Capitulo 1 – Marcas




Saulo acordou com as cutucadas de seu pai, Ben. Já era de noite. Ele cochilava apoiado na pequena mureta do terraço de um antigo prédio russo e foi despertado para que pudessem prosseguir na missão. No terraço estavam ele, seu pai e mais um dos caçadores, chamado Zenof.




No momento eles caçavam uma vampira muito perigosa e explosiva, conhecida como Adaga. Zenof tentava captar algum indício que indicasse que ela ainda estava por aquelas redondezas. O homem moreno manejava um aparelho de tamanho médio, com uma enorme tela, lembrando um radar. Ele era como o pai de Saulo, muito experiente e caçador há vários anos. Tinha a pele morena, uns 45 anos, feições sérias, um corpo musculoso e uma cicatriz reta que se estendia de sua testa até seu maxilar. Saulo o achava muito forte e habilidoso.


Era talvez a nona ou décima vez que Saulo caçava junto com o pai. Saulo era novo e ainda era aprendiz. Tinha 21 anos, usava óculos e tinha o cabelo castanho e a pele muito clara, característica de quase todos os membros da Família Volmort, que há muitos séculos caçava vampiros.

Muitos segredos eram revelados pouco a pouco aos filhos dos Volmort, pois os pais tinham receio de assustá-los. E Saulo precisava aprender. Ele era o irmão mais velho, e por enquanto, seu irmão caçula Adrian, não tinha sequer a ideia da existência de vampiros. Era novo, estava com 16 anos ainda.

Posted on 18:42 by Christian Lucas Lorenzi

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penúltimo capítulo



Sedução
Capítulo 21
1

Os demônios cravaram as unhas dos pés na madeira do assoalho, preparavam-se para dar o impulso com que avançariam contra nos.
Seus olhos mergulhavam-se em escuridão perpetua e mantinham admiráveis incógnitas, mesmo sendo monstros aterradores eles ainda possuíam a habilidade de manter qualquer um sobre hipnose mórbida.

Posted on 17:06 by Hélio Lu'z

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Uma Corrida no Reino de Wanttz – Parte 1

O Reconhecimento do Lugar.

“Um reino mágico com todas as suas belezas e mistérios que um dia, foi conhecido pelo homem que reside neste mundo sem graça e sem magia...”

Posted on 14:00 by Felipe Sena Pereira

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Há muito tempo atrás em meados do ano de 1453, onde as famílias acordavam antes das 6 da manhã, todos levantavam de um único cômodo e comiam mingau de pão, seguidos por um dia repleto de labuta. Os jovens entre 12 e 14 anos partem para o campo colherem trigo, enquanto as crianças entre 6 e 8 anos vão lidar com as hortas e as galinhas. Poucas vezes surge oportunidade de lancharem e o único alimento possível era peixe, o batente termina quando está completamente escuro e todos vão dormir em um amontoado de palha, iluminados por velas de sebo e aquecidos por uma pequena fogueira fraca e que após poucas horas se apaga, sem ser aceso de novo. Sempre no dia seguinte de trabalho eles esperam que o sino toque para caminharem até a igreja rezar, as suas almas são orientadas mais para temerem a morte do que a adorar a Deus.


Nesta época houve contrastes sociais profundos, muitas violências, doenças, tanto que a metade dos bebês não chegavam até os 2 anos. Sem tecnologia aparecendo os camponeses eram sofredores nas mãos das pessoas de mais poder, como o clero e a nobreza.

O caos parecia imenso, mas era apenas o começo. Durante alguns anos começaram a surgir marginais que, de forma autônoma ou organizada em grupos, cruzaram os mares apenas com o intuito de promover saques e pilhagens a navios e a cidades para obterem riquezas e poder. Rapidamente se espalharam pelo mundo pessoas como esses marginais que acabam recebendo o nome de piratas (palavra derivada do latim e da língua italiana, mas que significa por sua vez um assaltante ou algo parecido), em pouco menos de 2 semanas todo o mundo já chamavam os tais marginais de piratas.

Até este momento os únicos sofredores eram os camponeses, mas logo os reis também começaram a sofrer atentados piratas, eles então se tornaram os seres mais procurados do mundo, resultando em muitas guerras e mortes.

E neste mundo caótico é que surge, entre todos os humanos, uma pessoa que vai jurar com toda a sua vida eliminar um por um toda a espécie pirata. A história deste jovem será escrita com sangue a partir de agora.

A Idade Média, tempo em que não existe igualdade em momento algum, as pessoas precisam lutar de cair lágrimas para conseguirem ao menos uma migalha de pão, enquanto outros, no topo de algum castelo da cidade riem desses pobres coitados, essas pessoas trabalhadoras possuíam esperança de que isso acabaria algum dia, mas se passaram e se passaram os anos e nada aconteceu, continuou tudo na mesma, até os mais sonhadores perderam a sua fé.

Foram-se praticamente 400 anos desde que a Idade Média passou a governar o mundo, ou seja, estamos vivenciando aqui a data 22 de maio de 1790. Os mercadores estavam armando as suas velhas tendas pondo as suas frutas na expectativa de conseguirem um pouco mais de pesos, todos agora precisam de algo a temer; os piratas. Na cidade de Rochester, estado de Nova Iorque que se localizam nos Estados Unidos, alguns mercadores que trabalhavam perto do píer avistam um navio diferente, estavam todos torcendo para que não fossem os cruéis marginais.

Enquanto os mercadores faziam uma multidão perto do píer, no navio o imediato começa a falar com o seu capitão:

- Veja capitão James, próxima cidade saqueada bem à frente!

- Eu não sou cego Liam, vamos e faça o seu trabalho, ordene para os nossos tripulantes se armarem e quando estivermos perto do píer vamos ancorar.

O imediato Liam então confirma: “Sim senhor” e começa a preparar os tripulantes. No solo de Rochester os mercadores observam o navio chegando mais perto e tomam a certeza de que era composta por piratas, pois estava no topo do navio uma bandeira pirata que tinha o design de uma caveira com duas espadas em baixo dela, o navio era o satisfatório Navio de Velas Redondas e estava escrito nele o nome da tripulação que era Att4ck, havia um pouco mais de 35 homens dentro dele.

Os piratas então param perto do píer, ficam ancorados e as pessoas que ali estavam começam a dar alguns passos para trás, pois todos estavam indefesos e sabiam com quem estavam lidando. Sai primeiramente o capitão James, todos os outros tripulantes ficam observando com sorriso debochado para os camponeses do navio.

James não fala nada deixando os cidadãos exaltados que começaram a reclamar:

- Por que vocês piratas fazem essas coisas? Vai embora, ninguém te quer neste lugar!

- Vocês não entendem nada mesmo não é? O melhor jeito de conseguir pesos é arrancando de outras pessoas frágeis e desarmadas, ou seja, atacando cidades onde os moradores são camponeses inúteis, ataquem eles minha tripulação! – gritou James.

Os piratas que estavam equipados com espadas, punhais, arco e flechas e lanças avançam para cima dos camponeses que nada podem fazer. Eles pegam todas as roupas, comidas, medicamentos que encontravam pelo caminho, além do mais importante que eram as riquezas como ouro, prata e pesos. Não tinham piedade nem das crianças, derrubavam todos que passassem pelo caminho, enquanto os piratas faziam o seu cruel trabalho uma pessoa completamente encapada de preto apenas olhava cada ato dos marginais, logo ele pula da árvore para o chão e vai embora andando aparentemente de cabeça baixa.

O capitão alerta os seus subordinados para retornarem ao navio o que fazem rapidamente, estavam carregados de muitas farturas. Menos o próprio capitão James que ainda estava pegando frutas da barraca de um casal (que tinham aparentemente cerca de 30 anos).

O casal, caído no chão com a barraca completamente destruída falava:

- Os soldados estão chegando, está na hora de vocês se mandarem deste lugar!

James então anda lentamente em direção as escadas do seu navio denominado Att4ck, ao seu redor estavam às pessoas machucadas e chorando com as agressões desta tripulação. Um jovem que estava chorando fica tão furioso com os piratas que ataca uma estaca de pau com pregos acertando as costas de James, o capitão fica parado desde este momento e o seu semblante fica sério e com um tom de muita raiva. Este garoto, filho do casal atacado por James, começa a esbravejar: “Foi eu quem fez isso, satisfeito? Ninguém mandou você bater nos meus pais e nos meus conhecidos, não gosto que ninguém machuque quem eu amo e não me arrependo do que acabei de fazer”, os pais do garoto ficam perplexos com a tal atitude do filho e achara isso um erro, infelizmente para o jovem a estaca não faz dano algum a James.

Rapidamente se vira revoltado o capitão e vai em direção ao jovem:

- Não exijo que um verme como você faça isso com alguém reconhecido como eu, a sua punição será dolorosa e muito demorada... Hehe!

- Joshua, olha no que você foi se meter! – falam em estado de choro os pais do garoto que se chama Joshua Carter.

James segura o jovem pelo braço: “Se você tentar sair correndo vai perder os dois braços”.

A mãe de Joshua tenta pegar o seu filho que estava sendo levado pelo pirata mais temido da Att4ck, mas James mesmo utilizando apenas uma mão acerta um soco muito forte na barriga da moça que cai no chão com pouca fadiga, meso assim ele consegue forças para falar:

- Não o leve, por favor, nós podemos fazer uma troca!

- Nada será melhor do que ver ele preso em uma corrente sem comer nada até a morte, não quero troca alguma, adeus seus fracassados! – disse James que subiu no navio.

O navio zarpou e Liam, imediato de James, pega Joshua e leva-o até o calabouço, a sua punição seria igual a todos os prisioneiros da Att4ck, ficar preso sem comer nada até que morra de fome. Após algumas horas aparecem os senhores fidalgos (cavaleiros que prestavam vassalagens ao Monarca) e tentaram ajudar os mercantes, mas já era tarde demais, pois os piratas já estavam distantes de Rochester; Os pais de Joshua estavam estirados no chão chorando já que sabiam que o seu filho estaria morto e que não estariam por perto para ver a situação ou para tentar ajudá-lo.

O navio Att4ck estava navegando já faziam mais de 40 minutos, longe da cidade de Rochester Joshua, preso e já passando fome, apenas observava (dentro de sua cela) os piratas andando para um lado e para o outro com bastante comida, deixando o ainda mais faminto. Na parte superior do navio um pequeno grupo de piratas que olhavam entediados para o mar avista uma mulher loira e não muito alta que estava em cima de uma madeira quebrada, e eles começaram a discutir: “Vejam, uma mulher desmaiada! Ela deve ter sido atacada por alguém! Vamos pegá-la? Primeiramente James precisa nos liberar!”, o capitão permite que esse pequeno grupo (eram quatro ao certo) buscasse a tal mulher que estava na água.

O quarteto chega até perto dela, de bote, e começaram a se perguntar se ela estava viva: “E agora, como vamos saber? Larga de ser burro o pulso dela esta batendo! Ela me parece estranha! Vamos colocá-la logo neste barquinho e voltar para o navio, pois ta ancorada e o capitão James não têm um pingo de paciência!”. Eles a colocam no chão do navio e rapidamente todos os piratas fora os cozinheiros vão dar uma olhada na fisionomia da jovem.

O capitão James manda Liam verificar o rosto da mulher:

- Liam, isso não me parece uma mulher... Olhe bem para o rosto dela ou pelo menos puxe aquele cabelo!

- Eu farei isso! – obedeceu ao capitão.

Liam se aproxima da mulher: “Saiam de perto, eu resolvo isso, ordens do capitão”, todos fazem como mandado. Liam olha o rosto da mulher que realmente não se movia, mas que tinha a face feminina deixando Liam menos preocupado, quando ele vai alisar o cabelo da mulher para ver se era peruca algo inesperado acontece... A mulher se levanta acertando um soco forte na cara do imediato de James, todos do navio se afastam e acha aquilo um absurdo.

James olha de longe e começa a pensar:

- Mas claro que aquilo não era uma mulher, esses cabeças de minhoca parece que nunca caíram no velho truque da dama falsa.

A mulher então tira a sua máscara e a sua peruca, ela era na verdade um rapaz (de aparência com menos de 20 anos) que possuía várias espadas, porém estava sem arma de fogo. Liam se enfurece pelo que fez este garoto e parte para cima, nada acontece e Liam leva outro soco muito forte.

O jovem se apresenta aos navegantes:

- Vocês já estão querendo me cercar? Ainda nem sabem o meu nome, eu sou Noah Foster e algumas poucas pessoas me chamam de “Pirata Justiceiro” ou até mesmo “Pirata do Bem”, é meio estranho não é?

- Você é maluco, porque apareceu neste navio? Somos mais de 30 piratas como acha que vai saquear a nossa casa? – respondeu um pirata.

Noah apenas ri e fecha os seus olhos, logo alguns piratas tentam prendê-lo para matá-lo, mas nenhum deles consegue, os piratas tinham acabado de almoçar e por isso estavam sem armas de fogo, mas alguns estavam com espadas. Esses então tentam cercar Noah e o atacam, mas Noah era ágil e forte, conseguiu derrotar todos (sem utilizar as suas espadas) enfurecendo os piratas que partem para a agressão contra o jovem. Eles param no mesmo momento, pois o primeiro que tentou atacá-lo perdeu uma orelha e levou um corte fundo no Tórax.

Noah guarda novamente a sua espada e manda todos se acalmarem:

- Vocês são muito fracos, antes que alguém se machuque eu quero que saibam que apenas quero ver o capitão deste navio, pode ser?

James, que apenas observava as travessuras de Noah de longe decide mover os seus passos em direção ao jovem, os piratas que o rodeavam se afastam fazendo uma espécie de corredor abrindo espaço para a passagem de seu superior.

Liam que estava machucado e caído no chão pedia desculpas:

- Capitão, acabe com esse cara, olhe o que ele fez comigo!

- Então este é o capitão? – pergunta Noah olhando diretamente para a face de James.

Quando o líder do navio Att4ck para de andar todos os piratas ficam em silêncio, o imediato Liam se levanta e se escora em uma pilastra mais próxima, James abre a boca parecendo um pouco nervoso: “Não quero saber se nenhuma dessas pessoas conseguiu o pegar, esses lerdos não têm um pingo de maldade que eu tenho, está entendido? O que vai ser agora vai querer me enfrentar e tentar dar uma de herói ou vai se render?”.

Noah se aproxima lentamente de James, nenhum deles estava armado naquele momento, o jovem arteiro fica a menos de seis pés do marginal dos mares que era o domador daquele navio. James não queria que ninguém mais chegasse perto dos dois, foi o que aconteceu; Liam ficava apenas observando com raiva, ele já estava recuperado, mas com a roupa carregada de sangue.

Noah percebeu que James estaria se preparando para mirar um soco, ele dá um sorriso e olha para as pessoas que ali estavam:

- Eu me rendo!

- Sem lutar contra o capitão? Isso será sério ou é só para James se distrair? Porque ele chamou o capitão então? – perguntavam-se entre si os inferiores de James.

Conforme tinha dito o garoto Noah não se movia e se rendeu completamente, alguns piratas (ordenados por James) levaram-no até o calabouço que ficava na parte mais próxima às águas do navio; Era um lugar que se assemelhava a uma prisão, mas o chão tinha poças podres e estava tudo coberto por limo, fedia muito e era difícil de respirar. A punição de Noah foi igual à de Joshua, ficar preso nas celas e sem comer até não aguentar mais, porém devido ao abuso decifrado por James, talvez ele seja enforcado naquela noite mesmo.

O navio se encaminhava para a Ilha de Manhattan, estava naquele momento um sol forte e parecia à metade da tarde, Noah estava por trás das grades sentado, mas que estava com os olhos fechados e não se movia parecendo estar dormindo, Joshua observava-o e também prestava bastante atenção em outros dois prisioneiros, a fadiga deles estava baixa, mas Noah aparentemente não sentia o efeito do lugar.

Joshua queria se distrair um pouco e tentar esquecer um pouco a fome, a falta dos pais e a tristeza para assim aliviar o seu stress e o seu choro que em poucos e poucos minutos retornava, então ele começou a perguntar aos outros punidos o porquê deles terem parados onde estão:

- Bom... Alguém aí poderia me explicar como vieram parar por aqui?

- Garoto, você já está perguntando isso há algumas horas, vamos te explicar de uma maneira mais simples, pois não estou agüentando muito mais! – respondeu um deles, era na verdade o irmão de outro prisioneiro, naquele lugar estava quatro pessoas.

Ele começa a falar: “Eu e meu irmão, exatamente este que está do outro lado dessas podres grades, nós somos reconhecidos como a Dupla Travessa, pois sempre estamos arrumando encrenca e confusão em bares, num dia desses que parecia normal para nós dois estávamos num pequeno bar da belíssima cidade de Niagara Falls, podemos dizer que a bebida nos levou a cometer erros graves, saímos correndo do bar sem pagar, o dono daquela franquia saiu correndo tentando nos capturar. Apesar da bebida eu pelo menos sabia que se não arrumasse um lugar para se esconder aquele cara poderia até matar-nos, foi aí que eu achei um navio parado, levei meu irmão junto, não agüentava muito em pé e estava torcendo pelo dono passar direto, ocorreu tudo conforme prometido, mas o meu irmão (estava mais bêbado do que eu) entrou na cozinha do navio, quando olhei para trás havia piratas me encurralando e batendo no meu irmão, o dono do navio era James, ele me puniu assim como puni todos igualmente, me chamo David e o meu mano é William... Se quiser pode nos chamar de a Dupla do Terror”.

Joshua dá um sorriso meio sem graça e conta a sua história, ele falava e chorava, pois tinha muita saudade de sua família e ele se sentia indefeso e desprotegido porque nunca passou por momentos assim. Para ele se acalmar pergunta para Noah que parecia não estar interessado nas histórias que flutuavam pelos ares, como ele foi parar ali:

- Menino, você está acordado, ou está dormindo sentado? Você pode contar como veio parar aqui? Eu acho que não é normal alguém ser capturado quando estamos no meio do oceano!


- Vocês querem sair daqui agora? – perguntou Noah, sem explicar como foi o motivo da sua punição.

Todos que ali estavam olhavam confusos para Noah, ele mesmo se levantou e perguntou novamente para Joshua, David e William: “Não sei vocês, mas eu vou sair daqui agora.”, o próprio Joshua não acreditava nas palavras que ele dizia. Enquanto eles conversavam, na base do navio que estava submersa continha um aparelho em massa na lateral, estava protegido com uma massa talvez para não queimar o dispositivo com a água que ali cobria. Durou apenas segundos para este aparelho explodir e o navio começar a afundar, Joshua começou a perceber que o navio estava vazando água muito rápida e logo o resto também notou, com isso os piratas que observavam o mar e os que limpavam o convés sentiram que o navio estaria virando, possivelmente afundando, eles desceram até onde estavam os punidos e tiveram a certeza de que o navio daqui a poucos minutos estaria no solo do mar, justamente na hora em que estavam próximos da ilha de Manhattan; Após minutos o navio passou a afundar com uma velocidade muito maior e os tripulantes começaram a pular do navio.

James parecia não se importar com o que estava acontecendo, ele parecia era estar esperando algo, alguém ou alguma coisa, Liam fica exaltado por seu superior não tomar atitude:

- Capitão, todos estão pulando, o navio está afundando, vai ficar aí sentado neste trono sem falar nada?

- Se quiser pode ir embora! Não quero mais sua ajuda, estou esperando o causador deste problema aparecer por aquela porta! – disse James permanecendo parado.

Nas celas os quatro presos apenas permaneciam com a cabeça ainda no ar, o resto estava completamente submerso, Noah perguntou: “Alguém aí tem uma barra de ferro ou outra coisa?”.

David havia respondido:

- Eu tenho um alicate aqui flutuando, segura... Espera, foi você que fez isso no navio? Como? Você é um cara muito misterioso!

Noah pega o alicate e começa a bater forte em umas três grades, elas quebram e ele consegue passar, ele nada e liberta Joshua, David e William, todos ali já estavam completamente embaixo d’água, mas conseguem nadando chegar até a parte superior do navio, quando chegam à cozinha eles se deparam com tudo vazio, eles sai para a parte livre do navio (na área do convés) e não tinha ninguém, apenas se sentia o som do vento e papéis voando; Aparece então descendo as escadas onde se controla a direção daquele navio James, todos olham para ele que descia lentamente.

James confirma que Noah passou dos limites:

- Até que enfim você apareceu, achei que já estava morto! Pensa que eu sou bobo? Sei que você fez isso, não pensei que faria meu navio afundar, mas sabia que estava planejando algo, você insultou e humilhou a minha tripulação, libertei até o meu imediato, agora você vai pagar por isso!

- Não tenho medo de você James, pode vir! – responde Noah preparado para a luta.

Cada um pega a sua espada, James poderia pegar uma arma, mas acha que pode matar Noah sem armas de fogo.

Noah avisa para Joshua, David e William pularem do navio e ficarem esperando ele na ilha mais próxima (no caso, Manhattan):

- Vamos, façam o que mandei!

- Você vai ficar bem não é? – perguntou William.

Noah não se assusta com James: “Pode deixar que depois eu esteja lá! Só vou impedir esse homem de causar mais problemas ao mundo” disse de uma forma enigmática o jovem. Joshua é o último a pular ele olha para Noah cheio de perguntas para fazer, mas ao mesmo tempo estava feliz, pois poderia rever os seus pais.

Posted on 19:09 by Victor Montenegro

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Sedução
Capítulo 20
1

- Suicídio? – indaguei, meus olhos quase saltaram para fora da órbita, como assim?
- Calma – pediu Mikael – você precisa permanecer calma para que possa compreender isto e muitas outras coisas. É como lhe disse, sim suicídio, ele usará seu poder de sedução, para criar ilusões tentado fazer com que você se mate.
- E como evitar isso, e o veneno?... – meus lábios já se movimentavam para proferir mais perguntas, quando mais uma vez, Mikael pós seu dedo médio sobre meus lábios.

Posted on 17:33 by Hélio Lu'z

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Sonhos de uma Noite

"Quantos sonhos é possível ter numa noite...? Quantos sonhos você consegue se lembrar que teve está noite...? Uns dizem que não sonham, e outros dizem que sonham tanto que não conseguem contar ou se lembrar... Cada pessoa tem um sonho diferente... Seja lucido ou não..."

Posted on 14:26 by Felipe Sena Pereira

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CAPÍTULO 7

                                     FINAL DE TEMPORADA


- Quando eu falar três, Marcos e Benício corre para o outro lado da rua. – Disse Roberto. – Entendido?
- Entendido! – Disse eu e Benício, que até então, só havia descoberto o nome dele ali, e por causa do Roberto que falou.
- Um... Dois... – Disse Roberto dando aquela breve pausa que todos dão quando estão contando até três. – TRÊS! – Quando ele disse três, eu e Benício corremos para o outro lado da rua. Fomos à direção da casa que o Roberto havia nos dito para encontrar. Demos um chute na porta para ela abrir, e até que foi fácil. Deveria estar toda ferrada de tanto os berrantes terem batido ali.
Não olhei para trás, mas o plano era eu e Benício correr para essa casa enquanto o Roberto tentava uma facada no crânio do berrante que estava próximo agente. Já haviam passado seis horas desde que saímos do galpão. Fomos encurralados por uns berrantes e tivemos que correr algumas horas na direção contraria. Matamos em torno de seis berrantes nesse caminho, e muitos outros apenas escapamos ou evitamos. O bom é que quando conseguimos retomar o nosso caminho, poucos eram os berrantes que estavam nele. Todos com uma mochila nas costas, e eu monitorando nosso tempo com o relógio que peguei no quarto onde eu estava.
Uns dez minutos depois e todos já estavam na casa. Ficamos ali para descansar um pouco, pois fomos pegos de surpresa com essa rota nova que fomos forçados a pegar. Eu ali só conhecia o Roberto e a menina que cuidou de mim e que perdeu alguém na noite que se passou. Eu queria perguntar a ela o que era aquele homem pra ela. Pai, amigo, irmão, primo, namorado, noivo, marido, sei lá, só queria saber. Poderia até não ser ninguém e ela apenas ser nova na área de medicina e não estar acostumada a perder pacientes para a morte. O que me fazia pensar, é que ela ia perder muitos mais daqui em diante. Ia se acostumar fácil com essas perdas, infelizmente.
Passamos a noite ali mesmo. Cada um em seu colchonete. Todos alocados uns pertos dos outros. Roberto fazia a vigia enquanto os outros dormiam. Aproveitei um pouco e dormi, mas não fiquei por muito tempo. Roberto precisava mais do que todos ali, de um descanso. Era o líder e tinha que tomar conta de todos, mas cansado ele não faria isso muito bem.
- Vai, dorme um pouco. – Disse sentando ao lado dele.
- Não precisa não, obrigado. Estou sem sono. – Disse Roberto enquanto eu observava suas olheiras. Eram monstruosas. Aquilo ali me fazia ter a certeza de que ele não pregava os olhos fazia dias.

- Não consegue mais dormir? – Perguntei.

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- Rum. – Deu de ombros e então completou. – Acho que faz tempo que não sei o que é dormir. Mas na situação que estamos vivendo, temo ser preciso.


- Eu fico na vigia. Deita apenas, não precisa dormir.
Ele me olhou e como eu já estava insistindo, ele resolveu ir deitar. Mas deixou claro que ia apenas se deitar e que qualquer barulho, era pra chamar ele. Cinco minutos depois e ele estava dormindo profundamente. Estalei os dedos perto do ouvido dele e nada. Virou pedra.
Era cedo quando eu percebi um buraco na porta. Não era grande, daria apenas para ver o que se passava lá fora. E percebi porque estava entrando claridade. O sol. Já era de manhã e então resolvi acordar o pessoal. Ficar em um único lugar não era bom, e quando se estava de dia, parecia que as ruas ficavam mais calmas. Os berrantes não deviam gostar dessa luz. A questão era que nem eu estava mais gostando dessa luz. O sol estava cada dia mais quente, e a sensação de estar assando não é uma novidade pra ninguém mais.
Todos levantaram e arrumaram suas coisas. Saímos com cautela. Devagar. Olhando para todos os lados. Observando tudo ao nosso redor. Nesse tempo as coisas ainda estavam calmas para

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o que o mundo se tornou hoje, só que para um início de um apocalipse, era bem assustador. Roberto ia à frente como o líder, sendo sempre o primeiro a ver o perigo e o primeiro a enfrenta-lo. Eu às vezes era o primeiro a ver o perigo, mas o último a enfrenta-lo.
Passamos umas duas ruas ao lado do barraco do senhor Josias. Pensei em ir chama-lo, mas não tive tal coragem. Acho que estava com um pouco de vergonha. Tanta coisa acontecendo e eu arranjando tempo pra vergonha.
A menina que cuidou de mim estava caminhando atrás de todos. Cabisbaixa e de vez enquanto choramingava. Reduzi a minha velocidade até ela chegar ao meu lado.
- Oi. – Disse.
- Ah, oi! – Respondeu em meio há um pequeno susto.
- Desculpa, não quis assustar.
- Tudo bem. – Disse a menina forçando um sorriso.
Ficamos um tempo apenas caminhando. Eu sem saber o que falar e ela apenas seguindo o grupo, com a cabeça em outro mundo. Já estávamos perto da estação de trem. De lá íamos pegar o trem direto pra cidade alta. A famosa Alpina. Eu estudava na cidade alta, mas a Alpina era tipo um bairro de lá. Só que era o bairro mais famoso e mais luxuoso de todo o nosso território. Eu tinha quase certeza de que a muralha fora construída em volta de Alpino, mas ainda não tinha certeza, não havia visto para crer.
- Qual o seu nome? – Perguntei a menina enquanto subíamos a escadaria que dava em uma passarela para entrar direto na estação.
- Lavigne. – Respondeu a Lavigne sem nem mesmo me olhar e apressando o passo, me deixando para trás.
Eu não podia fazer nada, então continuei andando só que devagar, deixando todos a minha frente. Passamos por umas lanchonetes e enfim entramos na estação.
- Corre, o metro vai sair! – Gritou Benício.
Corremos em direção ao metro, só que ele fechou as portas pela ultima vez e começou a andar. Seguir seu rumo. Até que bem lá na frente, vimos algo estranho. Um fogo subindo e depois uma explosão.
BRRUUUMMM!
Parecia que uma bomba havia explodido, mas era o metro que havia caído do trilho e explodido. Quem encarou ao invés de virar o rosto enquanto a fumaça subia, pode ver alguns pedaços de metro voando pelo céu a fora. Roberto correu um pouco pelos trilhos e disse:
- A linha de ida esta quebrada, mas a que vem, não tem nenhum defeito.

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Ou seja, podem vim todos os metros que ele vai chegar aqui, mas quando voltar vai virar sucata. Outro pensamento que só dominou a minha cabeça depois de eu ver a Lavigne chorar foi... E os outros? Será que...
- Droga! – Grito.
Devia ter mais de cem quilômetros da estação até o local onde o metro havia caído. Não podíamos enfrentar todo esse percurso só pra saber quantos metros estão caídos ali. A Bia deve ter pegado um helicóptero, na verdade, era melhor pensar que pegou. Só que meu pai e Martinez, eles com certeza foram de metro. Até porque ele pediu para o Roberto levar agente até ele, e disse que ia à frente pra preparar tudo pra gente. Só que se ele não chegou, se ele...
O sentimento da duvida, da raiva, da dor, do amor, da saudade, da ansiedade foram me dominando. Eu estava ficando louco só de pensar que eu poderia ter perdido meu pai. Nada mais estava me confortando. Perde-lo seria doloroso, ainda mais dessa forma. Eu não deixei meu pai com palavras amorosas. Fiz ele se preocupar comigo enquanto eu corria atrás da Bia que tem um pai que não liga para os pobres e simplesmente, me deixou como comida de berrante. Talvez meu pai tivesse esse pensamente e por isso não discordou de Martinez. Talvez até mesmo o próprio Martinez estivesse certo e eu o deixei, acusando de ser má pessoa. De que não era confiável. Eu só podia sentir as lágrimas passarem rapidamente pelo meu rosto. A fraqueza foi me dominando então resolvi me sentar.
Todos estavam cabisbaixos, então ficamos ali por umas duas ou três horas.  Eu não conhecia ninguém ali, nem mesmo Roberto, eu estava com um grupo de estranhos. Duvidei de alguém que meu pai conhecia a vida toda, mas estou confiando em pessoas que nunca ouvi falar. Acho que o certo era eu duvidar deles, não de Martinez. Juro por Deus que se eu encontra-lo outra vez, eu peço desculpas.
- É pessoal, vamos ter de ir a pé. – Disse Roberto.
- Como isso é possível? – Perguntou o pastor.
- É muito longe, não acham? – Disse Benício.
- Longe, mas isso não faz do lugar, impossível de se chegar. – Respondeu friamente Roberto.
Ele estava coberto de razão. Até porque, ficar ali era muito pior. Uma hora ou outra, iríamos ser encurralados por berrantes novamente, e se fosse pra correr deles, eu preferia correr na direção da muralha, não importa o quão longe seja. Uma hora agente chegaria lá e isso era a coisa mais importante para alguns.
- Não vou obrigar ninguém a ir comigo. Quem quiser vim, venha, mas com a consciência de que vocês quiseram me seguir. Me seguir! – Disse enfatizando o “Seguir”, para que quem queira que o siga, saiba que ele é o líder então, todos estão sobre a guarda dele.
Começamos a nossa caminhada, que seria muito longa. Roberto, Lavigne, Benício, o pastor, e uma mulher que eu ainda não sabia o nome. Todos na mesma caminhada.
- Roberto. – Disse me aproximando dele.

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- Sim?
- Por onde nos vamos ir?
- Pela principal, talvez uma ou duas ruas ao lado da principal, ainda não posso dizer exatamente por aonde iremos, mas pela principal seria o caminho mais rápido.
Claro, pela principal iríamos chegar bem mais rápido, a questão era como estaria a principal? Afinal de contas, a rua já tem esse nome justamente pelo grande movimento de pessoas que frequentam ali. Carros no Subúrbio era só ali mesmo, difícil achar um em outro local, e mesmo assim, todos são velhos, lhe garanto que nenhum carro do Subúrbio é zerado ou de segunda mão. São mesmo é de terceira, quarta, quinta mão.
A nossa caminhada estava já se aproximando da barraca do senhor Josias e da Karen. Pensei bem. Eles podiam vir conosco, afinal de contas, eles me salvaram uma vez. Dar a eles uma opção de ir pra muralha, não seria uma má ideia. Paramos na mesma casa que paramos quando estávamos indo pra estação.
- Olhe, eu preciso dar uma saidinha, rapidinho! Já volto ok? – Disse ao Roberto.
- Sair? Sozinho? – Perguntou ele indignado.
- Relaxa. É perto. Só preciso chamar duas pessoas para virem conosco.
- Ok. Não demore. Eu te dou uma hora. Se não aparecer eu vou atrás de você. Passado cinco horas, estamos indo embora, com ou sem você.
 Concordei com ele, mas creio que eu não ia demorar nem trinta minutos no barraco do senhor Josias. O que eu queria era apenas chamar ele e sua filha para ir com agente, se respondesse sim, vinha comigo, mas se respondesse não, eu não ia saber como reagir.
Sai da casa onde estávamos e a rua estava limpa. Parecia incrível. Isso talvez tenha me feito notar algumas coisas que estavam acontecendo pelo Subúrbio. As paredes, por exemplo, estavam todas pinchadas, com dizeres de “Só Jesus salva!” e outros como “Perigo!” ou “Fuja!”.
Passando pelas ruas até chegar à rua do senhor Josias, eu vi uma pipa caindo pelo céu.
- Nossa! – Disse sem nem mesmo eu perceber.
Ver aquilo ali no Subúrbio era normal, mas em dias como esses não era. Não sei se era um bom sinal, de que as coisas ruins iriam passar e logo as coisas boas viriam átonas. Fui seguindo aquela pipa com meus olhos. Estava parado no meio da rua apenas observando sua trajetória. Já estava caindo, logo iria parar em algum lugar. E enquanto ela caia, eu começava a ver casas, barracos, e um lugar onde ficavam os carros velhos. Fora do Subúrbio seria chamado de ferro velho, mas aqui não. Aqui tudo tinha valor ou aproveito para algo, nada era lixo.
A pipa bateu em uma parede do “ferro velho” e caiu lá dentro. Só que algo me chamou a atenção. Nessa parede estava escrito com algo vermelho, e não era pinche. Eu me aproximei e consegui ler, “SOCORRO MEU DEUS!”. Avistei uma caixa que dava uma boa altura para que eu conseguisse escalar até o teto da casa mais próxima desse lugar. Subi na caixa e depois subi no

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teto da casa, com muito cuidado pra telha não quebrar, mas quando eu me fixei e olhei para dentro do “ferro velho”, eu quase cai. Tinham muitas pessoas lá dentro, só que todos grunhiam, e algumas já estavam ganhando uma força sobre humana. Quase entrei em desespero, mas preferi segurar ao máximo meu nervosismo.
- É só quando precisam de ajuda que o ser humano se lembra de Deus. – Disse uma voz vinda de trás.
Olhei para trás imediatamente. Eu esperava que fosse algum conhecido, mas a voz não me era familiar. Dei de cara com um homem que aparentava ter uns vinte e tantos anos. Com uma barba que o fazia ficar ainda mais velho, só que deixava em suspeita sua idade, colocando em duvida apenas suas intenções.
- Andar por ai sozinho, é perigoso. – Disse esse homem me encarando com certa seriedade.
- É, acho que essa observação serve para os dois. – Retruco com medo, mas retruco.
Ele sorriu e disse que estava apenas de passagem e que seu grupo está esperando por ele. Eu disse que estava apenas de passagem, e que meu único companheiro era Jesus. Ele deu de ombros e desceu seguindo seu caminho. Eu o observei enquanto ia, pois vira e meche ele olhava para trás. Não era confiável, isso sem sombras de dúvidas. Eu precisava ir logo até o senhor Josias e voltar imediatamente para irmos embora, pois um mau pressentimento estava começando a me dominar.
Desci do teto que por acaso suportou tanto meu peso quanto o daquele homem estranho, peguei meu caminho e corri. Só parei quando cheguei ao barraco do senhor Josias.
- Senhor Josias! – Chamei batendo na porta. – Karen!
- Marcos? – Perguntou a Karen antes de abrir a porta. Confirmei e ela abriu rapidamente, logo em seguida me abraçou forte como se me conhecesse há anos e fossemos amigos durante um bom tempo. Aquilo fortaleceu a minha vontade de leva-los comigo. Querendo ou não, eu não tinha ninguém de confiança ao meu lado. Ok, o Roberto me salvou, mas isso foi porque meu pai e o Martinez pediram. Será que ele me salvaria por vontade própria? O senhor Josias e a Karen me salvaram sem nada me pedir, a não ser o meu silencio para todos ficarem a salvo.
- Karen! É bom vê-la de novo. – Disse me soltando dela. – Senhor Josias, trago boas novas! – Digo o cumprimentando em seguida.
- Boa notícia? – Perguntou o senhor Josias meio desconfiado.
- Sim, claro! – Disse e então contei a ele sobre o grupo que eu estava que meu pai pediu para que fossemos para a cidade de Alpina, para entrarmos pra dentro da muralha e ficar a salvo de tudo aqui fora. Ele parou, analisou e então disse:
- Ir para a Alpina?
- Sim senhor Josias. Você e a Karen podem vim conosco. – Disse enquanto ele me olhava duvidando um pouco ainda. – Por favor! Escute, eu sei que não nos conhecemos muito bem, e que o senhor demora a confiar em alguém pelos fatos que você passou nesse curto período de

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inferno. Só que... – Disse olhando para ele como se estivesse implorando para que ele viesse comigo. – Eu não conheço essas pessoas que estão comigo. Quero dizer, que eu estou. O senhor salvou a minha vida, e isso é um bom motivo para confiar em você. Vocês são as únicas pessoas que confio aqui nesse inferno, por favor, não me abandone. Não esta nada fácil, pra ninguém!
Ele me olhou, se levantou de sua cadeira que balança, pegou um copo e colocou um pouco de café. Bebeu tranquilamente, pegou a foto que eu vi quando entrei pela primeira vez aqui. Estavam ele, sua mulher e a Karen, sua filha quando era mais nova. Era uma foto de família. Poucos no Subúrbio tinham algo assim. Eu tinha só que não havia pegado nada na minha casa, e agora já era tarde pra pegar.
- Tenho que ver bem minha casa não é? Afinal de contas, estou de saída. – Disse o senhor Josias, e nisso, a Karen foi só alegria. Ela ficou tão feliz, parecia ter encontrado a segurança que tanto sonhou em ter. E eu estava muito contente também, eles eram o mais próximo que eu tinha de um amigo, ou talvez até de uma família.
Seguimos nosso caminho, e em menos de uma hora, chegamos a casa em que todos nos aguardavam.
- Já estava me preparando para ir atrás de você. – Disse Roberto com uma arma na mão.
- Não ia precisar, eu falei que seria rápido. – Disse pegando minhas coisas e colocando nas costas.
- Todos estão prontos? – Perguntou Roberto e todos responderam em coro que “SIM!”. – Então vamos atrás dessa maldita muralha.

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Vendo a arma na mão dele, eu me lembrei da minha. A arma que meu pai me dera e que meu avô deu para ele. Pois é, eu deveria ter perdido ela quando fui atacado pelos berrantes. Provavelmente o Roberto não pegou a minha arma. Estava apenas com o meu celular, só que a bateria estava fraca e só realizava ligações para a emergência, que nem deve existir mais. Sorte a minha é que Karen e o senhor Josias estavam ao meu lado agora. Pois é, pois falar neles, eu os apresentei para o pessoal e foram muito bem recebidos. Benício ficou no maior papo com o senhor Josias que aos pouco, ia se soltando mais. Afinal de contas, descobri os nomes dos outros do grupo que eu não sabia. A mulher era Olivia e o padre era Antonio. Eram Karen, o senhor Josias, Roberto, Olivia, Benício, Lavigne, Antonio e eu nesta caminhada. Karen ficou me fazendo companhia o que era bom, fazia me sentir menos solitário. Esquecer um pouco da dor da saudade. Pensar menos que meu pai poderia não ter chegado até a muralha, ou que a Bia foi de metro para a Alpina. Pensar isso só me trazia o sentimento de angustia e me dava medo. Afinal, o que eu mais sentia ali era medo. Já não sabia mais onde eu estava vivendo, se na terra ou no inferno. Mas se eu disse que eu estou no inferno, à muralha é o céu, então, é para lá que eu estou indo.

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Agradecimentos


Obrigado a todos que acompanharam minha história. Obrigado aos amigos que me incentivaram e que deram suas críticas. Obrigado ao grupo do BLOG HISTÓRIAS E BESTEIRAS e aos nossos incríveis leitores, pois sem vocês, nada somos.
RENEGADOS terá uma segunda temporada sim, pois não sei dizer ainda quanto tempo levará para que ela surja, acho que um tempo bom para quem ainda não leu, começar a ler para quando lançar a segunda temporada, ter bastante gente só aguardando a estreia dela.
Como eu já disse em um bate papo com o grupo do blog, a segunda temporada será baseada em ação. Um ritmo muito mais acelerado do que a primeira temporada.
Obrigado e abraços !

Posted on 13:17 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Sedução
Capítulo 19
Great Falls, Montana 2010
1

“Passos apresados.

Posted on 17:18 by Hélio Lu'z

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RENEGADOS

CAPÍTULO 6

Olhei para um lado e para outro. Vi que vinha berrante de um lado e de trás de mim. A minha frente tinha um muro bem alto, que dava para dentro do prédio. Um pouco mais ao lado pude ver uma porta de garagem e bem do lado, uma moto. Corri na direção da moto e atrás dela, bem caída, vi uma bicicleta. Pensei em montar nela, só que o tempo já era curto, os berrantes estavam vindo a poucos metros de distancia.
Quando eu ia começar a correr, a porta da garagem se abriu e um carro saiu em disparada de dentro dela, parando a centímetros de mim. Pelo susto, coloquei minhas mãos sobre o capô, olhei para dentro do carro. Um motorista de óculos escuros e cabelo jogado para trás, vestia seu terno de motorista. No banco de trás, pude ver o pai da Bia e ao lado dele, a própria Bia.
Quando ela me viu, seus olhos se encheram de lágrimas. Ela parecia pedir para que seu pai me deixasse entrar no carro. Ele gritou com ela, e ela começou a chorar. Implorava, batia no peito dele e ele apenas dizia não é um alto e grave berro, que dava para ouvir do lado de fora do carro. Em seguida ele tocou o ombro do motorista, que começou a acelerar o carro. Sai da frente e ele começou a seguir viagem. A Bia ficou olhando para mim da janela traseira. Chorando e socando o vidro do carro. Eu já nem sabia o que era perigo. Eu apenas queria dizer a ela que se acalmasse que tudo iria dar certo. De dentro do carro ela colocou uma de suas palmas no vidro, como se quisesse que eu colocasse a minha ali em cima da dela também. Automaticamente estiquei minha mão na direção dela, e então comecei a andar, e quando me dei conta, eu já estava correndo. Correndo atrás daquele carro que pegava uma reta sem nada para atrapalhar. O caminho estava limpo e livre para aquele carro que cada vez mais ganhava velocidade, e cada vez mais me deixava para trás.
Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto e meu coração a bater forte. Minha mente criava um tipo de sonho, onde eu me encontrara com a Bia depois de toda essa tragédia e tocava a palma da mão dela com a minha. Nossos lábios nunca se tocaram, mas eu podia sentir isso como um tipo de miragem. Eu continuava correndo, correndo e correndo, até que no chão tinha algo que me fez tropeçar e cair.
Dali eu não queria mais levantar. Primeiro engatinhei e depois fui ficando de joelhos. Só então, quando o carro virou em alguma esquina distante, foi que olhei para trás. A rua era estreita, então dava a impressão de que era um exercito de berrante vindo atrás de mim, um colado no outro, trombando com o outro e empurrando um ao outro, mas na verdade devia ter quase vinte deles, pois alguns dos seguranças do pai da Bia deveria ter matado três ou quatro, por ai.
Eu me levantei e comecei a correr. Um berrante estava bem próximo de mim, que já conseguia me tocar. Ele tentava me acertar com um soco, e quando capava eu pulava para frente e chutava como um coice para trás. Outro conseguiu me tocar também e nesse, eu dei uma cotovelada. Mas o problema era que eles eram mais rápidos que eu. Por sorte tinha um 

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parque com uma gangorra nele. Passei pelo parque e quando cheguei à gangorra, pulei por cima dela e continuei a correr. Olhei rapidamente para trás e vi que alguns tropeçaram na gangorra e os outros, tropeçaram nos berrantes que caíram. Uns quatro ainda estavam na minha cola, e eu já não tinha mais ideia de como iria detê-los. O pior foi quando um berrante me puxou pela camisa, me atrasando e tirando um pouco da minha velocidade. Dei outra cotovelada e continuei a correr, mas me puxaram pela camisa outra vez, e então outro me pegou pelo braço e ai, eu já não via como correr. Virei para eles e comecei a atirar. Um, dois, três, quatro e...
- Merda! – Gritei quando minha última bala foi disparada.
Comecei a bater neles com a espingarda, mas não foi o suficiente, porque um voou em cima de mim, e quando cai, a espingarda escapou da minha mão. Soquei o rosto do berrante e logo em seguida senti um soco em cima do meu olho esquerdo. Fiquei um pouco tonto, mas pude ouvir barulho de tiro. O berrante que estava em cima de mim, caiu do meu lado com uma bala na cabeça. Eu estava querendo desmaiar, até que os tiros pararam e me senti sendo puxado. Segundos depois - eu acho - me levantaram e me levaram até um carro. Quando sentei no carro, eu simplesmente apaguei.
- Ele acordou! – Disse alguém que eu não consegui ver. Minha visão estava embaçada e meu olho esquerdo doía bastante. Deveria ser pelo soco que levei do berrante. Pude ouvir as balas assobiarem pelos meus ouvidos, pude ver que fui salvo. Mas então, como se estivesse rebobinando uma fita cassete, eu vi aquela cena voltar até aonde a Bia socava o vidro traseiro do carro de seu pai, chorando, implorando para que ele me salvasse. Para que salvasse o seu melhor amigo, e talvez, primeiro amor. Era o meu primeiro amor. Senti como se algo estivesse arranhando meu coração e a cada grito dela, era uma fisgada maior no peito. Eu berrava de tanta dor. Só então eu me lembrei de que fui salvo por alguém, mas eu não pude ver quem, mas eu precisava saber quem eram essas pessoas.
- Quem... - Disse, mas não pude completar, porque a ideia de como perguntar isso, não me vinha à cabeça.
- Você deve ser o Marcos, não é? – Perguntou algum homem com uma voz bem grossa.
- Sim, - Disse enquanto eu me sentava. Eu parecia estar em uma cama, mas ainda sentia uma grande dor no meu olho esquerdo que me fazia continuar com os dois olhos fechados. – sou eu.
- Que bom. – Disse esse homem se aproximando de mim. – Seu pai pediu para que eu buscasse você. Meu nome é Roberto.
- Sim... – Disse enquanto em seguida eu me calava e tocava com muito cuidado o meu olho.
- Seu olho está bem inchado, mas o outro não foi afetado. Um pouco de sono e você consegue ver alguma coisa a sua frente.
Uma mão delicada veio logo em seguida e ajudou a me deitar. Colocou um pano úmido com alguns gelos dentro. Eu não queria dormir com medo de sonhar com aquela cena outra vez.

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Não seria bom para mim, então forcei a ficar acordado, mas infelizmente, não consegui me manter assim por muito tempo.
Vi e revi aquela cena desesperadora acontecer novamente diante dos meus olhos, mas no sonho, eu corria até o carro e cada vez que eu o tocava, ele sumia. E só aparecia metros a minha frente. Bia continuava batendo no vidro traseiro, e então de repente, eu sentia alguém me puxando para trás. Cai, e vi um berrante socando meu rosto. Fiquei totalmente desnorteado, e apenas sentindo meu corpo se desfazer em meio a uma dor horrível. Ninguém veio me salvar. Ninguém foi me ajudar e eu continuei ali, sendo comida de berrante.
Acordei totalmente suado. Já conseguia ver alguma coisa com o meu olho direito, pois o esquerdo ainda estava ruim, mas não atrapalhava mais minha vista direita.

- Tome um pouco de água. – Ofereceu uma menina que aparentava ter a mesma idade que a minha só que com um jeito meigo que a fazia ficar mais nova a cada sorriso.
- Obrigado. – Falei e bebi a água rapidamente para supri minha cede que era grande. Meus lábios de rachados foi ao mais liso caminho que uma boca podia ter. Eu devolvi o copo, e ela perguntou se eu queria mais. Fiz que sim com a cabeça e então, mais um copo de água veio para mim. Ainda não estava satisfeito, eu queria mais, só que preferi não aceitar mais.
Ouvi um gemido do lado de fora e logo em seguida, como se fosse um novo reflexo ou instinto, eu pulei na frente da menina e peguei uma faca que tinha em cima de uma mesa. Coloquei a menina atrás de mim e fiquei esperando que algum berrante aparecesse.

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- Ei, calma! – Disse ela em um tom tranquilizador.
- Fique em silêncio, eles podem te ouvir. – Falei e então, a levei para trás da mesa e ficamos abaixados.
- Marcos, - Disse ela totalmente calma. O que era estranho. – não tem nenhum morto-vivo ai fora.
- Tem sim, não ouviu o barulho? Aquele gemido é um berrante.
- Não Marcos, é um amigo nosso que foi atacado por mortos-vivos e está muito ruim, gemendo de dor.
Quando ela me disse aquilo, a minha primeira reação foi ficar sem graça, pois fiz uma cena de filme de terror ali, e ela foi obrigada a encenar comigo. Só que era tudo errado, eu não estava pensando corretamente. Acho que viver com o perigo do lado me fez achar que qualquer coisa poderia ser um berrante, ou morto-vivo como ela denominou.
Nós nos levantamos e ela me olhando como se dissesse pra ficar tranquilo. Ela e eu caminhamos até a porta do quarto onde eu estava e pegamos um corredor, aonde chegamos a outro quarto, que era de onde vinham os gemidos. Ela abriu a porta devagar, e então foi examinar o homem que estava deitado, gemendo de dor e suando mais do que eu quando acordei. Ela olhou para mim com um olhar triste, parecia estar perdendo as esperanças ou não gostava de ver pessoas sofrendo daquele jeito. Eu já estava ficando triste com aquele momento. Eu me lembrava de possibilidades ruins, e isso não era bom.
- Ah, você já esta de pé! – Disse um homem atrás de mim.
Quando me virei, pude ver que era o Roberto. Ele me chamou para acompanha-lo até outra sala para comer. Ele me mostrou onde era o banheiro caso eu quisesse usar e onde eu poderia arrumar a minha comida. Arrumei minha comida e me sentei sozinho em uma mesa próxima a porta. Logo depois, ele veio e se juntou a mim.
- Seu pai me pediu que eu viesse te buscar como eu já havia dito dois dias atrás, - Falou Roberto, e então eu pensei. Dois dias? Dormindo? – ele quer que eu te leve até a cidade Alpina, que é para onde ele foi com Martinez.


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- E porque ele mesmo não veio me buscar?
- Bom Marcos, seu pai é um ótimo atirador e uma pessoa influente, apesar de nunca ter dito ou mostrado isso. Seu avô trabalhou em uma organização secreta, e o Martinez foi o aprendiz dele. Seu pai nunca quis entrar para o ramo, mas foi treinado juntamente com Martinez, e se tornou uma pessoa que sempre queríamos ver atuar como nosso funcionário.
- E o que isso tem haver comigo?
- Marcos, seu pai precisou ir, o motivo não me foi dado, mas eu tenho certeza de que ele foi porque era a melhor opção. Ele não te deixaria aqui com outras pessoas se não tivesse nada mais tão importante para fazer. E outra, ele confia na gente. Somos poucos, mas vamos logo chegar onde seu pai está.
Terminei de comer, realmente aquilo me caiu muito bem. Consegui tomar um banho, pois já fazia três ou quatro dias que eu não tomava um. Foi deixada uma roupa nova no quarto onde eu estava. Uma camisa branca e uma calça preta. O tênis era um simples, todo branco, o que não era uma boa ideia. Ia ficar suja rapidamente.

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Mais um dia se passou, já devia ter mais de uma semana que esse tormento havia começado. As coisas estavam piorando bastante e as boas notícias iam desaparecendo cada vez mais rápido. O nosso lar estava se acabando. Pessoas morrendo e matando, o mundo estava ganhando uma nova cara, e essa cara, era amedrontadora.
Deviam ser meio dia quando algo aconteceu. O homem que vivia gemendo, tinha parado de gemer. Isso não me incomodou no inicio, mas deveria ter se passado mais de uma hora que ele não gemia mais, e então comecei a ficar preocupado. Levantei de minha cama e fui até o quarto onde ele estava. Aquela menina estava em prantos, porém calada. Não berrava apenas se afogava em seu próprio choro. Ele estava com uma aparência horrível e com uma faca na cabeça. Justamente a faca que eu peguei para proteger ela quando achei que tinha um berrante por perto. Mas eu queria saber o motivo de ter acontecido aquilo, eu não sabia se ficava com medo da menina ou ia consola-la. Era uma decisão pela qual eu nunca havia passado.
A cabeça daquele homem tinha apenas um pouco de sangue. Não sei se ela já havia limpado, mas nem a cama onde ele esta tem sangue. Apenas uma bola, ensanguentado, que ficava envolta da faca. Olhei para fora do quarto e não vi ninguém chegando, pensei que ela tinha me ajudado a me recuperar então eu deveria fazer o mesmo por ela. Eu me ajoelhei ao lado dela e ajudei a se levantar. Ela ainda estava em prantos e fraca com isso. Eu a ajudei a sair daquele quarto, pois não era bom ela continuar ali, naquela situação.
- Se acalma, por favor! – Pedi a ela, pois eu já estava ficando desesperado.
Ela estava quase desequilibrando, e então eu a puxei e a abracei. Não sei se era o que ela precisava, mas eu sempre me senti mais seguro e mais forte com um abraço do meu pai. Eu não era o pai dela ou alguém que ela gostasse, mas devia servir pra algo. Ela chorou e chorou, até que ouvi o primeiro berro dela. Ela segurou por muito tempo, mas soltou grito bem alto que ecoou nos corredores daquele lugar. Ela se ajoelhou e eu junto a ela, fiquei ao lado dela até que alguém aparecesse. Vieram cinco pessoas. Duas mulheres e dois homens, nenhum deles eu havia visto antes. Um das mulheres entrou no quarto e quando viu, desmaiou. Por sorte, um dos homens estava ali pra segurar ela. Eu me levantei enquanto os que tinham chegado foram ajudar aquela menina. Eu não servia mais ali, então resolvi voltar ao meu quarto. Minutos depois eu só ouvi um disparo de tiro saindo de dentro daquele quarto, e em seguida, mais um grito sem fim daquela menina.
O tempo passou, o choro parou os gritos e gemidos daquele local, não parecia mais existir.
De manhã, fui acordado pelo Roberto.
- Marcos, nós vamos embora. Arrume suas coisas, trouxe uma mochila pra você, pegue o que achar necessário, roupas, comidas, água... O que quiser. – Disse Roberto. – Partimos daqui à uma hora.
Eu me levantei, ainda com sono, mas arrumei o que tinha que arrumar e em meia hora eu já estava pronto. Tinha um pastor no grupo, e ele pediu para que antes de sairmos, déssemos as mãos e orássemos. Assim foi feito. Ao meu lado estava a menina que perdeu alguém importante na noite anterior. Ela estava cheia de olheiras, com certeza não conseguiu pregar

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os olhos. E então o pastor começou a agradecer a Deus por ter nos deixado viver até então, e pediu a segurança dele para que chegássemos ao nosso destino a salvo.
Quando o pastor disse amém, todos se largaram, pegaram suas tralhas e começaram a andar. Passamos por várias portas, os cômodos não eram grandes, mas eram bastante. Até que nos subimos uma escada e vi que aquele lugar era um lugar conhecido para mim.
- Parece o galpão mestre... – Pensei alto.
- É ele mesmo. – Disse um dos homens que estava conosco.
Subimos toda a escadaria, e quando chegamos ao topo, saímos pela mesma porta que eu entrei pela primeira vez. Onde eu testei meus tiros com berrantes. Onde eu e meu pai, fizemos algo de pai e filho, pena que com berrantes, mas aquilo foi legal, porque eu estava com ele, só que agora, eu não estou mais.

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Posted on 12:23 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Um Belo Sonho

Música: Suga Shikao – Adayume

“Mais do que simplesmente sonhar. Viver a vida como se fosse um belo sonho interminável. Assim se vive um sonho não realizado, ainda”.

Posted on 14:23 by Felipe Sena Pereira

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Sedução
Capítulo 18
Próximo a Torre Eiffel – Paris, França 2000

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Posted on 16:49 by Hélio Lu'z

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Mais Um Concerto

Musica: I Feel Immortal – Tarja Turunen

“Mais um concerto de gala iria acontecer naquela noite. Um concerto ao som de piano e apenas voz. Apenas mais um concerto...”.

Posted on 13:09 by Felipe Sena Pereira

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                                                                   RENEGADOS


CAPÍTULO 5


Quando acordei, havia uma arma apontada na minha cabeça. Na verdade, era a minha arma. A espingarda que meu pai me deu, estava prestes a acertar minha cabeça. Pensar que ali seria meu fim estava fácil. Surpreendente era não morrer naquela situação.
- Ainda bem que acordou, - disse o homem da foto. Ele era alto e antes poderia ter sido forte, mas agora, é velho e toda a sua antiga massa muscular está caída, está frouxa. – precisamos conversar sério.
- Ei, pai! – disse a menina da foto, aquela criança que agora, era uma mulher. – Pare com isso, assim você vai assustar o garoto. – comentou pegando a arma da mão do pai dela, e me ajudando a me levantar.
- Obrigado. – disse eu.
- Nada não. – disse ela tentando mostrar que eu podia confiar nela. – Olhe, não ligue para o meu pai não. Ele sofreu muito com a perda da minha mãe e agora está assim, não confia em ninguém mais.
- Acho que até entendo ele. Ver sua esposa sendo devorada por um berrante deve... – Droga, que indelicado que fui. Como assim “Ver sua esposa sendo devorada por um berrante...”, isso não é coisa que se faz há uma família que perdeu um ente querido.
- Não, não, isso não seria tão ruim como foi. Meu pai não acredita nas pessoas porque ele ajudou um rapaz quando o primeiro berrante apareceu, e esse mesmo rapaz que foi ajudado pelo meu pai, matou minha mãe... Por nada! – Disse a menina da foto que estava quase chorando.
- Ei, calma, calma! – Disse abraçando ela. – Fique tranquila que não sou como esse monstro.
- Ai meu Deus, me desculpe! – Disse ela secando as lágrimas e se soltando de mim. – Olhe, esqueça o que eu disse agora. – Disse sorrindo.
- Ah, claro.
- Prazer, meu nome é Karen. – Disse ela estendendo a mão para mim.

- Marcos! – Respondi apertando a mão dela instantaneamente.


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Ela me serviu um pão passado na manteiga e um copo de café. Eu não era fã de café, mas do jeito que as coisas andavam, era preferível aproveitar cada coisa que se recebesse. O pai dela parecia mais tranquilo, porém, não me mostrava um sorriso. Apenas fazia que sim ou que não com a cabeça, mas fora isso não se mostrava um problema. Terminei de tomar café e então o pai da Karen, o senhor Josias pela primeira vez, conversou comigo.
- Você quase nos matou ontem, você sabia? – Disse ele me olhando com um ar desafiante.
- É, acho que sim.
- O que pensou que iria fazer com uma espingarda em uma noite no Subúrbio? – Perguntou o senhor Josias.
- Não sei, eu...
- Se você atirasse você poderia até matar o que estava na sua frente, mas ia ser morto pelas centenas que viriam atrás de você, por causa do barulho que o SEU tiro ia causar! – Disse o senhor Josias, se levantando lentamente de sua cadeira e indo para fora do barraco.
- Droga, como eu não pensei nisto? – Me perguntei em um sussurro.
Era uma incrível verdade o que o senhor Josias havia me dito. Não seria difícil matar o berrante que estava me ameaçando, mas o barulho do meu tiro ia atrair os outros berrantes até mim, ocasionalmente, me matando. Já era claro, na verdade, pela força do sol, deveria ser umas dez horas da manhã. Dormi bastante pelo visto. Sai do barraco e o lado de fora estava tranquilo. Pessoas andando pela rua, de um lado para o outro, como em um dia qualquer. Ok eram pouquíssimas pessoas, mas já era alguma coisa. Não vou dizer que eles não pareciam atentos a qualquer movimento estranho, porque seria mentira, mas era bom de ver pessoas andando pela rua de novo, isso fazia o Subúrbio ganhar vida de novo.
- O povo já esta começando a ganhar confiança de novo, pena que isso é um erro. – Disse o senhor Josias.
- Como assim um erro?
- Veja quantas pessoas você vê na rua agora?
- Cinco.
- Um só berrante é capaz de acabar com mais de dez pessoas de uma só vez.
- Como o senhor tem tanta certeza?
- Porque eu vi um fazer isso com os meus próprios olhos. – Disse o senhor Josias caminhando para cima de uma rocha e ficando na ponta dela. – Minha mulher morreu para um dessa espécie.
- O que? Ué, mas a Karen havia me dito que...
- Sim! – Disse o senhor Josias me interrompendo. – Ela não sabe o que aconteceu de fato, e nem quero que ela saiba. Ela ainda é muito jovem e tem esperança disso aqui acabar.


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- Não entendo. – Disse chegando mais perto dele.
- Na segunda-feira foi quando o primeiro berrante apareceu. Tinha um homem que estava fugindo dele, então eu o gritei e chamei-o para vir para cá. Esse homem veio para minha casa e o berrante foi embora. Correndo atrás de quem estivesse na rua e matando um por um deles. Esse homem estava todo arranhado e com uma mordida na canela. Minha mulher o ajudou, colocou curativo e deu algumas ervas e sopas para que ele tomasse. Ele se recuperou e na quarta-feira de manhã, quando ele acordou, ele reclamou de estar sentindo muita fome, e minutos depois estava destroçando minha mulher, e comendo a carne dela como se fosse tudo muito normal.
- Nossa! Senhor Josias, me desculpe, eu...
- Então foi isso o que aconteceu pai? – Perguntou Karen me interrompendo. Seu rosto era plena tristeza. Eu não podia entender seus sentimentos, mas conseguia sentir que ela estava agonizando de dor. Seu coração deveria ter sido destroçado depois de uma notícia dessas. Está certo que ela sabia que a mãe havia morrido por um homem que seu pai ajudou, mas saber como foi à morte. Saber que sua mãe entrou em desespero e morreu talvez pela própria dor. Eu esperava que ela se recuperasse rápido, mas isso não era tão fácil de acontecer. E nem deveria ser, pois é de alguém muito importante que estamos falando.
Um pouco mais tarde, depois de um pão na manteiga e um café que estava começando a criar gosto, o senhor Josias me olhou com cara de quem havia dito uma história, mas que essa história era o motivo de ele não me querer ali. Não é que ele não confiava em ninguém, à questão era que ele não queria confiar. Não queria se dar ao luxo outra vez e talvez perder sua filha, o seu único amor.
Eu estava preocupado com essa ideia, e preferi esperar que ele dissesse que era para eu ir embora, pois já estava escurecendo e pensei que pelo menos ele poderia me deixar passar uma noite seguro.
O silêncio no início da noite era total. Não havia nenhum som de passos, nenhum som de berrante ou qualquer barulho. Não tinha! Olhei por um buraco do barraco e só vai à poeira que o vento carregava para todos os lados. As ruas estreitas do Subúrbio estavam totalmente vazias.
Deveria ser quase nove horas quando resolvi ligar para a Bia, quem sabe saber como ela estava e talvez conversar um pouco. Pois tínhamos passado por um momento no qual, nunca havíamos passado.
- Bia! Tudo bem? – Disse em um tom bem baixo, pois não queria que o senhor Josias ou a Karen ouvisse que eu estava no telefone.
- Tudo sim... – Respondeu de um jeito triste. Parecia não estar contente com algo.
- Houve alguma coisa?
- Não. Mar...


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BANG! BANG!
- Bia! O que foi isso? – Perguntei elevando minha voz. – Bia? BIA! BIIIAA!

Ela não me respondia, o celular dela ainda estava ligado e com a minha ligação rolando. Chamei novamente pelo nome dela e tentei ouvir algo. Até que ouvi um grito, e me parecia o dela. Entrei em desespero. Ou não, pois já sai levantando como louco e indo na direção da minha espingarda. Karen me olhou com medo, achou que eu ia fazer algo com eles quando me viu com a espingarda na mão, só que eu nem estava me preocupando com o que ela deveria estar pensando, eu queria encontrar a Bia a salva. E só!
Abri a porta do barraco e comecei a correr na direção da onde a Bia estava. Logo me deparei com um berrante indo na mesma direção que eu, mas com toda a certeza ele iria vir pra cima de mim assim que me notasse.
Dito e feito, ele virou a cabeça e me viu, e então virou seu corpo para mim e começou a correr. Não hesitei em atirar. Acertei um bem no seu crânio. Pensei até em como eu era bom com isso. Atirar, nunca havia pensado que iria ter de fazer isso. Sempre pensei em coisas ruins que pudessem acontecer no meu cotidiano, mas usar arma não estava nesses pensamentos. E matar berrante, muito menos!
Eu já estava perto da esquina do lugar onde ela estava. De onde eu vinha correndo, conseguia ver a parte de cima do terraço. O pequeno e único prédio aqui no Subúrbio. Eu estava cansado já, mas o medo parecia anestesiar isso de mim e minhas energias não parecia mais se esgotar. Talvez fosse a esperança se mostrando para mim. Talvez ela quisesse me mostrar algo que eu nunca tinha visto.
Quando cheguei à esquina e entrei na rua do prédio onde a Bia estava, vi algo horrível. O lugar estava cercado por berrantes quebrando as janelas e tentando entrar por elas. A porta da frente estava quase caindo, eu podia perceber isso. Eles eram tão famintos por carne humana que desejavam mais que os outros, e assim faziam a burrice de competir quem entraria primeiro pelas janelas. Era uma difícil competição, mas se eu ficasse ali parado, só assistindo, eles iam me perceberem e largariam a casa por mim. Eu me escondi atrás de um carro velho e acabado. Estava todo quebrado, talvez antes desse apocalipse todo ele fosse novo, ou seminovo. Eu tinha de arranjar um jeito de tirar a Bia de lá de dentro. Ela deveria estar em desespero. Na verdade, se me recordo bem, ela tinha gritado, será que algum berrante entrou?
- Droga! – Falei e dessa vez não foi nada baixo e nem discreto, ainda mais depois de eu ter socado a porta do carro.
Um berrante olhou para trás, talvez tivesse ouvido meu barulho, mas antes que ele viesse procurar por mim, um helicóptero começou a sobrevoar sobre o pequeno prédio. Pequeno, porém largo, eu não podia me esquecer disso. O helicóptero pousou sobre o prédio. Os berrantes se ouriçaram mais e só então os seguranças do pai da Bia apareceram nas janelas e começaram a atirar nos berrantes do lado de fora.


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Pelo que eu estava analisando, os berrantes não eram burros. Só não ligavam um para o outro. Alguns deles devem ter conseguido entrar no prédio, e talvez até matado alguém lá dentro. Talvez fosse por isso que a Bia gritou. Ela eu duvidava um pouco que estava mal, em perigo com certeza, mas ela não teria sido vítima assim tão fácil. Eu tinha de me aproximar e tentar entrar de alguma forma. Talvez eu não esteja descrevendo como estava me sentindo tão bem, mas posso dizer que o medo tomava conta de mim, mas a coragem gritava pelo nome da Bia. Eu estava chorando só de pensar que a Bia poderia morrer ali, mas eu chorava com mais força quando eu me colocava de pé pra enfrentar esses monstros só pra eu ver o lindo sorriso dela outra vez.
- Deus, me ajude! – Falei enquanto levantava e corria na direção dos berrantes. Eles ainda estavam mais preocupados com a casa e agora com o helicóptero também, que nem tinham percebido que eu estava indo atrás deles. Mas o que acham que eu iria fazer? Enfrenta-los? Não mesmo, eram mais de vinte ali. Eu morreria fácil. É que próximo ao apartamento tinha um corredor que só da para passar uma pessoa por vez. Ali é só um canto de uma construção de uma casa que sobrou. Então corri até lá e passei por ele. Entrar em um beco, que só uma pessoa consegue passar, é uma ideia um tanto doida de se fazer quando esta se fugindo de berrantes. Quando estava chegando do outro lado, um berrante passou, mas não me olhou, então continuei andando bem devagar, até que então ele mostra a cara. Dou um pulo de susto, e paro. Ele se enfia no pequeno beco e vem atrás de mim. Eu na mesma hora recuo, mas quando olho para trás, tem outro berrante vindo à minha direção. Olho para cima e nada. Ouço o helicóptero levantar voo e então minhas esperanças acaba. Saco minha espingarda, viro a cara de dou um tiro na testa do berrante que esta na minha frente. Na mesma hora eu o taco no chão e passo por cima dele, correndo para sair daquele beco. Quando finalmente saio, vejo que alguns berrantes estão olhando o helicóptero alçar voo, mas que outros já estão caçando o lugar de onde veio o tiro disparado por mim.



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Posted on 20:30 by Lucas Gomes A. Siqueira

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