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                                            CAP.6

Sempre, não sei ainda o porquê, mas as palavras do Mascarado surtia um efeito amedrontador em mim. Ele falava tão calmo e sua voz irritante fazia com que parecesse tudo parte de uma irônica facilidade. Talvez o efeito mesmo, seja causado pelo fato de ninguém ver sua feição, já que usa mascara.
- O Tonny não vai a lugar nenhum! – Disse o professor Marcelo.
- Certo. Agora chega de brincadeira, - Falou o Mascarado enquanto subia em sua rocha flutuante. – vamos Tonny! – Disse estendendo sua mão para mim.
- Ei! Como assim “vamos Tonny”? – Falei. – Eu nem te conheço, porque iria com você para não sei aonde?
- Você não sabe quem são eles e está aqui, porque não viria comigo?
- Por quê? Ah cara, não me leve a mal, mas você é estranho. - Falei, e ele não pareceu gostar muito, o que era até engraçado.
- Com eles você só vai correr riscos moleque, - Disse o Mascarado em um tom mais sério. – se você não fosse importante, eu já teria te matado!
Não sei bem se era para eu começar a ficar com medo, ter mais cuidado com as minhas palavras ou sei lá o que, mas eu pude perceber que as coisas não estavam nada bem, e a tendência, era piorar.
- Vai embora daqui, - Disse o Carlos, e assim ouvi sua voz pela primeira vez já que ele não parecia ser de muitas palavras. – já não percebeu que ele não vai com você?
- É. Pode até ser uma ideia dele, só que... Eu não estou dando escolha!
Quando o Mascarado disse isso, ele em sua rocha flutuante e com seu cajado rochoso esticado para frente, ou melhor, dizendo, para minha direção, veio ao meu encontro. Me posicionei para atacar, só que eu não sentia mais a mesma força dentro de mim, por sorte, pude ver meus novos amigos me defenderem.
Charles cobriu a visão do Mascarado com seu corpo elástico, enquanto o Carlos puxava uma faca do bolso de trás de sua calça. Não sei se aquilo ajudaria em alguma coisa, mas eu não poderia subestima-los.

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O professor Marcelo correu com o Luca e a Isabela para dentro do mato, talvez fosse diretamente para a casa onde estávamos. Pensei até em acompanha-los, mas percebi que o medo estava me dominando, então, resolvi ficar. Afinal, ainda tinha o Carlos, Charles e a Lorena lutando contra o Mascarado, e estava faltando eu naquela luta.
- Tonny! Sai daqui! – Gritou Charles ofegante em meio à luta, mas não dei ideia.
Era incrível como o Mascarado estava se dando tão bem, contra três fortes candidatos a vitória. Lorena foi a que mais estava me surpreendendo ali. Ela cria algum tipo de campo de força, mas dependendo do tamanho, pode servir como uma bola quase transparente e assim, lança-la contra o oponente.
- Agora é a minha vez! – Gritei correndo na direção do Mascarado.
Antes de começar o meu ataque, eu deveria estar há uns doze metros de distancia do Mascarado, e ele, estava de lado para mim, se defendendo e atacando os outros. Quando comecei a correr, só pensei no soco que dei naquela rocha e no jeito que ela ficou. Puro pó! Achei que se desse um soco desses nele, venceríamos aquela luta. Então, fechei bem meu punho e continuei avançando em velocidade pra cima dele, mas quando gritei, ele se virou para mim, e se não fosse pela mascara tampando seu rosto, eu poderia jurar que ele estava com um sorriso maléfico na cara.
Me posicionei em meio a corrida, quando era hora de soltar a mão nele, taquei todo o peso do meu corpo para trás, e quando soltei toda a minha força na mão, ele simplesmente esticou o braço com a mão aberta, e assim uma rocha saiu do chão bem na minha frente, formando uma parede, e quando soquei ela, percebi que era bem dura. Tão dura a ponto de ter apenas rachaduras, e não ter ficado do jeito que pensava que era pra ficar.
- Achou mesmo que você poderia me atacar assim? – Perguntou Mascarado. Fiquei perplexo, o medo foi tomando conta de mim novamente, eu não estava preparado para aquilo, e estava ficando assustado com tudo isso. E então ele se aproximou de mim lentamente. Meus amigos estavam caídos no chão, com dor e muitos machucados. O que aconteceu pra eles ficarem assim, é que eu não sei. Acho que só pensei em acabar com isso, mas tentei fazer sozinho, e isso pode ter sido meu maior erro.
- Tonny, Tonny, Tonny! – Dizia o Mascarado cada vez mais próximo. Sua rocha que se formou na minha frente, já estava descendo de volta para o seu lugar.

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- Tonny, - Tentava falar o Charles, que aparentemente, era o que estava pior. – fuja!
Fugir? Mesmo que eu quisesse, eu já não via opção de fugir! Além de ver eles ali, todos machucados. O problema era o Mascarado e como eu poderia para-lo, detê-lo ou então, mata-lo?
- Antes, - Soltei, sem querer, mas soltei a primeira palavra, essa já era uma questão que eu tinha formulado na primeira vez em que me encontrei com ele, e foi ai que soube a resposta. – por que... Porque eu?
- Porque você, - Disse o Mascarado pulando de sua rocha flutuante, estando a uns dois metros de mim. – foi à experiência que deu certo!
- Não de ouvidos a ele Tonny! – Berrou a Lorena tentando se levantar.
- Como assim? Experiência? – Pergunto.
- Haha! Nunca te disseram? – Respondeu o Mascarado em uma gargalhada.
- Tonny... – Gritou novamente a Lorena, só que assim que ergueu sua voz, o Mascarado esticou seu braço, e foi levantando lentamente, e junto com seu movimento, uma nova rocha saia do chão, e quando ela ficou na altura dos olhos do Mascarado, ele lançou ela em cima da Lorena.
- Lorena! – Gritei sem ter muito que fazer, mas ela era experta e boa. Fez um campo de força, e a rocha apenas bateu e esfarelou a sua volta. Logo em seguida, aproveitei que tinha dado um impulso para ir até a Lorena, e por sorte, percebi a brecha que o Mascarado havia me dado. Ele estava de costas para mim, com a mão ainda esticada para a Lorena, foi então que ataquei.
Nunca fui bom na luta, ou ao menos, nunca lutei. A minha única noção de luta, é pelos filmes de ação que assistia na TV.
Primeiro golpe, defendido facilmente pelo Mascarado, acertei em cheio, mas ele segurou meu punho com facilidade. Segundo golpe, chutei o lado de seu joelho, talvez na intenção de quebra-lo ao meio, mas não obtive sucesso, pois sua perna se protegeu com uma camada de rocha ao seu redor. Terceiro golpe e lancei meu cotovelo na direção do seu rosto ou melhor, sua mascara, e pela primeira vez eu o acertei. Ele ainda segurava minha mão, com qual dei o meu primeiro golpe, e minha perna, ainda estava flexionada para frente, por causa do chute que dei em sua perna, e então, ainda estava sem certo apoio, porém,

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minha cotovelada deixou uma marca nele, pena que não pude admirar, já que ele me empurrou e sai de perto dele.
- Lorena, - Falei desviando o olhar para ela rapidamente. – você está bem? – Ela ainda estava caída, mas não podia ficar olhando para ela, eu tinha um oponente muito mais forte que eu no momento, então me voltei para o Mascarado.
- Você vai pagar por isso. – Disse ele tirando a mão de dentro de sua mascara, e só assim eu pude sorrir. Eu consegui feri-lo, e provei pra ele que não é assim que a banda toca. Como assim vai me levar? Isso não existe, pelo menos, não no meu mundo!
Olhei para meus amigos de novo. O Carlos já estava conseguindo se colocar de pé, e lentamente, ia até os outros para ajudar. Mas houve um momento em que ele olhou para mim, e pela primeira vez, não foi como os outros olhares que ele adorava me mostrar. Ele me olhou, parecendo que estava depositando confiança em mim. Fez que sim com a cabeça e virou para ajudar a Lorena.
Talvez eu tivesse errado ai. Ficar olhando eles, e dar uma enorme brecha para o Mascarado. Ele me atacou e não pude evitar, pois estava distraído. Recebi um forte golpe no peito. Senti sua mão tão dura, que só depois percebi que estava coberta por uma camada de rocha.
Doeu! E como doeu esse golpe. Só tinha algo mais que eu poderia fazer, e fiz. Agarrei seu braço e quando cai, fiz força para que ele caísse do meu lado, e assim, fiquei por cima dele com a mão dele ainda forçando em meu peito, porém, eu não podia dar atenção a isto. Em meio à troca de socos, eu consegui colocar mais força na mão e lançar sobre ele. Mas quando eu lancei minha mão na direção dele, ele colocou seu cajado rochoso na frente. E assim eu quebrei seu cajado. Ele começou a se contorcer, parecia até estar passando mal. Se isso foi um plano, deu certo! Eu tirei meu peso de cima dele, e dei espaço para que ele respirasse. Não tinha motivos para que eu me preocupasse com ele, e não estava, mas aquilo estava me deixando nervoso, até que ele me jogou para o lado, e saiu correndo para sua rocha flutuante, segurando com firmeza, seus dois pedaços do cajado. E assim ele se foi, nos deixando livres, pelo menos, por enquanto.
Corri até os outros, Charles, Carlos e Lorena estavam sentados um perto do outro.
- Acabou. – Falei sem saber se eles perceberam o Mascarado indo embora.

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- Não Tonny, - Disse Carlos levantando a cabeça e olhando para o céu. – muita coisa ainda está para acontecer. – Completou fechando os olhos lentamente.
Se ele não estivesse mexendo no chão com as mãos, eu pensaria que ele estava indo desta para uma melhor, mas não, talvez estivesse cansado e suas feridas atrapalhassem a manter as forças. Charles conseguiu se colocar de pé, e isso foi até um pouco melhor, porém a Lorena ainda estava sentada e sem forças para se levantar.
- Charles, consegue ajudar o Carlos a andar? – Perguntei.
- Acho que sim, - Disse ele olhando para o estado do Carlos. – por quê?
- Bom o que esta em melhor estado aqui sou eu, e quem esta no pior estado, parece ser a Lorena. É mais fácil eu leva-la do que você ou o Carlos. – Respondo.
- Se é assim, acho que você tem razão. – Disse o Charles andando na direção do Carlos. Ele ajudou o Carlos a se levantar e apoiou o braço dele em seu ombro. Os dois foram seguindo para dentro do mato, na direção da casa onde provavelmente estavam os outros.
- Oi! – Falei sorrindo para ela.
- Tonny, - Ela sorriu, mas ainda demonstrava fraqueza. – era pra você ter fugido!
- Ei, já acabou. Ele se foi, não esta mais aqui para nos atormentar.
- Ai é que você se engana Tonny. Ele vai voltar, e se bobear, com força maior. Somos fracos perante eles!
- Eles quem? – Perguntei olhando fixamente para os olhos dela e parecia que ela estava ficando mais fraca a cada segundo que se passava.
- Ton... – Ela dizia enquanto caia. Por sorte, eu a peguei. Peguei-a no colo e a levei para onde estavam os outros.
Passei com ela com cuidado pelo mato, e quando encontrei a casa, pude ver o buraco que o Mascarado havia deixado ali, como um aviso de que algo muito pior estaria por vir. Entrei com ela e encontrei todos sentados à mesa.
- Onde eu posso colocar ela? – Perguntei.

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- No quarto dela, - Disse o professor Marcelo vindo correndo para nos. Afinal, ele era o pai dela. Chegou e acariciou o rosto de sua filha, que parecia dormir feito um anjo, até queria pegar ela no colo, só isso poderia trazer dor para ela, então resolvemos que ele iria fazer algum remédio e preparar os curativos enquanto eu a levava para o quarto.
E assim foi feito. Cheguei ao quarto dela e já a coloquei em sua cama. Infelizmente ela não estava nada limpa, então, sua coberta branca de coelhinhos ficaria suja. Ela era muito caprichosa e vaidosa pelo que vi. Acessórios, cremes, perfumes e outras coisas que só as mulheres sabem o que é, estavam perfeitamente arrumados em uma mesa, na frente de sua cama, com um espelho enorme virado para ela. O quarto dela era lindo, o arquiteto que fez este quarto, é um ótimo profissional. Ajeitei o cabelo que estava por cima de seu rosto, e pude notar mais ainda uma beleza digna da criação de Deus. Seus traços eram perfeitos, os olhos eram um pouco puxados, porém não chegavam aos pés dos olhos de um asiático, mas se diferenciava de todos. Sua boca era carnuda e bem desenhada, parecia até que usava aqueles batons de realce, ou sei lá o que.
- Obrigado por ter me salvado! – Falei beijando sua testa e me retirando de seu quarto.
Ao sair pela porta, o professor Marcelo chegou ofegante, parecia estar correndo para ajudar sua filha o mais rápido possível, mas ele precisava se acalmar.
- Se acalma professor! – Falei segurando seu braço. – Ela está bem. Precisa de cuidados, mas se o senhor continuar nervoso desse jeito vai acabar atrapalhando sem querer.
- É, - Disse ele respirando fundo. – você está certo. Obrigado!
E ele foi para o quarto pelo menos um pouco mais tranquilo. Voltei para a sala, parei e olhei todos. A Isabela estava me olhando com os olhos cheios de lágrimas, e quando percebeu que eu também estava olhando, ela abaixou a cabeça. O momento não estava nada bom, todos precisavam de um tempo para se renovar e até mesmo, pensar no que fazer no que é certo e no que é errado.
- Acho melhor todos irem para suas casas. – Propus. – Pode ser melhor agente descansar em casa, ver nossas famílias e nossos amigos. Pode ser relaxante e precisamos disso.

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Ninguém se movimentou ninguém parecia nem mesmo respirar de tão parados que estavam. Então resolvi dar o primeiro passo, já que queria muito ir para cara.
Enquanto saia da casa, percebi um movimento por trás de mim, mas resolvi não ligar, e apenas pedir pra Deus que não fosse nenhum ataque de novo, porque no nosso estado, estaríamos praticamente mortos com uma nova surpresa como a primeira.
- Tonny! – Falou a Isabela. Eu já estava do lado de fora da casa, na pequena parte que poderia ser chamada de varanda. Era praticamente a entrada da casa. – Espera!
- Oi. – Falei me virando para ela. Foi um tenso momento. Afinal ela já veio quase chorando, e quando chegou perto, me abraçou tão forte, que se o momento não fosse ruim, seria um ótimo abraço. – O que foi Isa? – Falei dando um apelido carinhoso para ela, e a abraçando também.
- Me desculpe não ter ajudado, - Falou entre soluços. – não pude servir de nada. Me perdoe! – Implorou.
- Ei, - Tirei ela de mim, segurei seu rosto e olhei em seus olhos cheios d’água. – não se culpe por isso! Se você tivesse lá, poderia ter ajudado sim, mas também, poderia ter se machucado mais. Se você, o Marcelo e o Luca tivessem ficado lá, o Mascarado teria mais alvos e isso complicaria muito mais. – Sequei suas lágrimas e dei um beijo em seu rosto. – Não fique assim. – Falei sorrindo.
- Obrigada!
- Não há de que. - Sorri. – Quer que eu te leve para casa? – Perguntei.
- Gostaria, mas tenho de ficar aqui. – Disse ela segurando minha mão. – O Luca e os outros podem precisar de mim.
Claro que o Luca ia precisar dela, afinal, é uma criança e do jeito que o Marcelo está preocupado com a Lorena, seria melhor que ela ficasse para ajudar mesmo. Então sorri e soltei minha mão da dela. Um até logo talvez, e fui embora, de volta para minha casa, com os pensamentos fluindo rapidamente em minha cabeça.
O que iria acontecer conosco? O que estava por vim? O que será que o Carlos quis dizer quando falou que muita coisa ainda está para acontecer? Queria saber que coisas eram essas. Queria saber o que vim procurar saber. Ainda era de noite, porém, não duvidaria se daqui a pouco, fosse amanhecer.

                                                         ...

Posted on 13:10 by Lucas Gomes A. Siqueira

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                                                    19

                                          CAP.5

Quando olhei pra ela fiquei sem reação. Minha respiração parecia ter ficado mais fraca, porém meu coração batia tão rápido e forte que eu podia ouvi-lo bem, e nota-lo fazendo minha camisa seguir o movimento do para frente e para trás facilmente. Minha garganta que já estava seca parecia estar bem mais seca.
- Seja bem-vindo querido Tonny! – Falou meu professor de história, fazendo com que eu desviasse por um momento, meus olhos da Isabela.
Na verdade, só assim eu pude sair do transe. Meu professor de história, Marcelo, como eu havia imaginado. Era dele aquela letra e o que ele disse para mim na sala de aula, agora já faz algum sentido.
- Alguma surpresa em nos ver? – Perguntou o Marcelo, meu professor de História.
- Não, que isso professor, hehe. - Falei, mas no fundo eu queria dizer é que se fosse por ele não teria nenhuma surpresa, mas pela Isabela... Toda surpresa do mundo! Talvez a minha maior surpresa em toda vida.
- Ah, vamos Tonny, eu sei que você ficou surpreso em me ver por aqui, - Falou o Marcelo todo empolgado e se aproximando de mim. – eu sei que você achou que era uma menina que estava te enviando uma mensagem de texto, haha!
- É, - sorri forçado voltando meus olhos pra Isabela. – achei mesmo que fosse uma garota me enviando uma mensagem.
Enquanto eu dizia isso, ela me olhava sem graça e com um sorrisinho no canto da boca. Ela estava sentada junto à mesa na companhia de mais três, e outros dois estavam de pé contando com o meu professor de história.
O professor Marcelo me apresentou aos outros que estavam no local. Começando pela menina que me trouxe aqui.
- Está é a Lorena, minha filha! – Disse o professor apontando para a Lorena.
Ela era baixa, morena e muito bonita. Tinha os olhos um pouco puxados fazendo com a aparência dela lembrasse um pouco os asiáticos. Tinha uma pinta ao lado da sobrancelha esquerda bem 

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visível, porém não perdia nenhum pouco o encanto de sua beleza que só pude perceber agora.
- Olá Tonny! – Disse ela com um sorriso no rosto. Parecia estar pensando, “Bem, agora você pode me ver!”.
- Esse é o Carlos! – Disse ele apontando para um moleque sentado à mesa. Ele aparentava ter a mesma idade que eu. Tinha cabelos curtos e penteado para trás com muito gel, usava um óculos moderno, porém, parecia ter um estilo mais antigo.  O que me incomodava era o jeito que ele estava me encarando, uma cara de poucos amigos, já até senti dali mesmo que não ia gostar dele.
- Esse aqui é o Caio. – Diz ele batendo no ombro do garoto. Ele aparenta ser o mais novo de todos que ali estão. É louro e apesar de estar sentado, tenho a certeza de que também é o menor da turma, porém, é forte como uma tora e o que, mas faz dele um garoto, são seus olhos castanhos claro que trás a inocência para ele.
- Olá Tonny! – Disse ele com um sorriso no rosto.
- E ai! – Respondi de forma amigável, pois ele foi amigável comigo.
- E esse aqui é o Charles. – Disse ele pegando o celular do Charles. Ele é o único negro naquela sala, tem olhos e cabelos pretos, e usava uma roupa de quem curte rap. Logo em seguida, sem eu entender nada, o professor Marcelo veio para perto de mim e quando chegou ao meu lado, lançou o celular para trás do Charles em uma altura que não desse para ele pegar. Charles sem mostrar nenhuma mudança em sua feição, esticou sua mão até o celular. Mas ele esticou mesmo! O celular já deveria estar há uns três metros de distancia dele, e mesmo assim conseguiu alcança-lo. Ele foi o primeiro em que eu vi que tinha poderes também. Ele podia se esticar, era tipo um homem elástico, e eu fiquei admirado com aquilo.
- Nossa! – Falei sem querer. Charles deu apenas um sorriso e todos riram da cena. Acho que minha cara estava realmente engraçada, deveria até estar boquiaberto, haha.
- E esse aqui é o nosso mais jovem poderoso, Luca! – Disse o professor Marcelo tirando o pequeno Luca de trás dele.
- E ae garotão! – Falei sorrindo para o menino, talvez estivesse com medo de mim, então, quis dar a ele segurança. O garoto deveria ter uns nove ou dez anos, era pequeno e sua cara era de mais jovem ainda.

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- Oi. – Disse Luca escondendo o rosto em seguida. Me aproximei dele e baguncei seu cabelo. Ele não me pareceu gostar muito, me lembrava de como eu era antigamente, seu cabelo era de um liso enrolado, parecido com o cabelo que eu usava antes de minha mãe falecer.
- E essa aqui você já deve conhecer, - Falou o professor me olhando de um jeito intrigante. – afinal, são da mesma sala no colégio e... – Ele olhou para mim e para a Isabela repetidamente por alguns segundos, até que indagou. – Vocês não param de trocar olhares desde que chegou aqui. – Terminou com um sorriso.
- É, - Olhei para a Isabela. – conheço sim, afinal é como o senhor disse, ela é da minha sala. – Fiz uma breve pausa e disse: - E o que você queria que fizesse quando encontrasse alguém da minha sala, em um lugar como esse, com pessoas tão diferentes? Foi uma surpresa para encontrar com ela aqui.
- Hum, deve ter sido mesmo. – Falou erguendo uma de suas sobrancelhas. – Mas enfim, estamos aqui por outro motivo. – Quando ele disse isso, meus ombros relaxaram, e eu só pude agradecer pelo momento “constranger o Tonny” ter acabado.
Todos fizeram um breve silêncio, Lorena, Luca e o professor Marcelo sentaram-se a mesa, e fiz o mesmo logo em seguida. Todos olhando uns aos outros, até mesmo o pequeno Luca olhava de um jeito maduro em relação ao assunto que seria abordado aqui. Eu fiquei praticamente na ponta da mesa, com a Isabela bem ao meu lado. O professor Marcelo ficou ao lado do Carlos que parecia gostar de me encarar. Todos muito sérios era hora de iniciar o assunto ao qual esperei ansioso por um bom tempo. Mas pareceu que demoramos tempo demais.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Gritou a Lorena assim que uma rocha atravessou a parede do local da nossa reunião. Charles por sorte aparenta ter um ótimo reflexo. Ele esticou sua mão até a rocha antes que pudesse acertar seu alvo, só que havia um problema, a rocha parecia estar sendo empurrada contra a mão do Charles, mesmo não tendo ninguém fazendo isto. Sua mão ganhou um bom tamanho, quase encobrindo a rocha, que por sorte, não era tão grande assim. Ela deveria ser um pouco maior que uma bola de basquete, e a cena me fez lembrar algo. Uma apresentação do meu curso de teatro, onde eu socava uma bola para ir à direção de outro garoto.
- Solta! – Gritei me levantando rapidamente e correndo até a Lorena.
O local não era tão grande, mas deveria ter uns oito metros de largura e comprimento. A rocha entrou pela parede onde fica a porta, e nós,

                                                    22

estávamos na mesa que fica uns cinco metros de distância dessa parede. Charles esticou sua mão até a rocha, mas só deixou um espaço de três metros mais ou menos para que eu pudesse executar minha ideia. Antes de soltar, ele me olhou com os olhos cheios de surpresas e aparentando não confiar muito em mim, mas quando cheguei à Lorena, e ele viu que não ia conseguir parar a rocha por muito tempo, resolveu confiar em mim.
- Agora é minha vez! – Gritei! – AAAAAAAAH! – E assim foi minha primeira aparição talvez como herói. Busquei forças me posicionei e quando a rocha estava com menos de um metro de distância, eu soquei.
Aquilo foi incrível! A rocha praticamente virou pó! Foi um baita de um soco, e me orgulhei do meu feito.
E como de costume, o silêncio reinou. O buraco na parede era grande, mas ainda estava tampado pela fumaça. Meu braço ainda se matinha na posição do ataque. As pequenas partes da rocha, ainda quicavam no chão. Olhei para trás sem sair da minha posição, e encontrei a Isabela. Ela estava me olhando impressionada, os olhos estavam arregalados e cheios de lágrimas prestes a rolar pelo seu lindo rosto. Talvez o momento tivesse trago um vento forte para dentro da sala, o cabelo da Isabela estava bagunçado, tampando um de seus olhos e a metade da sua boca. Olhei um pouco mais abaixo e vi a Lorena. Ela estava praticamente deitada sobre a mesa, de frente para mim, como se ela tivesse tentando ir para trás e não pudesse porque a mesa a impedia de cumprir este ato. Luca estava segurando muito bem o choro, mas seus olhos já estavam vermelhos. Charles estava confiante e sorrindo, me olhou como se tivesse gostado de formar uma dupla de defesa comigo. O professor Marcelo ainda estava sentado, porém me olhando com a boca bem aberta. Já o Carlos, continuava me olhando sério, porém de pé, segurando bem firme sua cadeira, e transmitindo um olhar de “missão cumprida!”.
Já era hora, e a fumaça se dissipou, porém, de nada adiantou. O que nos atacou estava por trás do mato que tampava a nossa visão, e foi ai que saímos para ver quem era o nosso visitante especial.
- Ora, ora! – Falou alguém por trás do matagal. Corremos por dentro do mato, e quando cheguei à pista de corrida eu só pude dar uma risada.
- Mascarado! – Falei.
- Olhem ai pessoal! O nosso pequeno, - Falou sinalizando com os dedos uma aspa. – herói!

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- Pois é, mas hein, - Disse sorrindo. – quando eu montar meu uniforme de super-herói, eu faço um pra você também. Está muito meu fã já! – Completei rindo.
- Haha, bem engraçado você. – Disse ele descendo de sua rocha e balançando seu cajado rochoso.
- O que você veio fazer aqui? Como nos achou? – Perguntou indignado o professor Marcelo.
- Ah, isso não foi nada difícil. – Falou se aproximando cada vez mais. – Na verdade, eu sempre soube desse lugar e de quem costumava visitar isso aqui. – Disse e por sinal, deveria estar rindo.
- Ainda não disse o que você quer! – Falou o professor Marcelo andando em direção ao Mascarado.
Seus punhos se fecharam, seus dentes estavam trincados, seus olhos enfurecidos. Talvez fosse a hora de o professor Marcelo me mostrar qual é o seu poder atacando o tal do Mascarado. Mas acho que não é a hora certa, e então, o paro.
- Fica calmo professor, - olho nos olhos dele. – deixa ele dizer o que veio fazer aqui.
Pois bem, parece que o professor Marcelo se acalmou. Ainda estava furioso, porém deixou o Mascarado falar, o que não foi muito legal.
- Eu vim buscar o Tonny! 

Posted on 22:42 by Lucas Gomes A. Siqueira

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                                                                     15


                                            CAP.4



O primeiro pensamento deveria ser o que estava por vim, mas não, pensei em quem me enviou aquela carta. Parecia que eu ia ter uma surpresa maior do que a surpresa que estava para vim.
- Hm... E como é que vou encontrar com eles, sendo que nem endereço eles deixaram?
Eu resmungando, pois é, pelo visto o tempo estava passando e eu ainda queria tomar aquela decisão. Só que realmente eu não sabia nada sobre o que estava acontecendo comigo, e colocaram na carta que estão nos caçando, mas... Caçando quem? Eu? Porque eu? Será que o Mascarado queria mesmo me ajudar, será que ele que me enviou esta carta, ou mandou alguém enviar para mim?
Posso perceber que só estou vivendo em meio às perguntas. Não tenho certeza de algo já faz tempo. Que saudades da minha cidade pacata, lá pelo menos eu tinha certeza de que eu ia continuar sendo um ninguém, mas aqui, está parecendo que querem me devorar aos poucos, brincar comigo. Na verdade já estão brincando! Isso está parecendo um jogo de xadrez e eu estou sendo apenas um peão, sendo manipulado facilmente pelo jogador. Agora tenho que tomar cuidado, pois podem me atrair para uma armadilha, e eu acabar saindo desse jogo cedo demais.
E agora? Em quem confiar? Ou apenas confiar?
Então, olho a carta novamente, li com calma e imaginei quem poderia ter me enviado algo assim.
Um dos meus primos? Não! Meu empresário? Não também. Meu pai muito menos. Isabela? Poderia até ser, mas essa letra não é a letra dela, eu me lembro de como é, e não é nenhum pouco parecido.
- É isso! – Olhei fixamente para a letra, e me lembrei da ultima aula que tive, era a letra dele, meu professor de história. Agora tudo estava se encaixando. O jeito com que ele me tratou na sala de aula, o sermão que me deu sobre o meu futuro... Eu não posso acreditar!
Levantei correndo e fui diretamente para a sala, peguei o telefone e disquei o número do meu colégio.
- Instituto Educacional Márcia Cristina, boa tarde! – Falou a secretária.

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- Boa tarde! – Respondi. – Eu sou aluno novo, e queria saber se você tem o número da residência do professor de história do terceiro ano do ensino médio.
- O professor Marcelo, não é? Qual é o seu nome? – Perguntou a secretária.
- Isso mesmo! – Respondi dando certeza, mas na verdade, eu nem sabia o nome dele. - Tonny Martin é o meu nome.
Ela me deu o número, agradeci umas três vezes e desliguei o telefone.
- Próximo passo, ligar pro Marcelo!
Peguei o telefone novamente, disquei o número do meu professor e esperei chamar. Minha mão estava tremula, eu estava sentindo meu corpo suar frio enquanto por dentro, uma quentura me incomodava.
Chamou e chamou, mas ninguém atendeu, tentei mais algumas vezes, mas sem êxito também.
- Droga! Caixa de mensagem de novo!
Minha impaciência com o telefone poderia me custar algumas broncas do Wilson, e como o Marcelo não atendia ao telefone, resolvi voltar pro meu quarto esperar a hora passar.
Já era noite, umas nove horas ou mais quando meu celular toca, e vejo que tinha recebido uma mensagem de texto de um número desconhecido.
“Dez horas na estação ferroviária.”
Olhei o relógio, e o ponteiro marcava nove horas e vinte e sete minutos. Hora de correr? Hora de fazer o que? Infelizmente eu só tinha questionamentos em minha mente, nenhuma afirmação e isso já esta ficando chato. Levantei e fui até o banheiro. Olhei no espelho e fiquei me encarando. Tentando ver o que eu estava me tornando, ou o que eu iria me tornar, e era assustador perceber como eu estava mudando.
Talvez porque eu aparentava ter um poder sobre a força, eu estava ficando forte! Algo que eu sempre quis era ganhar corpo, mas isso fazia parte da minha vaidade e não de uma nova genética ou sei lá o que. Meus olhos estavam um pouco mais fundos e eu tinha ganhado olheiras. Meu rosto parecia estar desenvolvendo mais rápido, parecia ficar com mais cara de homem. Até pelos no rosto eu estava ganhando

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com rapidez e isso era legal. Não sei não, mas estou me achando mais bonito, hehe!
O Wilson ainda não havia aparecido, talvez fosse ficar fora pelo resto da noite ou só voltaria tarde dela. Olhei o relógio e já estava apontando nove horas e trinta e oito minutos, era hora de agir!
Peguei meu celular, vesti um casaco preto liso por cima da minha camisa branca lisa. Calcei meu tênis preto rasteiro e sai de casa.
Apressei meu passo para que eu pudesse chegar dez horas em ponto na estação, ou então, chegaria atrasado, que na verdade, é muito comum vindo de mim.
- Não por ai, - Falou alguém atrás de mim, segurando meu ombro. – vira aqui! – Assenti, não olhei para trás e apenas deixei que a pessoa me levasse. Passamos por uma rua que levaria até a estação, seria mais demorado do que o lugar por onde eu estava seguindo, mas tudo estava indicando que eu não ia mais para o ponto marcado.
- O ponto de encontro... – Falei com insegurança. – Não era na estação?
- Só siga em frente! – Disse me empurrando.
Seguimos alguns minutos adiante, entramos em ruas estreitas, porém, não paramos em nenhuma delas. Parecia que o lugar estava ficando só um pouco estranho, pois só havia mato na minha frente.
- Ei! Ta olhando pra frente? – Perguntei sarcasticamente. E ao invés de me responder com palavras, me respondeu com outro empurrão. – Ta bem, acho que entendi! – Falei rindo e parece que a pessoa também soltou um risinho, mas não pude ter certeza.
Chegamos à parte onde só tinha mato e advinha? Entramos no matagal, e sabe o que encontrei lá? Bom, por trás de uma parte do mato alto, tinha uma pista de corrida, que só pude perceber pelas listras brancas e pelo longo percurso que a pista seguia. Atravessamos essa pista que mesmo não tendo mato por conta do concreto, estava bem escondida. Logo depois de atravessar a pista, e entrar na outra parte com mato alto, que teve um percurso mais longo, eu pude notar algo bem fora do padrão.
- Chegamos! – Disse a pessoa que veio me conduzindo até aqui.
O local era para ter mato alto assim como os outros cantos ou passagens, mas não, ali era grama cortada bem baixa e tinha um galpão velho, porém não parecia estar abandonado.

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A pessoa que tinha me conduzido até aqui, passou a minha frente, abaixou o capuz que eu nem tinha percebido que estava usando, e só assim pude notar que era uma menina, mas logo que entrei eu nem me concentrei nela, pois tinha outra pessoa que eu conhecia lá.
- Isabela? – Perguntei assustado. 

Posted on 22:31 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Apocrypha (parte 2)

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Posted on 18:19 by Yuri Costa

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Olá galera :) Feliz feriadão! E, pra melhorar, cá está o capítulo 6! Lembrem-se: o capítulo 7 só será postado dia 21/09! Até lá, podem reler a vontade, o que eu sugiro que façam com os capítulo 1 e 2, por que a história vai começar a complicar daqui pra frente! Enfim, curtam, pois é aqui que tudo muda :)

Posted on 17:14 by Yuri Costa

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                                                  Cap.3



Enquanto eu abraçava a Isabela, ela me abraçou forte quando também viu como a pedra estava perto, então abaixou a cabeça e encostou sobre em meu peito, e senti algo poderoso vindo de dentro de mim. Confiança? Força? Capacidade? Ousadia? Não sei, mas era algo que nunca senti em toda a minha vida, e só assim percebi que realmente, eu tinha um destino muito maior do que aparecer em televisões ou ficar andando sobre uma passarela.
- Hoje não! – Gritei com toda a minha força, enquanto estendia minha mão na direção da pedra, esperando ela me tocar. E quando toquei minha mão naquela forma rochosa de um circulo, simplesmente, eu pude ver que ela estava parando sobre minha mão. Todo aquele peso, tudo aquilo que eu não pude descrever estava apoiada em mim, e isso sim foi inacreditável.
Antes que a Isabela pudesse olhar para o que estava acontecendo, por causa dos pedaços pequenos da rocha que caiam em cima de nós, eu a abracei com mais força, e fiz com que a pedra caísse alguns centímetros para o lado, onde ficou parecendo, que escapamos por muito pouco.
- Impossível! – Falou Isabela sem entender muita coisa. – Eu vi! Ela ia cair sobre mim. – Ela me soltou e tocou a pedra como se aquilo, apesar de ter sido uma grande ameaça pra ela, fosse algo estupidamente belo e incrível.
- É melhor não toca-la, - peguei na mão dela e tirei de cima da pedra. – não sabemos o que é isto ainda.
- Tem razão. – ela segurou minha mão com força, olhou pra mim com os olhos cheios de lágrimas, parecia que ia explodir por ter vivido uma grande adrenalina. – Porque você veio pra junto de mim? – Eu, sinceramente não sei, foi espontâneo, não sei por que fui até ela. – Você tinha tempo e espaço suficiente para se salvar, e veio me abraçar. Não consigo entender.
- Nem eu, - falei desviando o olhar. – achei que não tinha tempo nem espaço pra fugir, então vim morrer com alguém. – falo sorrindo, e felizmente, isso saiu como algo engraçado, que até ela sorrio, e não tampou a boca como de costume.
Pude perceber que no canto de seus lábios estava sangrando, não muito, mas estava.
- Está machucado aqui, - passei a mão no canto de seus lindos lábios, limpando o pouco sangue que tinha ali. Enquanto eu limpava o machucado, eu pude perceber que ela não parava de olhar dentro dos meus olhos, o que era intimador, porém, eu gostava da situação. Mas tudo que é bom, dura pouco.


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Há alguns metros de nós, posso ver em meio à poeira, uma imagem se formando em cima de uma pedra que flutua. Que flutua?
- O que é aquilo? – Perguntou a Isabela olhando fixamente para o ser que surgia da poeira. E logo em seguida, vimos um homem, com uma cartola, uma capa, um cajado, e uma máscara de baile. Ele era alto, branco e tinha cabelos longos, e o pior, estava em cima de uma pequena rocha flutuante.
- Acho que a pergunta deveria ser, - falo ironicamente. – quem é ele?
- Eu sou o que chamam de Mascarado, - diz o tal Mascarado com uma voz arranhada e velha. – muito prazer! – Ele faz um sinal de reverencia a mim, e ergue seu cajado, que por sinal, parece ser feito de uma rocha.
- Tonny, eu estou com medo! - Falou a Isabela me abraçando mais forte e olhando para o tal Mascarado com os olhos cheios de lágrimas do medo.
- Ah não, - falou o Mascarado fazendo gestos com a mão. – não sinta medo de mim, - então ele chegou mais perto de nós e desceu de sua rocha flutuante. – sou incapaz de machucar alguém tão linda quanto você, e alguém tão forte quanto você!
Quando ele disse, “... alguém tão forte quanto você!”, juro, eu tremi. Fiquei sem ação, e meu sangue ferveu, fiquei com medo por um instante, mas percebi que minha preocupação, era ele falar demais, e a Isabela perceber que a rocha não nos amassou, porque eu a tirei de cima de nós.
- Pois é, então, acho que chega de apresentações por hoje não é? – Falo de um jeito desafiador. – Vamos embora, nem te conhecemos e nem queremos isso.
Me virei e comecei a andar na direção contraria a dele, junto com a Isabela, claro!
- Ah, é claro que você quer me conhecer, - falou o Mascarado também me desafiando. – afinal você... – E antes que ele pudesse terminar de falar, eu o interrompi.
- Olha só, aqui não é hora e nem lugar para apresentações, - olho sério para ele. – acabamos de passar por uma situação delicada, ela está machucada, e queremos sair daqui rápido.
Ele pareceu ter entendido que eu não queria que a Isabela soubesse sobre mim, então ele subiu em sua rocha e partiu para o céu a fora. Continuei a andar abraçado com a Isabela, o que não era ruim. Ela parecia cansada, e eu também estava cansado, pois exigi muito esforço com aquela rocha enorme sobre mim. Levei ela em casa, ela me abraçou e agradeceu por eu não ter deixado ela lá. Eu só sorri, afinal, o que eu tinha pra dizer era que eu tinha salvado ela, mas isso não estava na minha cota de conquistas, então apenas sorri.
- Tem certeza de que esta bem? – Perguntei.


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- Tenho sim, - Falou a Isabela. – obrigada Tonny. Obrigada mesmo!
- Não precisa agradecer, - Sorri para ela. – fiz a obrigação de um cavaleiro não é?
Ela sorriu e me abraçou novamente e entrou para sua casa.
Enquanto ia pra casa, fiquei relembrando aquela cena. Aquela rocha caindo na nossa direção, e...  Eu? Como eu pude fazer aquilo tudo? Eu pude até me pegar sorrindo com esses pensamentos. Fiquei imaginando aquela cena, várias e várias vezes. Eu segurando uma tonelada de rocha, mudando o circuito dela, fazendo com que parecesse que escapamos por pouco. Nossa! Como eu pude pensar tão rápido nisso tudo e em um momento tão aterrorizante?
Lembrei também do que o tal do Mascarado dizendo, “Ah, é claro que você quer me conhecer...”, será que vou? O que ele tem para falar comigo? Como ele sabe sobre mim?
Ao entrar em casa, a primeira coisa que fiz, foi ir tomar um banho, afinal, ainda estava de tarde, mas o sol já estava se pondo. Depois, tomei um café reforçado, pois o que mais sentia naquele momento era fome. Logo em seguida, peguei o telefone e liguei para o meu pai.
- Alô? Pai? – Perguntei.
- Oi meu filho! – Falou meu pai com grande entusiasmo na voz. – Tudo bem com você?
- Tudo pai, e o senhor? Como é que estão as coisas por ai?
- Aqui vai tudo bem, suas irmãs estão com saudades, e estão mandando um beijo. – Ouço os estalos de lábios das minhas irmãs, e posso sentir o beijo de longe, e a saudade estava grande. – Quando você vem aqui nos ver?
- Não sei pai... Tem umas coisas estranhas acontecendo comigo.
Fico em silêncio por uns segundos. Pensei em como poderia dizer aquilo tudo para ele, sem que me mandasse de volta para casa, pois apesar de tudo, ainda tenho coisas importantes para fazer aqui no Rio de Janeiro.
- Filho, já te disse que tenho orgulho do que você está se tornando, - Falou meu pai. – e você tem um grande futuro pela frente. Não importam o que te digam, nunca abaixe a cabeça. Não sei o que está acontecendo com você, mas sei que consegue se livrar de qualquer problema, e ainda mostrar ao mundo, o quão grande você é.
- Mas pai, - Não pude evitar e expus meu maior sentimento depois que fiquei longe dele. – estou com medo! Não tenho o senhor aqui comigo, as coisas estão realmente difíceis.


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- Filho, - Disse meu pai soltando um riso. – medo todo mundo tem, até mesmo o pior dos homens, isso só te faz ser mais humano.
- É o senhor tem razão.
- Oh, eu tenho que desligar agora, - Falou de um jeito apressado. – mas quero que você saiba... – Pude ouvir “Boa tarde” do cliente do outro lado da linha, e meu pai, com toda a educação e boa vontade, foi atendê-lo, mesmo sem terminar o que tinha para me dizer.
Desliguei o telefone e fui pro meu quarto. Lá, eu encontrei um papel vermelho sobre a minha cama. Bom, se alguém tinha como objetivo fizer com que eu lesse o que estava escrito ali, conseguiu.
 
Tonny,
Eu sei que está parecendo estanho, mas precisamos que você venha nos encontrar, assim como você não sabe nada sobre suas mudanças, nos também não sabemos, só que temos um amigo que entende muito sobre isso e pediu para procurar e chamar todos os que precisam saber da verdade.
Então venha e não perca tempo, pois estão nos caçando, e quando nos achar, ou iremos morrer, ou matar.

O engraçado, era que não tinha nenhum nome dizendo quem foi que me enviou aquela carta.

   
                                                                           ...



Posted on 09:29 by Lucas Gomes A. Siqueira

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