Olá novamente galero ;) Então, este é o último capítulo de O REINO DOS CORAÇÕES antes do carnaval. Quem não sabe, o capítulo 11 só será postado dia 24/02. Até lá, curtam este capítulo ;)


10

L490

L490 – 30 Seconds to Mars

1

            A porta sacudia aos poucos, dando sinais de que ia ceder... até abrir.
            Era Danii.

Posted on 17:23 by Yuri Costa

1 comentário

Olá galero ;) Estou escrevendo aqui só pra lembrar que depois de semana que vem, o capítulo 10, só haverá postagem em 24/02. Ou seja, o capítulo 11 só será postado dia 24/02; fora isso, curtam o capítulo 9


9

O Fantasma da ópera

The Phantom of The Opera – Nightwish

1

            Naquela noite, Khaled foi para a cozinha e pegou qualquer vinho barato num dos armários. Seja quem for que estivesse mantendo-os presos ali, não queria que morressem de fome, sede ou sobriedade.
            Ele bebeu direto do gargalo, por que pretendia beber a garrafa toda. Não estava acostumado com aquilo, não era um bêbado; mas pretendia beber tudo, desmaiar, vomitar, e acordar no dia seguinte – ou noite, sei lá – com uma puta dor de cabeça. E então começar tudo de novo.
            Não se foram nem dois goles quando ele tentou esconder o rosto – não havia ninguém na cozinha com ele, mas era uma reação instantânea de alguém que chorava e tentava esconder as lágrimas. Era incontrolável: os espasmos e os soluços começaram, e ele cobriu a boca com as mãos; não conseguiria mais formar nenhuma palavra, pois sua garganta estava muito fechada.
            Enterrando as mãos no cabelo ralo, se encolheu contra a parede de pedra, num cantinho da cozinha. Ele nunca acreditou tanto que nunca sairia dali.

2

            Marieta estava chorando em seu quarto.
            – Nós não conseguimos salva-los – disse ela – Estão mortos, não conseguimos...
            Gabriela tentou e tentou, mas, no fim, decidiu deixa-la sozinha; uma boa noite de sono deveria resolver.
            O castelo era grande o suficiente, e estava equipado para 10 pessoas – agora, eram apenas 9, mas, quem quer que tivesse lhes levado até ali, tinha preparado tudo preocupando-se que todos sobrevivessem até ali; cada um tinha seu próprio quarto, sendo que Natalie dividia o seu com Jéssica. O de Gabriela ficava num outro corredor, e ela tinha que passar diretamente pelas escadas...
            E foi então que ouviu.
            O som de belos violinos e de um belo piano... um órgão? E passos... muito mais do que 20, 30, 40 passos...
             Como se fosse a coisa mais normal do mundo, uma linda mulher, vestida de um extravagante vestido, saiu do corredor e passou por Gabriela na escada.
            – Boa noite – disse ela, fazendo uma reverência com a cabeça.
            Gabriela seguiu-a com o olhar, percebendo nos detalhes de seu vestido – cheio de dobras... com uma grande cauda... aquilo era um vestido do século XIX?
            Então, como se não bastasse, assim que ela desceu poucos degraus das escadas e se debruçou sobre o corrimão, viu cavalheiros vestidos de ternos e smokings, garçons de gravatas borboletas e camisas sociais, e uma mulher mais linda que a outra, com vestidos tão extravagantes quanto a primeira – vermelhos, pretos, roxos, azuis, um colorido imenso de decotes que revelavam a pele branca de seus pescoços.
            Ela então ouviu passos controlados, do que, ela reconheceu, só poderiam ser sapatos – duros e formais.
            Então, no corredor do segundo andar, surgiu Peter, sem seu traje de proteção que o exército lhe dera – não, usava o mesmo smoking sóbrio e monocromático que muitos cavalheiros lá embaixo. Seu cabelo estava penteado para trás – era bem curto, cor de cobre, e realçava seus olhos verdes; não era possível ver nada disso debaixo da máscara.
            – Boa noite – ele cumprimentou-a com um sorriso, como se ela não passasse de uma completa estranha – Bela orquestra, não é?
            E desceu pelas escadas, sob o olhar estupidificado de Gabriela.

3

Ao adormecer, ele cantou para mim
Em sonhos, ele chegou
A voz que
E fala meu nome
E estou sonhando novamente?
Por enquanto, eu descubro...
O Fantasma da Ópera está aqui...
... dentro de minha mente!

            Kurt deveria estar ouvindo vozes; deveria estar imaginando esta cantoria, é. Era impossível que um coral inteiro estivesse perdido no Reino dos Corações sem que eles notassem antes, ou mesmo no castelo.
            Novamente, sentia falta de suas drogas – e Deus, como sentia!
            Se ele pelo menos tivesse os materiais ali... As químicas, as pedras, as ervas, aquilo tudo! Poderia fazer sua própria droga... E fumar, injetar, o que quer que fosse... Simplesmente estava precisando!
            Pois era verdade, ninguém fazia bagulhos como Kurt. Ele não era um fornecedor, nem distribuidor, nem nada – às vezes, quando o dinheiro ficava apertado, ele mesmo fazia seu suprimento... ou então, é, vendia às vezes – mas só para quem sabia que não iria mata-lo, chantageia-lo, cobrar por mais drogas.
            E, se drogas normais eram viciantes... ainda não se haviam provado as de Kurt! Sem modéstia, ele era um dos melhores fabricantes dos quais havia provado... um mestre numa arte suja.
            Novamente, as vozes entoaram:

Cante novamente comigo
Nosso estranho dueto
Meu poder sobre ti
Torna-se ainda mais forte...
E apesar de você me deixar
Para olhar para trás...
O Fantasma da Ópera está aqui!...
... dentro de sua mente!

            Não era uma ilusão, nem um devaneio.
            As vozes estavam ali mesmo.
            Kurt levantou-se, entorpecido – cara, o que as lembranças das drogas não faziam –, e correu para porta de seu quarto: ao abri-la, deu de cara com o seu corredor cheio de gente...
            ... as mesmas pessoas do desfile, no qual ele e Danii foram atacados pelo fantasma.
            Trajes de gala, passeando como se não houvesse mais nada a se fazer...
            – Ei! – Kurt gritou, sacando sua arma – Parados, todos!
            Quem estava rindo, continuou a rir, e quem estava conversando, continuou a conversar.
            Kurt então atirou – a bala atingiu o lado direito da cabeça de uma bela e jovem mulher, fazendo-a cair instantaneamente.
            – Mãe de Deus! – gritou o seu acompanhante, um senhor gorducho de 50 anos e bigode – Você não pode ficar brincando com uma arma e atirando como se fossem malditos fogos de artificio! Pode machucar alguém!
            A mulher, desconcertada, lentamente se levantou, auxiliada pelo homem, com o sangue jorrando de sua testa direto para seu corpo – de alguma forma, estava viva.
            – Grosso! – disse ela – Tem sorte que meu vestido já é vermelho!
            E continuou caminhando pelo corredor, até que começasse a soluçar e chorar, amparada pelo Sr. Bigode, que olhou feio para Kurt.
            E ele não entendeu nada – pelo que soubesse, quando uma pessoa morria, era pra ela continuar morta.

4

            Marieta saiu correndo do quarto, passou pelo corredor cheio de gente e desceu as escadas correndo, tomando muito cuidado para que nada a tocasse.
            – Me deixem em paz! – ela gritava, com lágrimas nos olhos – Me deixem...
            Todas aquelas pessoas – todas aquelas pessoas estranhas, assassinas, que deveriam querer seu mal – se afastaram enquanto ela, uma mulher de meia idade, corria pelos corredores... como pessoas normais fariam.
            Não! Eles não eram pessoas normais!
            – NÃO ME TOQUEM! – ela gritava, apesar de ninguém tentar.
            Ela estava no meio da pista de dança, onde todos valsavam ao som de uma música...

Aqueles que viram seu rosto
Recuaram de medo...
Eu sou a máscara que você usa
É a mim que eles ouvem!

            Os casais giravam ao seu redor, descrevendo círculos... bem como fechavam qualquer saída... estavam tentando lhe capturar? ESTAVAM TENTANDO AFASTA-LA DE QUALQUER CHANCE DE SAIR DALI???!!!
            – En nombre del Padre!
            Sua voz ecoou, mas não conseguiu se sobrepor à música.
            – EN NOMBRE DEL PADRE!
            As pessoas ao redor olharam espantadas para aquela mulher, vestida como uma mendiga num baile de gala.
            – Y DEL HIJO, Y DEL ESPIRITU SANTO! GUIA A ESTE HIJOS DE LA PERDICIÓN EL CAMINO PARA LAS PUERTAS DEL PARAISO!
            As pessoas continuavam a dançar, como se não ligassem para ela... como se a oração fosse inútil...
            – EM NOMBRE DEL PADRE! – a dança, a dança... – Y DEL HIJO! – todos dançavam, ninguém ligava... – Y DEL ESPIRITU SANTO!
           
Seu espírito e minha voz unidos num só,
O Fantasma da Ópera está aqui!
DENTRO DE SUA MENTE!

            – AMÉN!
            A dança continuou, como se ela não tivesse dito nada.
            O rosto de Marieta se retorceu numa máscara de espanto, medo... estava a ponto de chorar.
            – Senhora... – um senhor, aparentando 80 anos, se aproximou – Senhora, a senhora está bem?

Cuidado!
Ele é o Fantasma da ópera!

            Ela se desvencilhou, gritando, encarando todas aquelas pessoas como os monstros que eram... os monstros que deveriam ser! Por que eles não eram exorcizados? Por que os fantasmas não eram exorcizados?

Em todas as suas fantasias, você sempre conheceu...
Este homem e o mistério...

Ambos em você!

E neste labirinto,
Onde a noite é cega...

            Marieta saiu correndo, assustada; fria e fraca. Os fantasmas não iam embora... assim como ela não ia a lugar nenhum.

O Fantasma da Ópera está aqui...
... dentro de sua mente!

5

            Inicialmente, Tae estava receosa quanto aos lençóis, que pareciam amarelados e sujos; mas agora, deitada nua sob eles, com Kuruno ao seu lado, não parecia importar muito mais.
            – Não deveríamos estar fazendo isso – disse ela.
            – Está com medo de sermos pegos? – Kuruno respondeu, tentando manter o tom de brincadeira, e no entanto, sua voz soou mais como uma bronca.
            – A porta está trancada – Tae argumentou – Não deveríamos estar fazendo isso por que não temos nada para nos proteger.
            Kuruno sabia que ela não estava falando sobre monstros e armas.
            – Acho que isso realmente não importa agora. – disse ele.
            – Como não importa? – Tae se aproximou, com as palavras entaladas na garganta – É assim que você quer ter um filho? Aqui?
            – Se é com isso que está preocupada, aposto que seu corpo pode dar um jeito de consertar isso.
            Por um momento, Tae encarou em seus olhos; quando Kuruno desviou-os, ela se levantou da cama, dando-lhe as costas, e olhando para a parede.
            Pouco tempo depois, sentiu Kuruno lhe abraçando.
            – Perdão – disse ele – Eu não quis dizer isso.
            – Só por que agora você se arrepende, não quer dizer que não foi sua intenção.
            Kuruno suspirou.
            – Você acha que dói em você – Tae continuou, olhando para cima para não deixar as lágrimas caírem –, saber que seu filho está morto sem sequer ter uma chance de olhar o mundo que ele deveria conhecer... mas você não tem ideia do que é saber disso e carregar o corpo de seu filho morto na barriga. Eu tive que deitar, naquela sala de parto, para tirar o corpo dele para que pudéssemos enterrá-lo... quando eu deveria estar deitada lá para trazer ele ao mundo, para deixar ele respirar pela primeira vez, e para ouvir o maldito choro de um bebê que acabou nascer. Eu pari meu filho morto para que pudéssemos enterrá-lo num caixão mínimo... não é natural, um caixão desses. Não deveria existir.
            Uma única lágrima escapou de seus olhos – sem soluços, sem descontrole. Apenas uma lágrima que não pôde ser contida.
            – Você não tem ideia do que é isso – concluiu ela – E dizer isso foi minha intenção.
            Kuruno beijou a base do pescoço dela.
            – Me perdoe – disse ele, e ela não respondeu, mas ambos sabiam que o assunto estava encerrado.
            Tae não sabia qual seria a melhor hora para iniciar aquele assunto, então decidiu que seria agora.
            – Eu sonhei novamente, Kuruno-chan – disse ela – Eu sonhei novamente... com aquelas coisas horríveis...
            Kuruno suspirou atrás dela.
            – O que foi dessa vez?
            – Eu não sei, Kuruno-chan... eu não lembro... mas eu, eu tenho esse pressentimento... de que algo vai acontecer...
            – Apenas... ignore. Quanto mais você pensar nisso, mais você vai estar dominada por estes sonhos...
            Mas ela não podia ignorar – não quando seus sonhos se tornavam realidade.
            Lá fora, fazia muito barulho, como uma grande festa... uma grande música, e uma grande dança.
            – Tem alguma coisa lá fora – disse ela.
            – Eu sei, querida – Kuruno respondeu, e beijou seu pescoço até que seus músculos estivessem relaxados novamente – Deixa pra lá, esqueça tudo isso... apenas ignore.

6

            Jéssica já estava dormindo, e Natalie queria poder fazer o mesmo... mas quem garantia que estariam seguras naquele castelo? Alguém precisava ficar vigiando, dia e noite... e de dia ela precisava ajudar os outros sobreviventes a fazerem rondas ou... a matar monstros, então não sobrava tempo para dormir.
            A quem ela estava enganando? Não matara nenhum monstro. Só fazia o jantar, limpava as louças e cuidava de Jéssica quando a situação apertava.
            Ela estava cansada daquelas roupas; usava as mesmas fazia uma semana. Uma semana sem nenhum banho, apesar de todos os outros terem aproveitado para se limpar assim que entraram no castelo. Natalie não se deu esse luxo para não deixar Jéssica sozinha, e para não decepcionar ninguém.
            Agora, de frente para o espelho, ela via o estrago: não havia ferimentos, pois Gabriela curara todos, mas ela não podia impedir das roupas se rasgarem e da lama suada se acumular contra a pele.
            Gabriela.
            Natalie espantou aquele pensamento da cabeça...
            ... mas, quando o Trickster assumiu a forma de Gabriela... aquela foi a primeira e única vez que esteve tão próxima de uma mulher.
            Natalie tirou lentamente as roupas, até que estivesse nua diante do espelho. Não era um corpo feio, para uma mãe solteira de 30 anos – não, não era um corpo feio sob nenhuma comparação. Ela ainda estava em forma: podia ter dado luz há quase 6 anos, mas sua cintura continuava fina e modelada... jovem. Sua barriga ainda era lisa e bonita, como a de uma modelo, e seus seios não haviam caído. Não havia manchas em sua pele, como geralmente havia na maioria dos europeus branquelos. Continuava magra e perfeita, como se nunca houvesse sido mãe.
            E a sensação de sua pele, ela descobriu ao tocar seu próprio braço, ainda era a da mais lisa e aveludada pétala de rosa... ou lírios. Nunca gostara muito de rosas.
            Se era tão linda assim – um objeto de desejo dos homens, ela sabia, mas eles deveriam manter suas mãozinhas sujas bem longe dela –, por que ela não podia ser normal?
            Por que não podia amar ou desejar os homens que a desejavam?
            Por que as mulheres lhe encantavam tanto?
            Ah, era mais uma sessão de auto-piedade. Cresça, Natalie!, ela pensou, você já vai para o Inferno! Deus disse! Maldito é o homem que se deitarás com outro homem, ou algo assim... deveria valer para mulheres, também!
            Mas... e se Deus não quisesse isso...?
            Tolice! Está na Bíblia!
            Mas a Bíblia não foi escrita por Deus, e sim por homens...
            Com a palavra de Deus!
            ... tanto que os homens poderiam expor seus próprios preconceitos sob a desculpa de Deus... afinal, maldito é o homem que se deitarás com outro homem... mas não se falou nada de mulheres... lésbicas, não é?
            Então, ela teve aquele pressentimento ruim.
            Um péssimo, péssimo pressentimento que sempre açoitava-lhe...
            Ela virou para trás, e viu Jéssica pálida, deitada na cama, se engasgando em seu próprio vômito.
            Ela se ouviu gritar, mas não pôde entender as palavras.
            Ela sentiu as roupas tocando sua pele, sendo postas de qualquer jeito, mas seu cérebro não processava que estava se vestindo.
            Ela simplesmente pegou sua filha nos braços, e saiu do quarto.

7

            Gabriela ouviu o grito de uma mulher, ali, no meio da festa.
            – AJUDE! – gritava a mulher – POR FAVOR, AJUDE!
            – Natalie? – sussurrou ela.
            Então, a própria apareceu correndo no corredor – com a camisa ao contrário, o zíper da calça aberto... e Jéssica nos braços, flácida e sem movimentos.
            – Natalie!
            – ME AJUDE, POR FAVOR!
            A conversa dos convidados foi interrompida por um momento, e logo depois, os sussurros começaram. A orquestra, na qual uma bela mulher com um magnifico vestido roxo cantava, lançou a última nota antes de se interromper, espantada:

CANTE, MEU ANJO DA MÚSICA!

            Todos olhavam para Natalie, Gabriela e a caída Jéssica.
            Natalie, com o cabelo desarrumado e parecendo uma louca, olhava para todos aqueles rostos estranhos, sem saber o que fazer.
            – AJUDEM!
            Os sussurros:
            – A criança, o que há com ela?
            – ... aquela é a mãe dela?
            – ... morta? Está mor...
            – Com licença – um homem de terno saiu do meio da multidão – Eu sou médico, eu posso ajudar...
            – FIQUE LONGE DELA! – Gabriela gritou, sem confiar em nenhum daqueles estranhos que não deveriam existir, mas Natalie avançou, e, deixando a filha nos braços do estranho, implorou entre soluços:
            – P-p-p-por f-fa-v-v-ooooo-r, n-nã-o d-d-dei-xxx-eeee me-u-u b-be-bê m-m-morrer-rrr-r...
            O médico deitou Jéssica no chão, e gritou:
            – Por favor! Se afastem! Deixem a menina respirar!
            Os convidados formaram um circulo ao redor deles, e Natalie se abraçou a Gabriela para não ter que ver.
            O médico primeiro encostou a orelha no peito de Jéssica, onde seria o coração, e não fez uma cara boa.
            Então, pressionou o peito de Jéssica – a cada pressionada, mais um pouco do líquido marrom-esverdeado escapava da boca da menina, até que ela começasse a se engasgar violentamente...
            E sua cabeça tombou para a esquerda...
            O médico mais uma vez ouviu seu coraçãozinho, e então voltou-se para Natalie, sem saber o que dizer:
            – Ela está mort...
            Então, Jéssica acordou num pulo, puxando o máximo de ar possível para seus pulmões – foi tão de repente que alguns convidados soltaram um Oh! e outros pularam para trás.
                – JÉSSICA! – Natalie gritou, e, quando sua filha começou a chorar de medo, ela atacou-a com um abraço, levantando-a do ar.
            – Mas... – o médico dizia – Eu ouvi o coração! Quer dizer, eu não ouvi! Ela estava morta, ela estava! 
            Gabriela virou-se para responder, mas já não havia ninguém ali – nem o médico, nem os convidados... apenas os confetes e balões da festa. E Natalie estava tão ocupada abraçando e fazendo promessas a Jéssica que nem percebeu.
            Ao longe, Gabriela pôde ouvir o último entoar da bela voz da cantora:

Ele está aqui, o fantasma da ópera!...

8

            Tae desceu no meio da noite. Não se surpreendeu de encontrar balões e confetes por onde andasse, e também não se importava. Só queria ir para a cozinha beber água, pois tinha uma gigantesca dor de cabeça explodindo seu crânio.
            Lá embaixo, encontrou Luciani.
            – Não conseguiu dormir também, não é? – disse ela.
            – Só estou... com dor de cabeça – Tae respondeu – E você?
            – Ah, nada demais... só tive mais um sonho estranho, e...
            Tae pegava um copo, e neste momento deixou-o cair.
            – O quê?
            – Um pesadelo, horrível...
            – Não, como assim um sonho estranho?
            Luciani balançou a cabeça.
            – Deixa pra lá...
            – Me responda!
            – O que há de errado com você?! – Luciani disse – É só um sonho!
            Então, elas ouviram um barulho.
            Todos no castelo ouviram um barulho, e saíram de seus quartos.
            Vinha do hall de entrada, aquele que dava para o Reino Dos Corações – alguém batia na porta.

Posted on 19:21 by Yuri Costa

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