Olá galera! Eu peço novamente desculpas por ter atrasado tanto esta postagem, mas aqui está ela. Como eu disse, por eu estar estudando para o ENEM, não há previsão para quando poderei lançar o capítulo 9, mas, assim que puder, irei avisar para vocês no grupo do Facebook. Enfim, mil desculpas novamente, e curtam o capítulo 8!

Posted on 17:45 by Yuri Costa

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                                                                                                 CAP. 7

Quando cheguei a minha casa, fui direto para o banheiro. Tomei um bom e demorado banho e fui para meu quarto. Deitei em minha cama, e percebi como nunca, o quanto era macia. Meus pensamentos voltaram a fluir com peso em minha mente, porém, tentei ao máximo bloquear, pois queria apenas algumas horas sem tantas loucuras na minha cabeça. O estranho era que dentre todos os pensamentos, o que ficava insistindo em ficar era o momento em que a Isabela me abraçava. Ultimamente estava com o pensamento muito ligado a ela e isso me era estranho.
Meu celular toca, e quando olho, já é hora de ir para escola. Incrível como o tempo voou! Eram quase cinco horas quando deitei e já são quase nove horas.
Me levantar daquela cama tão macia não foi nada fácil. Eu estava com muita dor no corpo, talvez pelo dia anterior, todas aquelas pancadas no meu corpo pareciam surtir o efeito da dor só agora.
- Ai, minha coluna! – Reclamei enquanto descia as escadas indo para a cozinha.
- Parece que tem alguém pegando o jeito da coisa. – Falou o Wilson, meu empresário.
- Que jeito? – Perguntei sem nada entender.
- Jeito de velho! Haha! – Falou enquanto dava gargalhadas.
- Oh, nossa você é muito engraçado! – Falei em um tom irônico. Até dei uma risadinha de leve, mas foi mais para não deixar ele mal. Parecia feliz e que pelo menos ele continuasse assim. Energia positiva é sempre boa.
 - Tonny, trago boas noticias para nós. – Diz ele se sentando a mesa. – Temos um teste pra você. Viram um vídeo seu... Um de quando você fazia teatro lá em Minas, na sua cidadezinha. – Eu já estava pasmo a cada palavra que ele soltava pela boca, mas antes de eu falar qualquer coisa, senti que ele ainda tinha algo para contar, então respirei fundo e fiquei mais atento do que já estava. – É um teste de um filme que vai lançar neste ano ainda, e quem te escolheu foi o próprio diretor. Se prepare, porque você vai ficar muito ocupado nesses próximos dias.

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Fala pra que? Resolvi ficar quieto e continuar fazendo o que estava. Mas o problema foi todo este, fiquei quieto demais. Lanchei, me arrumei e fui pra escola totalmente mudo. Eu não tinha muito tempo de convívio com o Wilson, mas é certo de que ele percebeu que eu estava com algum problema. Eu estava precisando falar isso com alguém. Pensei no meu pai, mas não queria alguém pra falar por telefone, eu queria alguém que me olhasse nos olhos e me visse como estou me sentindo.
Cheguei ao colégio e tudo no maior silêncio. Me sentei sem olhar pra ninguém, e se me deram bom dia, eu não retribui. Eu estava surpreso com o que o Wilson havia me dito horas atrás. E até mesmo feliz! Afinal, era tudo o que eu mais queria na minha vida. Conseguir um papel em um filme, de um modo não tão difícil assim, é como... Se estivessem rindo da minha cara e oferecendo tudo isso, sabendo que não tenho como aceitar. Pelo menos não até eu ajeitar minha nova vida. Resolver meus problemas estranhos que os outros com certeza não acreditariam.
Continuei quieto até que o sinal do intervalo tocou. Fui para o pátio sem assunto com ninguém, apenas colocando a cabeça pra ficar vazia, mas percebi que uma amiga da Isabela estava vindo à minha direção, e provavelmente ia falar comigo.
- Oi Tonny! – Falou a Martinha, amiga da Isabela.
- Olá!
- É... Você sabe onde a Isabela está?
- Não, - Falei lembrando que nem olhar para ver se a Isabela estava lá eu olhei. – na verdade eu nem sei.
- Hum. – Respondeu meio desacreditada. Mas tudo bem, ficamos ali conversando um pouco e foi até bom. Conversamos o intervalo todo e quando o sinal bateu, voltei para minha sala. Minha sorte é que era sexta-feira e toda sexta-feira minha turma saí cedo. Dito e feito, depois de mais dois tempos de aula, fomos liberados. Fui direto para minha casa, já que na escola eu não tinha muita coisa de interessante para fazer. Ao chegar lá, encontrei o Wilson preparando o almoço, e o cheiro estava muito bom. Dava até pra sentir lá da porta de casa.
- Hoje temos visita! – Gritou o Wilson enquanto eu subia as escadas, indo para o meu quarto.
Fiquei pensando em quem poderia ser. Será que era o meu pai? Não, ele tem que ficar lá com a loja e não teria tempo para vir aqui me visitar. Mas quem poderia ser? Tomara que seja legal pelo menos.

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Antes que a visita chegasse, tomei um bom banho e fui para a sala ver TV.
- Wilson! – Falei para chamar a atenção dele, já que estava tão concentrado na cozinha. – Quem é que vai vim aqui?
- Ah, - Falou ele parecendo estar terminando de fazer o almoço. – uma amiga sua! Ela falou que queria falar com você, então resolvi chama-la para almoçar conosco.
- Amiga minha? – Perguntei sem entender. – Que amiga? Qual o nome dela?
- Calma Tonny! – Falou em meio a risadas. – Ela não parece querer te morder não. Bom, ela disse ser a Isabela Melo.
- Isa? – Falei para mim mesmo.
Ou o céu estava caindo ou eu estava flutuando nas nuvens. Não sabia nem o que dizer ou o que pensar. Eu estava muito surpreso e os problemas da minha cabeça pareciam estar ficando pequenos.
- E que horas é que ela vai vim? – Perguntei, e logo em seguida, a campainha toca.
- Deve ser ela! – Disse o Wilson sorrindo e me olhando de um jeito que eu parecia conseguir ler seus pensamentos, “vai lá abrir a porta, vai!”.
Dei um pulo do sofá, e fui em direção a porta e quando abri, eu automaticamente devo ter aberto minha boca junto. Ela estava linda, não sei se era o sol, mas a cor amarelada de seu cabelo estava irradiante e muito bonito. Estava vestida com um vestido curto e um pouco largo, o que combinou muito com ela. E ainda segurava um pote enrolado em uma toalha.
- Não vai me convidar para entrar? – Perguntou a Isa sorrindo um pouco tímida.
- Claro que sim, - Falei abrindo mais a porta e dando passagem para ela. – entre, por favor!
- Obrigada! – Falou entrando e com um sorriso no rosto. Fomos até a cozinha para que eu pudesse apresentar ela ao Wilson, mas nem precisou.
- Ora, ora! Você quem deve ser a Isabela Melo, certo? – Falou vindo na nossa direção.

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- Certíssimo! – Falou a Isa meio sem graça.
- Ah, sabia que o Tonny tinha bom gosto.
- Que? – Perguntei e ainda bem que não tinha um espelho na minha frente, porque eu não gosto de me ver ficando vermelho.
- Ah, aqui vocês dão dois beijinhos no rosto não é mesmo? – Falou o Wilson cumprimentando a Isa com dois beijos no rosto, do jeito certo, alias, do jeito dos cariocas, e sei bem disto porque na primeira vez, deixei a Isa mal, dando apenas um.
- É, acertou. – Falou a Isa.
Ela deixou o pote que trouxe em cima da mesa, e disse que era uma sobremesa, mas que só iríamos saber o que era na hora, porque era uma surpresa. O Wilson disse que pra nós esperar na sala, já que ele ainda não tinha terminado de arrumar a mesa, mas que logo, logo iria nos chamar.
Fizemos isso. Fomos para a sala assistir TV. Não puxei nenhum assunto, afinal, não tinha em mente o que falar com ela. Minhas mãos estavam ficando suadas já, de tanto nervosismo.
- Porque você não foi pra escola hoje? – Perguntei algo finalmente.
- Ah, - Disse ela entrelaçando os dedos. – não estava com cabeça para assistir aula.
- É, nem eu.
- E como você está? – Falamos juntos e então rimos.
- Ok, pode falar você primeiro. – Falei.
- Como você está? – Perguntou a Isa.
- Acho que estou bem.
- Acha? – Perguntou meio confusa. Então, expliquei o que estava acontecendo comigo, que meus pensamentos estavam me atordoando muito que chegava a dar dor de cabeça. E pelo visto, eu não era o único. Ela também estava pensando muito em tudo o que eu falei. Claro, não falei da parte que tenho pensado nela bastante nesses últimos dias, e nem ela, se caso tenha pensado em mim também.
- O almoço está na mesa! – Falou o Wilson.

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Partimos para a cozinha, e ainda bem, porque eu não queria ficar tocando naquele assunto. Não gosto muito dele.
Comemos bastante, o almoço, estava ótimo, e nossa conversa saudável. O Wilson se mostrou muito legal com a Isa, e ela, estava adorando passar aquela tarde conosco. E finalmente, chegou a hora da sobremesa. A Isa tinha trago um mousse de limão, e estava uma delicia!
- Minha mãe que fez, - Disse a Isa. – ela é ótima na cozinha, e o senhor também. – Falou elogiando o Wilson.
- Ah, muito obrigado. Pode deixar quero que você venha nos visitar, muita outras vezes para almoçar conosco. – Falou o Wilson sorrindo.
- Pode deixar comigo. – Falou rindo.
O Wilson começou a contar umas histórias de vida dele, do tipo quando era criança e brincava de casinha com as vizinhas dele. Disse até que uma delas foi à primeira namorada dele, e outra, era prima da sua ex-mulher. A Isa parecia bem interessada na história, e eu também. É legal ouvir histórias das pessoas que já viveram bons tempos. Só que tudo que é bom, dura pouco.
- Mas me fala o Tonny já te contou da proposta que recebeu? – Perguntou o Wilson para a Isa.
Não queria que ele falasse disso. Na verdade eu não queria que ninguém soubesse disso. Minha situação não era mais essa, quero dizer, para o Wilson ainda era, mas ele não sabe o que esta acontecendo comigo, e não pode perceber que esta tudo se acabando.
- Não, - Disse a Isa me olhando. – não me disse nada.
- Ah, Tonny, conta a ela!
- Não. – Falei sério, me levanto e vou lavar meu prato.
- Ei Tonny, calma! – Falou o Wilson. – Desculpa se fiz algo errado.
- Tudo bem, - Falei tentando amenizar, porque realmente, ele não tinha ideia de que aquilo me deixaria chateado. Até porque é uma boa notícia e ele esta muito feliz por ter conseguido esse papel para mim. – eu falei brincando. – Falei sorrindo.
- Ah ta vendo porque você conseguiu esse papel! – Falou o Wilson todo entusiasmado. E então, ele contou para a Isabela o que eu vim fazer aqui no Rio, e de onde eu era, e da proposta que recebi. A Isa me olhou justamente do modo em que eu achei que olharia, com um ar de "O que?”. 

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Ali ela percebeu que o Wilson não estava sabendo de nada do que tinha acontecido comigo, só assim ela deve ter entendido o porquê falei aquele não.
Já era hora de ela ir embora e como ela ia sozinha, me ofereci para deixa-la em casa. Ela se despediu do Wilson e agradeceu pelo convite e fomos pra casa dela. No caminho começamos a conversar sobre ela. Contou sobre seu primeiro amor e isso me deixou um pouco desanimado no assunto. Falou também que sofreu muito com isso, e depois disso, nunca mais quis se relacionar com alguém. Perguntei com quantos anos ela teve esse “primeiro amor” e ela respondeu que isso aconteceu quando ela tinha quatorze anos e só foi perceber que esqueceu esse amor, quando estava completando dezesseis anos.
Como o assunto estava crescendo cada vez mais, resolvemos parar na praçinha perto da casa dela. Sentamos em um banquinho e continuamos a conversa, só que ela queria mudar a rota do assunto.
- E você Tonny? Ator não? – Disse sorrindo.
- É, - Comecei. – esse é meu sonho desde criança, mas só tomei coragem de dizer isso ao meu pai no final do ano passado.
 - E sua mãe? – Perguntou ela sem saber que minha mãe já não esta mais entre nós.
- Bom, o papai do céu levou minha mãe quando eu tinha onze anos, depois disso tive que aprender a amadurecer com mais rapidez.
- Nossa Tonny, me desculpe! Não sabia que sua mãe tinha... – Ela resolveu não terminar a frase e para não deixar ela constrangida, voltei a falar.
- Não, que isso, não tem problema. Não é porque ela morreu que não posso mais falar nela. Pelo contrário, eu deveria era escrever um livro sobre ela, pois o mundo poderia admirar uma pessoa tão boa e inteligente que minha mãe foi.
Conversamos mais um pouco sobre minha mãe. Contei o que ela fazia comigo quando era criança, e ela ria, até porque minha história de quando era criança é realmente muito engraçada. Me diverti muito na minha infância, com meus primos que moravam no mesmo condomínio que eu. Vivia brincando de pique esconde e de pique cola entre outras brincadeiras que nos dias de hoje, as crianças já não brincam mais.
- Tonny, você acredita em paixão ou amor a primeira vista?

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- Acredito! – Respondi espontaneamente, o que fez com que ríssemos mais um pouco.
- E você já amou alguém? – Perguntou ela me encarando de um jeito cativante.
- A única mulher que amei foi a minha mãe, pois sinto falta dela até hoje, mas... Já me apaixonei novo até demais, porém, durou bastante.
- Conta pra mim. – Pediu a Isa de um jeito em que não pude dizer não.
- Me apaixonei por uma menina quando eu tinha acabado de fazer onze anos. Nos chegamos até a namorar, mas foi namoro de criança e não durou nem duas semanas, - Falei entre risos. – mas depois que terminamos, continuamos amigos, e depois, melhores amigos, e depois, nos apaixonamos.
- Então o que houve de errado nisso?
- Eu me apaixonei pela garota errada. – Falei querendo acabar o assunto por ali mesmo, mas a Isa me olhou de um jeito que pude ver que ela queria que eu continuasse. – Bom... Eu e ela vivíamos ficando, mas eu sempre quis algo sério com ela, e ela nunca quis nada sério comigo, já com os outros, haha! Namorou a metade da minha cidade e eu continuei correndo atrás dela, da pra acreditar? – Falei rindo.
- É você deveria estar bem apaixonado. Mas e ai? Acabou por ai?
- Não. Na verdade, comecei a perceber quem ela era, e ai, comecei a usar ela. Ficava quando eu queria e quando ela me queria nunca ficava. Aprendi a ser mais sensual e atrair a atenção dela quando ela tentava me negar, mas a coitada, não conseguia, não resistia ao charme. E então, ela disse que me amava e me pediu em namoro, outra coisa difícil de acreditar, uma mulher, pedindo a um homem em namoro.
- Talvez ela tenha se arrependido de tudo o que fez, largou o orgulho e se entregou pra você. Nunca chegou a pensar nisso? – Perguntou a Isa, e sinceramente, se fosse naquela época, eu daria a resposta mais dolorosa da minha vida.
- Que ela se entregasse antes de acabar comigo. Não acha que sofri o bastante?
- Ela deve ter te mudado muito, não?
- Só sei que nunca mais consegui me envolver com alguém.

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Depois dessa conversa, ficamos em silêncio, e se eu quisesse criar algum tipo de clima romântico, essa não era a hora certa. Mas também, porque eu iria querer romance com a Isa? Não temos nada demais e nem vamos ter.
Levei ela até a porta de casa, e nesse meio tempo, quase não trocamos palavras, até que nos despedimos. Dois beijos no rosto e um abraço, e quando a soltei, segurei uma de suas mãos e fui à direção contraria a dela, soltando devagar nossas mãos, mas antes de ir embora, eu tinha que falar algo mais que apenas um “tchau!”.
- Ei Isa! – Falei parando e virando pra ela. – Você é uma ótima amiga. – Sorri e voltei a andar na direção da minha casa.

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Posted on 00:31 by Lucas Gomes A. Siqueira

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