mesmo quis isso. Eu fui atrás da transformação, foi a busca pelo poder, Saulo. E agora estou jurado de morte. Eles estão atrás de mim, querem me prender e me condenar.

Os dois estavam sentados no sofá e falavam quase em sussurro.

- Quem está atrás de você?

- Todos. A maioria da minha espécie.

- Os lobisomens querem te prender e te matar? – perguntou Saulo, bem confuso.

- Isso. Eu não tenho linhagem, a Corte dos Lobos Reais está me caçando. Como fizeram com todos os Lobos Impuros – explicou Henri.

- O que são os Lobos Impuros?

- Pessoas que não nasceram lobisomens e não tem a linhagem deles, ou que não forem transformadas em rituais oficiais realizados por eles. Eles aniquilam os Lobos Impuros, desde que a raça dos lobisomens existe. Por isso muitos não sabem da existência deles. Eles vivem vidas normais, tem treinamento para saberem se transformar e não saem por aí mordendo todo mundo.

- Ele tem uma espécie de controle.

- O Lobo Sombrio está me caçando. Não sei por que, parece que faço parte de alguma família especial ou algo assim.

Saulo olhou para os lados e tentou disfarçar. Não poderia revelar tudo ao seu primo tão facilmente, as consequências poderiam ser drásticas.

- Quem é essa tal Lobo Sombrio?

- Um dos lobisomens mais antigos e temíveis de todos os tempos – respondeu Henri. – E ele quer acabar comigo. Parece que o sobrenome Volmort é uma das maiores causas disso, e eu não entendo.

- Como você conseguiu se tornar um lobisomem?

- Gangues de Lobos. Eles se escondem em vielas e becos, e transformam quem os paga bem. Os que eu paguei, agora estão dizimados. A Corte pegou todos. Acho que apenas um sobreviveu, e eu não sei o paradeiro dele.

- E qual o motivo disso tudo, Henri?

- Eu queria poder, só não sabia que seria assim - disse Henri.

- Foi muita burrice da sua parte.

- Tudo bem então, eu vou embora então – berrou Henri irritado, se levantando rápido do sofá, e logo depois desabando de volta, devido a uma pontada forte que sentiu na cabeça.

- Não seja radical, Henri – disse Saulo. – Continue aqui.

- É duro lidar com isso. Não pense que é fácil.

- Olha, Henri, tem tantas coisas que queria te falar, porém eu não po...

- Espera! – interrompeu Henri.

O homem de robe se levantou e ficou em silêncio encarando a parede, como se esperasse que alguma coisa acontecesse.

- Tem algo ruim se aproximando, eu não sei o que é – anunciou o lobisomem. Adaga ouvia tudo do segundo andar.

- O que está se aproximando? – perguntou Saulo, aflito.

- Algo ruim. Eu sinto.

Um momento de silêncio irrompeu na sala, enquanto os dois esperavam em pé, encarando paredes e janelas, aguardando o próximo acontecimento. Algo no peito de Henri parecia gritar: “Perigo! Perigo!”, como uma luzinha vermelha acesa. Saulo cansou de esperar e resolveu quebrar o silêncio:

- Olha Henri, eu não acho que...

Um enorme barulho de algum objeto se chocando contra a janela e estilhaçando seus vidros ecoou na sala. O tal “objeto” era um homem ágil e de estatura mediana, que quebrara a janela ao dar um mortal em direção a ela, destruindo-a completamente. O homem caiu em pé após o salto, em meio aos enormes cacos de vidro que caíram no chão da sala.

Ele tinha cabelos negros e olhos amarelos. As roupas pareciam antigas e no olhar ele trazia uma expressão fria e predatória. Olhando nos olhos de Henri, o estranho avançou pra cima dele como um lobo, e o estranho era realmente um lobo. Sem contorções ou urros, o homem de olhos amarelos uivou na sala e começou a tirar as roupas. Lentamente, seu corpo foi crescendo e uma pelagem negra cresceu no corpo nu do homem, que agora tinha duplicado de tamanho. O nariz deu lugar ao focinho e as orelhas pontudas completaram o monstro. A enorme cauda ficava sendo balançada enquanto ele encarava seus oponentes.

A transformação tinha sido rápida e eficiente. Deveria estar há anos fazendo aquilo.

O lobisomem de pelos negros e olhos amarelos resolveu investir contra os primos Volmort.

Saltando sobre Saulo com as garras apontadas para seu rosto, o lobisomem negro caiu no chão, ao ver que Saulo se desviava agilmente de seu golpe. Como num instinto, Henri começou a gritar e suas mãos fortes pressionavam sua própria cabeça, parecendo cultivar uma fúria interna. Em poucos instantes, Henri crescia e se transformava novamente na fera, rasgando o robe.

O lobisomem negro se levantou agilmente e cravou suas garras no peito de Henri, colocando-o caído no chão, já metamorfoseado em lobisomem. Henri rosnou e tentou se soltar da imobilização, exalando raiva de seus olhos vermelho-sangue. Saulo levantou-se e correu em direção ao escritório, enquanto Henri era totalmente imobilizado pelo lobo de olhos amarelos.

Saulo abriu a velha porta de madeira do cômodo, e apalpando o assoalho de madeira escura, parecia procurar por algo.

Enfim acho a alça e a puxou, uma espécie de vão se abriu e ele tirou uma maleta as pressas lá de dentro. Uma arma potente de matar vampiros.

“É disso que eu preciso”, sussurrou Saulo para si mesmo.

Mesmo sabendo que era um lobisomem e não um vampiro, Saulo recarregou a arma ligeiramente e voltou pra sala com ela nos ombros. Ela era semelhante a uma bazuca, e pesava bastante.

Henri, ainda preso pelas garras do lobo negro, olhou de soslaio para Saulo e o viu com a arma na mão. O lobo de olhos amarelos virou-se também e mostrou seus dentes para Saulo ao vê-lo pronto pra lutar. Ao ver que o lobisomem negro se concentrava em seu primo, Henri se aproveitou da distração e derrubou seu oponente.

Assustado com o golpe de Henri, o lobisomem negro pulou novamente sobre ele e os dois lobos se engalfinharam na sala, derrubando tudo que lhes vinha pela frente, destruindo móveis e objetos e rolando pelo ambiente. Saulo havia preparado a arma, mas poderia acabar acertando seu primo caso eles não se separassem.

Engatinhando de volta para o quarto, Adaga se trancou no cômodo e não quis mais ver a briga. Só de ouvir os barulhos dos dois lobos brigando ele ficara apavorada de ter sua presença percebida. Uma vez ela ouvira que os lobisomens podiam sentir o cheiro dos vampiros, e ela não entendia como Henri não havia a farejado. Talvez fosse pelo fato de ele ter sido transformado há pouco tempo.

Saulo se afastou um pouco esperando que os lobisomens se separassem. Entre mordidas, arranhadas e pancadas, os dois lobos combatiam um ao outro vorazmente.

O lobo da pelagem negra brigava melhor, e tinha certa vantagem sobre Henri. Parecia ser um lobisomem antigo, da linhagem pura, que normalmente tinha pelagem negra e olhos amarelos, diferente de Henri, um recém-transformado de olhos vermelhos e pelagem marrom, que ainda não tinha experiência.

- Você é forte – disse o lobo negro, e logo após cravou os dentes no pescoço de Henri, que ganiu e deu uma patada no peito do combatente, ainda rolando pelo chão com ele.

- Pra você ver que os impuros também são da sua raça – berrou Henri. E Saulo ao ouvir constatou o quanto era estranho ouvir lobisomens falarem, dada a suas características de ser quase um animal completo, com pouquíssimos traços humanos.

- Nunca! Vocês, impuros serão extintos! – urrou o lobo negro.

- Esse é o tal Lobo Sombrio? – gritou Saulo.

Henri empurrou o lobo negro e ele saiu rolando pela sala. O inimigo se levantou e pareceu rir da pergunta de Saulo, que apontou a arma pra ele.

- Lobo Sombrio? – zombou o lobisomem negro. – Se ele estivesse aqui, vocês dois já estariam mortos e com as cabeças penduradas em estacas de madeira.

- Então quem é você?! – esbravejou Henri, em pé sobre as duas patas colossais.

- Eu sou uma espécie de mensageiro, e eu vim levar você até a Corte.

- Então vai voltar de patas vazias, seu cão imundo – berrou Saulo.

- Pois eu já penso que você não vai voltar – disse Henri.

Com um golpe certeiro, Henri pulou sobre o pescoço de seu inimigo e cravou seus dentes pontiagudos na garganta do lobo negro. O lobo se debateu e Henri enfiou seus dentes mais fundo ainda. Enfim, o lobo caiu para o lado, sem vida.

Henri soltou seu pescoço e seus olhos pareciam brilhar. A boca, cheia de sangue, de um azul-escuro, denotava que o lobo negro realmente pertencia a linhagem dos lobisomens de sangue-puro.

Saulo entendia que Henri era mais forte por ser da Família Volmort. Ele entendia por que a Corte dos Lobos queria tanto sua morte, mas ele não poderia revelar a Henri no momento.

Voltando ao normal e com muitos arranhões e feridas, Henri foi apoiado por Saulo e se sentou no que tinha restado do sofá. Vestiu o robe e ficou meio confuso, ainda sujo do sangue azul.

- Precisamos limpar essa bagunça – disse Saulo.

Saulo ia largando a arma quando o lobo negro se reanimou, vendo que Henri tinha voltado ao normal. Ao dar um salto para cima dos primos, Saulo virou a arma e descarregou-a totalmente no torso do lobisomem. O lobo caiu novamente, e desta vez, Saulo atirou mais algumas vezes, para ver se ele tinha morrido mesmo. As balas de prata tinham funcionado.

- Será que a Anastasia ouviu algo? – indagou Henri.

- O quarto do Adrian tem isolamento acústico, acho que ela foi dormir, vamos arrumar isso – respondeu Saulo.

Os primos deram início à limpeza da sala, sem saber o que os aguardava.



***

<!-----more!>

O novato correu apressado até os aposentos do homem.

Entrou sem bater na porta e o encontrou sentado na enorme cama luxuosa. Ele tinha uma expressão fria e parecia chocado. Os cabelos negros e longos caíam ao longo de seu corpo e ele usava uma túnica de dormir.

- Senhor, tenho más notícias – disse o rapazinho.

- Eu já sei de tudo – disse o homem de cabelos compridos.

A luz que entrava pelo quarto revelava as poucas rugas que o homem tinha. Sua expressão séria denotava tragédia.

- Sabe, do seu irmão?

- Sei. E eu vou cuidar disso tudo – respondeu o homem.

- Senhor, devo dizer que...

- Basta! Não preciso de conselhos agora! Quem esse impuro pensa que é? Eu mesmo vou atrás dele. Ele vai finalmente conhecer o Lobo Sombrio, quem eu sei que ele tanto teme. Os pesadelos dele acabaram de se tornar realidade – berrou Lobo Sombrio, levantando da cama e ajeitando os enormes cabelos negros.

Lobo Sombrio queria vingança.

Iriam Henri e os irmãos Volmort sobreviverem ao ataque de um dos lobisomens mais poderosos?

Continua...

Posted on 21:46 by Christian Lucas Lorenzi

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No Capítulo anterior...

Cecília e Víctor travaram um diálogo nada otimista e mais uma vez decepcionaram-se um com o outro.


― O que você está fazendo aqui?

― Como acha que chegou aqui? – Indagou Víctor ao invés de responder-lhe. O que fez Cecília lembrar-se do momento em que desmaiou na porta do elevador. 
― Ah, obrigada?
― É o mínimo, não?
― Talvez. 
Então, levantou-se do sofá e caminhou em direção a ele.
― Você já pode ir, eu já estou bem.
― Claro, só estava esperando você acordar para ratificar-me de que estava bem.


                                                                                                         * * *



Fez menção com a cabeça e ergueu a mão direita em direção a porta. Víctor entendeu o recado. Entendeu que ter sido bom havia piorado as coisas. Que não deviam ter dado continuidade aquela primeira conversa. Que Cecília era propícia a confundir as coisas. Que deveria ter tido mais cautela e entendeu que agora talvez fosse melhor ir embora… Talvez. Ao sair pela porta, permaneceu parado esperando que Cecília viesse fechar e sem mais nem menos segurando uma de suas mãos apoiada na porta puxou-a para fora do cômodo, deixando a porta bater atrás do corpo da mesma. Seus olhos passeavam pela face de Cecília e suas mãos brincavam com seus cachos entre os dedos. Ambas as respirações começavam a mesclar quando Víctor desprendeu-se da menor e deu de ombros andando lentamente em direção ao elevador, assim como fizera da ultima vez. Deixando ali uma Cecília confusa, magoada e estática. Com vontade de socar-lhe a face, com vontade de nunca te-lo amado, beijado… Conhecido.

Logo voltou a si e percebeu que estava parada de costas para seu restaurante favorito, fitando incansavelmente cada detalhe de seu antigo apartamento e que tudo não passou de uma lembrança. Respirou fundo, colocou o fone de volta no ouvido e continuou a caminhar sem rumo. Certa de que o apartamento devia ser vendido, certa de que seu lugar não era mais ali.

 * * *

Obrigada à todos que estiveram acompanhando minha primeira web serie (que deu certo). É motivo de muita alegria para mim, saber que existem pelo menos duas pessoas acompanhando. Obrigada mesmo, de coração, mas infelizmente Souvenir chegou ao fim. Até o próximo projeto caros leitores. Beijos especiais da Lari! <3

Posted on 16:30 by Larissa Arievilo

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Capítulo 05 - A Causa do Medalhão

E todos incentivaram Noah dizendo o seu nome várias vezes: “Noah, Noah, Noah, Noah, Noah, ele está conseguindo, viva, Noah é um herói”, entre vários outros elogios, após algum sacrifício Noah finalmente consegue resgatar Ashley e quando ele olha para ela acordando e cuspindo água percebe uma sensação estranha, parecia que a sua face estava vermelha e quente, o seu coração palpitando um pouco forte e ele acabou ficando com fadiga baixa também e creia: “Não era porque estava nadando!”.
Ashley olha para o garoto já perguntando:


- Quem é você?
- Eu te salvei – disse Noah um pouco nervoso e com os olhos grandes olhando para aquela bela menina.
Noah percebe que estava todo o rodeando e vibrando com as ações repentinas e heroicas do jovem, logo ele acha que não deveria receber tantos créditos e vai embora.
Ashley fala com ele segurando em sua mão:
- Espera aonde você vai? Meu pai precisa saber que foi você quem me salvou.
Noah solta da mão da menina e vai embora, o Rei Damian junto do frade Sawyer aparecem tarde, mas encontram Ashley viva sendo a única coisa importante naquela hora. Noah encontra Joshua molhado e aparentemente nervoso.
Joshua acha estranha à forma que Noah estava e pergunta com a boca cheia de comida:
- O que andou aprontando por aí?
- Depois te conto cara, não quero falar sobre nada agora, mas acho melhor você parar de gastar o nosso peso. – mudou de conversa Noah.

- Estranho isso, não liga para gastar todo o peso, essas moedas eram de James mesmo, estava tudo lá em Manhattan. – respondeu Joshua.

No meio daquela tarde, Joshua estava dentro do navio Clipper dormindo, enquanto isso Noah apenas estava comendo uma maçã dando pequenas mordidas, obviamente com a mente longe daquele lugar, então para refrescar um pouco a memória decide sair do navio e voltar para as barracas de Buffalo. Ele estava andando no meio daquele grande povoado, a maioria das pessoas já não lembravam que era ele quem tinha salvado a vida de Ashley, outras ainda se lembravam daquele lance heroico ocorrido há poucos minutos antes. Quem seria melhor para ele se deparar naquele momento do que Ashley? Dito e feito, Noah andava pelas avenidas daquela cidade até que o seu coração mudou de vez.
E a garota se aproxima dele:
- Olá, foi você quem me salvou certo? Preciso lhe agradecer e muito pelo que fez me chamo Ashley.
- Prazer, sou Noah. Que nada, você já está melhor? – perguntou Noah.
- Sim... E ao mesmo tempo não. – se entristeceu a jovem.
- Por quê? – perguntou Noah.
- O menino no qual eu estava correndo atrás roubou o meu medalhão que era artefato raro da família. Agora os meus pais vão me matar, por isso ainda estava procurando aquele ridículo. – explicou com um semblante triste Ashley.
- Compreendo Ashley – quis saber Noah.

Continua...

Posted on 21:10 by Hockey and Roll Brasil

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