CAP. 10


No dia seguinte, fui com a Isa até onde os outros estavam treinando. Local onde apesar de ter sido descoberto pelo Mascarado, ainda é o nosso esconderijo. Ao chegar ao local, vejo que o mato não esta mais tão alto do jeito que estava. Agora, o mato alto ficava até a pista de corrida, depois dela, onde havia mais mato alto, não há mais, agora são apenas obstáculos, buracos, paredes de terra e enfim, aquilo era o local onde os heróis estavam aperfeiçoando seus poderes e parecia bem legal.
- Olá pessoal! – Falei enquanto caminhava até eles.
Todos me olharam de um jeito que não me deixou surpreso. Pareciam estarem se perguntando o que estou fazendo ali, já que os abandonei, já que não acreditei neles, mas eu devia me desculpar e mostrar que eu estava errado.
- Na cidade não tem academia para pessoas especiais, - Falei sorrindo. – então gostaria de treinar com vocês, posso?
- Haha! Ta de brincadeira com agente não é? – Diz Charles rindo e vindo em minha direção com os braços abertos.
Recebo um abraço suado e fedorento do Charles, mas sua felicidade em me receber ali, faz com que eu não ligue para isso, até acho engraçado. Lorena sorrir e vem também me abraçar, mas ela foi diferente, foi algo que me deixou um pouco surpreso, ela sussurrou em meu ouvido, “obrigada por isso”. O professor Marcelo deu um sinal de o.k. Para mim há distancia. Carlos me olhou nos olhos, sorriu e fez que sim com a cabeça, e já era mais que o suficiente para ele, já que um sorriso dele é muito difícil de ser mostrado.
- Eu sabia que você voltaria, eu sabia! – Diz Luca, outro que me surpreendeu com o modo que me tratou.
- É garotão, sabia que não ia se livrar de mim tão fácil não é? – Falei enquanto fazia umas cócegas nele.
A Isa alisou minhas costas, e logo olhei para ela. Foi como se ela tivesse me agradecido por estar ali também, e isso foi incrível, tudo isso estava sendo incrível. Já estou começando a imaginar que fiz a escolha certa, com certeza!
- Tonny, obrigado por nos dar essa chance. – Diz o professor Marcelo caminhando até mim. – Luca nunca perdeu a fé de que você voltaria, mas nós não podíamos contar com isso para sempre, então começamos a treinar o mais rápido possível, e todos estão em um nível mais avançado que antes, afinal, já se passou alguns meses. Mas quero que saiba que você, é a nossa peça chave, e se resolveu voltar, é porque pode e quer dar o máximo de si nos treinamentos, quer aprender a se controlar mais e mais.
Todos pararam para ouvi-lo falar. O professor Marcelo estava com um sorriso no rosto, mas sua fala parecia muito séria.
- Não estamos treinando para atacar os vilões, - Começa o professor Marcelo. – até porque, não temos pessoas o suficiente para derrotá-los, já que sabemos que eles têm uma máquina de fazer exércitos. Estamos treinando, para nos defender! Pois eles estão atrás de nós, e a qualquer momento poderá acontecer outra batalha qualquer e para isso, temos de estar preparados. É ótimo termos o Tonny aqui, afinal, ele é a nossa peça chave no grupo e todos sabem o porquê, mas não quero que só porque ele chegou que vocês amoleçam! Ele não vai resolver nada sozinho, - Berra o Marcelo. – nada!
Depois de todas essas palavras, eu percebi que o negócio estava realmente sério, e que o treinamento era fundamental, não só para mim, mas para todos, pois algo grande está para acontecer e para isso, temos de estar preparados para os próximos confrontos.
Inicio meu treinamento em pouco mais de uma hora. Visto uma roupa especial, feita de borracha e toda preta. Era esquisita, não era camisa e calça, era uma roupa pro corpo inteiro, vinha do calcanhar até o pescoço, e de mangas compridas.
- Interessante. – Falo.
Treinamento básico. Exercício de força e velocidade. Creio que isso não seja problema para mim e não foi! Afinal, força parecia que tinha sido integrada ao meu DNA e na velocidade, apesar da minha mudança, de eu ter ficado mais forte, e meu corpo modificado, aumentado minha massa muscular, eu ainda continuava magro, só que não tanto quanto antes e isso fazia com que eu continuasse veloz como sempre fui.
Quando o treinamento terminou, eu me encontrei com a Isa na sala de jantar do esconderijo, onde eram as nossas reuniões.
- Linda! – Falo sorrindo, segurando a mão dela e ai, já começo a sentir saudades de casa, da escola, dos meus pouquíssimos amigos, do meu pai e da minha mãe. Quando fico com a Isa, me sinto mais ligado aos outros, meu sentimento parece se expandir... Realmente, não sei explicar esse sentimento, mas isso só me trás o pensamento de... “E se eu fosse normal?” não posso dormir sem pensar que ela pode esta correndo perigo, e isso parece ser de mim, Tonny Martin sem a mutação, parece ser tão meu esse instinto, esse desejo ou apenas um querer. Só que é impossível, porque os heróis também precisam dela, e não tenho a parte egoísta dentro de mim, então simplesmente, aceito isso como uma pessoa normal.
Minutos depois o professor Marcelo chama os outros para se juntar a nós, na sala de jantar, para uma reunião muito importante. Eu e a Isa ficamos de mãos dadas, e isso não passa por despercebido pelos outros. Até aplausos recebem, e pedidos de “Beija! Beija! Beija!” também rolou. Era bom estar com eles.
- Brincadeiras a parte heróis, temos um assunto sério a tratar. – Diz Marcelo.
Todos sentados e prestando atenção no Marcelo, que estava em pé, na ponta da mesa. Olhei para o Luca, e vi o quanto maduro aquele garoto estava ficando, pena que não vai ter uma vida de criança, porque vai ser obrigado a agir como adulto o quanto antes ele imagina.
- Talvez vocês fiquem surpresos com o que vou dizer, e na verdade, vai ser uma opção. Espero que escolham continuar aqui e fazer com que meu plano se torne real. – Todos se entreolharam talvez se perguntando o porquê tivesse de escolher ficar aqui, se esse era o objetivo desde o inicio. – Precisamos forjar nossas mortes.
Pronto, o silêncio não foi o problema, eu acho, mas a expressão de susto e surpresa na face dos outros, eram enormes, davam praticamente para ler suas mentes e ver o quão estavam achando o Marcelo louco, mas tinha um que não estava assim. Carlos era o único sério que continuava atento e esperava por mais coisas, e isso me deixou intrigado.
- Porque temos que forjar nossa própria morte? – Perguntei.
- Porque temos família e o Mascarado já nos viu? – Pergunta Carlos, olhando para a mesa e alisando ela.
- Isto mesmo, temos famílias e amigos, e nosso pior inimigo já viu nossos rostos, não podemos arriscar a vida deles.
- E fazendo isso, como lutaríamos contra o crime? – Pergunta Charles.
- Hoje vocês usaram um uniforme para treinamento, certo? – Pergunta Marcelo. Todos assentiram e ele continuou. – Então, estou montando uniformes para a equipe, e todos usaremos mascaras.
- E como vamos mostrar para eles nossa suposta morte? – Pergunta Isabela.
- Eu tenho um amigo infiltrado na gangue dos vilões, e vocês o conhecem, - Marcelo para e me olha, e depois continua. – menos o Tonny, mas ele o conhece, já ouviu falar sobre você.
- E quem é este? – Pergunto.
- Um herói assim como nós, esta infiltrado lá, arrumando um vilão para nos atacar e nos matar, só que tomaremos uma pílula que nos faz cair em um sono tão profundo, que parece até que estamos mortos. Mas isso quem pode explicar melhor é o gênio. – Termina olhando para o Carlos.
Carlos olha para o Marcelo, assente e levanta, se apóia a mesa e começa a falar.
- Bom, - Começa a falar olhando para cada um naquela sala. – eu descobri algo fascinante, e ao mesmo tempo, diabólico. Todos nós sofremos um tipo de mutação forçada. Bem, me deixem explicar melhor. Fomos pegos pelas ruas, postos em um laboratório, e modificaram nosso DNA, e ai foi quando começamos a ter habilidades especiais e o resto vocês já sabem. A única duvida que eu tenha no momento, é a resposta da pergunta “Qual era o plano de quem fez isso?”
Todos ficaram calados por um tempo, até que o Marcelo se voltou para nós, e começou a falar novamente. Acho que não só eu, como os outros, não demos muita atenção pra ele, porém, entendemos que era hora de por o plano em prática.
Descansamos o resto do dia, conversamos bastante, eu e a Isa saímos um pouco do esconderijo, ficamos a sós por um tempo, até que o Carlos chegou.
- O que acharam do plano? – Perguntou.
- Sinceramente? – Perguntei. Ele assentiu com a cabeça. Pensei um pouco sobre o plano, e em se eu poderia confiar no Carlos a minha opinião.
- Eu achei complicada. – Diz Isa.
- Eu achei idiota! – Falo. – Tudo bem, estamos fazendo isso pela nossa família, mas se fossemos fazer algo do tipo, era mais fácil matar o Mascarado, porque sinceramente, não creio que ele vá cair nessa de que morremos e ai surgiu novos heróis em seguida.
- Bem... – Diz Carlos. – Eu não concordo muito com o Marcelo também, acho que ele esta entrando em desespero e esta fazendo besteira, mas já que ele é o líder, o que podemos fazer não é? Sem contar que não gosto de mascaras. – Diz sorrindo.
- Nem eu, afinal, meu primeiro e pior inimigo usa mascara. – Falo em tom de brincadeira.
- Mas Tonny, eu tenho outra ideia  – Diz Carlos. – Lembra quando eu disse que tinha um plano? Então, eu tenho um plano e você esta dentro dele, porque você é a força que eu preciso pra conseguir realizar esse plano e salvar milhões de vidas.

Posted on 18:30 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Mundus Sine Velum – Um Mundo Sem Véu

1

A Cidade de “Ouro”


“Tudo estava em paz... Éramos quem deveríamos ser. E estávamos felizes até eles chegarem aqui... Os Humanos.”

Posted on 18:35 by Felipe Sena Pereira

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Sedução
Capitulo 2

Posted on 19:44 by Hélio Lu'z

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Promessas

“...Não poderá descansar... Precisa Pagar... O preço pelas vidas... Levadas...”

Posted on 14:32 by Felipe Sena Pereira

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Último capítulo do ano! Lembrem-se: Titãs volta dia 11/01/2013! E boas festas!


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Aqueles Que Deixamos Para Trás (parte 3)
                                                                   
           
Último capítulo da primeira temporada


Posted on 16:03 by Yuri Costa

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                       CAP. 9

- Tonny! – Disse o Carlos vindo atrás de mim. Paro e olho para trás, mas até então, já estamos do lado de fora da casa, estamos exatamente na pista de corrida, o lugar onde abriu o caminho para tudo começar.
Olhei para o Carlos como se dissesse “Vamos, pode falar!” e parece que ele entendeu e então falou: - Olha, sei que é difícil aceitar isso, sei que tudo esta muito confusa na sua cabeça, mas eu sei que posso conseguir muitas respostas pra gente. – Disse ele pronto para me fazer uma proposta. – Mas eu preciso da sua ajuda. Topa?
- Carlos, - Falei abaixando a cabeça. – não foi isso que busquei para minha vida. – Voltei a andar em direção oposta a ele. – Minha escolha foi outra. Sinto muito!
Não quis olhar para trás, Carlos é um cara durão, e pra ele ter ido até mim e pedido minha ajuda, é porque realmente precisa, e com a minha resposta, ele deve ter ficado um tanto frustrado.
Não era hora de arrependimentos, mas tomar uma decisão dessas em tão pouco tempo, é muito difícil. Pode parecer que não, que é tudo questão de “Ah que isso, cai na briga com esses vilões, se mostra pro mundo e se torne herói de muitas pessoas... Crianças vão vestir seu uniforme bonito e dizer que é você, ou que quando crescer quer ser que nem você, pois é um herói, e salva a terra dos homens malvados”. O que eu penso na verdade, é que não vou poder ter uma vida normal se aceitar isto. Não vou ter uma namorada, não vou ter um filho, não vou ter um emprego, não terei amigos e nem minha família poderei ver, se não, poderão ficar em perigo, pelo simples fato de me conhecerem.
Não é tão fácil assim como parece ser, mas eu ainda preciso conversar com alguém, e desta vez, eu queria uma conversa olho no olho, e por isso, não poderia ser meu pai.
- Alô, Isa! – Falei no celular enquanto entrava em um ônibus para voltar pra casa. – Preciso falar com você... Na verdade eu preciso de alguém pra conversar...
- Claro! Mais tarde eu vou à sua casa, pode ser? – Pergunta ela da outra linha.
- Não... Nos encontramos na lanchonete do Boris, topa?
- Hm, um encontro. – Diz soltando um risinho. – Ok! Oito horas no Boris, confirmado?
- Confirmado! Até mais tarde então.
Desligamos os celulares e continuamos os nossos afazeres. Continuei seguindo meu caminho, minha cara não devia ser uma das melhores no momento, pois estava me sentindo cansado. Por sorte, o ônibus estava vazio, havia apenas cinco ou sete passageiros.
Depois de quase quinze minutos, desço do ônibus e continuo minha caminhada até minha casa. Wilson quer que eu aceite a proposta, o que não seria má idéia, mas sinto que eles realmente precisam de mim, não pela minha força, mas pela quantidade de gente que eles têm no grupo. Talvez um a mais em um grupo pequeno, possa fazer a diferença.
- Wilson? – Chamei por ele quando entrei em casa, mas como sempre, não havia ninguém. Ele deveria esta resolvendo alguma coisa lá na cidade.
Aguardei o tempo passar, e quando batem sete horas no relógio, me arrumei para me encontrar com a Isa. Não seria um encontro romântico, e sim um encontro para apenas desabafar com a minha amiga, afinal, ela é a pessoa em que mais confio aqui no Rio, só que isso não significava, que eu não poderia ir bem arrumado, perfumado e de cabelo penteado, o que eu não costumava fazer. Pois bem, coloquei uma camisa pólo cor de rosa e uma calça jeans preta. Passei um bom perfume no corpo, fiz um belo de um topete e estava pronto.
Minutos depois, eu estava chegando à lanchonete do Boris, e ela estava lá, sentada e esperando por mim, e pelo visto, pegou a melhor mesa da lanchonete, que ficava na janela e dava uma bela vista pro lado de fora.
- Isa, me desculpe! – Falei, pois eu estava atrasado sete minutos, o que é de costume e não faz disso uma surpresa, e infelizmente, ela já era acostumada com isso.
- Normal Tonny, mas cheguei faz dois minutos. – Disse me dando um sorriso.
- É, parece estar aprendendo bem comigo.
Rimos, conversamos e conversamos mais um pouco, e depois, conversamos mais e mais. Já ia dar dez horas e ainda estávamos de papo lá dentro, e era isso que dava gosto de estar com ela. Não acabava assunto, parece que um quer desvendar o outro, e essa vontade não acabam o que é até um pouco estranho.
Dez e onze, foi quando eu pedi a conta e fomos embora. Até ai, nenhum assunto que queríamos abordar, foi abordado, mas tudo tem o seu momento.
- Sabe... – Paramos na praça e sentamos em um dos banquinhos que dava de frente pro rio, e aquele lugar, era bom e aconchegante, principalmente para revelar segredos. – Acho que nunca contei sobre minha mãe para você.
- Não... – Falou como se quisesse que eu continuasse.
- Eu a perdi quando tinha apenas onze anos. Foi uma dor terrível ver meu pai e mi... Minha família sofrer daquele jeito. Eu não fiquei presente no seu velório, só lembro que fui até seu caixão e dei um beijo em sua testa, e depois, fui embora. Senti uma dor terrível, era muito forte. – Solto um sorriso e continuo dizendo. – Suas ultimas palavras foram, “Estou orgulhosa do nosso filho!”, mas meu pai foi quem ouviu isso, não eu. Não pude ouvir minha mãe pela última vez. Ela foi à única mulher que amei, e sinto falta disso. Não de uma companheira, mas de alguém que você sabe que dorme se perguntando se esta realmente tudo bem com você, de alguém que você sabe que te ama mais que tudo, sabe...? Alguém que cuida de você e te faz carinho sem que seja necessário pedir, ou dar para receber de volta. Ela era perfeita, não existe mulher como a minha mãe, não mesmo. E acho que é por isso que não quero entrar neste grupo. – Falo e olho nos olhos da Isa. – Vocês são meus amigos, e gosto muito de vocês para vê-los correrem perigo de vida.
- Nossa, gosta? – Disse a Isa com os olhos brilhando. – Tonny, não se perca no seu mundo! Não deixe que o passado continue afetando seu presente. Sua mãe te criou para ser forte, para enfrentar as barreiras da vida não para ser um covarde! E como acha que me sinto, ao ver meus amigos com força de vontade para lutar contra o crime, sabendo que o perigo já está na nossa casa, pois agora estamos sendo perseguidos. Como acha que me sinto, quando te imploro para correr risco de vida para estar junto conosco nessa luta? Hein? Como acha? – Depois dessas perguntas, ela deixa escapar algumas lágrimas, não tira seus olhos dos meus. – Mas se apenas gosta de mim, por favor, não corra esse risco.
Foi ai que pude perceber, eu acho que estou gostando demais da Isa, mas o medo de isso ser verdade ainda me domina, não posso dizer meus sentimentos sendo eles verdadeiros ou falsos, pois podem atrapalhar em alguma coisa, prefiro mostrar o quanto gosto dela com atitudes e não com falas, assim talvez, eu não a magoe e nem me iludo ou então, deixo de criar expectativas em algo inexistente.
- Isa, é... Por que... – Eu não sabia o que falar e então eu a beijei.
O beijo foi doce e bom. Simples e perfeito. Certo e diferente. Um beijo gelado que foi se aquecendo. Ela precisa me entender que não posso dizer burrices, até porque, acho que o problema é que não consigo, não tenho essa coragem, mas preferi fazer tudo diferente, mudar pelo menos um pouco essa história.
- Você não rejeitou, - Falei sorrindo. – isso é um bom sinal. – E então voltamos a nos beijar, como se aquele momento fosse tão aguardado por nós.
Levei a Isa até a sua casa e nos despedimos com um beijo rápido, parecíamos até um casal, mas não era isso o que estava se formando, pelo menos não ainda, o importante era que eu estava apto a entrar pro grupo, e me fortalecer, mais e mais.

Posted on 22:33 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Acordando de Um Sonho

Musica: Tarja Turunen – I Walk Alone

“Aquele mundo sujo quase engolia uma criança pura… Fico feliz de poder voltar pra casa… Mas nem aqui posso descansar…”.

Posted on 20:13 by Felipe Sena Pereira

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Olá novamente! Lembrando que este é o penúltimo capítulo de Titãs do ano. Semana que vem será o último, e então, só voltaremos dia 11 de janeiro. Espero que curtam :)


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Através do Espelho (parte 2)

Posted on 16:16 by Yuri Costa

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Surfe na Praia

Música – Armandinho – Pescador

Dedicado: Pamela

“Sentado no píer, olhando o mar, e do meu lado a praia, com todos surfando nas ondas do mar. Vou nessa também”.

Posted on 13:55 by Felipe Sena Pereira

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Olá galera :) Como vão? Estou passando para avisar que, por conta das festas de Natal e Ano Novo, o capítulo 12, que será postado no dia 14/12/2012, será o último do ano. Depois disso, "Titãs" volta no dia  11/01/2013, com o capítulo 13. Enquanto isso, curtam o capítulo 10  :)

Posted on 16:37 by Yuri Costa

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Entre amigos

Música: we'll be coming back

Posted on 17:04 by Felipe Sena Pereira

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Dezembro

E assim mais um ano termina... Certo?


Posted on 16:32 by Felipe Sena Pereira

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Então, gente, estamos de volta com Titãs! Eu agradeço a todos que tiveram paciência de esperar por este capítulo, naquela correria de ENEM e tudo mais. Espero poder compensar! Enfim, espero que gostem do conto desta semana, curtam aí : )

Posted on 16:43 by Yuri Costa

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Finados - Parte 1


Clássico




“...A chuva de sempre que nunca falha em vir e cair nesses dias que fazem as homenagens aos mortos...”

Posted on 19:25 by Felipe Sena Pereira

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                                                                                       CAP.8


Uma ótima noite eu tive de sono, e pareceu realmente que tudo estava indo normal novamente. Passei uma semana sem preocupação alguma com o tal do Mascarado ou de outro vilão qualquer, se é que existem mais. O único problema foi à nota seis no teste de biologia, da professora Roseane. Ela já não gostava de mim, se eu dei qualquer mole no teste ela deve ter tirado ponto. A proposta que recebi de atuar em um filme, bom... Eu pedi um mês para pensar a respeito, e o diretor achou minha atitude “formidável”, porque isso era o jeito dos atores que ele gostava de trabalhar. E também tinha uma proposta um pouco antiga, para que eu fosse modelo de uma loja da cidade, bom... Essa proposta eu recusei. O Wilson me chamou de maluco, disse que muitos esperam uma chance como esta na vida, e eu não soube aproveitar. Mas ele não sabe que a banda, não toca mais assim.
Um mês se passou depois da minha luta contra o Mascarado, e tudo ainda estava normal. Parecia que eu tinha acordado de um pesadelo, e confesso que assim era bem melhor. Nem meus poderes eu estava usando mais. A não ser quando eu preciso levantar algo bem pesado. O estranho é que tem vezes que meus poderes parecem sumir. Tento levar uma pedra pesada e não consigo mover nenhum centímetro dela.
A Isabela e eu estávamos saindo quase todos os fins de semanas. Como amigos, claro. Fomos ao cinema algumas vezes e aproveitamos bem o parque de diversões que estava aqui na cidade, mas de uns tempos pra cá, ela parecia estar ficando distante. Não sei se é porque eu estou pensando em ir embora e eu esteja ficando distante, ou se o novo amiguinho dela, esta sendo melhor do que eu. Ele me tira do sério, não fui e nunca irei com a cara dele.
Uma coisa que comecei a fazer depois dos meus poderes, foi comer muito mais, até massa muscular eu estava ganhando, e as meninas do meu colégio, estavam notando essa diferença.
- Oi gatinho! – Disse uma menina no portão da escola, enquanto eu ia embora. E olha, ela me encarou da cabeça aos pés.
Quando cheguei em casa, fui direto almoçar. Estrogonofe de frango quer coisa melhor? O Wilson mandava muito bem na cozinha e esse era o melhor e talvez o único motivo de eu conseguir morar com ele.
- É Tonny, logo estaremos alugando uma casa de frente para a praia. Seu novo apartamento vai ser no Leblon, com quatro quartos e o seu especialmente com uma varanda de frente para a mais bela praia do Rio de Janeiro. Minha opinião é claro. – Falou Wilson sorrindo.
Eu não sabia bem se queria sair de Queimados. Ali bem ou mal, ainda era uma boa cidade. Estava evoluindo bastante e eu já tinha feito amigos ali. Sentiria falta se fosse embora.
Quando bateu no relógio três e meia, o meu celular toca e no visor o nome da Isabela aparece, o que não era surpresa, já que fazia quase uma semana que não tínhamos sentado pra conversar ou até mesmo sair, que era o que agente estava mais fazendo antes que o Mauricinho aparecesse.

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- Alô! – Falei bocejando para parecer que eu estava acordando.
- Ah Tonny, estava dormindo? – Perguntou a Isabela com uma voz de pena.
- Não, que isso. Eu tinha que acordar daqui a cinco minutos mesmo. – Falei dando uma risadinha.
- Ah sim. – Disse ela parecendo ficar mais séria. – Tonny, o Marcelo esta querendo nos ver. Ele disse que tem uma coisa muito importante para nos dizer.
- Que Marcelo? O professor Marcelo? – Perguntei sem acreditar.
- Sim, ele mesmo!
Não deu pra acreditar, tudo ia começar de novo? Tudo ia começar a desmoronar outra vez? Será que é o Mascarado de novo? O que será que o Marcelo queria conosco outra vez? Isso só me trouxe de volta a preocupação e isso não era nada bom.
- Ok. Aonde vamos nos encontrar? – Perguntei fingindo não ligar para o que ela disse.
- No mesmo lugar, onde o grupo se formou pela primeira vez.
- Certo, estarei lá! – Falei desligando o celular.
- Mantenha a calma. – Falei para mim mesmo. Afinal, poderia ser apenas uma reunião simples, o Marcelo poderia estar querendo nos ver outra vez, até porque, passamos por um momento único e aquilo nos obrigou a nos aproximar de algum jeito.
Não seria problema nenhum de eu ir até eles, então, desci e comuniquei ao Wilson de que iria sair por algumas horas e não teria previsão certa de que horas eu iria chegar. Foi difícil convencer ele, mas no final eu consegui. Tomei um banho e me arrumei para ir até lá. Afinal, poderia ser um jantar e eu não poderia aparecer por lá, todo jogado. Coloquei uma camisa branca simples e uma calça preta com um tênis branco com detalhes preto, eu estava definitivamente bem vestido, haha! Mas acho mesmo é que eu estava querendo impressionar alguém.
Pois bem, depois que sai de casa, não demorei nem dez minutos até chegar ao local. Claro, dessa vez fui de taxi ao invés de vir a pé. Incrível! Tudo havia mudado. Não havia mais aquele lugar abandonado, e nem aqueles matos altos que tapava a visão do que tinha no outro lado. Agora ali era um terreno bem grande, com a grama aparada e com uma casa bem no meio. E a casa era bem bonita, pensei até que eu estava no lugar errado, mas não, pude ter certeza de que era o mesmo local de antes, pela pista de corrida que tive de atravessar para chegar até a casa. E então, toquei a campainha e aguardei.
- Tonny! – Disse o Luca me abraçando pela cintura assim que abriu a porta. – Que saudades de você.
- E ai garotão! – Falei enquanto bagunçava o cabelo dele e retribuía o abraço. – É, tive muito ocupado, mas vim aqui ver vocês.
- Entra logo, estão todos te esperando na sala. – Falou enquanto me puxava pelo braço.
- Tudo bem.

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E quando cheguei à sala, comecei a lembrar das cenas que ocorreram naquele local, à rocha do Mascarado entrando rasgando pela parede, o Charles segurando ela enquanto eu corria e socava ela fazendo com que esfarelasse no ar. Lembrei também do olhar assustado da Isa e da Lorena. Comecei sentir uma forte dor de cabeça, cocei meus olhos e quando os abri novamente, vi todos sentados à mesa, da mesma forma de quando cheguei aqui pela primeira vez, só que agora, eles estavam sorridentes e a mesa tinha alguns biscoitos, pães e sucos ao invés de estar vazia.
- Ei Tonny! Venha, senta-se conosco! – Disse o professor Marcelo apontando para a cadeira ao seu lado.
- Mas é claro! – Falei enquanto me sentava ao seu lado. – E ai galera!
- Bom te ver Tonny, parece bem inteiro. – Disse o Charles rindo.
- Sabe como é, tenho passado os últimos dias quebrando umas pedras por aí! – Falei tentando ser engraçado, e consegui! Acho que só acharam graça porque eles também têm poderes, menos é claro, o Luca, a Isabela e o Marcelo. Não que eles tenham me dito, mas estava muito na cara, eu só não sabia o motivo de eles estarem ali, com agente.
- É, conseguiu ser engraçado. – Disse o Carlos sorrindo.
Assenti e sorri também. O Carlos era bem legal, mas era muito quieto e diferente dos outros. Acho que diferente de todos os outros garotos que conheci na minha vida, mas ele era maneiro.
Comemos um pouco, conversei com todos. Lorena estava bem melhor e me disse que só acordou no dia seguinte e não estava se lembrando de nada, mas que poucas horas depois teve uma forte dor de cabeça e se lembrou de todo o ocorrido. A Isabela só me olhava e sorria para mim, e eu sempre retribuindo. Não sei o que pensava ao meu respeito, se me considerava só um amigo, ou até mesmo um irmão, o que não seria legal, não porque eu quero algo com ela, até porque não quero, ou melhor, dizendo não sei se quero, não... Na verdade eu não deixo de querer e nem de não querer, só não rola nada, mas não é porque ela é feia, até porque ela não é, muito pelo contrario, é linda, tão linda que colocaria muitos homens de joelho aos seus pés implorando por um beijo. Aaaaahrg! Chega disso!
O professor Marcelo parecia bem feliz e estava dizendo que tinha uma coisa para contar a cada um de nós, mas que era para ficarmos tranquilos que era coisa boa. O Luca parecia ser o único, a saber, do que o Marcelo estava querendo dizer, pois toda hora ele dizia: - Eu sei o que é eu sei!
O Charles ficava esticando seu braço para pegar tudo o que não alcançava, e ainda dizia: - É preguiça de levantar da cadeira mano.
E ainda falava rindo, e isso era até mesmo engraçado. Horas depois o Marcelo veio nos fazer uma proposta, antes de dizer o que era ela parecia boa e inovadora.
- Quero fazer a diferença na nossa cidade, mas preciso de vocês! – Dizia ele. – Quero unir nossas qualidade e formarmos um grupo... – O silencio reinou nessa pequena frase, até que ele terminou de dizer. - De super-heróis!

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Acho que depois desse discurso ele queria que todos se levantassem e o aplaudissem gritando “Viva! Viva!”, mas não foi bem assim. Dava para ouvir até a mosca passar por nós. Os olhares se cruzando, talvez cada um perguntando para si mesmo, se os outros seriam capazes de formar um grupo de super-heróis.
- Se aceitarem, o treinamento começa a partir de amanhã, no ginásio atrás desta casa. – Completou o Marcelo.
- Viva! Viva! – Gritou o pequeno Luca. Pronto, agora sim o Marcelo ouviu o que queria. Apesar de ser o Luca, apenas uma criança, ele sorriu ao ouvir e ver o entusiasmo do moleque, e por dentro, não duvido nada de que estava pensando “esse é o meu garoto!”.
- E porque deveríamos aceitar? – Perguntou Carlos.
- Já percebeu como está tudo tão calmo? Acha mesmo que o Mascarado nos atacou, e só porque o Tonny o acertou com um golpe ele fugiu e não vai mais voltar? Eles são podres de ruins!
- Opa, pera ai! Eles? – Perguntei.
- Sim, Eles! - Falou o Marcelo percebendo que falou demais. – O Mascarado é um vilão solitário. É como um matador de aluguel trabalha sozinho, mas isso não tem mais acontecido depois que o rei do crime dominou tudo na cidade. O rei do crime sabendo o quanto ele é forte o contratou como seu braço direito. Mascarado por sua vez, não teve como recusar, era isso, ou não iria mais trabalhar. Não porque a cidade estava dominada, mas porque ele seria morto facilmente pelo rei do crime.
- E quem é esse rei do crime?
- Pelo que eu sei, ele tem as orelhas machucadas por causa das surras que levava quando criança. Era pobre e morava na rua, até que foi parar na FEBEM, e lá levaram ele para uma casa de adoção, onde passou dois meses e foi adotado por pessoas ricas. Mas seus pais adotivos só o adotaram para usa-lo. Tudo não se passava de um plano, o garoto era novo, sempre foi forte, grande e alto e lutava muito bem. Então foi adotado para usa-lo como cobaia para um grande experimento que mudou a sua vida. Mas o experimento não deu certo com ele, e seus pais adotivos ficaram com raiva e brigaram muito com ele, então, ele os matou, pegando toda a fortuna e usando para o tráfico de drogas e armas de ultima geração. Mas isso só foi no inicio, pois seu foco principal era pegar bons contatos chineses e russos, e foi ai que ele virou o rei do crime. Conseguiu acertar o que tinha de errado com o experimento de seus pais adotivos, e implantou em outras cobaias. Os que davam certo sobreviviam e ficavam sem memória e obedecia ele facilmente, os que não davam certo, ou morriam durante o experimento ou conseguiam ficar com a memória intacta e eram mortos em seguida, pois ele não queria mais problemas.
Todos continuaram em silêncio, ainda mais depois dessa história horrível, mas o Marcelo continuou.
- É por isso que precisamos nos unir! Treinando e ajudando o próximo, podemos sim acabar com o crime. Começamos aqui na cidade, e depois disso,

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iremos ajudar o país e depois o continente e depois o mundo. Seremos a esperança de todos que habitam nesta terra! Quem está comigo, coloque a mão sobre a minha. – Disse o Marcelo deixando a mão esticada no centro da mesa. Deveria estar com a intenção de fazer o “um por todos, e todos por um!”.
Realmente é muito intrigante tudo isto. Mas se ele acha que podemos algo contra um cara que colocou medo no Mascarado, sendo que apanhamos do Mascarado com a maior facilidade... Acho que ele só esta dizendo isso porque não viu a luta.
- Estou contigo Marcelo! – Falou o Charles se levantando colocando a mão sobre a do Marcelo.
- Podemos não ser fortes o suficiente, mas se juntos treinarmos, podemos sim, alcançar o nível deles. – Falou o Carlos colocando a mão sobre a do Marcelo e a do Charles.
- Estou contigo desde que nasci papai! – Falou a Lorena toda sorridente e imitando um bebê.
- Eu também quero! – Falou o Luca, também colocando a mão sobre as dos outros.
Restamos apenas eu e a Isabela. Olhamos um para o outro e parecia que ela estava lendo meus pensamentos. Meu sonho! Minha família! Meus amigos! Tudo estaria correndo o risco de me perder, se eu aceitasse entrar nesse grupo.
- Eu também estou dentro. – Falou a Isabela colocando a mão sobre as outras e olhando nos meus olhos, querendo dizer para que eu fizesse o mesmo, mas não, eu não podia aceitar isso.
- Eu não sou capacitado para ajudar vocês. Prefiro não correr este risco. – Falei dando as costas.
- Tonny! – Falou o Marcelo. – Sei que ninguém aqui tem um elo de amizade tão forte que te faça ficar, mas sei também, que aqui, são as pessoas que podem te entender e que podem conviver com o seu novo “eu”. Aqui você estará em casa. Será sempre bem-vindo, mesmo não querendo entrar na batalha conosco. Mas quero que você saiba que você é importante, que você é forte e que você é capaz de nos ajudar e muito! Aqui é sua nova vida, não lá! Eles tiraram isso de você, mas você foi capaz de reagir e criar um novo futuro. Lembra-se, era pra você estar sendo controlado, mas não, foi um dos poucos que conseguiu se libertar sozinho. Tem algo grande pra você, mas pra isso, terá que abrir bem seus olhos.
Depois que falou isso, parei, mas continuei de costas para ele, apenas olhei de lado, mas não para ele, mirei meu olhar na parede mesmo, mas quis que ele visse e sentisse que ouvi. Então olhei para frente e voltei a andar, sem soltar nenhuma palavra, mesmo querendo dizer “está bem, eu aceito!”, ou então dizer “apesar das belas palavras, ainda me acho um fraco!”, mas não! Fiquei quieto e apenas andei na direção contrária, e acho até que essa era a melhor coisa a se fazer. Deixar para trás todos os problemas e continuar a minha vida, como ela sempre foi. Pacata ao extremo!

                                              ...

Posted on 22:52 by Lucas Gomes A. Siqueira

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Olá galera! Eu peço novamente desculpas por ter atrasado tanto esta postagem, mas aqui está ela. Como eu disse, por eu estar estudando para o ENEM, não há previsão para quando poderei lançar o capítulo 9, mas, assim que puder, irei avisar para vocês no grupo do Facebook. Enfim, mil desculpas novamente, e curtam o capítulo 8!

Posted on 17:45 by Yuri Costa

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                                                                                                 CAP. 7

Quando cheguei a minha casa, fui direto para o banheiro. Tomei um bom e demorado banho e fui para meu quarto. Deitei em minha cama, e percebi como nunca, o quanto era macia. Meus pensamentos voltaram a fluir com peso em minha mente, porém, tentei ao máximo bloquear, pois queria apenas algumas horas sem tantas loucuras na minha cabeça. O estranho era que dentre todos os pensamentos, o que ficava insistindo em ficar era o momento em que a Isabela me abraçava. Ultimamente estava com o pensamento muito ligado a ela e isso me era estranho.
Meu celular toca, e quando olho, já é hora de ir para escola. Incrível como o tempo voou! Eram quase cinco horas quando deitei e já são quase nove horas.
Me levantar daquela cama tão macia não foi nada fácil. Eu estava com muita dor no corpo, talvez pelo dia anterior, todas aquelas pancadas no meu corpo pareciam surtir o efeito da dor só agora.
- Ai, minha coluna! – Reclamei enquanto descia as escadas indo para a cozinha.
- Parece que tem alguém pegando o jeito da coisa. – Falou o Wilson, meu empresário.
- Que jeito? – Perguntei sem nada entender.
- Jeito de velho! Haha! – Falou enquanto dava gargalhadas.
- Oh, nossa você é muito engraçado! – Falei em um tom irônico. Até dei uma risadinha de leve, mas foi mais para não deixar ele mal. Parecia feliz e que pelo menos ele continuasse assim. Energia positiva é sempre boa.
 - Tonny, trago boas noticias para nós. – Diz ele se sentando a mesa. – Temos um teste pra você. Viram um vídeo seu... Um de quando você fazia teatro lá em Minas, na sua cidadezinha. – Eu já estava pasmo a cada palavra que ele soltava pela boca, mas antes de eu falar qualquer coisa, senti que ele ainda tinha algo para contar, então respirei fundo e fiquei mais atento do que já estava. – É um teste de um filme que vai lançar neste ano ainda, e quem te escolheu foi o próprio diretor. Se prepare, porque você vai ficar muito ocupado nesses próximos dias.

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Fala pra que? Resolvi ficar quieto e continuar fazendo o que estava. Mas o problema foi todo este, fiquei quieto demais. Lanchei, me arrumei e fui pra escola totalmente mudo. Eu não tinha muito tempo de convívio com o Wilson, mas é certo de que ele percebeu que eu estava com algum problema. Eu estava precisando falar isso com alguém. Pensei no meu pai, mas não queria alguém pra falar por telefone, eu queria alguém que me olhasse nos olhos e me visse como estou me sentindo.
Cheguei ao colégio e tudo no maior silêncio. Me sentei sem olhar pra ninguém, e se me deram bom dia, eu não retribui. Eu estava surpreso com o que o Wilson havia me dito horas atrás. E até mesmo feliz! Afinal, era tudo o que eu mais queria na minha vida. Conseguir um papel em um filme, de um modo não tão difícil assim, é como... Se estivessem rindo da minha cara e oferecendo tudo isso, sabendo que não tenho como aceitar. Pelo menos não até eu ajeitar minha nova vida. Resolver meus problemas estranhos que os outros com certeza não acreditariam.
Continuei quieto até que o sinal do intervalo tocou. Fui para o pátio sem assunto com ninguém, apenas colocando a cabeça pra ficar vazia, mas percebi que uma amiga da Isabela estava vindo à minha direção, e provavelmente ia falar comigo.
- Oi Tonny! – Falou a Martinha, amiga da Isabela.
- Olá!
- É... Você sabe onde a Isabela está?
- Não, - Falei lembrando que nem olhar para ver se a Isabela estava lá eu olhei. – na verdade eu nem sei.
- Hum. – Respondeu meio desacreditada. Mas tudo bem, ficamos ali conversando um pouco e foi até bom. Conversamos o intervalo todo e quando o sinal bateu, voltei para minha sala. Minha sorte é que era sexta-feira e toda sexta-feira minha turma saí cedo. Dito e feito, depois de mais dois tempos de aula, fomos liberados. Fui direto para minha casa, já que na escola eu não tinha muita coisa de interessante para fazer. Ao chegar lá, encontrei o Wilson preparando o almoço, e o cheiro estava muito bom. Dava até pra sentir lá da porta de casa.
- Hoje temos visita! – Gritou o Wilson enquanto eu subia as escadas, indo para o meu quarto.
Fiquei pensando em quem poderia ser. Será que era o meu pai? Não, ele tem que ficar lá com a loja e não teria tempo para vir aqui me visitar. Mas quem poderia ser? Tomara que seja legal pelo menos.

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Antes que a visita chegasse, tomei um bom banho e fui para a sala ver TV.
- Wilson! – Falei para chamar a atenção dele, já que estava tão concentrado na cozinha. – Quem é que vai vim aqui?
- Ah, - Falou ele parecendo estar terminando de fazer o almoço. – uma amiga sua! Ela falou que queria falar com você, então resolvi chama-la para almoçar conosco.
- Amiga minha? – Perguntei sem entender. – Que amiga? Qual o nome dela?
- Calma Tonny! – Falou em meio a risadas. – Ela não parece querer te morder não. Bom, ela disse ser a Isabela Melo.
- Isa? – Falei para mim mesmo.
Ou o céu estava caindo ou eu estava flutuando nas nuvens. Não sabia nem o que dizer ou o que pensar. Eu estava muito surpreso e os problemas da minha cabeça pareciam estar ficando pequenos.
- E que horas é que ela vai vim? – Perguntei, e logo em seguida, a campainha toca.
- Deve ser ela! – Disse o Wilson sorrindo e me olhando de um jeito que eu parecia conseguir ler seus pensamentos, “vai lá abrir a porta, vai!”.
Dei um pulo do sofá, e fui em direção a porta e quando abri, eu automaticamente devo ter aberto minha boca junto. Ela estava linda, não sei se era o sol, mas a cor amarelada de seu cabelo estava irradiante e muito bonito. Estava vestida com um vestido curto e um pouco largo, o que combinou muito com ela. E ainda segurava um pote enrolado em uma toalha.
- Não vai me convidar para entrar? – Perguntou a Isa sorrindo um pouco tímida.
- Claro que sim, - Falei abrindo mais a porta e dando passagem para ela. – entre, por favor!
- Obrigada! – Falou entrando e com um sorriso no rosto. Fomos até a cozinha para que eu pudesse apresentar ela ao Wilson, mas nem precisou.
- Ora, ora! Você quem deve ser a Isabela Melo, certo? – Falou vindo na nossa direção.

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- Certíssimo! – Falou a Isa meio sem graça.
- Ah, sabia que o Tonny tinha bom gosto.
- Que? – Perguntei e ainda bem que não tinha um espelho na minha frente, porque eu não gosto de me ver ficando vermelho.
- Ah, aqui vocês dão dois beijinhos no rosto não é mesmo? – Falou o Wilson cumprimentando a Isa com dois beijos no rosto, do jeito certo, alias, do jeito dos cariocas, e sei bem disto porque na primeira vez, deixei a Isa mal, dando apenas um.
- É, acertou. – Falou a Isa.
Ela deixou o pote que trouxe em cima da mesa, e disse que era uma sobremesa, mas que só iríamos saber o que era na hora, porque era uma surpresa. O Wilson disse que pra nós esperar na sala, já que ele ainda não tinha terminado de arrumar a mesa, mas que logo, logo iria nos chamar.
Fizemos isso. Fomos para a sala assistir TV. Não puxei nenhum assunto, afinal, não tinha em mente o que falar com ela. Minhas mãos estavam ficando suadas já, de tanto nervosismo.
- Porque você não foi pra escola hoje? – Perguntei algo finalmente.
- Ah, - Disse ela entrelaçando os dedos. – não estava com cabeça para assistir aula.
- É, nem eu.
- E como você está? – Falamos juntos e então rimos.
- Ok, pode falar você primeiro. – Falei.
- Como você está? – Perguntou a Isa.
- Acho que estou bem.
- Acha? – Perguntou meio confusa. Então, expliquei o que estava acontecendo comigo, que meus pensamentos estavam me atordoando muito que chegava a dar dor de cabeça. E pelo visto, eu não era o único. Ela também estava pensando muito em tudo o que eu falei. Claro, não falei da parte que tenho pensado nela bastante nesses últimos dias, e nem ela, se caso tenha pensado em mim também.
- O almoço está na mesa! – Falou o Wilson.

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Partimos para a cozinha, e ainda bem, porque eu não queria ficar tocando naquele assunto. Não gosto muito dele.
Comemos bastante, o almoço, estava ótimo, e nossa conversa saudável. O Wilson se mostrou muito legal com a Isa, e ela, estava adorando passar aquela tarde conosco. E finalmente, chegou a hora da sobremesa. A Isa tinha trago um mousse de limão, e estava uma delicia!
- Minha mãe que fez, - Disse a Isa. – ela é ótima na cozinha, e o senhor também. – Falou elogiando o Wilson.
- Ah, muito obrigado. Pode deixar quero que você venha nos visitar, muita outras vezes para almoçar conosco. – Falou o Wilson sorrindo.
- Pode deixar comigo. – Falou rindo.
O Wilson começou a contar umas histórias de vida dele, do tipo quando era criança e brincava de casinha com as vizinhas dele. Disse até que uma delas foi à primeira namorada dele, e outra, era prima da sua ex-mulher. A Isa parecia bem interessada na história, e eu também. É legal ouvir histórias das pessoas que já viveram bons tempos. Só que tudo que é bom, dura pouco.
- Mas me fala o Tonny já te contou da proposta que recebeu? – Perguntou o Wilson para a Isa.
Não queria que ele falasse disso. Na verdade eu não queria que ninguém soubesse disso. Minha situação não era mais essa, quero dizer, para o Wilson ainda era, mas ele não sabe o que esta acontecendo comigo, e não pode perceber que esta tudo se acabando.
- Não, - Disse a Isa me olhando. – não me disse nada.
- Ah, Tonny, conta a ela!
- Não. – Falei sério, me levanto e vou lavar meu prato.
- Ei Tonny, calma! – Falou o Wilson. – Desculpa se fiz algo errado.
- Tudo bem, - Falei tentando amenizar, porque realmente, ele não tinha ideia de que aquilo me deixaria chateado. Até porque é uma boa notícia e ele esta muito feliz por ter conseguido esse papel para mim. – eu falei brincando. – Falei sorrindo.
- Ah ta vendo porque você conseguiu esse papel! – Falou o Wilson todo entusiasmado. E então, ele contou para a Isabela o que eu vim fazer aqui no Rio, e de onde eu era, e da proposta que recebi. A Isa me olhou justamente do modo em que eu achei que olharia, com um ar de "O que?”. 

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Ali ela percebeu que o Wilson não estava sabendo de nada do que tinha acontecido comigo, só assim ela deve ter entendido o porquê falei aquele não.
Já era hora de ela ir embora e como ela ia sozinha, me ofereci para deixa-la em casa. Ela se despediu do Wilson e agradeceu pelo convite e fomos pra casa dela. No caminho começamos a conversar sobre ela. Contou sobre seu primeiro amor e isso me deixou um pouco desanimado no assunto. Falou também que sofreu muito com isso, e depois disso, nunca mais quis se relacionar com alguém. Perguntei com quantos anos ela teve esse “primeiro amor” e ela respondeu que isso aconteceu quando ela tinha quatorze anos e só foi perceber que esqueceu esse amor, quando estava completando dezesseis anos.
Como o assunto estava crescendo cada vez mais, resolvemos parar na praçinha perto da casa dela. Sentamos em um banquinho e continuamos a conversa, só que ela queria mudar a rota do assunto.
- E você Tonny? Ator não? – Disse sorrindo.
- É, - Comecei. – esse é meu sonho desde criança, mas só tomei coragem de dizer isso ao meu pai no final do ano passado.
 - E sua mãe? – Perguntou ela sem saber que minha mãe já não esta mais entre nós.
- Bom, o papai do céu levou minha mãe quando eu tinha onze anos, depois disso tive que aprender a amadurecer com mais rapidez.
- Nossa Tonny, me desculpe! Não sabia que sua mãe tinha... – Ela resolveu não terminar a frase e para não deixar ela constrangida, voltei a falar.
- Não, que isso, não tem problema. Não é porque ela morreu que não posso mais falar nela. Pelo contrário, eu deveria era escrever um livro sobre ela, pois o mundo poderia admirar uma pessoa tão boa e inteligente que minha mãe foi.
Conversamos mais um pouco sobre minha mãe. Contei o que ela fazia comigo quando era criança, e ela ria, até porque minha história de quando era criança é realmente muito engraçada. Me diverti muito na minha infância, com meus primos que moravam no mesmo condomínio que eu. Vivia brincando de pique esconde e de pique cola entre outras brincadeiras que nos dias de hoje, as crianças já não brincam mais.
- Tonny, você acredita em paixão ou amor a primeira vista?

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- Acredito! – Respondi espontaneamente, o que fez com que ríssemos mais um pouco.
- E você já amou alguém? – Perguntou ela me encarando de um jeito cativante.
- A única mulher que amei foi a minha mãe, pois sinto falta dela até hoje, mas... Já me apaixonei novo até demais, porém, durou bastante.
- Conta pra mim. – Pediu a Isa de um jeito em que não pude dizer não.
- Me apaixonei por uma menina quando eu tinha acabado de fazer onze anos. Nos chegamos até a namorar, mas foi namoro de criança e não durou nem duas semanas, - Falei entre risos. – mas depois que terminamos, continuamos amigos, e depois, melhores amigos, e depois, nos apaixonamos.
- Então o que houve de errado nisso?
- Eu me apaixonei pela garota errada. – Falei querendo acabar o assunto por ali mesmo, mas a Isa me olhou de um jeito que pude ver que ela queria que eu continuasse. – Bom... Eu e ela vivíamos ficando, mas eu sempre quis algo sério com ela, e ela nunca quis nada sério comigo, já com os outros, haha! Namorou a metade da minha cidade e eu continuei correndo atrás dela, da pra acreditar? – Falei rindo.
- É você deveria estar bem apaixonado. Mas e ai? Acabou por ai?
- Não. Na verdade, comecei a perceber quem ela era, e ai, comecei a usar ela. Ficava quando eu queria e quando ela me queria nunca ficava. Aprendi a ser mais sensual e atrair a atenção dela quando ela tentava me negar, mas a coitada, não conseguia, não resistia ao charme. E então, ela disse que me amava e me pediu em namoro, outra coisa difícil de acreditar, uma mulher, pedindo a um homem em namoro.
- Talvez ela tenha se arrependido de tudo o que fez, largou o orgulho e se entregou pra você. Nunca chegou a pensar nisso? – Perguntou a Isa, e sinceramente, se fosse naquela época, eu daria a resposta mais dolorosa da minha vida.
- Que ela se entregasse antes de acabar comigo. Não acha que sofri o bastante?
- Ela deve ter te mudado muito, não?
- Só sei que nunca mais consegui me envolver com alguém.

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Depois dessa conversa, ficamos em silêncio, e se eu quisesse criar algum tipo de clima romântico, essa não era a hora certa. Mas também, porque eu iria querer romance com a Isa? Não temos nada demais e nem vamos ter.
Levei ela até a porta de casa, e nesse meio tempo, quase não trocamos palavras, até que nos despedimos. Dois beijos no rosto e um abraço, e quando a soltei, segurei uma de suas mãos e fui à direção contraria a dela, soltando devagar nossas mãos, mas antes de ir embora, eu tinha que falar algo mais que apenas um “tchau!”.
- Ei Isa! – Falei parando e virando pra ela. – Você é uma ótima amiga. – Sorri e voltei a andar na direção da minha casa.

                                                                                ...





Posted on 00:31 by Lucas Gomes A. Siqueira

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                                            CAP.6

Sempre, não sei ainda o porquê, mas as palavras do Mascarado surtia um efeito amedrontador em mim. Ele falava tão calmo e sua voz irritante fazia com que parecesse tudo parte de uma irônica facilidade. Talvez o efeito mesmo, seja causado pelo fato de ninguém ver sua feição, já que usa mascara.
- O Tonny não vai a lugar nenhum! – Disse o professor Marcelo.
- Certo. Agora chega de brincadeira, - Falou o Mascarado enquanto subia em sua rocha flutuante. – vamos Tonny! – Disse estendendo sua mão para mim.
- Ei! Como assim “vamos Tonny”? – Falei. – Eu nem te conheço, porque iria com você para não sei aonde?
- Você não sabe quem são eles e está aqui, porque não viria comigo?
- Por quê? Ah cara, não me leve a mal, mas você é estranho. - Falei, e ele não pareceu gostar muito, o que era até engraçado.
- Com eles você só vai correr riscos moleque, - Disse o Mascarado em um tom mais sério. – se você não fosse importante, eu já teria te matado!
Não sei bem se era para eu começar a ficar com medo, ter mais cuidado com as minhas palavras ou sei lá o que, mas eu pude perceber que as coisas não estavam nada bem, e a tendência, era piorar.
- Vai embora daqui, - Disse o Carlos, e assim ouvi sua voz pela primeira vez já que ele não parecia ser de muitas palavras. – já não percebeu que ele não vai com você?
- É. Pode até ser uma ideia dele, só que... Eu não estou dando escolha!
Quando o Mascarado disse isso, ele em sua rocha flutuante e com seu cajado rochoso esticado para frente, ou melhor, dizendo, para minha direção, veio ao meu encontro. Me posicionei para atacar, só que eu não sentia mais a mesma força dentro de mim, por sorte, pude ver meus novos amigos me defenderem.
Charles cobriu a visão do Mascarado com seu corpo elástico, enquanto o Carlos puxava uma faca do bolso de trás de sua calça. Não sei se aquilo ajudaria em alguma coisa, mas eu não poderia subestima-los.

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O professor Marcelo correu com o Luca e a Isabela para dentro do mato, talvez fosse diretamente para a casa onde estávamos. Pensei até em acompanha-los, mas percebi que o medo estava me dominando, então, resolvi ficar. Afinal, ainda tinha o Carlos, Charles e a Lorena lutando contra o Mascarado, e estava faltando eu naquela luta.
- Tonny! Sai daqui! – Gritou Charles ofegante em meio à luta, mas não dei ideia.
Era incrível como o Mascarado estava se dando tão bem, contra três fortes candidatos a vitória. Lorena foi a que mais estava me surpreendendo ali. Ela cria algum tipo de campo de força, mas dependendo do tamanho, pode servir como uma bola quase transparente e assim, lança-la contra o oponente.
- Agora é a minha vez! – Gritei correndo na direção do Mascarado.
Antes de começar o meu ataque, eu deveria estar há uns doze metros de distancia do Mascarado, e ele, estava de lado para mim, se defendendo e atacando os outros. Quando comecei a correr, só pensei no soco que dei naquela rocha e no jeito que ela ficou. Puro pó! Achei que se desse um soco desses nele, venceríamos aquela luta. Então, fechei bem meu punho e continuei avançando em velocidade pra cima dele, mas quando gritei, ele se virou para mim, e se não fosse pela mascara tampando seu rosto, eu poderia jurar que ele estava com um sorriso maléfico na cara.
Me posicionei em meio a corrida, quando era hora de soltar a mão nele, taquei todo o peso do meu corpo para trás, e quando soltei toda a minha força na mão, ele simplesmente esticou o braço com a mão aberta, e assim uma rocha saiu do chão bem na minha frente, formando uma parede, e quando soquei ela, percebi que era bem dura. Tão dura a ponto de ter apenas rachaduras, e não ter ficado do jeito que pensava que era pra ficar.
- Achou mesmo que você poderia me atacar assim? – Perguntou Mascarado. Fiquei perplexo, o medo foi tomando conta de mim novamente, eu não estava preparado para aquilo, e estava ficando assustado com tudo isso. E então ele se aproximou de mim lentamente. Meus amigos estavam caídos no chão, com dor e muitos machucados. O que aconteceu pra eles ficarem assim, é que eu não sei. Acho que só pensei em acabar com isso, mas tentei fazer sozinho, e isso pode ter sido meu maior erro.
- Tonny, Tonny, Tonny! – Dizia o Mascarado cada vez mais próximo. Sua rocha que se formou na minha frente, já estava descendo de volta para o seu lugar.

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- Tonny, - Tentava falar o Charles, que aparentemente, era o que estava pior. – fuja!
Fugir? Mesmo que eu quisesse, eu já não via opção de fugir! Além de ver eles ali, todos machucados. O problema era o Mascarado e como eu poderia para-lo, detê-lo ou então, mata-lo?
- Antes, - Soltei, sem querer, mas soltei a primeira palavra, essa já era uma questão que eu tinha formulado na primeira vez em que me encontrei com ele, e foi ai que soube a resposta. – por que... Porque eu?
- Porque você, - Disse o Mascarado pulando de sua rocha flutuante, estando a uns dois metros de mim. – foi à experiência que deu certo!
- Não de ouvidos a ele Tonny! – Berrou a Lorena tentando se levantar.
- Como assim? Experiência? – Pergunto.
- Haha! Nunca te disseram? – Respondeu o Mascarado em uma gargalhada.
- Tonny... – Gritou novamente a Lorena, só que assim que ergueu sua voz, o Mascarado esticou seu braço, e foi levantando lentamente, e junto com seu movimento, uma nova rocha saia do chão, e quando ela ficou na altura dos olhos do Mascarado, ele lançou ela em cima da Lorena.
- Lorena! – Gritei sem ter muito que fazer, mas ela era experta e boa. Fez um campo de força, e a rocha apenas bateu e esfarelou a sua volta. Logo em seguida, aproveitei que tinha dado um impulso para ir até a Lorena, e por sorte, percebi a brecha que o Mascarado havia me dado. Ele estava de costas para mim, com a mão ainda esticada para a Lorena, foi então que ataquei.
Nunca fui bom na luta, ou ao menos, nunca lutei. A minha única noção de luta, é pelos filmes de ação que assistia na TV.
Primeiro golpe, defendido facilmente pelo Mascarado, acertei em cheio, mas ele segurou meu punho com facilidade. Segundo golpe, chutei o lado de seu joelho, talvez na intenção de quebra-lo ao meio, mas não obtive sucesso, pois sua perna se protegeu com uma camada de rocha ao seu redor. Terceiro golpe e lancei meu cotovelo na direção do seu rosto ou melhor, sua mascara, e pela primeira vez eu o acertei. Ele ainda segurava minha mão, com qual dei o meu primeiro golpe, e minha perna, ainda estava flexionada para frente, por causa do chute que dei em sua perna, e então, ainda estava sem certo apoio, porém,

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minha cotovelada deixou uma marca nele, pena que não pude admirar, já que ele me empurrou e sai de perto dele.
- Lorena, - Falei desviando o olhar para ela rapidamente. – você está bem? – Ela ainda estava caída, mas não podia ficar olhando para ela, eu tinha um oponente muito mais forte que eu no momento, então me voltei para o Mascarado.
- Você vai pagar por isso. – Disse ele tirando a mão de dentro de sua mascara, e só assim eu pude sorrir. Eu consegui feri-lo, e provei pra ele que não é assim que a banda toca. Como assim vai me levar? Isso não existe, pelo menos, não no meu mundo!
Olhei para meus amigos de novo. O Carlos já estava conseguindo se colocar de pé, e lentamente, ia até os outros para ajudar. Mas houve um momento em que ele olhou para mim, e pela primeira vez, não foi como os outros olhares que ele adorava me mostrar. Ele me olhou, parecendo que estava depositando confiança em mim. Fez que sim com a cabeça e virou para ajudar a Lorena.
Talvez eu tivesse errado ai. Ficar olhando eles, e dar uma enorme brecha para o Mascarado. Ele me atacou e não pude evitar, pois estava distraído. Recebi um forte golpe no peito. Senti sua mão tão dura, que só depois percebi que estava coberta por uma camada de rocha.
Doeu! E como doeu esse golpe. Só tinha algo mais que eu poderia fazer, e fiz. Agarrei seu braço e quando cai, fiz força para que ele caísse do meu lado, e assim, fiquei por cima dele com a mão dele ainda forçando em meu peito, porém, eu não podia dar atenção a isto. Em meio à troca de socos, eu consegui colocar mais força na mão e lançar sobre ele. Mas quando eu lancei minha mão na direção dele, ele colocou seu cajado rochoso na frente. E assim eu quebrei seu cajado. Ele começou a se contorcer, parecia até estar passando mal. Se isso foi um plano, deu certo! Eu tirei meu peso de cima dele, e dei espaço para que ele respirasse. Não tinha motivos para que eu me preocupasse com ele, e não estava, mas aquilo estava me deixando nervoso, até que ele me jogou para o lado, e saiu correndo para sua rocha flutuante, segurando com firmeza, seus dois pedaços do cajado. E assim ele se foi, nos deixando livres, pelo menos, por enquanto.
Corri até os outros, Charles, Carlos e Lorena estavam sentados um perto do outro.
- Acabou. – Falei sem saber se eles perceberam o Mascarado indo embora.

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- Não Tonny, - Disse Carlos levantando a cabeça e olhando para o céu. – muita coisa ainda está para acontecer. – Completou fechando os olhos lentamente.
Se ele não estivesse mexendo no chão com as mãos, eu pensaria que ele estava indo desta para uma melhor, mas não, talvez estivesse cansado e suas feridas atrapalhassem a manter as forças. Charles conseguiu se colocar de pé, e isso foi até um pouco melhor, porém a Lorena ainda estava sentada e sem forças para se levantar.
- Charles, consegue ajudar o Carlos a andar? – Perguntei.
- Acho que sim, - Disse ele olhando para o estado do Carlos. – por quê?
- Bom o que esta em melhor estado aqui sou eu, e quem esta no pior estado, parece ser a Lorena. É mais fácil eu leva-la do que você ou o Carlos. – Respondo.
- Se é assim, acho que você tem razão. – Disse o Charles andando na direção do Carlos. Ele ajudou o Carlos a se levantar e apoiou o braço dele em seu ombro. Os dois foram seguindo para dentro do mato, na direção da casa onde provavelmente estavam os outros.
- Oi! – Falei sorrindo para ela.
- Tonny, - Ela sorriu, mas ainda demonstrava fraqueza. – era pra você ter fugido!
- Ei, já acabou. Ele se foi, não esta mais aqui para nos atormentar.
- Ai é que você se engana Tonny. Ele vai voltar, e se bobear, com força maior. Somos fracos perante eles!
- Eles quem? – Perguntei olhando fixamente para os olhos dela e parecia que ela estava ficando mais fraca a cada segundo que se passava.
- Ton... – Ela dizia enquanto caia. Por sorte, eu a peguei. Peguei-a no colo e a levei para onde estavam os outros.
Passei com ela com cuidado pelo mato, e quando encontrei a casa, pude ver o buraco que o Mascarado havia deixado ali, como um aviso de que algo muito pior estaria por vir. Entrei com ela e encontrei todos sentados à mesa.
- Onde eu posso colocar ela? – Perguntei.

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- No quarto dela, - Disse o professor Marcelo vindo correndo para nos. Afinal, ele era o pai dela. Chegou e acariciou o rosto de sua filha, que parecia dormir feito um anjo, até queria pegar ela no colo, só isso poderia trazer dor para ela, então resolvemos que ele iria fazer algum remédio e preparar os curativos enquanto eu a levava para o quarto.
E assim foi feito. Cheguei ao quarto dela e já a coloquei em sua cama. Infelizmente ela não estava nada limpa, então, sua coberta branca de coelhinhos ficaria suja. Ela era muito caprichosa e vaidosa pelo que vi. Acessórios, cremes, perfumes e outras coisas que só as mulheres sabem o que é, estavam perfeitamente arrumados em uma mesa, na frente de sua cama, com um espelho enorme virado para ela. O quarto dela era lindo, o arquiteto que fez este quarto, é um ótimo profissional. Ajeitei o cabelo que estava por cima de seu rosto, e pude notar mais ainda uma beleza digna da criação de Deus. Seus traços eram perfeitos, os olhos eram um pouco puxados, porém não chegavam aos pés dos olhos de um asiático, mas se diferenciava de todos. Sua boca era carnuda e bem desenhada, parecia até que usava aqueles batons de realce, ou sei lá o que.
- Obrigado por ter me salvado! – Falei beijando sua testa e me retirando de seu quarto.
Ao sair pela porta, o professor Marcelo chegou ofegante, parecia estar correndo para ajudar sua filha o mais rápido possível, mas ele precisava se acalmar.
- Se acalma professor! – Falei segurando seu braço. – Ela está bem. Precisa de cuidados, mas se o senhor continuar nervoso desse jeito vai acabar atrapalhando sem querer.
- É, - Disse ele respirando fundo. – você está certo. Obrigado!
E ele foi para o quarto pelo menos um pouco mais tranquilo. Voltei para a sala, parei e olhei todos. A Isabela estava me olhando com os olhos cheios de lágrimas, e quando percebeu que eu também estava olhando, ela abaixou a cabeça. O momento não estava nada bom, todos precisavam de um tempo para se renovar e até mesmo, pensar no que fazer no que é certo e no que é errado.
- Acho melhor todos irem para suas casas. – Propus. – Pode ser melhor agente descansar em casa, ver nossas famílias e nossos amigos. Pode ser relaxante e precisamos disso.

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Ninguém se movimentou ninguém parecia nem mesmo respirar de tão parados que estavam. Então resolvi dar o primeiro passo, já que queria muito ir para cara.
Enquanto saia da casa, percebi um movimento por trás de mim, mas resolvi não ligar, e apenas pedir pra Deus que não fosse nenhum ataque de novo, porque no nosso estado, estaríamos praticamente mortos com uma nova surpresa como a primeira.
- Tonny! – Falou a Isabela. Eu já estava do lado de fora da casa, na pequena parte que poderia ser chamada de varanda. Era praticamente a entrada da casa. – Espera!
- Oi. – Falei me virando para ela. Foi um tenso momento. Afinal ela já veio quase chorando, e quando chegou perto, me abraçou tão forte, que se o momento não fosse ruim, seria um ótimo abraço. – O que foi Isa? – Falei dando um apelido carinhoso para ela, e a abraçando também.
- Me desculpe não ter ajudado, - Falou entre soluços. – não pude servir de nada. Me perdoe! – Implorou.
- Ei, - Tirei ela de mim, segurei seu rosto e olhei em seus olhos cheios d’água. – não se culpe por isso! Se você tivesse lá, poderia ter ajudado sim, mas também, poderia ter se machucado mais. Se você, o Marcelo e o Luca tivessem ficado lá, o Mascarado teria mais alvos e isso complicaria muito mais. – Sequei suas lágrimas e dei um beijo em seu rosto. – Não fique assim. – Falei sorrindo.
- Obrigada!
- Não há de que. - Sorri. – Quer que eu te leve para casa? – Perguntei.
- Gostaria, mas tenho de ficar aqui. – Disse ela segurando minha mão. – O Luca e os outros podem precisar de mim.
Claro que o Luca ia precisar dela, afinal, é uma criança e do jeito que o Marcelo está preocupado com a Lorena, seria melhor que ela ficasse para ajudar mesmo. Então sorri e soltei minha mão da dela. Um até logo talvez, e fui embora, de volta para minha casa, com os pensamentos fluindo rapidamente em minha cabeça.
O que iria acontecer conosco? O que estava por vim? O que será que o Carlos quis dizer quando falou que muita coisa ainda está para acontecer? Queria saber que coisas eram essas. Queria saber o que vim procurar saber. Ainda era de noite, porém, não duvidaria se daqui a pouco, fosse amanhecer.

                                                         ...

Posted on 13:10 by Lucas Gomes A. Siqueira

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