Sedução
Capítulo 17
1

O ar gélido soprava cruelmente em minha face, a cidade de Great Falls seguia pequena e embranqueça abaixo de mim.
Os olhos de Vic se mantinham fixos a frente, atenciosos para tudo o que acontecia e alertas para a possibilidade de haver perigo. 

Posted on 16:54 by Hélio Lu'z

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Uma Tarde de Inverno em Plena Primavera

“... Todos julgam o inverno de forma tão errada, tão injusta, tão comum. O inverno é mais do que um momento frio na natureza, é um momento onde sinto o calor da felicidade me queimar, pelo menos, dentro de min”.

Posted on 13:42 by Felipe Sena Pereira

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                                                               RENEGADOS


CAPÍTULO 4


Agora era apenas minha espingarda e eu. O lado de fora, caso eu ainda não tenha comentado, era muito quente. De uns anos para cá, o sol foi parecendo cada vez mais próximo, e no ano que tudo 
começou, ele parecia ainda mais próximo.



Tudo parecia bem calmo, as desertificadas. As únicas vidas por ali, talvez fossem alguns pequenos animais. Igual a um cachorro que ficou parado me olhando e latindo enquanto eu passava por ele. Já havia saído da rua do galpão, não tinha mais nada que eu conhecesse tão bem por ali. Deveria ser bem cedo ainda, mas mesmo assim, resolvi ligar para a Bia logo.
- Oi Bia! Conseguiu descobrir onde você exatamente está? – Perguntei esperançoso de que não ia ter tanto trabalho sozinho.
- Não Marcos... Sinto muito, não sei onde estou. – Respondeu Bia com voz de quem havia acordado há pouco tempo.
- Ok. Vou dar meu jeito, mas eu vou te achar.
- Não se preocupe, estou segura. – Disse ela tentando talvez, me tranquilizar.
Desliguei o celular imediatamente, pois eu acreditava no que Martinez disse sobre a segurança de redes por aqui. Só gostaria de saber o porquê do perigo. Isso só me deixava mais preocupado com a Bia. Sei lá, ela poderia correr risco de vida a qualquer instante e mesmo com toda a segurança que o pai dela deve ter, ainda sim é arriscado.
- Mas o que estou pensando? – Falei baixo, pensando alto. Realmente, o que estou pensando? Que ela estaria mais segura comigo? Fala sério, se com o pai dela que com certeza, tem mais homens ao seu redor protegendo ele, não conseguir, quanto menos eu!
Eu podia até ter ficado pensante na questão da Bia, mas logo tive de despertar para o mundo de novo. Avistei um berrante pouco mais de dez metros a minha frente. Fui até um caixote antes que ele me visse e me agachei. Fiquei ali por mais ou menos sete minutos. O berrante parecia estar cheirando as coisas atrás de cheiro humano. Isso poderia ser um problema. O estranho é que ele batia nas casas que estavam fechadas. Parecia que sabia que tinha gente ali dentro, mas eu não sabia dizer isso.

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Ele passou para trás da casa que ficava na minha frente, e então essa foi à oportunidade que vi para correr dali antes que ele chegasse a mim.
Comecei a correr, pena que as ruas do subúrbio, eram ruins e mal construídas. A cada pisada que eu dava na minha correria era uma “Quase” torção que eu ganhava. Sem contar nos barulhos que fazia. Se o berrante não ouviu, é porque é surdo, ou então achou algo melhor atrás da casa do que correr atrás de mim.
Parei em uma rua não tão distante da rua em que fugi do berrante. Ele pelo visto, não tinha me seguido, o que era até um alivio. Eu precisava saber onde a Bia estava o que não era para ser tão difícil, já que devia estar por perto. Comecei a andar cautelosamente e olhando para um lado e para o outro, parando e continuando a andar, me escondendo para ver se havia algo ou alguém por onde eu estava passando. Enfim, cuidado, eu estava tomando muito cuidado. Apenas eu e minha espingarda e sem muita munição. Só que o pior de tudo era estar sozinho.
Passei por uma antiga praça, onde no inicio tinha árvores e era infestada de planas e mato, mas agora, é barro.
- Desgraça! – Sussurrei.
Era realmente uma desgraça aquilo. Por sorte eu não ficava quase nada aqui no subúrbio. Sempre fiquei na escola, onde graças a Deus, me proporcionava lugares confortantes e agradáveis. Agora aqui, que já era ruim, parece ter ficado pior. Eu poderia ter poucos problemas, mas talvez esse momento em que passei, possa ter me dado mais coisas a me preocupar com a vida. Como a minha própria vida. E agora, me preocupar com o porquê tem um carro de rico, limpo e brilhante em frente há um prédio pequeno, porém o melhor lugar para se morar aqui no subúrbio.
- Bia! – Pensei e logo afirmei. É lógico! Só pode ser o pai da Bia que esta aqui e consequentemente ela também.
Peguei rápido meu celular e liguei para ela. Assim que ela atendeu eu disse: - Cheguei!

Ela desligou o telefone e por um segundo pensei no porque ela fez isso, mas não deu nem tempo para eu ficar com raiva dela, pois a porta da frente abriu com um empurrão dela, e quando me viu, correu até mim e me abraçou forte.

- Que bom que está bem! – Disse ela me abraçando ainda mais forte.
- Eu falei que iria te achar, - Falei e desgrudei a Bia de mim, olhei nos olhos dela e 


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 terminei minha frase. – achei!
Ela me abraçou novamente como se aquilo fosse tão aguardado por ela. Antes que o nossa sorte de estar ali fora sem sermos atacado acabasse, ela me puxou para dentro do prédio, no qual até então, eu nunca havia entrado.
Era incrível. Parecia um sinal de vida em um corpo praticamente morto. Subúrbio, o lugar mais pobre de nosso país, e com um prédio pequeno, que por fora, aparenta ser simples, mas por dentro, se é que alguém que mora aqui, teve a sorte de ver, é lindo!
A primeira coisa que vejo é um moço de bigodes com um chapéu pequeno e um terno acompanhado de um par de luvas. Com certeza era um mordomo. Os trabalhos que gente simples pega, eu sei como se sentisse pelo cheiro. Subimos as escadas e percebi que o prédio apesar de ter apenas seis andares, era bem largo, mas o que eu ainda não havia notado era sua profundidade. Imenso era como eu poderia descrever ele. E calmo, claro, isso deveria ser acrescentado. Alguns quadros pendurados pelas paredes. Jarros de flores em algumas pontas dos cômodos. Janelas com uma visão na qual ninguém do Subúrbio tem. E móveis do qual jamais sonharam.
Comi alguma coisa, pois estava faminto. Depois tomei um banho, o que já era necessário. Correr de berrante é resultado de muito suor, e não ter um lugar pra ficar, é resultado de você não pode comer, não pode beber, não pode se banhar, nem ao menos descansar. E isso eu pude ver em poucas horas de solidão.
Depois de um cochilo de uma ou duas horas no máximo, me levantei e fui procurar a Bia, e a encontrei em uma sala cheia de livros, o que pelo que sei por causa da minha escola, seria uma biblioteca. Ela estava ali, lendo um livro com a maior serenidade, talvez com tanta certeza da sua segurança que não havia porque se preocupar com um bando de berrantes do lado de fora.
- Ah, você esta ai! – Disse a Bia fechando seu livro e se levantando da cadeira. – Vem, vamos ali para o meu quarto.

Opa! Quando ela me chamou para ir ao quarto dela, fiquei nervoso e suando frio. Não sabia o porquê me chamara para ir até lá. Talvez pra me mostrar algo, ou contar algum segredo que ela não quer que ninguém mais ouça, ou então pode ter me chamado pra... 
- Vem Marcos! – Disse ela me apressando e me puxando pela mão.
Entrei no quarto dela, e estava um tanto bagunçado. Coisas de garota. Camisa, short, saia e tudo quanto é roupa jogada pela cama. Notebook, algumas revistas e até mesmo um livro estavam em cima da sua escrivaninha. Um livro de álgebra, e aquele eu conhecia porque eu também o tenho, estava em cima de sua cama.
- Estudando? – Perguntei.
- É, nada de bom pra fazer. É algo pra exercitar a mente.

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Chegamos perto da cama dela, e sua mão ainda segurava a minha. Meu coração começou a bater com mais rapidez, só que então, passamos da cama e fomos em direção à janela. Ela abriu a janela do quarto dela e então vi a varandinha que tinha do lado de fora do quarto dela. Fomos pra varanda, o céu estava ficando laranja, o sol descendo cada vez mais e minha mão entrelaçada na dela.
- Vamos ver o pôr do sol? – Perguntou a Bia me olhando e sorrindo.
- Claro que sim. – Respondi e sorri de volta.
Ficamos ali, quietos, de mão dada, apenas olhando o pôr do sol. E eu pensando besteira. Que coisa, hehe. Se ela soubesse o que eu estava achando que ela iria fazer comigo, com certeza eu levaria umas tapinhas no braço. 


- Como você ficou ao chegar aqui? – Perguntou a Bia.
- Assustado. – Respondi com rapidez. – Muito até. No vagão que eu estava tinha um... Berrante?
- Não entendi.
- Não sei Bia. No dia da formatura eu vi um berrante bem de perto, ele queria me matar o tempo inteiro, eu pude sentir isso vindo dos olhos dele. Mas quando eu peguei o metro pra cá, tinha um moço, ele falou comigo, mas quando eu já estava chegando aqui, ele começou a grunhir, e então se levantou e veio andando na minha direção. Por sorte o metrô chegou à minha estação, só que ao sair correndo do vagão, eu tropecei e cai de frente com um cachorro um tanto raivoso e destroçado. Eu ia morrer...
- Como saiu vivo disso Marcos? Dois te cercando, eu não sei como pode ter escapado. – Pergunta ela não mostrando acreditar muito em mim.
- Pois é Bia, eu não sei o que houve, mas o cachorro e apenas o cachorro queria me matar. E antes que ele pudesse fazer isso, o moço que estava grunhido o atacou e começou a comê-lo na minha frente.
- Nossa!
- O olhar dele... Parecia tão humano. Parecia que ele estava perdendo o controle de si.
Conversar isso não pareceu ter sido muito bom. Eu não queria lembrar esse momento, e nem queria chegar ao ponto da conversa em que eu teria que dizer que matei uns três ou mais berrantes. Já tive de explicar o porquê eu estava armado com uma espingarda, mas dizer que havia matado eu não queria. Não me orgulhava disso, nem mesmo por serem algo que queriam apenas minha carne, meus órgãos e meu cérebro.

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O céu escureceu o sol já havia partido. Essa seria minha segunda noite depois que tudo começou só que estando ali, eu me sentia mais seguro que quando eu estava no galpão. Talvez porque eu estivesse com a Bia por ali e isso me deixava mais corajoso ou ter em mente a segurança do pai dela que estava presente ali e não ia sair de modo algum.

Teve um momento em que a Bia me olhou e eu a olhei, e ficamos assim por um bom tempo. Até que ela sorriu para mim e não resisti. Sorri de volta. Eu não conseguia dizer nada, mas minhas ações foram saindo devagar e com calma. Acariciei seu rosto e levei uma mecha do seu cabelo para trás da orelha, caminhei minhas mãos até sua nuca e então, a puxei. Não tirei os meus olhos dos dela enquanto eu ia em direção ao momento tão esperado por mim e talvez até por ela. Antes de tocar seu lábio, parei centímetros de um beijo, senti seu calor e seu perfume doce, olhei pra ela e a janela abriu em um estrondo.
- Quem é esse mendigo? O que ele esta fazendo aqui dona Bianca? – Falou gritando o pai da Bia.
- É, olá! – Disse eu em um tom baixo.
- Bianca, é melhor você tirar esse moleque daqui!
- Mas pai, lá fora é perigoso, ainda mais a noite! Eu não vou deixa-lo lá fora, ele é meu amigo! – Disse a Bia gritando de volta com seu pai.
Depois de ela dizer que é perigoso lá fora, eu pensei que realmente era muito mais perigoso, e então comecei a torcer muito para que a Bia convencesse o pai dela a me deixar passar a noite ali, só que isso não foi feito. Ele não me queria de modo algum ali. Talvez porque me viu quase beijar sua filha, ou nem chegou a ver, porque assim que ouvimos o barulho nos afastamos. Mas lá fora eu não poderia ficar então eu fui pedir a ele, só que pareceu ter sido uma ideia ainda pior. A Bia estava chorando já e eu sendo colocado para o lado de fora da casa. E o pior, aos chutes e socos, como se eu fosse um bicho, e depois de me apontarem uma arma ameaçando a me atirar se eu tentasse voltar, eu me senti como um berrante.
Quando me virei, dando as costas para o lugar de onde eu tinha acabado de ser expulso, vi a escuridão que estava me aguardando. Os becos tinham apenas a fraca iluminação dos postes. As casas estavam tão escuras e sombrias. Berrantes por alguns lugares a vista. De repente, um homem aparece grunhido, talvez estivesse vindo à minha direção, mas por sorte minha e muito azar dele, um berrante voou nele e começou a comê-lo.
Enquanto eu estava parado, eu analisei. Do meu lado esquerdo tem um berrante no fim da segunda esquina. Na minha frente tem dois berrantes aparentemente tentando entrar em alguma casa. Na minha direita, havia o berrante que estava comendo o homem que antes de virar comida, grunhia. Qual seria a minha saída? Eu me lembrei de quando eu estava saindo do 

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metrô, e o homem que grunhia pra mim, ficou totalmente dominado pelo efeito da fome, e tenho certeza que ele não sairia dali enquanto não terminasse a sua refeição. Foi nesse momento que eu corri para o meu lado direito.
- Que Deus me ajude. – Sussurrei para mim mesmo.
 


Comecei minha corrida na esperança de que eu me salvasse. Pena que o percurso era curto. Passar por ele não seria o problema, pois havia muito mais me esperando em outro canto qualquer do Subúrbio.
Um berrante comendo um homem. Um berrante na esquina. Um berrante quebrando uma janela de uma casa e eu correndo para o nada. Naquele momento eu não sabia o que seria de mim. Pior ainda, quando vi um berrante entrar na rua em que eu estava. Quis continuar correndo, mas com certeza ele ia me ver e me perseguir. Se bobear eu seria pego por ele, pois eles têm uma velocidade muito grande que chega a assustar. Enquanto um berrante é veloz e ágil, um... Como vou dizer. Alguém que come pessoas e grunhi pra você, é um lerdo e nada ágil.
Parei de correr e instantes depois, ele me viu. Pulei para o lado de uma casa, tentando me esconder. Ele pareceu ter ficado confuso, pois viu um vulto indo para o lado da casa, não viu o que era realmente. Enfim, esse nem foi o real problema. Ele foi chegando mais perto e mais perto até que chego onde eu estava. Eu me agachei e fui andando de costas para trás da casa bem devagar, sem que ele percebesse. Quando eu cheguei atrás da casa, segurei minha espingarda e me preparei para atirar. Taquei uma pedra em madeira próxima a mim para atrair a atenção dele. Mirei no canto na parede para quando ele aparecesse eu atirasse bem no crânio dele.
- Está maluco? Quer nos matar? – Disse alguém atrás de mim me puxando para dentro do barraco.
Tudo estava escuro, e quando tentei perguntar quem era que estava ali, uma pessoa tapou minha boca e sussurrou bem baixinho para eu ficar quieto por causa do berrante. A ideia não era ruim, então resolvi ficar calado mesmo. Pude ver por um pequeno buraco na parede do barraco onde eu estava o berrante caminhar, cheirando as paredes e tocando ela como se estivesse querendo saber por onde eu havia passado. Eu me aproximei mais ainda daquele buraco, para que eu pudesse analisar ele melhor, só que alguém me puxou para trás e nisso, o berrante parou e tocou na porta por onde me colocaram para dentro. Nós ficamos apreensivos, eu acho. Pelo menos eu fiquei, e muito. Um homem pelo que parece me puxou 


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lentamente para o lado. Fomos caminhando e agachados até uma mesa e ficamos atrás dela. O berrante tocou a maçaneta daquela porta, e abriu. Ainda era escuro, mas uma pequena claridade entrou pela porta e clareou o barraco onde estávamos. Por sorte, parecia que quem quer que seja que me encaminhou para trás da mesa, sabia que luz nenhuma tocaria ali. Enquanto o berrante olhava para dentro, eu consegui ver uma fotografia que estava em cima de uma estante pequena. Um homem barbudo, negro, com uma mulher com um cabelo bem curto e também negro. No meio da foto, havia uma pequena criança. Uma menininha, e seu cabelo era todo encaracolado, e lindo, tão negro quanto sua pele, mas tal beleza, com certeza jamais fora vista. Era uma criança divina. É assim que são chamadas as crianças mais belas que nascem no Subúrbio.
O berrante se virou para onde estávamos, e depois deu de costas. Saiu pela porta deixando ela aberta. Segundos depois, o homem que estava do meu lado, se levantou devagarzinho e foi até a porta e em seguida a fechou. Só que quando ele chegou à porta, eu pude ver seu rosto por causa da claridade que ali entrava. E ele era o homem do retrato. Então pensei comigo mesmo. São três na foto, mas juro, que só percebi duas pessoas comigo ali. Um homem que seria ele, e uma mulher que só pude perceber pelo toque de sua mão. Mas agora, qual é a mulher da foto que estava faltando ali conosco? Ou será que estava ali e eu ainda não tinha percebido? Afinal, quem eram eles?
- É melhor que deite aí e durma um pouco. – Disse em um sussurro o homem da foto. – Não vamos nos arriscar a nada nesse momento. De noite é o momento deles, e temos que respeitar.
Tentei dizer algo, mas logo ele me tapou a boca e disse:
- Xiu!


O momento não era bom para uma discussão. Eu poderia não estar sabendo o que estava acontecendo, mas sei que de noite é mais perigoso lá fora, e eu estava dentro de algum lugar, onde poderia servir como proteção para mim. Falar ou fazer qualquer barulho poderia atrair a atenção de algum berrante ou algum quase berrante e isso não era o que eu queria. Eu me deitei ali mesmo. O chão não era uma cama macia que tinha na minha casa, ou no lugar onde a Bia estava, mas era algo. Um solo, um pedaço de calma, um pouco de paz quem sabe? Era o que eu tinha no momento, e eu deveria aproveitar.

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Posted on 18:32 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Sedução
Capítulo 16
1

Os corredores estavam desertos.
Um clima de filmes de terror parecia percorrer cada curva da Great Falls High School, o silêncio era tão profundo que o som das saídas de ar, as tubulações, o ar-condicionado, tudo parecia horripilante.

Posted on 17:28 by Hélio Lu'z

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O Circo dos Palhaços Pulantes

Música: My Chemical Romance – Mama

Posted on 12:23 by Felipe Sena Pereira

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                                                               RENEGADOS


CAPÍTULO 3

- Me fala rápido, alguma coisa que eu possa identificar e te achar. – pergunto apressado, pois já estava acabando meu um minuto.
- Não sei Marcos, nunca vim aqui e estou praticamente presa.
- Ok. Depois eu te retorno, vou te achar e te tirar daí.
- Não quero sair daqui. Com meu pai parece ser seguro.
- Bia, eu preciso te tirar daí, nem que seja por um minuto, mas eu tenho que te ver. – digo calmamente. – Beijo, depois eu te ligo. – e então, desligo o celular. Olho o visor e vejo 00h01min. Cravado!
Desço e ouço um pouco da conversa de meu pai e do Martinez. Pareciam saber muita coisa sobre o que esta havendo.
- Mas como vamos nos defender disso? – disse meu pai, enquanto eu estava escondido apenas ouvindo a conversa dos dois.
- Tenho um arsenal a minha disposição. Meu galpão é enorme e não tem tecnologia ativada. – respondeu Martinez.
- Mas você sabe que ainda sim é muito perigoso aqui. Este lugar é muito conhecido pelos ricos. E com certeza, outros pensam da mesma forma que nós, que este lugar é seguro, e isso vai fazer com que mais pessoas venham para cá.
- Expulsaremos todos eles! – berrou Martinez e socou a porta em que eu estava escondido.
“Ai, essa doeu!”, pensei enquanto coçava minha cabeça.
- Calma Martinez! Essas pessoas não têm culpa do que esta acontecendo.
- Eu sei Ock, mas nós também não temos culpa disso.
Ock é o apelido do meu pai. Quase nunca ouço isso, nem meu irmão, nem minha mãe e nem eu o chamamos assim. Esse apelido é mais para os amigos mais próximos de meu pai, e quase nunca os vemos, então, quase nunca ouvimos esse apelido. Minha mãe, por exemplo, só chama meu pai de Tavinho, e quando ela está com raiva o chama pelo nome certo dele, Octávio.

- Não temos Martinez, mas temos um arsenal a nossa disposição.

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Achei que essa era a hora perfeita para que eu entrasse, e talvez, participasse da conversa. Então, bato na porta e entro logo em seguida, meu pai me olha com uma das sobrancelhas levantadas e me pergunta:
- Brigou, caiu ou o que Marcos?
- Ã? Por quê? – perguntei sem entender a pergunta.
- Esta com um ovo na testa.
“Merda!”, pensei, “Foi o Martinez pai, a culpa toda é dele que socou a droga da porta na hora errada”. Eu deveria ter contado, mas apenas sorri e falei que bati a cabeça na porta do teto.
- Me esqueci de abrir. – falei sorrindo.
- Falou no tempo certo? – perguntou Martinez.
- Sim, - pego o celular e mostro o tempo no visor. – cravado. – e então sorrio.
- Vai colocar um gelo nisto! – disse meu pai.
- Sim, claro! Mas antes eu quero pedir a ajuda de vocês, para encontrar minha amiga. – digo.
Falei a minha situação a eles. Na verdade, eu menti. Inventei uma situação na qual eles deveriam se mobilizar para me ajudar a achar Bia. Disse que ela sozinha em algum lugar perto daqui, e que tinham pessoas onde ela estava só que parecia não ser de confiança.


- Não está tão fácil sair assim, - disse Martinez. – você sabe. Quase morreu, como acha que está lá fora?

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- Eu tenho uma divida com ela e tenho que pagar essa divida. Talvez eu pague salvando a vida dela por um tempo. – disse insistindo para que eles me ajudassem.
- Me de seu celular. – disse Martinez com a mão esticada esperando que eu desse meu celular para ele.
Martinez pegou meu celular e levou para uma sala onde tinha um computador. Abriu uns programas esquisitos e em seguida abriu meu celular. Conectou um cabo no meu celular que o ligava no computador e depois pareceu que o computador estava recebendo informações de diversos tipos. Era muito provável que eram todas informações do meu celular. Se fossem ligações, teriam poucas, e as poucas que teriam ali, seriam da Bia ou de casa, pois nunca gostei de usar celular.
- Estou rastreando de onde veio à última ligação. – comentou Martinez concentrado na tela do computador.
Eu sabia o que ele estava fazendo, mas não saberia fazer igual e talvez, nem perto eu chegaria. Meu pai estava olhando umas pastas e páginas com diversos tipos de logo e alguns eu reconhecia. Exército, aeronáutica e marinha, e tinha mais um logo que era o logo de meu país. Mas o que eles estariam fazendo com aqueles papeis ali? E como o Martinez aprendeu a rastrear números de celular? Estranho.
- Pronto. – disse Martinez levantando e me devolvendo o meu celular. – Espere até amanhã e vá até lá. Se você sair daqui agora, seu celular vai ser rastreado, então, é melhor que espere as redes caírem de novo.
- Como assim meu celular vai ser rastreado? – perguntei.
- Marcos, tem pessoas que querem o que temos. Arsenais, papeladas superimportantes e até mesmo atiradores de elite como seu pai e eu.
- Atiradores de elite? Esse sempre foi o seu trabalho pai? – perguntei enquanto ele parava de olhar os papéis e me dava atenção.
- Marcos, eu sou um atirador de elite, mas não por causa de forças armadas ou porque sou um agente, ou policial se é que você está pensando em algo assim. – disse meu pai, acertando todas as minhas suspeitas, mas se ele não era nada disso, o que ele era? – Meu pai, seu avô era atirador de elite e trabalhava para o governo e me ensinou tudo o que sabia. Pronto.
Nossa! Meu avô atirador de elite trabalhava para o governo, meu pai tão bom em tiro, e nós sempre moramos no subúrbio. É isso não estava tão normal. Muito estranho, muito!
- O que esta acontecendo ao certo, por favor! Alguém me responda! – perguntei em tom de suplica, já não aguentava mais esse mistério todo na minha vida e ainda por cima, em um momento tão ruim.
Ninguém disse nada. Nem Martinez e nem meu pai disseram uma palavra se quer sobre o que estava acontecendo. Meu irmão era o único que me diria isso eu tenho certeza, mas ele esta longe e pra dizer a verdade, eu não faço nem ideia de onde ele esteja. Pelo menos minha mãe

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esta a salva, agora só falta ir ver a Bia. Sinto falta dela e agora não quero pensar nas consequências dos meus atos, apenas seguir meu coração e fazer o que ele está mandando. E ele por sorte, estava mandando esperar até o dia seguinte para poder ir procurar ela.
Minha noite de sono foi meio conturbada. Pesadelos e também fiquei acordando toda hora no susto. E pra voltar a dormir ficava atento a qualquer barulho que ouvisse. Só dormir tranquilo, quando eu pus a espingarda do meu pai do meu lado.
Deveriam ter se passado um bom tempo depois que dormi, eu ainda não sabia, meu celular estava com a bateria fraca, então o desliguei pra poupar bateria pra ligar pra Bia. Ficar sem hora em um lugar fechado é mesmo muito complicado. Por fim, eu me levantei e fui verificar se alguém já havia acordado. Bingo! Meu pai e Martinez estavam tomando café da manhã, e a mesa ainda tinha bastante pão.
- Come ai filho. – Disse meu pai empurrando a bandeja de pães.
Eu me sentei e fui feliz por alguns minutos, até que os pães se acabaram.
- Estava uma delícia. – Comentei.
Passaram-se pelo menos uma ou duas horas, e então, toquei no assunto da Bia. Eles me olharam e nada falaram, então insisti e pedi pra pelo menos me darem algo pra eu poder me defender quando estivesse lá fora, procurando pela Bia.
- É muito perigoso Marcos, não deveria ir lá fora. – Disse Martinez.
- Como assim? Você abandonaria seus amigos em um lugar como este? – Falei encarando ele bem nos olhos e de cara fechada.
- Marcos... – Começou meu pai a falar, mas logo eu o interrompi.
- Pai, se ele esta dizendo isso, ele muito capaz de abandonar agente em qualquer que seja o lugar. Eu não confio nele!
- Se acalma Marcos! – Disse meu pai se aproximando de mim.
- Está com ele não é? – Perguntei. – Então que fique com seu amiguinho, mas cuidado quando ele for te abandonar. – Falei e em seguida, sai do galpão mesmo com o meu pai tentando me impedir, eu não dei ouvidos e consegui sair dali. 

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Posted on 11:57 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Sedução
Capítulo 15

1

“Nephilim?” – eu já escutei essa palavra.
As vozes começavam a diminuir em minha mente, e agora eram silvos suaves e continuavam se desfazendo aos poucos.
Olhei para frente e encarei a árvore.
Aquilo só podia ser realmente loucura, falar

Posted on 17:58 by Hélio Lu'z

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Diferença entre Sonho e Realidade

Posted on 13:43 by Felipe Sena Pereira

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RENEGADOS


CAPÍTULO 2

Quando estava próximo à rua da minha casa, comecei a caminhar, pois correr da estação do metro, até aqui, é muita coisa ainda que não pareça. É incrível, como em poucas horas as pessoas se locomovem rápido. No subúrbio temos alguns carros. Velhos e meio que acabados, mas ainda andam. Passando por eles em ruelas do meu bairro, vi que alguns estavam abandonados. Sim, abandonados, pois alguns estavam com portas ou vidros abertos, e isso, é um sinal de “podem me roubar que eu deixo” aqui no Subúrbio. O hilário que eu ainda não contei, é que cada bairro tem um nome, e o nome do meu bairro, é Tilem, porém, é mais conhecido como Subúrbio mesmo.
Chegando a minha casa, já na minha rua, vi alguns moleques pichando o muro de um barzinho que vivia aberto. Quando eles me viram, começaram a correr. Será que por medo? Creio que não, deviam estar apenas preocupados em que alguém os pegue e os castiguem pelo erro. Aqui no Subúrbio, os filhos parecem não ter pais. Qualquer que seja a criança que esteja fazendo merda, a pessoa corajosa vai até elas e as castigam. Algumas vezes isso se resulta em morte, outras as pessoas deixam pra lá, mas também, nunca mais oferece ajuda para a pessoa que castigara seu filho. - Não creio que o momento seja propício para aprender a caçar pai. Meu pai ficou pasmo olhando para o berrante e para mim. Acho que ele nunca havia visto um ainda, e muito menos, com a cabeça despedaçada depois de um bom e certeiro tiro no crânio. - Sim Marcos, eu estou! Acho que estou perto de algum galpão mestre. Conhece esse lugar?

- Mãe? Pai? – Chamei enquanto entrava em casa.
Quando entrei, vi apenas meu pai, sentado junto à mesa de jantar, limpando uma espingarda. Nunca tinha visto uma, e muito menos com meu pai. Ele era meio misterioso sobre seu trabalho, mas creio que minha ficha estava caindo.
- Limpando uma espingarda, certo? – Perguntei me sentando a mesa.
- É, - Disse ele parando de limpar sua espingarda e me olhando por cima dos óculos. – era do seu avô. Ele me ensinou a caçar quando pequeno e antes de morrer, ele me deu isso para fazer o mesmo com você.
- Meu avô te ensinou a caçar? – Perguntei surpreso. – Porque nunca me contou sobre isto?
- Não era interessante. Pelo menos não era, agora já não sei. – Ele continuava a limpar sua espingarda.

- E a mãe e o irmão? Onde eles estão? – Perguntei.

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- Seu irmão levou sua mãe para um lugar seguro.
- Como assim lugar seguro?
- Pronto! – Disse ele olhando a espingarda como se estivesse sonhando. – Toma! – Disse ele me entregando a espingarda.
- Pra que isso?
- Antes de eu morrer, tenho que cumprir uma promessa ao meu velho. Vou te ensinar a caçar.
Aprender a caçar? Nossa! Que incrível! Olhei e analisei a espingarda. Devia ser mais velha que meu pai, provavelmente meu avô ganhou ela do meu bisavô. Não duvido muito não, pois era velha e apesar de a arma estar bem conservada seu cheiro de ferrugem não me enganava.
Apesar de eu ter gostado da ideia de aprender a atirar, de fazer algo que meu avô fez com o meu pai, eu não estava tão interessado no assunto. Caçar seria ótimo, mas estávamos vivendo algo que eu não sabia direito o que era. Precisava encontrar meu irmão, pois ele teria as respostas.
- Errado. – Disse ele enquanto se levantava com agilidade e pegava sua bolsa. – O momento propício já passou, agora é o momento necessário para aprender a manejar uma arma.
- Espere um momento. – Pensei no que ele estava dizendo, e cheguei à conclusão de que ele deveria saber o que estava ocorrendo. – O Senhor sabe o que está havendo na cidade?
- Sei. A cidade não é segura, e os militares levantaram uma enorme muralha ao sul da nobreza.
Droga! Quando eu estava lá na cidade, quando eu estava no morro, eu estava perto da muralha, só não tinha ideia de que ela seria atrás do morro em que eu estava.
- E o que iremos fazer? – Perguntei um pouco em pânico.
- Caçar ué.
Ok! Não ia discutir com meu pai, se ele insiste tanto em ir caçar, que seja, mas eu não sabia se conseguiria me concentrar da maneira certa para aprender a manejar uma arma.
Saímos de casa e fomos em direção há rua do galpão mestre do subúrbio. Ali era um lugar onde ficavam as bugigangas da cidade. Tudo que estivesse ruim, totalmente estragado, ou até mesmo um pouco danificado, iria para o galpão mestre. Esse galpão tinha um dono, senhor Martinez. Ele nasceu no país vizinho ao nosso, mas veio para cá quando ainda tinha uns dez

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anos de idade. Seu pai era ótimo com manutenções de ferramentas estragadas, transformava tudo que era velho, em algo novo. Modificava aparelhos e devolvia na melhor forma para quem quer que tenha pedido o conserto. Dizem até, que o metro só chega até aqui, por causa dele. Muitos ricos queriam consertar relíquias e não tinham como, pois eles eram uma negação para qualquer tipo de conserto, então traziam até aqui, mas como eram ricos, viam de metro e quase sem roupa, para disfarçarem sua tamanha riqueza. Então ele morreu, faz uns quarenta anos, e o senhor Martinez, pegou o galpão para si e o nomeou como o galpão mestre. Infelizmente, hoje em dia, consertos não são tão necessários para os ricos, então o senhor Martinez começou a ser pouco procurado e então, seu galpão mestre entrou em crise, e agora, guarda um monte de bugigangas.
- Estamos indo aonde exatamente? – Perguntei ao meu pai que andava rápido e mostrava tal disposição que me impressionava.
Ele não me respondeu, mas ao invés de andar rápido talvez por pressa, comecei a perceber que ele poderia estar andando rápido por precaução. Estava mostrando muita disposição, porém, já estava começando a ficar ofegante.
- Pai?
- Se acalma Marcos, que nós já estamos chegando.
Continuamos andando, como se estivéssemos indo para o galpão mestre. Há poucos metros de onde estávamos, avistei o galpão e comecei a acreditar seriamente que seria ali o nosso ponto de chegada. Meu pai tirou uma pistola de trás de sua calça, e continuou andando com ela na mão. Estava mais atencioso, o que me fez ficar atencioso também, e como resultado disso, peguei a espingarda que ele me deu e me preparei para qualquer que fosse a ocasião.
- Fique em silêncio. – Disse meu pai em um sussurro rápido.
Abaixamos um pouco e continuamos andando na direção do galpão mestre. Ao chegar bem perto, nos dirigimos para o lado, e então, fomos andando pelo lado direito do galpão. Há uns cinco metros, havia uma escada que dava para uma porta que ficava do lado de fora do galpão, e ia para o terceiro andar. Subimos lentamente as escadas nos precavendo de alguma coisa, que talvez, só meu pai soubesse. Nesse momento eu estava querendo muito perguntar ao meu pai, quando eu ia aprender a caçar, porque eu já estava ficando com medo.
Chegamos à porta do terceiro andar do galpão. Meu pai abriu a porta bem devagar deixando apenas um frasco de visão para o lado de dentro. Ele olhou a brecha e então pareceu que não tinha visto nada de perigoso ali dentro. Ele se levantou e entrou de vez. Em seguida eu entrei. Ele foi até a beirada do corredor que estávamos para olhar lá pra baixo, enquanto isso, eu fechei lentamente a porta para que se alguém estivesse aqui, não soubesse da gente.
Grhung!
Ouço esse familiar barulho, e logo vejo um berrante saltando para cima de meu pai. Sem nem pensar no que poderia acontecer de ruim, eu mirei e atirei com a espingarda que meu pai me deu.

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- Pai! Você esta bem? – Perguntei tirando o berrante de cima dele, e o ajudando a se colocar de pé.
- Estou bem... – Disse ele me segurando pelo ombro e olhando nos meus olhos. – Obrigado, mas o barulho desse tiro, pode ter nos complicado um pouco.
Ele sacudiu meu cabelo e sorriu, como se nos colocar em perigo fosse engraçado.
- Anda, vamos logo! – Disse meu pai começando a correr. Então corremos para o final do corredor, onde daria em uma escada que descia para o segundo andar. Fizemos o caminho, correndo e com as armas em mãos. Meu pai parecia saber manejar bem uma arma, ou pelo menos, ter ciência de como manejar uma. Ele já estava destravando a sua arma e apontando para a sua frente.
Octávio/Ock
O corredor do segundo andar era um pouco diferente. Ele ia até a metade do galpão, depois virava uma ponte para o outro lado do galpão. Corremos até a travessia para o outro lado, e quando chegamos do outro lado, viramos a esquerda que levava até a escada para o primeiro andar. Quando chegamos à escada do primeiro andar, ouvimos um grunhido e depois vimos outro berrante. Eu me preparei para atirar, mas quando vi o berrante já estava caído no chão com uma bala da arma do meu pai na cabeça.

- Show! – Falei sorrindo.
- Não fique tão feliz. – Respondeu meu pai. Depois de sua resposta, ele parou, e então entendi o porquê eu não deveria ficar tão feliz. O primeiro andar estava com alguns berrantes nos olhando e grunhindo para agente. Para ser exato, tinham nove deles.
- O que faremos? – Perguntei.
- Só fique perto de mim.
Eu estava sendo protegido, acho que isso era um instinto de pai. Proteger os filhos em primeiro lugar. Mas naquela situação, eu não deveria me deixar ser apenas o protegido. Eu deveria dar cobertura ao meu pai, para que ele pudesse me proteger, então, atirei no primeiro berrante a nossa frente.
Iniciou-se um confronto interessante. Pude perceber que eles não pensavam, e sim, agiam por instinto. Depois que acertei o primeiro na cabeça, veio outro e logo em seguida, mais um. Meu pai deu um tiro certeiro na cabeça de cada um deles. Outro veio segundo depois e mais uma vez meu pai acertou ele na cabeça. Hora de recarregar. Meu pai teve de recarregar sua arma, e enquanto isso veio dois berrantes para cima de nós. Um estava tampando o outro, não propositalmente, isso era visível, mas sem querer o primeiro tampou o segundo berrante.

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Mirei no peito do primeiro e atirei. Ele caiu e atrasou um pouco o que estava atrás dele, que tropeçou no berrante que caiu. Mirei na cabeça do segundo berrante e atirei, acertei, mas não me dei conta de que o berrante que caiu, levantou tão rápido e que já estava em cima de nós. Meu pai recarregou sua arma e atirou, mas o espaço era pequeno e só acertou na barriga dele, o que não adiantou, enquanto isso eu mirei na cabeça dele, mas quando atirei, era a minha vez de recarregar.
- Merda! – Gritou meu pai.
O berrante socou a mão do meu pai que deixou a arma cair, socou a parede atrás do meu pai e berrou a poucos centímetros do rosto dele. Quando achei que meu pai ia morrer, o berrante cai do nada. Quando olho para onde deveria ter mais berrantes, vejo Martinez com a arma apontada e saindo fumaça de seu bico.
Martinez
 - Estão todos bem? Creio que sim, venham! Rápido!
Ouvimos o Martinez e corremos na direção dele. Entramos na porta do primeiro andar que deu em uma sala totalmente escura. Martinez trancou a porta e acendeu a luz. Quando vi o que estava escondido naquela sala, logo disse:
- Outra escada? Não era de se imaginar algo diferente.
- Haha! Relaxa pequeno Marcos, lá embaixo é que esta a surpresa.
Pra quem não sabe, meu pai é amigo de Martinez, e toda vez que ele me via, já que me via desde que nasci me chamava de pequeno Marcos. E olha que estou no tamanho certo para a minha idade.
Quando chegamos ao andar debaixo vi que realmente era incrível aquele lugar. Uma estante cheia de armas, granadas e se não me engano, minas terrestres. Uma TV pequena e um sofá que dava para dois sentarem. Um tapete sujo porem admissível para alguém do subúrbio.  Binóculos, óculos de visão noturna, silenciadores de armas, facas e até espadas pendurada pela parede. Um pôster de uma mulher pelada pendurado em cima da parede, com uma faca prendendo o pôster. E o mais incrível, uma toca de motoqueiro preta com uma caveira desenhada na frente na cor branca.

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- Gostou não é? – Perguntou Martinez rindo.
Conversamos um pouco, e logo pedi para tomar um banho. Fui tomar banho e debaixo do chuveiro vi meu cotovelo sangrar. Por sorte foi um ralado e nada de grave. Fiquei pensando em como a Bia poderia estar e então pensei em ligar para ela. Pena que dentro do galpão não tinha área, então, pedi ao Martinez para ir lá em cima, e ele me mostrou uma escada que até então, nem meu pai sabia.
- Essa escada vai direto ao terraço. – Disse Martinez me parando antes que eu subisse. – Não demore no telefone. Use apenas por um minuto e se puder, menos que isso.
 Ele falou tão sério, que apenas fiz que sim com a cabeça. Subi e logo estava lá. Meu celular coberto de área o que era novidade e então logo disquei para a Bia.
Enquanto chamava, observei o subúrbio. Era incrível como dali dava para ver praticamente, todo o Subúrbio. Estava de noite, e tudo parecia mais escuro. Era como se não houvesse lua. As ruelas que ficavam próximas tinham apenas dois ou três postes em mais de cinquenta metros. Ou seja, praticamente todas as ruas estavam escuras.
- Marcos? – Disse a Bia atendendo rapidamente o celular.
- Bia! Como você está? Estou preocupado. Esta vendo o que esta acontecendo por aqui? – Perguntei desesperado.
- Sim, estou bem, e também estou vendo o que tudo esta acontecendo. Acho que ouvi meu pai dizendo algumas coisas sobre isso, mas não sei ao certo o que podem significar.
- Bom pelo menos você esta a salva. – Disse aliviado.
- E você também Marcos. A não ser que não esteja no subúrbio. – Disse ela esperando uma resposta minha.
- Como assim? – Perguntei sem entender nada.
- Marcos, - Disse Bia entrando em uma pausa, mas logo continuou a dizer. – o subúrbio é a área que menos tem essas coisas. A área da nobreza e a da classe média está em ruínas, tudo horrível e muito mais que assustador. Vi tudo quando peguei o helicóptero com meu pai e viemos para o subúrbio. Parece que aqui a cidade esta tão tranquila.
- Espera um pouco, - Disse, mas parei, pensei e então retomei a dizer. – você esta aqui?

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Galpão mestre? Perto do galpão mestre? Não podia acreditar que aqui, onde quase morri o dia todo, seria o lugar mais seguro da cidade. Não acreditei que a Bia estaria aqui, tão perto de mim. Onde será que ela estaria? Droga! Tenho que vê-la, tenho que pegar essa oportunidade antes que eu morra, e não possa mais dizer o que estaria entalado em minha garganta, durante anos.
- Conheço. E estou dentro dele. 

Marcos

Posted on 12:18 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Sedução
Capítulo 14
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Uma gigantesca nuvem branca era tudo que eu podia ver a minha frente, meu quarto estava completamente tomado por plumas brancas como flocos de neve. Elas pairavam no ar, imóveis, pareciam até mesmo me encarar e desfrutar de minha completa perplexidade.
Fiquei ali, paralisada, não sabia que ação tomar. Três plumas diminutas estavam bem a frente de meu nariz. Tentei pegar uma delas com a mão, mas quando a toquei, ela simplesmente caiu suave até o lençol da cama.

Posted on 20:52 by Hélio Lu'z

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“3 Cenas”

"Cena 3" – "Final"

“... Acordei assustado, na sala de aula com todos me olhando e o professor me encarando com o olhar fatal dele. Olhar de quem estava prestes a reprovar... Um aluno que dormiu na aula”.


Posted on 13:09 by Felipe Sena Pereira

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RENEGADOS


Já ouviram dizer que na hora em que vemos a morte, nossa vida se passa diante dos nossos olhos em segundos? Justamente quando eu cheguei ao meu destino. Mesmo deste jeito, ainda cheguei e por isso, venci minha batalha. Dor, saudades, medo, pavor, coragem, amor, ódio, esperança, sono, fome, tudo isso eu passei. Mas que eu olhe pelo lado bom, estou aqui. Eu estou aqui!
Quem sobreviveria há um fim de mundo apocalíptico? Apenas as pessoas que secam seus rostos suados com uma nota de cem reais. Os demais não têm dinheiro o suficiente para fazer parte das pessoas que devem ser resgatadas e protegidas.
Sortudos são os militares que podem ser ricos ou pobres, mas serão salvos. Na verdade, não sei são ao certo, pessoas sortudas, se olhar para o nosso ponto de vista, eles são sortudos sim, pois não temos nada e daríamos o nosso nada para proteger os ricos dos nossos novos amigos. O único azar dos militares, é que ao defender os ricos, eles se colocam de frente ao campo de batalha, e em todas as suas lutas, um deles morrem.
Azarentos somos nós. Sociedade da classe baixa e média. Não somos importantes para o país, não temos dinheiro para ajudar na reconstrução da infraestrutura do nosso lugar. Somos pobres. Acho que agora, não nos damos o luxo de participar de três tipos de classe social, pois agora, somos os do lado de fora da muralha, e os ricos, são os que ficam do lado de dentro da muralha, a salvos de qualquer aberração descomunal que possa aparecer. Esse é o nosso fim do mundo, e não sei se nós vamos sobreviver a isso, não sei se teremos um final, mas a cada dia que se passa, estamos correndo atrás de abrigos e mais pessoas para nos juntar e então, defendermos as pessoas do lado de fora da muralha.
Quem nós somos? Somos os renegados. Como tudo começou? Irei contar a vocês a minha história, pois não tenho muitos amigos por aqui, apenas nos protegemos das aberrações e só. Não compartilhamos sentimentos ou boas lembranças.
Tudo começou uma semana antes do termino das minhas últimas provas do colégio. É, sou novo ainda. Não se passaram anos para eu precisar deixar a minha história pra alguém qualquer que pegue esse livro. Sim, escrevo tudo aqui, para que alguém um dia, saiba como tudo começou, ou pelo menos, tenha alguma ideia de como foi o inicio do fim do mundo, pelos olhos de alguém que foi deixado do lado de fora da muralha. Escrevo aqui como se fosse um livro, pois não quero que ninguém mude nada, e isso fica a quem quer que pegue isto. Peço por favor. Pois a emoção de alguém que fica do lado de cá, não será igual há alguém que não passou pelo que passamos.

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                                       RENEGADOS


CAPÍTULO 1

Lembro como se fosse ontem de como era a escola. Ainda estou estudando para ser sincero, mas antes isso aqui tinha vida, hoje tudo é obscuro e assustador. No lugar de bolinhas de papeis, existem canivetes ou qualquer coisa que possa perfurar as aberrações. Isso é de alguns alunos, claro. Tem os que têm medo e andam preparados para qualquer coisa, e tem os mais tranquilos, que não acham que vai acontecer alguma coisa. Eu sou do tipo que acha que vai acontecer alguma coisa a qualquer momento, porém, não tenho nenhum tipo de arma em mãos. Sei lá, parece idiotice andar assim em plena escola, tantos alunos, quero dizer, eram muitos, hoje já não são tantos, mas ainda temos pessoas aqui, e com tudo isso acontecendo eles podem ficar mais assustados, então prefiro manter a calma e ficar apenas observando.
 - Oi Marcos. – Disse Bianca. Sou apaixonado por ela, só que ela nem imagina isso. Somos melhores amigos e nunca disse sobre meus sentimentos para ela. Mas nem preciso pensar em tentar algo, sei que as coisas são diferentes para nós, ela classe alta e eu, estou no mesmo colégio que ela graças a muito esforço meu, e sorte para ter pegado essa bolsa escolar.
- Oi Bia. Como está? – Perguntei.
Converso um pouco com ela, mas logo temos que prestar atenção na professora. Ela diz que sentem muito por tudo o que esta acontecendo, mas ela não quer parar de dar aula, pois é tudo o que ela mais ama e a única coisa que tem. Muitos professores, zeladores e até mesmo o pessoal da direção, foram embora, mas alguns ficaram para manter a ordem e continuar dando as últimas aulas do colégio.

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- Será um orgulho ver esta turma tão querida para mim se formar. É um sonho, e eu amo muito isso. Fazer parte da história de cada um de vocês é gratificante para mim como professora. São importantes para mim e jamais me esquecerei de seus rostinhos tão belos.
Parecia enterro, mas na verdade, não demoraria muito para alguns de nós sermos enterrados. Eu ainda não estava por dentro do que estava acontecendo, só sabia que tinha um tipo de vírus que transformava pessoas em aberrações sanguinárias, e que talvez devessem evacuar a qualquer momento.
Por enquanto ainda estávamos em um ambiente tranquilo, tudo de pé, nada atacado ou pinchado como está agora. O mundo mudou bastante e em muito pouco tempo.
No dia do meu último exame escolar, eu chamei a Bia para conversar. Acho que já tinha em mente o que iria acontecer e com certeza iríamos nos separar por muito tempo e talvez até para sempre.

- Vamos dar uma volta comigo depois da formatura? – Perguntei e ela disse rapidamente um belo de um sim. Gostei muito, mas apenas sorri de leve para ela e me despedi, dizendo um até o dia da formatura.
Em casa, eu tive o melhor jantar em família que alguém poderia ter tido. Frango assado, batatas-fritas em dois pratos, linguiça calabresa, empanados e até hambúrgueres por toda a mesa. Comemos tudo. Meu irmão, meu pai e minha mãe. Um jantar completo em família.
- Como foi à última prova na escola meu filho? – Perguntou minha mãe, que sempre mostrou ter orgulho de mim. Ela era professora e me ensinava tudo o que sabia, e quando disse a ela que eu queria ser médico ela achou isso lindo. Ela me apoiou e me ajudou a passar no melhor colégio na cidade, que davam apenas três bolsas escolares por ano.

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Ao meu irmão ela perguntava como foi no serviço, pois ele era militar e estava faltando dias para ele passar a ser cabo da marinha. Ele estava contente com isso e disse que iria comprar um carro logo depois que esse alvoroço todo passasse.
Minha mãe e meu pai, não diziam muito sobre eles, apenas que estavam orgulhosos de nós e que teríamos um futuro brilhante pela frente. Pena que erraram feio sobre isso.

Chegado o dia da minha formatura, eu coloquei a minha melhor roupa, comprei um perfume novo e fiz um novo corte de cabelo. Em minha opinião eu estava bem gato, como diriam as meninas eu acho. Enfim, ao chegar à escola, coloquei minha beca e minha fita de primeiro lugar do terceiro ano do ensino médio da escola.

- É com orgulho, apesar de todos os acontecimentos, que estamos aqui para apresentar nossos formandos de 2012. – Aplausos. Acho que foram muitos, mas não tantos como deveriam ser. Fui chamado à frente para os dizeres que eu deveria pronunciar aos pais dos formandos e assim eu fiz. Uma cerimônia completa, com luzes, músicas, fitilhos dourados e prateados voando pelas nossas cabeças. Alunos se abraçando e desejando um ótimo futuro uns aos outros e marcando para se encontrar em alguma casa de show pela cidade, ou até mesmo para alguns, ir ao iate de algum amigo, o que era comum para os alunos da minha turma.

Eu ainda não havia visto a Bia em lugar nenhum, e estava ansioso para o nosso encontro, e acho que isso, estava me fazendo suar muito, então fui até o banheiro para me ajeitar. Chegando ao banheiro, fui direto ao espelho, joguei água no rosto para tirar o suor, passei um pouco do sabonete liquido que sempre ficava ao lado da pia e então comecei a me observar no espelho. Meu rosto estava liso, e isso nem era normal, pois vivia com espinhas e cravos. Estava crescendo algum tipo de barba em meu queixo, o que não era nada demais, mas em pouco tempo me daria uma expressão de homem brabo. Meus olhos estavam claros, cor de mel como os olhos de meu pai. Minha boca tem algo que sempre gostei e que muitas meninas já disseram ser um dos meus charmes. Uma pinta no meu lábio inferior. Meu novo penteado me dava um visual bem elegante, baixo do lado e atrás e em cima grande jogado para o lado. Sorri com aquela imagem, mas logo em seguida, vi algo estranho atrás de mim. Continuei olhando para o espelho e vendo aquilo atrás de mim. Ele estava a uns cinco metros de mim. Sim, ele. Uma aberração, um berrante. Ele estava grunhindo atrás de mim, e em seguida, mostrou os dentes podres que eram cobertos apenas por lábios rasgados. Ele era careca e pálido, alto e forte, e eu, pequeno e 


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magro. Ele iria me estrangular ali, mas sei lá, acho que algo estava me deixando no controle da situação. Continuei encarando ele através do espelho, até que então, ele me ataca. Ele vem correndo pra cima de mim e quando chega perto, ele pula e por sorte, eu já havia pensando em pular para o lado, então foi tudo no tempo certo. Eu pulei para o lado e ele pra cima de mim. Ele bateu com a cabeça no espelho e ali ficou. O barulho foi enorme, com certeza o impacto também fora, ali eu tinha certeza de que ele estava morto, pois além do espelho, ele quebrou os azulejos que ficavam atrás do espelho.
- BERRANTE! BERRANTE! – Saí correndo do banheiro gritando para todos os lados e procurando pela Bia.
O lugar da cerimônia dos formandos esta praticamente vazia. As pessoas hoje em dia, vão aos lugares, mas logo querem ir embora, para casa, onde estão certos de que é seguro. Militares aparecem e pedem para que agente, nos acalme, pois foi apenas um berrante que fugiu de um dos caminhões deles, e que eles lamentam pelo ocorrido.
- O que era aquilo? – Perguntou um moço com sua filha nos braços, apavorada e soluçando de tanto chorar.
O militar que pede para agente nos acalmar, é o mesmo que diz ao senhor com a filha nos braços, que não é nada demais, e que está tudo sob controle.
- Não precisam se preocupar, foi um descuido nosso. Prometo que isso não ocorrerá outra vez. – Dizia o militar. Seu nome eu não sabia, porém, em sua farda, havia escrito “TENENTE BARBOSA”.
- O que está acontecendo, - Parei e verifiquei outra vez seu nome em sua farda. – Tenente Barbosa? Por favor, tudo parece estar mudando, existe algum motivo para tomarmos cuidados? Pessoas andam armadas com medo uma das outras, ou então, de coisas que até então, eu não sabia distinguir como poderiam ser. Nos dê alguma informação.
- Novos tempos amigos. Novos tempos!
Essa foi à resposta do Tenente Barbosa. O que eu deveria esperar disso? Nada, eu ainda estava absorvendo o que havia ocorrido comigo, e minha preocupação com a Bia, estava me deixando com a cabeça quente. Preciso encontra-la.
- E ai, vamos dar uma volta ou não? – Perguntou a Bia, bem atrás de mim.
- Onde esteve todo esse tempo? – Perguntei e em seguida dei um abraço nela.
Eu parecia ofegante, e meu coração ao vê-la, entrou em disparo. Minha preocupação se tornou um rio de correnteza forte. Suave e rápida e forte. Parecia que meu sangue estava recebendo um pouco de gelo, 


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pois fiquei tão tranquilo em ter ela em meus braços, que qualquer que fosse o vento que batesse em mim, eu sentiria todo o seu frescor e ela apenas, sorriu.
Bia me disse onde estava. Falou que tinha ido fazer um lanche com seu pai e sua mãe em uma lanchonete próxima dali. Disse então que eu devia ter me preocupado sem motivos. Acho que foi o berrante que me deixou essa preocupação. Parecia que eu já estava vendo a merda que ia dar no futuro, e então acreditei que poderia ser o inicio de tudo.
Passando as horas, Bia e eu, fomos até um morro bem alto ver o por do sol. Ela adorava isso, e eu também. Mas subir morros altos, nunca foi o meu forte, só enfrento isso, por causa dela.
O momento estava bom, e o céu começava a ficar alaranjado. Parecia a única coisa normal que estava acontecendo por ali. Ficamos vendo a cidade e como ela estava ficando obscura. Mas se eu soubesse como ficaria não me preocuparia ainda.
 - Já teve medo de dizer algo que você guarda há muito tempo pra alguém? – Perguntei.
Não sei se foi à maneira certa de dizer, mas ela só olhou para mim e depois voltou a olhar para o céu. E como rápida resposta, ela disse:
- Não quero perder o por do sol agora.
Uma frase coberta com seu sorriso. Continuamos ali, deitados um do lado do outro, olhando para o céu, e pelo menos, estava pensando em como tudo deveria estar. Ainda não tinha ideia do que iria acontecer, mas já estava ficando um pouco preparado. Então, depois de uns cinco minutos olhando o por do sol, ela vira e diz que se ela tivesse medo, acharia que era a hora de enfrenta-lo, mesmo que o tempo tenha passado tão depressa.

Olhei para ela e sorri. Fiquei calado, sem dizer nada, talvez ela tenha até pensado que eu queria dizer algo a ela, só que depois do silencio, eu deveria ter dado a impressão, de que era outra pessoa que eu estaria me referindo.
Não sei, eu não deveria estar preparado para aquilo. É certo que o nosso tempo de amizade, era longo, já se passavam seis anos que nos conhecemos, no mesmo colégio e sempre na mesma turma. Ao contrário de mim, ela tem um pai rico, dono de uma grande empresa no


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país, e nem sequer, deve saber de minha existência, e mesmo que soubesse, não gostaria de saber, com certeza. Muitos fatores estariam contra agente. O engraçado é que a minha família, vive dizendo para eu não ligar pra isso. Se ela é o meu grande amor, eu devo ir e correr atrás dela.
- Como reagiu ao ver o berrante? – Perguntou Bia.
Penso um pouco naquela cena. Em como o berrante estava atrás de mim, me olhando dentro dos olhos e seus dentes se serrando uns nos outros. A vontade dele com certeza era me comer vivo e chupar até meus ossos depois que acabasse com a minha carne e órgãos.
- Não sei como dizer ao certo.
- Como ele era?
- Bia...
Paro e olho para ela, e então respondi:
- Ele parecia estar lutando contra aquilo. Não sei, parece loucura, mas ele parecia alguém lutando contra seus instintos, e seus instintos pareciam loucos pra matar alguém. Consegui desviar por pouco dele, mas o que mais eu achei estranho era o sangue dele.
- Porque estranho?
- Era negro. Bem escuro e parecia grosso, como se fosse uma gosma daquela bem grudenta.
- Que nojo! – Disse Bia soltando uma risadinha.
Conversamos mais um pouco e quando vimos já estava de noite e a única luz que tem naquele morro, é a luz do poste, que ilumina apenas ao seu redor. Descemos o morro cuidadosamente. Sim, com cuidado, não pelos berrantes, que até então, não era um problema, mas sim pelos animais que ficavam ali. Sem contar que se a Bia visse uma cobra ou até mesmo o barulho dela, ela pirava e começava a gritar.
Era pra ser um por do sol romântico, mas não foi. Talvez até por minha causa, mas fazer o que, não creio que era a hora certa, e somente o lugar certo.
Ao chegarmos perto de uma cyber-café, ouvimos o rádio tocar uma música que a Bia não se continha em cantar. Ela cantava e se envolvia com a música. Até fechar os olhos ela fechava o que era engraçado. Então, a música parou de tocar e ruído alto começou a surgir.
- Poxa, logo na minha música! – Disse Bia indignada.
E então, no rádio começou a surgir uma voz. Ela falava alguma coisa para os ouvintes tomarem cuidado, só que estava saindo muito cortado então não entendemos quase nada, segundos depois, a voz ficou limpa e parecia estar repetindo o que havia dito pouco antes, e ela dizia bem assim:
“– Interrompemos esta programação, para avisar a todos os nossos queridos ouvintes, que hoje, a meia noite, a rádio será fechada, por causa dos acontecimentos na cidade. Atenção!

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Protejam-se, não confiem em ninguém, às coisas vão piorar logo, logo! Vão para suas casas e fiquem com suas famílias. Im...” – E então, foi cortada a voz e nada mais era ouvido.
- Marcos, eu estou ficando assustada. – Disse Bia.
Levei Bia até em casa, o mais rápido possível. Para o drama ficar ainda melhor, começou a chover e relampear. Pessoas correndo de um lado para o outro, todas pareciam assustadas e isso, piorava a situação da Bia que já estava ficando apavorada. Quando chegamos à casa da Bia, ela parou, e me olhou nos olhos, e me agradeceu por eu ter trago ela até aqui. Então, peguei sua mão e olhei diretamente nos olhos dela, e parecia que ela tinha entendido o que eu queria dizer, mas não tinha coragem para tal coisa. Ela me abraçou forte, tão forte que consegui sentir seu coração pulsar em um ritmo bem acelerado.
- Bia! Entra agora! – Berrou seu pai da janela do segundo andar. Deveria ser o escritório dele, pois ele via tudo de lá. Sua janela era do teto até o chão, e com uma ampla visão do lado de fora.
- Vai. – Disse para ela.
Ela me soltou devagar e foi andando para trás sem soltar minha mão, até que não havia mais como ela continuar conectada a mim, e então, sua mão foi deslizando pela minha até que a ponta de nossos dedos disse o tão esperado adeus.
O que estava acontecendo ao certo? Acho que poderia saber com alguém, e esse alguém, mora bem na minha casa. Meu irmão, militar, marinheiro, servidor da pátria amada.
Comecei a correr na direção contraria a casa da Bia. Era uma longa rua, e quando eu ia virar a esquina, olhei para trás, e vi-a entrando no carro de seu pai, e então, deram partida à rua a esquerda.
- Provavelmente, irão para alguma base militar, tenho de correr para encontrar meu irmão. – Pensei alto, mas continuei correndo.
Ia demorar se eu fosse correndo da casa da Bia até a minha. Afinal de contas, ela mora no bairro nobre, e eu no subúrbio. Era mais fácil ir até o centro da cidade e pegar um metro. Fiz isso, e quando chego ao metro, vejo que por sorte, tudo está vazio. Nem guardas, nem passageiros, nem camelôs, nem ninguém. Sorte a minha que não vou precisar usar dinheiro para pegar o metro, alias, estou sem nenhum trocado. Isso me deu motivo para rir. Pulei a catraca do metro e corri para entrar em um que havia acabado de parar ali.
O metro sempre foi lotado. Pessoas que trabalhavam no centro da cidade, eram na maioria, pessoas que moravam no subúrbio. O centro da cidade baseava-se em coisas pequenas, porém, grandes. Como assim? Uma grande lanchonete, um grande salão de beleza, um grande supermercado, um grande “várias coisas”. Mas desta vez, o metro estava vazio. Meu vagão tinha apenas eu e mais um homem, sentado em uma ponta, bem longe de mim. Ele usava uma toca e tinha barba grande. Parecia um bêbado, e creio que seja esse o motivo de ele estar aqui.

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 - Sorte nossa ainda estar funcionando. – Disparou o homem na outra ponta do vagão.
- Por quê? – Perguntei desconfiado.
Ele deu de ombros e em cinco minutos as luzes do vagão começaram a piscar. Continuei tranquilo, o velho homem não estava mais me assustando. Não tinha ganhado minha confiança, mas não me assustava mais. Fiquei olhando pela janela, e vendo as casas bonitas desaparecendo, e as casas de classe média surgindo, e depois, elas desapareceram para entrar no meu terrível território. O subúrbio da cidade era realmente um lugar falido. Eu creio que minha família poderia se mudar para o local de classe média, mas meu pai acha que eles não nos receberiam bem, pois para eles, um pobre é sempre um pobre, e somente as classes médias podem subir na vida e então, entrar na área nobre.
Ouço um grunhido no vagão, e então, penso no homem que esta ali. Viro rapidamente para ele, e então vejo algo assustador. O homem que estava na outra ponta do vagão, começou a grunhir e a contorcer os dedos das mãos. Começou a entortar o pescoço e então, se levantou. Eu fiquei ali parado, sem ação nem reação. Ele começou a caminhar na minha direção, devagar, e parecendo um bicho, diferente de um berrante. Logo pensei que morreria ali, mas por sorte, o metro parou na minha estação, e abriu a porta. Eu me joguei para fora e quando a porta fechou o homem que não me assustava mais, apareceu na janela ao lado da porta em que sai, e me encarou sem nem piscar os olhos, e sem nem se acalmar. Continuou com os dentes a mostra, e provavelmente, meu momento de sorte estava acabando.
Ouço um latido atrás de mim, e quando olho, vejo um cachorro esquelético, e em carne viva. Todo arrebentado e nada normal. Parecia estar bem, mas não estava, e isso é o que me preocupava. Nesse momento, entrei em duas situações. O metro, quando para, abre a porta e fecha e depois de dez segundos, abre novamente e fecha. Isso é para causar menos acidente e deixar que os primeiros passageiros se acomodem no metro para ai então, os outros entrarem e para a maioria pelo menos, ficar confortável. As situações eram, ou virar comida de cachorro, ou virar comida de um talvez, futuro berrante.
Grhung!
A porta do metro abriu, e eu continuei ali caído. O ainda não berrante, eu acho, pulou em cima de mim, mas na verdade, não pulou. Ele foi pra cima do cachorro, e começou a comê-lo. Só pude ouvir o cachorro gemendo e grunhido para ele. Não tive coragem de olhar para o animal, mas olhei para o homem, que parou de comer o cachorro e me olhou bem no fundo dos olhos. Ele pareceu ter encontrado algo dentro de mim, ficou ali, paralisado, só que depois de certo tempo, ele piscou e voltou a comer o animal. Aproveitei a situação e corri para longe dali, para a minha casa.

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Posted on 13:06 by Lucas Gomes A. Siqueira

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