Eu não podia acreditar que depois de anos após a morte de minha mãe e da noite frustrante que vivenciei, finalmente havia conseguido ter uma boa noite de sono. Eu realmente estava disposta, uma energia de invejar. Poderia derrubar uma parede sozinha se quisesse. Talvez fosse o chá antes de adormecer, pensei.  


 Alfred caprichou ao me trazer esse tal de camomila. Acho que o beberei todas as noites daqui por diante.

Respirei fundo e empurrei a coberta saltitando para fora da cama. Caminhei até a porta da varanda e puxei as cortinas, fechei os olhos e senti a claridade beijar minha face. O dia parecia tão perfeito, pensei. Ao retornar a abrir os olhos percebi que apesar da claridade, o inverno estava apenas começando e o jardim de papai estava repleto de neve. Perceber a arte proporcionada pela geada da noite anterior me trouxe um aperto no peito e um maldito nó na garganta. Mamãe gostava do frio assim como eu e fazíamos tantos anjinhos na neve, ah, e os inúmeros bonecos que fizemos, com direito a cenoura no nariz e tudo, recordei.

Eu já estou cansada de ser enganada, não é possível que não exista uma explicação plausível para a morte de minha mãe. Nada fazia sentido, eu sei que não faz. Algo em mim diz isso e preciso esclarecer essa situação. Papai não me contaria Alfred talvez, mas não tudo. Quem sabe vovó pudesse me dizer alguma coisa. Afinal eu fui criada por ela e nunca entendi muito bem o porquê desse afastamento. Acho que vou fazer uma surpresa para vovó essa tarde,  pensei.

Depois de articular e programar meu sábado inteiro, arrumei a cama, sim porque mesmo com tantos empregados eu nunca gostei de me eximir de algo que é minha obrigação. Em seguida esvaziei o cesto de roupas sujas e levei para lavar. Passei por papai na cozinha, era o único dia em que o velho podia se encontrado em casa. Mordisquei um pedaço de sua torta de frango e segui em direção ao quarto, novamente.

Dei uma olhada no tempo outra vez e segui para o closet, selecionei um look bem simples e confortável. E caminhei para o banheiro. Enquanto banhava-me, pude ouvir a porta de meu quarto se abrir e estranhei afinal Alfred ou qualquer empregado que fosse costumava bater antes de entrar e eu não ouvi nada além do ranger da fechadura. Desliguei o chuveiro e gritei:

─ Quem está aí?

─ Sou eu filha, vi que mordiscou minha torta e trouxe-lhe um pedaço. Você não estava pensando em sair sem tomar café, estava?

Respirei aliviada ao ouvir que era papai.

─ Eu estava, mas já que fez essa gentileza. O que é estranho já que você não costuma me fazer agrados assim.

─ Não diga bobagens Alexis, eu posso não ser um pai presente, mas sempre fiz de tudo para você mesmo que por intermédio de Alfred;

─ Claro... – Sussurrei para mim mesma e em seguida liguei o chuveiro outra vez.

Passado alguns minutos eu estava pronta, papai ainda me aguardava com um saboroso café da manhã em cima da bandeja. E seus olhos azuis indagavam-me curiosamente.

─ Aonde você vai, posso saber?

─ Sim, pode. Vou visitar Dona Amélia!

─ Ah sim, mande-lhe lembranças em meu nome. Diga que marcarei um jantar em memória aos bons tempos que vivemos em Idaho.

─ Bons tempos que eu vivi.

─ Já vai começar Alexis?

─ Não se você parar de fingir que se importa comigo.

Por um momento percebi o semblante de papai mudar, eu não gostava de vê-lo assim por minha causa, mas eu não conseguia trata-lo de maneira diferente desde que me manteve longe de mamãe e de tudo por tantos anos. Em partes, mas estive longe.

─ Desculpe...

─ Papai, tudo bem. Deixe, vamos esquecer isso e começar do zero. Essa torta realmente está uma delícia, Dora arrasou!

─ Sim está... Filha, eu tenho que ir. Tenha um bom dia e não se esqueça de retornar para Eliza. Andei olhando seu celular e tem uma chamada perdida.

Ao perceber que papai havia mexido em meu celular, agradeci mentalmente por não ter nenhuma mensagem de Nicholas. Ah, desde o ocorrido ontem de manhã eu não havia parado para pensar exatamente em nada e nem no que houve entre nós. Chacoalhei a cabeça e franzi o cenho.

─ Papai! Isso não se faz, não mexa mais em minhas coisas.

─ Também te amo, filha!

Vi papai sumir pela porta entre aberta e tratei de deliciar-me rapidamente com o café que ele mesmo havia trazido. Sem delongas dirigi-me até o lado de fora da casa e liguei para Eliza enquanto entrava no carro. O telefone chamou por alguns minutos e eu logo desliguei para que pudesse pegar a estrada. Pensei em comprar algumas flores para vovó, mas ela sempre gostou de ganhar sementes ao invés disso. Levei em torno de duas horas para chegar a Idaho. A cidade havia sofrido algumas mudanças, mas o parquinho em que eu e vovó costumávamos nos divertir nas tardes de domingo permanecia intacto, talvez mais aceso e rodeado de crianças. Mas a essência era a mesma. Amélia, minha avó, morava bem no centro próximo a uma sorveteria. Passado alguns segundos meu telefone tocou. Era Eliza.

─ Pensei que tivesse morrido te liguei a manhã inteira e nada!

─ Nossa exagerada. Eu não tive uma das minhas melhores noites, por sorte dormi muito bem e pude esquecer os últimos acontecimentos. Mas o que foi?

─ Que acontecimentos¿ Eu queria saber se você não quer ver um filminho hoje.

─ Ai Eliza, quando chegar aí eu te conto. Agora vou desligar, vim fazer uma surpresa para vovó.

─ Ok, nos vemos mais tarde, mande beijos em meu nome!

─ Pode deixar! E prepara a pipoca doce de groselha que eu estou morrendo de saudade de comer essa sua invenção maluca.

Pude ouvir Eliza gargalhar do outro lado.

─ Ok!

Estacionei o carro em frente à sorveteria e caminhei em direção à casa de vovó. Apertei a campainha e pude ver seus olhos arregalados contrastando com as madeixas negras saírem detrás da porta. Era uma mistura de ternura, amor, saudade... Tudo. Eu poderia jurar que nossos olhos brilharam de felicidade ao ver uma à outra.

─ Alexis...

Foi apenas o que vovó conseguiu proferir e logo as lágrimas prevaleceram. Abraçamo-nos ali mesmo. Eu sentia que estava segura envolvida no calor de seus braços. E sentia-me como uma criança, como a criança que foi paparicada até a alma e que quando adolescente fi-la cortar um dobrado.

─ Eu senti tanto, tanto sua falta! – Vovó Amélia continuou a falar com a voz cansada. Ela já estava bem velhinha.

─ Eu também vovó e de seus biscoitos, e sorvetes caseiros. Falando em saudade, papai e Eliza mandaram lembranças. Agora vamos ao que interessa... Que cheiro gostoso é esse?

Vovó gargalhou limpando as lágrimas.

─ Você não muda, só pensa em comer. Que bom que ainda existe essa “menina” em você.

─ É claro que existe! Mas me conte, esse cheiro é de biscoito...

─ É sim, estou fazendo para as crianças que frequentam a praça. Agora, sábado é o dia universal do piquenique aqui em Idaho. Cada um leva uma coisa e eu levo os biscoitos caseiros.

─ Ótima ideia, vovó. A senhora fica aqui sozinha, tinha mesmo que arrumar algo para se distrair e hoje que estou aqui, quero ajudar-lhe e também quero saber umas coisas.

─ Que coisas¿

─ Logo perguntarei, agora vamos, temos que levar esses biscoitos maravilhosos.

Colocamos os biscoitos nas bandejas e caminhamos para fora da casa em direção a praça. Vovó não havia mudado, só estava um pouco mais baixinha. Mas o humor e a ternura eram os mesmos. As crianças pareciam todas suas netas, um amor que chega me apertava o coração. Ajudei a distribuir os biscoitos e depois me sentei em um dos balanços disponíveis. Era uma cena adorável demais para ser verdade. 

Por um segundo distrai-me recordando do dia anterior. Aqueles orbes azuis que eu não consegui me esquecer desde a primeira vez que nos vimos agora roubavam minhas noites de sono. Suas mãos exploravam cada milímetro de meu corpo de um jeito suave. Como quem dedilhava uma música, seus dedos passeavam pela minha cintura com cuidado. Ele parecia esculpir-me da maneira que lhe conviesse. Seus lábios quentes e avermelhados pressionavam meus seios sugando-os com fervor para dentro de sua boca. Ele estava me levando ao ápice da insanidade de maneira mansa. Ele estava cuidando para que eu não me desviasse do prazer quando desceu rapidamente em direção a minha parte íntima e antes de qualquer loucura fitou-me em busca de um consentimento. Mas eu já não respondia mais... Eu estava longe pensando em como aquilo não passava de um equívoco e que Nicholas não me ligaria no dia seguinte. Que aquilo era uma desculpa para que me esquecesse do que fui buscar, mas... Ele estava conseguindo me concentrar naqueles olhos. Suas sobrancelhas arqueadas desafiavam e ao mesmo tempo persuadiam. Eu estava louca, ou simplesmente perdidamente apaixonada.

Permaneci imersa em todas aquelas lembranças até que me dei conta do tempo em que fiquei distraída. Vovó fitava-me curiosa. 

─ O que foi isso?  Eu quase pude cronometrar esse seu devaneio.

─ Problemas vovó, problemas!

─ Sei... Isso está me cheirando amor.

─ Não pense besteira vovó, eu não estou amando.

─ Se ainda não está, logo estará. E não teime comigo!

─ Tudo bem, a senhora está certa. É mais vivida do que eu, sabe bem o que está falando. Não está mais aqui quem falou.

Vovó gargalhou e em seguida pigarreou indagando-me.

─ Então vó... Ultimamente eu tenho pensado tanto na morte de mamãe e ela sempre foi um mistério para mim. Algo me diz que mamãe não sofreu um infarto. E por que eu sempre morei com a senhora... Por que essa distância toda?

Vovó respirou fundo e recostou o ombro no ferro do balanço.

─ Querida, penso que já está na hora de saber e vou desobedecer às ordens de seus pais. Sua mãe não teve um infarto. Ela na verdade foi assass..

─ DONA AMÉLIA, VENHA TIRAR FOTO COM AS CRIANÇAS! 

Berrou uma mulher alta, negra e de cabelos encaracolados.

─ Ela foi? ...

─ Oh, espere um instante.

Vovó saiu em direção às crianças e me deixou sentada, morta de curiosidade e ao mesmo tempo rezando para que mamãe na verdade não tivesse sido assassinada. Ela era inocente e até onde sei, não havia razão para um assassinato. Eu não estava em condições de assimilar algo tão bombástico. Amélia acabou não me contando o restante do assunto, a tarde foi chegando e eu tinha que me encontrar com Eliza, mas prometi que voltaria para terminarmos a conversa. Abracei-a forte e parti com o peito apertado.

Não demorei muito para chegar ao apartamento de Eliza, visto que morava logo no centro de Truly. Cumprimentei Srº Pedro, pai de Eliza e caminhei em direção ao Hall do prédio. Como o combinado, lá estava ela na cozinha preparando minha pipoca. Na verdade era a dela, a de groselha já estava pronta, pois como era doce não tinha necessidade de estar quente e Eliza nunca foi muito fã de pipoca doce, apesar de fazê-la parecer dos deuses. 

Enquanto escolhia o filme e arrumava a sala, percebi sua demora.

─ ELIZA!Vai demorar muito? – Berrei caminhando em direção à cozinha

─ Já estou indo, só estava colocando o refrigerante. – disse Eliza.

─ Ah sim, −falei – sabe... Acho que realmente gostei de ter ficado com o Nicholas hoje.

─Ah amiga, pela sua cara, isso é certeza absoluta! 

─ Não sei o jeito dele... Parece-me tão misterioso.

─ E você nem gosta de um mistério não é mesmo? 

Pensei um pouco no que havia acabado de ouvir e estremeci por já deixar transparecer um sentimento tão recente.

─ Vamos, está pronta!

Voltamos para a sala e nos assentamos. Recapitulei pela enésima vez a manhã anterior e a pergunta que pairava no ar era a mesma. “Será que Nicholas estava realmente gostando de mim ou tudo não fazia parte de um jogo e ele seria um aproveitador¿” Balancei a cabeça e com o coração apertado fixei os olhos na televisão.

Passado alguns minutos, meu telefone toca. E para ser sincera, eu não estava a fim de atendê-lo, mas a pessoa insistiu. Quando me dei conta já havia desligado e ao encarar o visor de soslaio percebi ser Nicholas. Minhas mãos começaram a suar e eu podia sentir meu estômago descer e subir como numa montanha russa. Eu não queria retornar e parecer desesperada, mas e se fosse algo sério¿ pensei. Olhei para Eliza com olhos de suplica e logo depois retornei a ligação.

─ Alô? 

─ Oi Nicholas, você me ligou?

─ Eu? 

─ É... – confirmei com a voz quase falhando

─ Liguei. 

Ao ouvi-lo suspirei aliviada.

─ Quer sair comigo? – concluiu Nicholas

─Co... – antes que pudesse dizer algo fui interrompida.

─ Ás 20hrs no cine do Thaylon.

Assim que desligamos o celular, eu simplesmente não conseguia dizer a Eliza o que havíamos conversado. Ainda estava em êxtase. Minhas mãos tremiam e eu sentia borboletas em meu estômago. Eliza faltava-me sacudir para que eu dissesse o que havia acontecido. Foi então que lhe contei tão rápido que fora quase impossível de compreender.

─ O NICHOLAS ME CHAMOU PRA SAIR!!!!!!!

─ O que¿ Eu não coloquei nada na sua pipoca, em. 

─ Não, o Nicholas me chamou pra sair. – Repeti a frase um pouco mais calma.

Foi então que nos demos conta do horário e corri para a cozinha saltitando para guardar a pipoca que praticamente não havia comido. Eliza foi comigo para minha casa e no caminho nós já pensávamos no que eu iria vestir. Eu ainda não conseguia acreditar que aquilo era verdade, eu estava tão deslumbrada que esqueci completamente todas as dúvidas que tinha a seu respeito e agora alimentava apenas uma certeza. A certeza de que Nicholas realmente estava sentindo o mesmo por mim.

Ainda restava uma hora para que eu pudesse me arrumar. Eliza fizera uns cachos em meu cabelo que logo depois separei as mechas com o dedo. Caminhei para o banheiro, fiz um coque e levei alguns minutos para tomar um banho relaxante e que espantasse todo o nervoso. Eu mais parecia uma garotinha saindo com seu primeiro namorado do que uma mulher com uma bagagem indecente de experiência de vida. Mas Nicholas me deixava assim: Imersa em certezas e incertezas. Imersa em desejo e medo. Em prazer e amor. 

Terminei o banho e caminhei para o quarto enrolada na toalha. A roupa já estava em cima da cama. Eliza soltou meu cabelo e fez um último retoque. Dirigi-me até o espelho e fiz uma maquiagem básica destacando apenas os olhos. Voltei-me para cama e troquei de roupa bem rápido. 15 minutos indicava meu relógio de pulso, eu precisava voar para o centro de Truly. 

Naquela noite Eliza dormiria lá em casa, então a deixei sob os cuidados de Alfred. Caminhei apressada em direção a porta e meu carro já estava estacionado ao fim da escada. 

─ Divirtam-se! – ordenaram Alfred e Eliza em uníssono. 

Olhei para trás e pisquei em suas direções.



Truly, por ser uma cidade miúda não costumava sofrer com engarrafamentos, sorte a minha que acabei chegando na hora marcada. Estacionei o carro e segui para a portaria procurando Nicholas com os olhos, e para minha surpresa constatei-me envolta pela cintura. A nuca arrepiada anunciava minha companhia e o coração descompassado me acusava: Era amor, eu estava perdida!

Posted on 00:00 by Larissa Arievilo

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Louca, pensei.

Depois daquela noite, nada mais foi igual. Consegui fazer com que ela desistisse de pegar a tal chave, e finalmente, foi embora para sua casa. Meu dia continuava passando e ainda era de tardinha, quase noite. Quase hora de eu sair de casa, para fazer a minha última missão.

- Quero deixar claro por meio deste vídeo, que se eu aparecer morto, você, Oscar Fragoso, braço direito do presidente deste país insolente que ilude totalmente as pessoas, com seus sermões e mentiras e fazendo tudo pela metade e nos dizendo que as coisas estão andando, será o alvo principal de toda a nação. Não te deixarei uma chance, pois se errar comigo, eu errarei com você. – falei olhando para a câmera do meu notebook. Peguei a maleta cheia de dinheiro e mostrei para a câmera e então continuei dizendo. – Essa é a maleta que o Oscar me deixou. Cheia de dinheiro e com armas, balas, bombas caseiras entre outras coisas. Isso tudo, é o que eu tenho a minha disposição para matar a pessoa que ele me deu como o meu último alvo. Seu nome, Elisabeth Bazzoni de 24 anos. Moradora de uma cidade pacata chamada Truly. Estou, infelizmente, sendo obrigado a matá-la para ter uma vida normal, novamente. Farei isto, pois se eu não fizer, serei caçado, até a morte. – dei uma pausa e peguei o meu celular. – Aqui, está toda a gravação das minhas últimas conversas feita com Oscar. Essa gravação mostrara que estou sendo forçado, e não recebi nenhuma opção para negar este assassinato. Então, terei de fazê-lo, senão eu serei o novo alvo.

Encerrei o vídeo depois de deixar rolar a gravação de toda a minha conversa com o Oscar. Preferi deixar gravado e pronto para enviar em um e-mail, daqui a três dias. Se eu estiver vivo, irei adiantar a hora para que o e-mail possa ser enviado caso ele só venha depois de três dias. Terei de fazer isso durante toda a minha vida, pois sei que não estarei mais seguro. Pelo menos, não nesse planeta.


Oscar Fragoso é o chefe da segurança nacional e o melhor amigo do presidente. Sabe de tudo e ganha poder para fazer inúmeras coisas. Poderia muito bem me trancafiar em uma cela de prisão máxima por nada, ou então, ser menos ruim e me prender dentro do país, ficando sobre total vigilância dos militares que seguem suas ordens. Sem contar nos espiões que devem ficar ao meu redor a todo minuto e talvez, eu nem saiba disso.


Fechei meu notebook e peguei minha mochila. Ela estava preparada com tudo o que eu precisaria para fazer um assassinato bem discreto. Coloquei ela nas costas, sai do meu quarto secreto e sai do meu apartamento.
 

De tardinha eu consegui finalmente, criar uma escuta no telefone da casa da Eliza. Ela conversava com alguém, e disse que iria ficar em casa por hoje, mas que era para essa tal amiga, ir para sua casa, para verem filme juntas. Era o que eu precisava. Fácil demais para ser verdade.
 
- Boa noite meu jovem! – falou um senhor que passava ao meu lado enquanto eu caminhava para o ponto de ônibus.
 
- Boa noite! – respondi rapidamente.
 
As pessoas mais velhas sempre foram mais educadas. Hoje em dia, não vemos muito disso, mas pelo menos aqui em Truly, apesar de ser uma pequena cidade, as pessoas daqui são bem educadas, inclusive os mais novos. Aqui é um bom lugar para se morar, mas não enquanto estiver novo. São poucos jovens, muito idosos. Ou pelo menos, se for vim para cá, que venha com uma família formada, porque para achar alguém aqui, é difícil.
 
Peguei o ônibus e em poucos minutos eu já havia chegado ao meu local. Não era tão longe, daria até mesmo para ir a pé, só que quanto mais movimento, melhor para um certo disfarce.
 
Centro de Truly. Cinco ou sete condomínios cheios de apartamentos. Pedi ao porteiro do condomínio onde Eliza morava, os números dos apartamentos disponíveis para venda.
 

- Uma amiga que me indicou aqui. – comentei.
 
- Ah sim. Esse condomínio é muito bom e perfeitamente seguro. Porque não agenda uma visita hoje? Ainda da tempo. – opinou o porteiro.
 

- Não meu amigo, muito obrigado, mas estou correndo contra o tempo para buscar minha noiva no aeroporto. Se eu demorar, ela é capaz de me matar. – falei sorrindo, ou melhor, menti sorrindo.
 
- Hahaha, eu te entendo. Bom, se quiser, eu peço a minha filha para lhe mostrar os apartamentos que estão disponíveis aqui, amanhã.
 
- Sua filha? – perguntei.
 
- Sim, minha pequena Eliza. – falou e sorriu em seguida. – Ela odeia que eu a chame de pequena, mas fazer o que? Para mim ela sempre será o meu bebê não é mesmo?
 

- Creio que sim. – falei em um sorriso.
 

- Olha rapaz, quando for pai, você irá entender do que estou falando. – falou e deixou o nome dela com o número do apartamento em que ela morava.
 

- Obrigado. – falei o cumprimentando e saindo em direção contrária a dele.
 

Ele é o pai da Eliza, pensei. Droga!
 

Por isso que eu odiava ser espião e agora, ainda mais ser assassino de aluguel. Por isso que eu tenho de terminar isso logo, se não, como terei uma vida normal ou ao menos, como eu tentarei ter uma? Sem saber que eu estou indo matar sua amada filha, ele me entregou tudo o que eu precisava, sem que eu pedisse nada. Em sua mente, estou indo ao aeroporto buscar minha noiva, e com certeza, sou muito simpático aos olhos dele. Nunca irá imaginar que eu fui o assassino de sua filha.

Minutos depois lá estava eu, dentro do prédio indo no apartamento vazio que ficava mais alto possível. Ao chegar na porta do apartamento 602, que ficava no sexto andar, usei um grampo para abrir a porta e com êxito eu não fui avistado por ninguém.
 
Tudo nos conformes, pensei.
 

Arma na mão, mira encaixada, mascara no rosto, olho no local onde o alvo estará a qualquer momento e aguardando.
 

Eliza surgiu na janela da sua cozinha, mas passou rápida demais. Posicionei minha arma e deixei minha mira em cima dela, respirei fundo.
 

Aguardando o momento certo, pensei. Provavelmente ela irá sair apagando a luz da cozinha, é nessa hora que eu atiro.
 


Eliza começou a fazer algo na cozinha, suponho que seja pipoca. Abriu a geladeira e ficou olhando o que havia dentro até que puxou uma coca-cola de dois litros. Pôs em cima da bancada e pegou dois copos grandes. Deveria ser para ela e sua amiga. Abriu a porta da estante e tirou uma vasilha de lá de dentro. Em seguida Eliza pegou a pipoca que só agora pude perceber, que havia sido feita em um micro-ondas, e colocou na vasilha. A escuta que eu havia colocado em sua casa, só me dava os barulhos de passos que ela fazia.

- Eliza! – falou alguém que passou pela porta entrando na cozinha. - Vai demorar muito?
 

Era Alexis Burton.
 

Droga, pensei. Não é possível que em tudo essa mulher está presente!
 

- Já estou indo, só estava colocando o refrigerante. – disse Eliza.
 

- Ah sim, - falou Alexis. – sabe... Acho que realmente gostei de ter ficado com o Nicholas hoje.
 

- Ah amiga, pela sua cara, isso é certeza absoluta! – disse Eliza enquanto ria.
 

- Não sei, o jeito dele... Me parece tão misterioso.
 

- E você nem gosta de um mistério não é mesmo? – perguntou Eliza tacando uma pipoca no rosto da Alexis.
 

Alexis ficou meia pensativa, comeu uma pipoca e se encostou na bancada. Minha mira agora estava sob sua cabeça, e meu pensamento nas suas palavras. Ela estava gostando de mim? E eu, misterioso? Nunca me mostrei alguém misterioso e sem contar que nem meu nome eu menti. Disse como me chamo verdadeiramente e nunca tivemos situações da qual ela pudesse ver algum mistério. Será que ganhou essa impressão de mim, somente por causa do que aconteceu mais cedo?
 

- Vamos, está pronta! – disse Eliza sacudindo a vasilha para espalhar o sal na pipoca.
 

Elas saíram da cozinha, Eliza desligou a luz e se foi. Eu não consegui apertar o gatilho. Ela estava na minha mira, mas fiquei paralisado. Parei e deixei minha arma no chão. Me sentei e me encostei a parede. Quando me dei por percebido, minhas mãos já estavam passando pelo meu cabelo e meu rosto. Alisei minha testa em busca de um pensamento certo, em busca de algo que pudesse me fazer a retornar a mim mesmo.
 
Alexis, pensei.
 

Peguei meu celular e procurei pelo número dela. Liguei e deixei tocar três vezes, tempo suficiente para ela ver a chamada e atender, mas antes que ela fizesse a última parte, eu desliguei o telefone. Provavelmente ela pegou o celular agora para saber quem era e ao ver meu nome, já começou a pensar no que eu queria com ela, no mesmo dia em que fomos pra cama. Agora era o momento certo.
 

Meu celular vibrou e quando olhei o visor, lá estava escrito.
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                                             Chamada de Alexis Burton
                                                  
                                                   Atender Desligar
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- Alô? – falei ao atender o celular.
 

- Oi Nicholas, - falou Alexis parecendo um tanto insegura. – você me ligou?
 

- Eu? – perguntei soltando um leve risinho.
 

- É... – parecia ainda mais insegura sobre ter me feito aquela ligação.
 

- Liguei. – pude ouvir um suspiro de alivio dela. – Quer sair comigo?
 

- Co... – antes que ela pudesse dizer algo eu a interrompi.
 

- Ás 20hrs no cine do Thaylon.

Desliguei o celular e observei o movimento que acontecia na casa da Eliza. Alexis passou pela cozinha correndo para outro cômodo, e logo voltou a cozinha dando pulinhos de alegria.
 

Louca, pensei e sorri.

Destravei minha arma, posicionei a mira na porta da cozinha novamente e quando se passou quinze minutos eu atirei. Sai do apartamento onde eu estava e fui direto para o apartamento da Eliza. Chegando lá, pude perceber o tiro que dei. Atravessou em ponto reto a janela e raspou na porta da cozinha dando um perfeito sinal de erro.


Ótimo, pensei.


Assim eu dou meu alvo eliminado. Não sei o que ocorrerá daqui para frente, mas eu não quero acabar com a vida de uma pessoa inocente. Pelo menos eu não quero mais isso. Não mesmo.
 
Eliza com certeza estava na casa da Alexis agora ajudando ela a se arrumar. Daqui a poucos minutos eu deveria me encontrar com ela no cinema. Cine do Thaylon fica no centro de Truly. Uma noite tranquila. Assim eu espero, só quero descansar a mente um pouco e poder ter uma primeira noite tranquila. Que assim seja.
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Mensagem de texto

De: Nicholas            Para: Oscar Fragoso

Último alvo eliminado

Enviar            Apagar

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Enviar. Ok.

Posted on 22:19 by Larissa Arievilo

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Eu não podia acredi... Ou melhor, eu não me permitia assimilar que tudo aquilo estava acontecendo. Eu confesso que sempre dormi com alguns caras, mas nunca fui o tipo de mulher que se submete a uma situação dessas no primeiro encontro e pior ainda, aquilo definitivamente não era um encontro.  Tudo começou com um molho de chaves e terminou em nós dois enroscados em cima da cama.  Eu só podia estar à beira da loucura. Não que eu esteja reclamando porque sinceramente, Nicholas se tornou impossível de tirar da cabeça desde aquele maldito, ou eu deveria dizer bendito arranhão em meu retrovisor, mas eu conseguia me controlar. Não era pra tanto me deixar chega..r
 
─ AH.. − Gemi entre os dentes enquanto sentia um calor entre as pernas. Ainda me pergunto como consegui pensar em todas essas coisas diante daquele belíssimo par de orbes azuis simplesmente me levando a loucura. Mas apesar disso, tudo que eu desejava naquele momento era que um telefone ou uma campainha tocasse. Não era assim que as coisas deveriam acontecer, ou era. E talvez Deus tenha ouvido minhas preces quando em meio a gemidos de ambas as partes, pude ouvir o toque estridente de meu celular.
 
A situação acabou se tornando mais desconfortável que pensei. O clima simplesmente foi dar uma volta pelo espaço e aproveitando o momento em que o meu orgulho, e a minha querida razão estavam falando mais alto, desvencilhei-me de Nicholas e despedi-me com um selo rápido. Enrolei-me no lençol da cama e catei rapidamente minhas roupas com o intuito de encontrar meu celular. Nicholas permaneceu estático por alguns instantes, mas depois tomou suas peças de roupa e vestiu-as mais rápido do que eu, até.
 
Depois de arrumada pude perceber a tela de meu celular reluzir em baixo de meu sapato. Caminhei apressada até ambos. Era uma ligação do escritório. Eu estava atrasada e hoje o dia seria cheio demais. Ao mesmo tempo estava sendo egoísta em me arrumar em silêncio, sem ao menos dar uma satisfação para Nicholas. Talvez não fosse necessário. Repensei, uma despedida não faz mal a ninguém.
 
Caminhei a passos largos em direção a sala sendo seguida por Nicholas. Eu podia jurar que estava sentindo sua respiração ainda ofegante em minha nuca, ou estava sonhando.
 
─ Olha tudo bem se você não encontrar a chave, eu já estou atrasada mesmo, passarei num chaveiro para fazer uma nova. E sobre o que aconteceu... Se você puder fingir que tudo não passou de um... Momento de pura insanidade, eu vou agradecer. Tenho que ir!

Virei-me em direção a porta e senti sua mão direita pesar sobre meu braço. Cheguei a pensar que ele não tivesse entendido meu pedido. Mas estava enganada. Nicholas que não havia proferido nenhuma palavra desde que cheguei, puxou-me educadamente para o lado e girando a maçaneta, deu espaço novamente para que pudesse sair.
 
Sem mais delongas dei as costas e corri contra o tempo. Precisava passar no chaveiro e ir direto para o escritório. No caminho liguei para Loren, minha secretária. Pedi que ligasse para as pessoas que jantaria mais tarde e confirmasse o restaurante no centro de Truly. Chegando ao escritório, organizei os esboços que havia criado em casa semanas atrás enquanto o chaveiro tirava uma cópia de todas as portas para mim.
 
O dia passou voando e senhor, eu acho que olhei o visor de meu celular pelo menos umas cinco vezes só enquanto estava analisando as casas de alguns clientes. Eu estava impaciente. Ofereceram-me até mesmo um copo de água com açúcar. Eu estava criando expectativas demais, Nicholas não é o tipo de cara que liga no dia seguinte, ele não iria ligar no mesmo dia, pior ainda. Por longas horas esqueci-me completamente de Marc. O grande amor da minha vida que eu havia deixado para escanteio desde a chegada de Nicholas.
 
Apesar disso, agora não era hora de reviver o passado, que não era tão passado assim. Já badalava 19 horas da noite. Como o dia havia passado rápido, pensei. Em uma hora eu deveria estar pronta para o jantar de negócios. Com certeza não conseguiria chegar à casa a tempo. Dirigi de volta para o escritório e me arrumei por lá mesmo. Eu havia premeditado toda a construção de maneira que pudesse fazer coisas do tipo. Havia um banheiro pessoal e outro público. No pessoal, havia uma porta que dava num closet pequeno, só guardava algumas peças, maquiagem e uns pares de sapatos para ocasiões como essa.
 
Em alguns minutos estava pronta trajando um tubinho tomará que caia verde musgo, um colar simples, cabelo solto e um sobretudo bege um pouco acima do joelho. Eu tinha 15 minutos para chegar pelo menos em cima da hora. E lá estava eu dirigindo até o centro da cidade, feito louca. Por sorte meus clientes se atrasaram. O restaurante estava ameno, solicitei ao garçom que me trouxesse uma água e permaneci esperando mais alguns minutos.
 
A água chegou e os clientes não, e essa não era a única surpresa desagradável da noite. A poucos metros encontrava-se Marc, um cara que desde o dia em que o conheci me tirou todas as noites de sono possíveis, até mais do que Nicholas. Ele era perfeito. Educado, bonito, inteligente, tinha bom gosto pra praticamente tudo, menos pra mim. Ele nunca me olhou de outra maneira como a filha protegida e ingênua de Filipi, eu já estava na casa dos vinte e o homem me ignorava como uma adolescente que se apaixona pelo professor. Era angustiante, por vezes criei situações propícias a um beijo, um beijo que fosse. E ele desconversava, pigarreava, fugia e agora estava bem ali, na mesa de nº 6 acariciando a face de outro homem. Ele podia ser casado... Eu superaria com mais facilidade, mas isso foi quase uma traição. Alguns segundos encarando sua mesa e deparo-me com Marc sorrindo, e acenando em minha direção como cumprimento. Sempre tão educado, bonito, gentil... E agora não era mais para o meu bico. Terrível. Sorri com os olhos e voltei o olhar desolado e desconsolado para a taça de água que já havia terminado.
 
Ainda pensativa, respirei fundo e dei-me conta de que chovia um pouco. A janela ao meu lado respingada de gotículas anunciava a chegada do inverno chuvoso. O vidro estava um pouco embaçado e permitia que fizesse alguns desenhos... Ergui o dedo indicador, tirei a luva e rabisquei um coração partido. Ri de mim mesma e passei a mão em cima limpando a besteira que havia acabado de fazer. Através da janela, pude ver um homem bem parecido com Nicholas e mesmo com a decepção de ainda pouco, senti meu coração bater descompassado de um jeito que eu nunca vi. Forcei a vista em direção ao homem e frustrei-me ao perceber que não era, elevei minhas mãos até a cabeça e espalmei-a repetindo o mantra: Você está louca, louca, louca.
 
E assim, mergulhada em meus devaneios não percebi que meu celular tocava, era Loren. Parece que uma geada estava chegando a cidade de meus clientes e estava quase impossível de sair na rua. Chamei pelo mesmo garçom e pedi o que eles tivessem de melhor na cozinha. Nada melhor do que afogar as mágoas comendo. Levei algumas horas para saborear o jantar solitário e depois segui para casa.
 
Eu estava exausta e apesar disso não conseguia pregar os olhos, o dia havia sido longo e cheio de emoções para uma cabeça, e um coração só.Talvez um chá fosse capaz de amenizar a situação. 

Depois de preparada para dormir, caminhei até o corredor e procurei Alfred com os olhos, se bem o conheço com certeza ainda está acordado dando ordens por todo o lado. Chamei por seu nome e o vi aparecer ao fim da escada.

─ Senhorita Burton?

─ Alfred, sem formalidades, por favor. Hoje o dia foi longo, deliciei-me com um belo de um jantar solitário e agora apesar do cansaço não consigo pregar o olho. Você pode pedir a Dorinha que faça um chá para mim?

─ Claro Aléx, na verdade eu mesmo tomarei a liberdade de fazer. Dora já deve estar no décimo sono.

─ Tudo bem, mas prometa-me que depois disso irá para cama, certo?

Percebi um sorriso brotar nos lábios de Alfred. Em seguida meneou a cabeça e saiu para fazer-me o chá. Enquanto voltei para o quarto, desfiz a cama e deite-me a sua espera. Aguardei por alguns minutos e logo ouvi um barulho, era Alfred batendo na porta carregando um aroma irresistível dentro da caneca.

─ É de camomila, para que tenha uma noite e um dia tranquilo!

─ Ah, Alfred, obrigada! Você sempre tão atencioso mais presente do que papai.

─ Seu pai é tão ocupado quanto você. Sendo assim vou tratar de preparar um almoço para vocês um dia em que estiverem disponíveis.

─ Ah, só você mesmo, espero que consiga essa proeza! Agora vá descansar boa noite.

─ Boa noite Senhorita.

Posted on 12:00 by Larissa Arievilo

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- O que temos para hoje? – perguntei ao vento.

Já era de manhã, na verdade, ainda era madrugada. 4:48 horas. Levantei da minha cama macia e fui direto para a cozinha. Abri a geladeira e procurei algo para preparar um bom café da manhã. Devorei o meu café sentado assistindo a hora Acme. Fazia tempo que eu não via desenhos e eu simplesmente amava, principalmente os mais antigos.

A madrugada ainda se despedia e essa era a hora em que eu ia praticar meus exercícios. Tinha uma barra com alguns peso para me ajudar a manter o corpo bonito. Sim, sou do tipo bem vaidoso e gosto de ter uma boa aparência, porém, não sou de mostrar meu corpo. Uso roupas um pouco mais largas do que um homem nos dias de hoje está acostumado a usar, mas isso não me incomoda em nada.

Fiquei fazendo meus exercícios enquanto eu ia ouvindo músicas e lembrando da noite anterior, onde eu havia me encontrado com a Elisa. Seu rosto estava cravado em minha mente, o que não era ruim, mas eu temia por algo. Pode ser apenas o desejo de acabar com essa parte da minha vida logo que esteja me deixando assim ou então...

Alexis, pensei.

Parei de malhar e fui tomar um banho para refrescar o corpo. Costumo demorar debaixo do chuveiro, pois gosto de ficar pensando e repensando na vida, ali debaixo, mas meu celular tocou e eu tive de correr para atendê-lo.

Despertador, pensei.
Era apenas o despertador e eu nem me lembrava que ele despertava todo dia as 7 horas da manhã. Desliguei o despertador e vi novamente na tela que havia uma mensagem de texto para mim.

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Mensagem de texto
                                             Alexis Burton

                                                 Ler - Sair
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Me esqueci completamente, pensei e logo em seguida, abri a mensagem de texto para ler o que a Alexis queria.

 
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Mensagem de texto

Boa Noite Nicholas, desculpe estar te incomodando a essa hora, mas é que eu percebi ter esquecido as chaves de meu escritório em seu apartamento. Eu acho que caiu dentro do seu closet quando estava acompanhando o trabalho de minha equipe. Gostaria de saber se amanhã bem cedo posso dar um pulo em seu apartamento para pegá-las. Espero que leia a mensagem! Passar bem, beijo.

                                            Alexis
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DING DONG

- Droga! – falei.

DING DONG

- Já... Já vai! – falei.

Corri para pegar a toalha que estava mais próxima de mim e me enrolei nela, corri até a porta para saber quem era e quando olhei pelo olho mágico, era quem eu menos esperava.

- Oi, - falei abrindo a porta e me escondendo um pouco, pois eu ainda estava enrolado na toalha. – senhorita Alexis Burton.



- Olá senhor... Nicholas...? – falou e perguntou ao mesmo tempo.

- Forbes. Nicholas Forbes. – respondi em um sorriso sem graça.

- Não vai me convidar para entrar? – perguntou a bela Alexis Forbes.


Eu nunca havia notado em como ela era. Cabelos negros, tão negros quanto a noite. Seu rosto era claro que deixava de forma perfeita seus lábios vermelhos em destaque, mas nada tirava dela, o poder que tinha nos olhos. Azul como o céu. Azul como o mar. Azul como a vida.

- Ah, claro... – falei abrindo mais ainda a porta. – Pode entrar.

- Obrigada.

 - Só me desculpe por uma coisa...

- O que seria? – perguntou enquanto se virava para mim e então, viu meu estado.

Rimos um da cara do outro e eu fui até o meu quarto para vestir uma roupa. Coloquei uma camisa que estava jogada em cima da minha cama e voltei a sala para falar com ela normalmente.

- Bem Nicholas, eu não quero tomar seu tempo, só vim mesmo buscar minhas chaves.

- Ah sim, mas não estão aqui. – falei.


- Ai meu Deus... – falou Alexis colocando as mãos na cabeça. – Isso é impossível, elas deveriam estar aqui.

- Alexis, - disse. – me desculpe, mas não estão.

- Já ouvi. – falou e se levantou.

Ela andou em direção a porta e eu corri até ela para abrir, e então ela se virou e andou depressa até o meu quarto e eu corri até ela tentando impedi-la de entrar no meu closet. Agora ali era um lugar onde ninguém mais poderia entrar. 

Dentro do closet não tem nada demais, porém, atrás do closet, tem a minha vida secreta e se por um acaso ela descobrir quem eu sou, já era.

- Me deixe procurar lá dentro! – disse Alexis já mostrando muita impaciência.

- Não está aqui eu já falei!

Ela parou e me encarou. Ficou séria e depois me fez cara feia. Esperei que ela me mandasse língua e então ela pulou em cima de mim me empurrando e tentando de todas as formas passar por mim. Eu a segurei com força e com medo de machuca-la, mas ela estava me deixando muito irritado e isso nem sempre é bom. Olhei bem nos olhos dela tentando de alguma forma por medo dela ou mostrar minha irritação, só que não parecia adiantar. Antes eu pudesse joga-la para algum canto e causar um acidente sem querer, eu fiz o que eu nunca imaginei que faria. Pelo menos não com ela.

Sua brutalidade parou quando toquei meus lábios no dela. A beijei e segurei fortemente seus cabelos envolvendo-os pela sua nuca. Suas mãos ainda batiam em meus ombros, mas eu continuei na ideia do beijo, até que ela cedeu e me beijou. Parou então de me bater e começamos um beijo que foi veloz, mas não terminava. Segurei na cintura dela e a tirei da porta do meu closet, ela então segurou minha nuca e jogou o braço por cima do meu ombro. A cama estava a centímetro e nossos olhos fechados. Eu, maliciosamente fui direcionando nossos passos até a cama, onde ela foi impedida de continuar andando para trás e enfim, caiu me levando juntamente com ela para a minha cama.

- Alexis... – tentei falar algo, mas não tinha como.

O beijo não parava e o calor só aumentava. As roupas iam sumindo e nossos corpos mais íntimos iam ficando.

- Ai! – gritei assim que senti uma de suas unhas quase arrancarem minha carne das costas.

- Vem... – sussurrou Alexis e continuamos com nossos beijos e mais apropriadamente dizendo, nossas intimidades.



Posted on 08:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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RENEGADOS


Capítulo 9


O psicopata entra novamente em ação




Tentei conversar com o meu grupo no mesmo dia, só que não deu, então resolvi deixar para a manhã do dia seguinte para ai então, falar com todos de uma única vez. Enquanto eu tentava dormir um pouco, fiquei pensando nos três dias que passei naquele barraco, no plano que eu inventei na hora, no incêndio que eu causei, na morte de Patrick e no reencontro com a Karen. Eu nunca iria imaginar reencontrar ela ali, aquilo me pegou de surpresa e creio que a ela também.
Pensei também na Lavigne. Era como se eu e ela já tivéssemos algo e apesar de um forte clima ter rolado há alguns minutos atrás, eu tinha a minha certeza de que éramos apenas amigos. Eu estava confuso e fiquei me perguntando o tempo todo, a causa dos meus sentimentos terem ficado daquele jeito. Meu coração parecia ter encontrado algo, pois eu sentia que ele queria pular pra fora do meu peito. Foi muito intenso.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, eu fui direto para o refeitório tomar um café da manhã reforçado. Pedi ao meu grupo que me encontrassem no meu quarto em trinta minutos, e assim foi feito.
- Tenho uma notícia a dar a vocês. – comentei.
- Espero que seja boa. – disse Lavigne.
- Você vai amar. – falei sorrindo.
- Diz logo Marcos. – pediu Jacob.




- Ok, como queiram. – comecei. – Ontem, eu encontrei uma amiga. Muito amiga mesmo. Lavigne a conhece, só que o restante não sabe quem é.
- Eu conheço? – perguntou Lavigne pensativa.
- Sim, conhece. – disse. – Nós nos esbarramos no local onde ficamos presos cercados por berrantes. Por sorte dela e azar o nosso ela só chegou depois que acabamos com


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todos os berrantes. Ela me deu o carro dela cheio de suprimentos e disse que era pra gente encontrar com ela amanhã, na estrada de lama do pico. – falei e então olhei para Lavigne. – Lavigne, era a Karen. Ela vai nos encontrar junto com o nosso grupo antigo. 



- Karen? – perguntou Lavigne incrédula. Ela abriu a boca e a tapou com as duas mãos, seus olhos brilhavam intensamente e ela se movia para trás como se não tivesse medo de cair em algum buraco.
- É. – falei. - Nós vamos reencontrar a todos.

- E nós? – perguntou Deanna.

- Então, é sobre isso que eu vim falar com vocês. – comecei. – Eu quero que vocês venham conosco.

- E eles vão nos aceitar? – perguntou Jacob.

- Claro! – falei dando certeza. – Serão aceitos numa boa, inclusive, temos mais dois no nosso pequeno grupo. Ellen e James. Também irão conosco.

Eles cumprimentaram James e Ellen já que ainda não se conheciam, mas um imprevisto aconteceu. Um desagradável imprevisto.

- Ué, então quer dizer que você vai fugir é mariquinha? – perguntou Thomas implicando com Lucca. Seu hálito de cerveja estava bastante forte, já dava para se imaginar o porquê estava implicando com o Lucca.

- Relaxa. – sussurrei para o Lucca que já estava bufando de raiva.




- Haha! É espanhol! Você ta certo, tem que fugir mesmo! Foge! Foge! – gritava Thomas.

- Olha... – Lucca tentou falar, mas eu tapei sua boca antes que falasse alguma coisa. Já que iríamos sair dali, que saíssemos sem causar nenhum problema. Era a última vez que ele teria de aturar aquele maluco, então uma ultima vez não faria mal a ele.

- SEU MERDA! – berrou Thomas e foi ai que eu não consegui conter o Lucca.

Lucca me empurrou para o lado e eu bati contra a parede. Sei que ele não queria me machucar, mas aquilo havia doido. Lucca ia jogando o corpo pra frente bem posicionado para bater a qualquer momento e quando chegou perto de Thomas ele o socou no olho. Thomas cambaleou para trás e ao contrário de todas às vezes agora ele estava rangendo de tanta raiva. Thomas tentou um golpe, mas foi sem sucesso. Lucca o empurrou para trás e chutou sua barriga. Thomas ficou de joelhos com as mãos


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sobre a barriga tentando recuperar seu ar, mas antes que ele fizesse isso, Lucca deu três socos no seu rosto que o fez cair.
Lucca estava cuspindo fogo de tanto ódio que estava do Thomas e o Thomas sentia a mesma coisa em relação ao Lucca.

Creio que o Lucca ia continuar socando Thomas, só que por sorte James o segurou e o conteve. Lucca se acalmou e então recuou deixando Thomas caído no chão sobre sangue cuspido pela sua boca. Lucca coçava sua cabeça constantemente, deveria estar pensando no que ele tinha acabado de fazer, quando nós ouvimos.

BANG! BANG!

Dois tiros, um acerto. Thomas tinha se arrastado até a parede e se levantado se apoiando nela. Ninguém viu, mas ele carregava uma pistola na cintura e atirou no Lucca. Por sorte ele estava tão bêbado que um tiro foi na parede e o outro pegou no braço esquerdo de Lucca. Só assim Thomas caiu em si do que tinha feito, mas para quem acha que ele largou a arma e saiu correndo, vocês estão enganados.

Thomas pegou sua arma e saiu correndo, só que atirando e para todos os lados.

- Esse cara está maluco! – grita alguém no corredor principal.

- Está tudo bem Lucca? – perguntei.


- Ai! Está tudo bem sim, ai! – responde Lucca em meio a gemidos.

- Ai meu Deus! Irmão! – berra Deanna.


- Não se preocupe, ele esta bem. – diz Ellen. – A bala pegou no braço e não atingiu nenhum ponto vital.




- Você é médica? – perguntei.

- Tinha um consultório próprio. Era a minha vida. – respondeu Ellen demonstrando tristeza ao lembrar-se do passado.

- Me deixe ajudar. – disse Lavigne.

Ellen e Lavigne ficaram ali cuidando do braço do Lucca. Deanna estava um tanto nervosa, mas Jacob estava conseguindo acalma-la. O problema agora seria conversar civilizadamente com Adam. Ele com certeza não ira gostar de nada disso e talvez não isso não fosse nada bom.

- QUE MERDA É ESSA? – berrou Adam, entrando na sala para saber o que houve.


- Seu amigo psicopata! – disse James. – Você sempre o defendeu e olhe só o que ele fez!


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- Como... – falou Adam encarando James. Ele parecia não acreditar na forma como James falou com ele. – Como você tem coragem de falar nesse tom comigo? 

- Se está esperando por um pedido de desculpas, esqueça!

- Muito bem senhor James. – falou Adam. – O senhor pode sair deste lugar, imediatamente. – terminou de dizer em um tom tranquilo e um tanto ameaçador.




Adam olhou para o estado do Lucca e se virou. Deu-nos as costas mais uma vez e se foi para algum lugar do prédio. Deveria estar muito furioso já que foi confrontado e isso Adam não suportava. Com ele tinha que ser tudo no maior e total respeito. Ele queria ser um rei onde seus súditos não reclamassem quando ele fosse manda-los fazer algo estúpido. Queria ter poder sobre todos, mas seu reino estava despencando e ele mal estava preparado para isto.

James foi expulso do prédio. Ele me perguntou como faria para me encontrar do lado de fora e eu achei melhor dizer aonde meu grupo irá nos aguardar. Ele então saiu do prédio e foi direto para lá e isso seria bom, pois se nós nos atrasássemos ele saberia explicar o motivo.

- Irmão, você vai ficar bem. – falou Deanna acariciando o rosto do Lucca.




Ele estava bem, só sentia muita dor já que a Ellen teve de tirar a bala que ficou alojada em seu braço. Esse foi o motivo de ter dado febre nele e tanto suor. Com certeza esses sintomas seriam os mesmo em qualquer um que tivesse uma bala alojada em seu corpo e tivesse de tira-la dali sem alguma anestesia. Deveria ser uma dor e tanto pra derrubar o Lucca daquele jeito.

- A febre só esta aumentando, ele precisa de remédios. – comentou Ellen.

- Vou falar com o Adam. – falei.

Fui atrás de Adam. Não foi difícil de encontra-lo, afinal de contas ele sempre fica no seu canto escondido. Seu escritório, o seu lar especial. Adam estava com cara de poucos amigos. Alisava os lábios enquanto viajava pensando em algo. Quando me viu, apenas ergueu um de suas sobrancelhas e me olhou. Com uma mão disse para que eu me sentasse e então começou a conversar comigo sobre o que havia acontecido. Contei tudo e ele pareceu entender. Continuou com a ideia de proteger Thomas e que deveríamos tomar cuidado. Perguntou se Lucca havia o confrontado em algum momento, o que eu achei ridículo. O cara levou um tiro de um psicopata. Ele nem deveria ter uma arma ali dentro. Como ele me pergunta se o Lucca o confrontou?

- Só se autodefesa for confrontar alguém. – disse.


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Adam continuou olhando para o nada e pensando em algo. A minha paciência já estava se esgotando e então eu pedi os remédios. Ele finalmente se libertou da estátua que havia criado de si próprio e levantou da cadeira. Pegou os remédios e me deu.
Fui correndo até a sala onde os outros estavam. Lucca estava sentando com as pernas esticadas sobre o sofá e a Ellen enfiando uma agulha em seu braço. Lavigne parecia um pouco perdida com a Ellen ali, afinal de contas, ela era apenas uma enfermeira e ainda estava estudando e a Ellen já era bem experiente, tinha seu próprio consultório o que fez Lavigne ficar um pouco insegura de suas ações.
- Trouxe os remédios. – disse.
Lavigne pegou os remédios, deu uma boa olhada e perguntou se era um que ela estava olhando, o remédio certo para abaixar a febre do Lucca.
- Este mesmo querida. – respondeu Ellen. Lavigne sorriu e deu o remédio ao Lucca que poucos minutos depois adormeceu.
Do lado de fora do prédio estava um movimentação grande. Berrantes por todos os lados e alguns tentando entrar pela cerca. Provavelmente o barulho dos tiros disparado por Thomas, os chamou a atenção. No dia seguinte, dia em que eu deveria encontrar o meu grupo, houve um desastre e por sorte, Lucca já havia acordado e sem febre.
- Os berrantes estão conseguindo entrar. – falou uma mulher na sala chorando. – Nós vamos morrer! – berrou.
- Vamos morrer? – perguntou uma senhora incrédula.
- Não vamos morrer. O Adam vai nos proteger. – falou um jovem tentando amenizar os problemas.
- É... O Adam vai fazer alguma coisa... – falei temendo estar errado. E poucos minutos depois de eu dizer isso...




- BERRANTES! – gritou alguém subindo as escadas.

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Posted on 08:00 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Depois de longas horas dirigindo, sim, porque morava bem no interior de Truly em uma mansão planejada detalhadamente por meus antepassados. Cuja extensão era larga o bastante para tomar um quarteirão inteiro. Continha algumas plantações, mas em sua maioria o belíssimo gramado que meu pai costumava namorar ao amanhecer era coberto de flores de todos os tipos. Cheguei a casa.

Desci do carro e entreguei as chaves ao Alfred, era mordomo de nossa família há anos e alguém que eu confiava mais que a mim. Pra ser sincera, a única coisa recente éramos eu e meu automóvel. Retirei os sapatos e caminhei pela grama extremamente congelada vagarosamente, gostava do frio e essa era a única época do ano em que podia deliciar-me com toda essa temperatura magnífica.


Papai não estava em casa, como de costume. Subi as escadas o mais rápido que pude e basicamente voei para meu quarto. Estava fedendo a cigarro e por mais que gostasse, já estava enjoada. Soltei o par de sapatos num canto qualquer e a bolsa em cima da cama. Pousei as mãos na cintura e bufei pensando que não havia nada mais a ser feito pelo restante do dia. Na verdade havia, mas hoje eu não estava no clima. Virei-me para o espelho, ajeitei o cabelo e comecei a abrir o feixe do vestido. Apenas de roupa íntima, caminhei até a porta central que havia em minha suíte e empurrei-a para o lado. Guardei o vestido no cesto de roupas sujas e liguei o rádio, precisava abstrair o arranhado em meu retrovisor e esquecer aquele par de orbes azul. Havia esquecido um CD dentro e não fazia ideia de qual poderia ser.

O Box encontrava-se entre aberto, primeiramente estiquei-me para abrir o chuveiro e em seguida retirei as peças íntimas que faltavam. Coloquei-as no cesto e pude ouvir o inicio da música que começava a tocar:


“Is it getting better or do you feel the same? Will it make it easier on you now? You got someone to blame...”.
Esbocei um sorriso bobo e segui para dentro do Box. Ao perceber que uma das partes que mais gostava se aproximava, segurei uma garrafa de Shampoo e acabei-me cantando One.

“You say one love, one life (one life) It's one need in the night. One love (one love), get to share it. Leaves you darling, if you don't care for this. Did I disappoint you? Or leave a bad taste in your mouth? You act like you never had love and you want me to go without.”

Depois de algum tempo, a música já havia terminado e o CD agora seguia com uma trilha sonora branda, e extasiante. Sequei-me no banheiro mesmo e caminhei de volta para o quarto enrolada na toalha. Troquei-me rapidamente e sentei-me na cama. Senti o cabelo respingar em minha roupa e tratei de penteá-lo, e secá-lo mais uma vez. Logo voltei para a cama, desforrei-a e deitei-me. Pensei um pouco no que faria no dia seguinte. Alguns esboços para levar para o escritório, algumas casas no centro de Truly para visitar e um jantar de negócios. Ótimo, estarei suficientemente ocupada para não pensar em nada, ou melhor, em ninguém.  

Depois de recapitular o que faria, deitei-me em minha cama e aconcheguei-me nas almofadas de pena de ganso que havia recebido como herança de minha mãe. Aliás, eu sinto tanto com a morte dela. Até hoje não me conformo, não pude ver o enterro de minha própria mãe.  Quando me dei conta estava tomada por um nó na garganta imensurável e os olhos cheios d’água. Aparei as lágrimas que teimavam em cair e acabei adormecendo. 



Um tempo depois me peguei acordada fitando o teto e um tanto atordoada, mas evidentemente não o suficiente para não perceber que havia esquecido minhas chaves no ultimo apartamento que havia decorado. Pensei um pouco e lembrei-me. NICHOLAS! Eu havia esquecido em algum lugar no chão de seu closet. Era tarde demais para importuná-lo. Além do mais depois da batida, creio que não tenha ido muito com a minha cara. Por outro lado precisava da chave e temia por não acha-la. Teria de mandar um chaveiro em meu escritório logo de manhã cedo e isso atrasaria todos os meus planos para o resto do dia. Sem mais rodeios corri até a cama e enviei-lhe uma mensagem.
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Mensagem de texto
Boa Noite Nicholas, desculpe estar te incomodando a essa hora, mas é que eu percebi ter esquecido as chaves de meu escritório em seu apartamento. Eu acho que caiu dentro do seu closet quando estava acompanhando o trabalho de minha equipe. Gostaria de saber se amanhã bem cedo posso dar um pulo em seu apartamento para pegá-las. Espero que leia a mensagem! Passar bem, beijo.

                                                                                     Alexis _________________________________________________________________

Posted on 02:30 by Larissa Arievilo

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